Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Editorial erra: Silvinho não rasga nota de mil

Por Luiz Weis em 11/05/2006 | comentários

Quem teve a pachorra – ou o dever profissional – de acompanhar a sabatina de mais de 6 horas do ex-secretário petista Silvio Pereira na CPI dos Bingos só pode estranhar o editorial da Folha de hoje a respeito.

O jornal parece ter engolido com isca e linha a alegação de que o depoente padece de “visível transtorno de adaptação à realidade”.

“Em sua fala à ontem à comissão”, avalia o jornal, ‘esse desvio esteve presente do começo ao fim […]. Pereira aparentava total alheamento em relação à pauta.”

No diagnóstico da Folha, as respostas do ex-petista “oscilaram entre a apatia, o estupor e o puro nonsense”.

Nonsense, seria o caso de retrucar, se o idioma fosse o inglês.

Tanto que, no mesmo jornal, porém perfeitamente adaptada à realidade, a coluna Painel menciona o “festival de mentiras” do depoimento.

Igualmente atenta, a colunista Dora Kramer escreve no Estado que foi “uma precipitação inominável” qualificar Pereira como “desequilibrado mental, descompensado emocional e atormentado espiritual”.

E a matéria do Globo, tampouco se deixando levar pelas aparências, aponta, já nas primeiras linhas, que Silvinho, como era chamado no PT nos bons tempos, se comportava “ora como se estivesse confuso e ora lúcido”.

Nesse teatro que parecia não acabar nunca, uma coisa ficou absolutamente clara: Silvio Pereira não é tolo, muito menos amalucado. Não há hipótese de ele rasgar a proverbial nota de mil.

P.S.

Da série “O diabo está nos detalhes”:

Numa passagem do interessante artigo sobre o mundo “pós-pós-guerra fria”, transcrito hoje no Estado, o colunista Thomas Friedman, do New York Times, conta uma velha piada húngara:

Depois que a legendária seleção nacional derrotou a da União Soviética, o Kremlin mandou um telegrama ao governo de Budapeste.

Na tradução do Estado: “Parabéns pela vitória. Ponto. Petróleo ponto. Gás ponto.”

Qual é a graça? Perdeu-se na má tradução.

A tradução boa é: “Parabéns pela vitória. Stop. Petróleo stop. Gás stop.’

Ainda hoje, metade dos hidrocarbonetos consumidos na Hungria vem da Rússia.

***

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