Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Eleição vai ganhando vida na mídia

Por Luiz Weis em 28/11/2005 | comentários

Os jornais do fim de semana deixaram claro que a sucessão presidencial começa a conquistar espaço crescente, em meio ao noticiário da corrupção, do caso José Dirceu e da crise Dilma-Palocci.

O Estadão diz em título que “Sem alternativa, Lula vai apelar para projetos sociais em 2006”, ecoando o não propriamente isento ou moderado líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia.

Segundo ele, o governo “vai injetar dinheiro na veia do eleitor”, em busca de votos.

Pode até ser. Mas por que “sem alternativa”? Se os números da mais recente PNAD servirem de termometro eleitoral [ver nota abaixo], Lula não está necessariamente condenado a ficar mal na fita como aparece hoje nas pesquisas de avaliação do seu desempenho.

A perda da popularidade do presidente se deve, para tentar dizer muito numa só palavra, ao mensalão.

É óbvio que a oposição vai fazer render o assunto na campanha, como contraponto à economia, mas é cedo para dizer qual será o fator que mais influirá na decisão da maioria dos votantes.

De mais a mais, a insuspeita Fundação Getúlio Vargas, do Rio, apresenta hoje os resultados de uma pesquisa cujos resultados devem ir na mesma direção – e um pouco além – daqueles da PNAD.

A pesquisa destacará a redução – pequena em porcentagem, mas relevante em números absolutos – do total de domicílios sem renda nenhuma. Graças ao Bolsa-Família, interpreta o economista Marcelo Neri, da FGV, na Folha de ontem.

A propósito, ele é um entusiasta das políticas focalizadas, como a de renda mínima, que os adversários consideram pejorativamente assistencialistas. Para estes o centro de tudo são as políticas universais (educação, saúde, saneamento, seguridade social, habitação etc). Mas essa é outra história.

O que importa é que não faltará bala na agulha de Lula para dizer que no seu primeiro mandato o Brasil ficou menos pobre e menos desigual.

Conforme a PNAD, no ano passado foram criados 2,7 milhões de empregos, a massa salarial [número de trabalhadores empregados vezes o rendimento médio da população assalariada] cresceu 3,3% e a quantidade de domicílios sem renda caiu de 716 mil para 585 mil.

Se ele tiver sorte, a próxima PNAD, com dados deste ano, só será conhecida depois do segundo turno.

Sorte porque 2005 não deverá ser um ano tão “espetacular”, como diz Marcelo Nery, em comparação com 2004, para o mercado de trabalho. Embora o governo preveja, se tudo correr nos conformes, que o pico do aquecimento da economia em 2006 coincidirá com a chegada das eleições.

Não há de ter sido apenas por bom-mocismo, portanto, que um dos dois presidenciáveis tucanos já na raia, o governador paulista Geraldo Alkmin [o outro, naturalmente, é o prefeito José Serra] proferiu na sexta-feira uma espécie de breve contra a baixaria eleitoral, que o Estado e a Folha destacaram no noticiário; no Globo, quem o fez foi o colunista Merval Pereira.

Falar mal? Nem pensar

No mesmo dia em que o presidente desancou os oposicionistas, numa solenidade em Fortaleza, chamando-os de “medíocres e agourentos”, Alckmin disse a 300 convidados da Associação Comercial do Rio – no que Merval considerou uma “demonstração de força” – que, se for ele o candidato do PSDB, não falará mal “nem do Lula, nem do PT, nem do governo”.

O governador decerto tem pesquisas indicando que não é isso que o grosso do eleitorado quer ouvir – até porque, lulista ou não, também tende a achar que os políticos são o que ele disse: medíocres e agourentos.

[A julgar por um número expressivo de comentários enviados a este blog, os brasileiros acham que eles são outras coisas até piores. Às vezes, os termos usados vão além do publicável.]

Alckmin também deve saber que quanto mais a oposição concentrar o fogo na pessoa do presidente, menos eficaz isso será para as suas pretensões de tirá-lo pelo voto do Planalto.

Se é para não votar em Lula, o eleitor quer propostas. Ou assim parece.

A menos, é claro, que surjam fatos novos que ponham todas essas interpretações de ponta-cabeça. E estamos apenas na virada de novembro para dezembro de 2005 –10 meses cheios antes do primeiro turno.

De todo modo, Alckmin disse no Rio uma coisa preciosa, quaisquer que tenham sido os motivos que o levaram a dizê-la:

“Falar mal dos outros não quer dizer que a gente seja melhor.”

Vale, como se diz, para Deus-e-todo-mundo.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/11/2005 JOSÉ RUI

    Na crise política que se arrasta no país há mais de cinco meses, sinistros personagens têm conquistado os holofotes da mídia por sua postura raivosa e golpista. Entre eles, destaca-se o senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL. Quando a tensão atingiu o seu ápice, ele festejou a possibilidade do impeachment do presidente Lula e da derrota das esquerdas para uma platéia de ricaços em São Paulo: ‘Vamos nos livrar dessa raça por uns 30 anos’. Rechaçado pela declaração racista, o notório reacionário tentou remendá-la. Na seqüência, diante dos cartazes espalhados em Brasília com sua foto sobreposta a uma imagem nazista, ele teve um chilique e esbanjou histeria, relembrando seus velhos tempos de serviçal da ditadura militar.
    Agora, ameaça processar o sociólogo Emir Sader, um dos intelectuais brasileiros mais lúcidos e corajosos na denúncia da oposição de direita e que o taxou de ‘banqueiro racista’ num texto à Agência Carta Maior. Lamentavelmente, o seu pronunciamento do Senado anunciando a abertura do processo teve o beneplácito de senadores petistas e pedetistas, bem ao estilo da cínica diplomacia parlamentar [1]. A ofensiva da velha raposa oligárquica, que durante algum tempo ficou na moita, mostra que a oposição liberal-conservadora está excitada. Escorraçada na eleição presidencial de 2002, ela parte para a revanche e não esconde o seu ódio de classe – para tristeza dos mercadores de ilusões que apostaram no fim da luta de classes no país!

    Passado sinistro

    Mas o senador Jorge Konder Bornhausen não está com esta bola toda! Como desabafou recentemente o presidente Lula, irritado com os hidrófobos do PFL, ‘eles não têm moral para criticar’. Na vida política, o senador sempre esteve a serviço das piores causas. Ele iniciou sua carreira na UDN, partido da elite, com roupagem moralista, conhecido pelas ações golpistas contra Getúlio Vargas e João Goulart. Após o golpe de 1964, foi um dos líderes da Arena, partido da ditadura, da tortura e dos assassinatos, sendo presenteado com o posto de governador biônico de Santa Catarina. Com a redemocratização, fundou o PFL e ajudou a forjar a imagem de Fernando Collor de Mello. Defendeu este governante corrupto até o seu impeachment.

    No triste reinado de FHC, Bornhausen foi um de seus principais ministros e ajudou no nocivo processo de privataria do Estado e de desmonte do Brasil. Em toda sua trajetória política, inclusive como embaixador, ele se projetou pela postura de subserviência diante dos interesses imperialistas dos EUA e de apologista do ideário neoliberal de enxugamento e privatização do Estado, de abertura indiscriminada do mercado interno, de redução dos gastos públicos nas áreas sociais e de flexibilização dos direitos trabalhistas. Uma coisa é certa: ele nunca escondeu as suas posições nitidamente identificadas com as teses da direita mais reacionária e entreguista, como se constata em seus discursos no Senado de fácil acesso na internet.

    Já na vida privada, o banqueiro Jorge Bornhausen também tem um passado bastante suspeito. Oriundo de uma família oligárquica de Santa Catarina, ele sempre gozou de muito dinheiro e poder, tanto que chegou à presidência da poderosa Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Nas relações promiscuas entre o público e o privado, que caracterizam os patrimonialistas tupiniquins, o senador já foi acusado de vários atos ilícitos. Em junho de 2002, por exemplo, a revista Isto É denunciou: ‘Na investigação sobre remessa ilegal de dinheiro, Polícia Federal acha boleto bancário em nome de Bornhausen’. A matéria descrevia em detalhes um megaesquema de corrupção no envio irregular de bilhões de dólares do Brasil ao exterior.

    ‘Na papelada encontrada por investigadores americanos na agência do Banestado em Nova York havia um boleto bancário no valor de R$ 185 mil em nome de Jorge Konder Bornhausen’. Esse montante teria saído da agência do Banco Araucária em Foz do Iguaçu. Em seguida, passou por um offshore num paraíso fiscal e desembarcou nos EUA. Com 35 mil páginas, o relatório da PF revelava a movimentação de 137 contas suspeitas feita através da CC-5. Entre 1992 e 1997, pessoas e empresas utilizaram este recurso para enviar ilegalmente ao exterior R$ 124 bilhões. Deste montante, a PF identificou quase R$ 12 bilhões que provinham de dinheiro sujo, ‘procedente de corrupção, tráfico de drogas e de armas e outros ilícitos’ [2].

    Estranhamente, FHC arquivou o dossiê da PF e ainda afastou o delegado José Castilho Neto, responsável pela investigação. ‘O estopim foi a divulgação do nome do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, entre os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro’. A investigação ainda incriminou vários tucanos de alta plumagem, como o próprio FHC, José Serra e o falecido Sérgio Mota [4]. Revelou que o Banespa, sob controle do PSDB, usou este mesmo esquema de lavagem para enviar US$ 50 bilhões ao exterior em 1997. O Banestado quebrou em 1998, num escândalo que causou prejuízos de US$ 200 milhões para seus quatro mil clientes. Essa lavanderia mundial foi uma das fontes de recursos do condomínio PSDB-PFL.

    Jorge Bornhausen também aparece em outros casos sinistros. Segundo o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), ele esteve diretamente envolvido no escândalo da Pasta Rosa, que relacionou 49 parlamentares que receberam dinheiro para suas campanhas da Febraban e do Banco Econômico que nunca foi contabilizado – o famoso caixa-2. Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro da campanha de FHC em 1994, reconheceu publicamente que cerca de R$ 10 milhões destes recursos não foram contabilizados. O senador ainda é citado no caso da Feira de Hannover, ‘em que sua filha, sócia de uma empresa, ganhou sem licitação um contrato de quase R$ 17 milhões para a organização da feira. Jorge Bornhausen foi o principal defensor do governo FHC porque obtinha vantagens, não era por ideologia’, ironiza o deputado petista.

    Em junho de 2003, os procuradores Luiz Francisco de Souza, Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá entregaram à Receita Federal cerca de seis mil documentos sobre 52 mil pessoas que lavaram US$ 30 bilhões nos EUA a partir do Banestado de Foz do Iguaçu. O maior foco de investigações recaiu sobre ‘a família do sr. Jorge Bornhausen, do PFL, cujo banco familiar, o Araucária, lavou ao menos US$ 5 bilhões nesse esquema, que envolvia dinheiro de traficantes, de doleiros, mas sobretudo das sobras de campanhas eleitorais’ [5]. Todos estas graves denúncias, infelizmente, não fluíram no conciliador governo Lula. Elas bem que poderiam desmascarar muitos dos que hoje pousam de políticos honestos e esbanjam arrogância.

  2. Comentou em 29/11/2005 Haroldo M. Cunha

    Caro Luiz, quero discordar humildemente dessa matéria, ela NÃO VAI GANHANDO NADA, ela já está posta na pauta dos jornalões e outras mídias desde o dia 01/01/2003! Vide as manchetes e noticiários do período, destacando sempre a incompetência do Presidente eleito pelos trabalhadores e seu governo. Falar mal é da regra do jogo, nada de novo, mas isso que seus colegas (desculpe-me)fazem é torpe, reverberar esses políticos de esgoto em acusações descabidas ou sem um pingo de prova, é inominavel! Portanto, o disputa eleitoral na prática já esta sendo discutida há muito tempo.
    Quanto a alguns comentários abaixo, só uma coisa: Os urubus continuam sobrevoando os girassois!

  3. Comentou em 29/11/2005 José Carlos dos Santos

    acho incrível essa mania de julgar e culpar sem provas que algumas pessoas têm, vejo muitos falarem, oh!!! nunca vi tanta corrupção,quando mesmo que ninguém tenha apresentado até agora provas de que houve toda essa corrupção que se alardeia, principalmente pelo jornalismo de aluguel da VEJA.

  4. Comentou em 29/11/2005 Joao Carlos

    Sem dúvida, não temos outra alternativa se não votar em qualquer UM que não seja LULLA.
    Nem que haja manipulação dos índices que FHC construiu e hoje venham em benefício de LULLALAU.
    Tanta corrupção e inabilidade em governar jamais será igualada. O Brasil não merece a mediocridade duas vezes.

  5. Comentou em 29/11/2005 Ana Maria Ribeiro

    O COMENTÁRIO DO JEDEÃO CARNEIRO DISSE TUDO:
    ou LULA ou NULO, E, EU FICO COM A SEGUNDA OPÇÃO PORQUE A MAQUIAGEM NEOLIBERALISTA DO GOVERNO LULLA NÃO TEM AGRADADO EM NADA AO POVO BRASILEIRO E A AMÉRICA LATINA!

  6. Comentou em 28/11/2005 Iorgeon Haenkel

    De novo, é impressionante como é difícil para grande parte da mídia e de setores da eliote do país admitirem que o governo Lula têm méritos. Antes ouví de algumas pessoas que os índices do IBGE eram manipulados pelo governo e que tudo não passava de uma estratégia do governo. Mas, e agora? com a FGV publicando pesquisa até mais abrangente? Demonstrando que , embora seja ‘pequeno’ os índices de desigualdade no país são os menores desde a década de 70! Essa notícia não é somente boa é bótima! Se o Lula não cumpriu tudo que prometeu, pelo menos a promessa mais relevante de combate a fome e a miséria parece estar dando resultados. O que grande parte da mídia, por desconhecimento ou mesmo por má vontade não reconhece, é que programas de distribuição de renda têm um efeito social que vai além do assistencialisno. Essa mesma mídia só reconheceu os benefícios do bolsa família, depois que uma das revistas (The Economist) mais importantes da Europa, publicou uma matéria extensa sobre o assunto.Creio que tá mais do que na hora da mídia começar a ressaltar o país que está dando certo, não só com o Diego Hipólito, Daina e outras estrelas da ginástica que, hoje, não dão mais caruara na hora de executar os seus saltos mágicos.Ainda bem que a elite inteligente deste país já percebeu que a mais beneficiada com a diminuição das desiguldades é ela mesma. Sempre acreditei neste país e no seu povo

  7. Comentou em 28/11/2005 João Wagner Montsserrat

    Prezado Luiz, sou estudante de jornalismo e estou escrevendo uma matéria para o jornal laboratorio da faculdade sobre os 30 anos do assassinato de Vladimir Herzog e a influencia que teve para o processo de democratização do país. Gostaria de saber se posso lhe enviar algumas perguntas para fazer a matéria. Tem como me passar um email para que eu possa lhe enviar as perguntas? Preciso disso até quarta feira. Desde já agradeço. Um abraço, João

  8. Comentou em 28/11/2005 José Carlos dos Santos

    Acho estranho o Alckmin dizer que não vai falar mal do Lula, PT ou do governo, já que nas propagandas televisas, o PSDB é todo ataque e do mais baixo nível, tentando confundir o eleitor misturando alhos com bugalhos, e seus asseclas no congresso, ficam bancando os valentões dizendo que não votam o orçamento se não votarem a cassação de José Dirceu, pois eu duvido que cumpram essa ameaça justamente em ano eleitoral, é só mais um lance nesse jogo sujo que está se tornando essa eleição.

  9. Comentou em 28/11/2005 Jedeão Carneiro

    O nível dos políticos da oposição não nos dá outra alternativa: ou LULA ou NULO.
    A ‘Coligação do Diabo PSDB-PFL’ vai se ferrar.

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