Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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Eleição vai ganhando vida na mídia

Por Luiz Weis em 28/11/2005 | comentários

Os jornais do fim de semana deixaram claro que a sucessão presidencial começa a conquistar espaço crescente, em meio ao noticiário da corrupção, do caso José Dirceu e da crise Dilma-Palocci.

O Estadão diz em título que “Sem alternativa, Lula vai apelar para projetos sociais em 2006”, ecoando o não propriamente isento ou moderado líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia.

Segundo ele, o governo “vai injetar dinheiro na veia do eleitor”, em busca de votos.

Pode até ser. Mas por que “sem alternativa”? Se os números da mais recente PNAD servirem de termometro eleitoral [ver nota abaixo], Lula não está necessariamente condenado a ficar mal na fita como aparece hoje nas pesquisas de avaliação do seu desempenho.

A perda da popularidade do presidente se deve, para tentar dizer muito numa só palavra, ao mensalão.

É óbvio que a oposição vai fazer render o assunto na campanha, como contraponto à economia, mas é cedo para dizer qual será o fator que mais influirá na decisão da maioria dos votantes.

De mais a mais, a insuspeita Fundação Getúlio Vargas, do Rio, apresenta hoje os resultados de uma pesquisa cujos resultados devem ir na mesma direção – e um pouco além – daqueles da PNAD.

A pesquisa destacará a redução – pequena em porcentagem, mas relevante em números absolutos – do total de domicílios sem renda nenhuma. Graças ao Bolsa-Família, interpreta o economista Marcelo Neri, da FGV, na Folha de ontem.

A propósito, ele é um entusiasta das políticas focalizadas, como a de renda mínima, que os adversários consideram pejorativamente assistencialistas. Para estes o centro de tudo são as políticas universais (educação, saúde, saneamento, seguridade social, habitação etc). Mas essa é outra história.

O que importa é que não faltará bala na agulha de Lula para dizer que no seu primeiro mandato o Brasil ficou menos pobre e menos desigual.

Conforme a PNAD, no ano passado foram criados 2,7 milhões de empregos, a massa salarial [número de trabalhadores empregados vezes o rendimento médio da população assalariada] cresceu 3,3% e a quantidade de domicílios sem renda caiu de 716 mil para 585 mil.

Se ele tiver sorte, a próxima PNAD, com dados deste ano, só será conhecida depois do segundo turno.

Sorte porque 2005 não deverá ser um ano tão “espetacular”, como diz Marcelo Nery, em comparação com 2004, para o mercado de trabalho. Embora o governo preveja, se tudo correr nos conformes, que o pico do aquecimento da economia em 2006 coincidirá com a chegada das eleições.

Não há de ter sido apenas por bom-mocismo, portanto, que um dos dois presidenciáveis tucanos já na raia, o governador paulista Geraldo Alkmin [o outro, naturalmente, é o prefeito José Serra] proferiu na sexta-feira uma espécie de breve contra a baixaria eleitoral, que o Estado e a Folha destacaram no noticiário; no Globo, quem o fez foi o colunista Merval Pereira.

Falar mal? Nem pensar

No mesmo dia em que o presidente desancou os oposicionistas, numa solenidade em Fortaleza, chamando-os de “medíocres e agourentos”, Alckmin disse a 300 convidados da Associação Comercial do Rio – no que Merval considerou uma “demonstração de força” – que, se for ele o candidato do PSDB, não falará mal “nem do Lula, nem do PT, nem do governo”.

O governador decerto tem pesquisas indicando que não é isso que o grosso do eleitorado quer ouvir – até porque, lulista ou não, também tende a achar que os políticos são o que ele disse: medíocres e agourentos.

[A julgar por um número expressivo de comentários enviados a este blog, os brasileiros acham que eles são outras coisas até piores. Às vezes, os termos usados vão além do publicável.]

Alckmin também deve saber que quanto mais a oposição concentrar o fogo na pessoa do presidente, menos eficaz isso será para as suas pretensões de tirá-lo pelo voto do Planalto.

Se é para não votar em Lula, o eleitor quer propostas. Ou assim parece.

A menos, é claro, que surjam fatos novos que ponham todas essas interpretações de ponta-cabeça. E estamos apenas na virada de novembro para dezembro de 2005 –10 meses cheios antes do primeiro turno.

De todo modo, Alckmin disse no Rio uma coisa preciosa, quaisquer que tenham sido os motivos que o levaram a dizê-la:

“Falar mal dos outros não quer dizer que a gente seja melhor.”

Vale, como se diz, para Deus-e-todo-mundo.

***

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