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Domingo, 19 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Em entrevista de leitura imprescindível, Veja engole a seco tese que condenou

Por Alceu Nader em 14/11/2005 | comentários


Está lá, na área nobre das páginas amarelas desta semana, a entrevista com o senador Tasso Jereissati. O resultado do embate pergunta-resposta é favorável ao cardeal tucano de melhores relações com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Na p 14, a repórter Thais Oyama intercede:



Veja – Faltou falar sobre a hipótese de que o PSDB teria evitado uma postura mais agressiva diante da crise por causa do envolvimento do seu ex-presidente Eduardo Azeredo com o valerioduto.
Jereissati – Eu não concordo porque esse, sim, é um problema de caixa dois. Que é sério e precisa ser investigado, mas que não é um problema com a dimensão daquele que atingiu o PT. O problema do PT é de corrupção e de desvio de dinheiro público – o maior já feito no Brasil de forma sistemática. E que funcionava a partir da mais alta cúpula do governo: a Casa Civil. É diferente de caixa dois.

Veja – Que não deixa de ser um crime, como o senhor mesmo afirma. Ainda assim, o senhor foi um dos maiores defensores da permanência de Azeredo no comando do partido.
Jereissati – Eu não defendi a permanência dele. Apenas coloquei que o Eduardo Azeredo deveria decidir de acordo com sua consciência. Depois, nesse caso, o crime – eleitoral, é bom frisar – ocorreu quando ele foi candidato ao governo de Minas, antes de assumir a presidência do partido. Não houve, portanto, um comprometimento do PSDB nacional.
  


Como se vê três linhas acima, o senador diferencia o crime eleitoral de outros – ‘é bom frisar’, adverte. A revista engoliu a seco tese contrária a um de seus caros princípios: lutar contra a impunidade ao crime eleitoral.

A bandeira é nobre: os condenados por crimes eleitorais pagam, no máximo, com penas de caráter social. Os crimes prescrevem em três anos. Não há sequer um registro de prisão. Meter a mão no dinheiro alheio, seja público ou privado, termina em amena contravenção. E os escândalos políticos se sucedem…

A entrevista é de leitura imprescindível, mesmo porque indica alguns movimentos futuros do PSDB, e traz o reconhecimento de Tasso Jeiressati de que os parlamentares seguiram a reboque da imprensa.
Mas faltou a réplica e o esclarecimento do porquê o senador diferencia crime eleitoral dos demais. Afinal, esse foi o assunto central da série recorde de capas consecutivas da revista.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/11/2005 Célio Mendes

    Parece-me que este passaro de vistosas cores chamado Tucano tem uma curiosa tendencia de condenar em outros crimes que pratica confessadamente, duvida ? de uma lida na Carta Capital desta semana e veja como o aguerrido Senador Arthur Virgilio defendeu com sua costumeira veemencia a utilização do caixa 2 em campanhas numa entrevista ao JB de 19/11/2000. Mas como diria nosso glorioso sociólogo FHC o passado deve ser deixado para a história.

  2. Comentou em 17/11/2005 Haertel Duarte

    A história é a mesma. Tudo o que sempre se fez na política nacional agora é abominável. E Veja é o veículo da indignação e de investigação desses procedimentos inadmissíveis. O que se espera é que tais práticas, a partir de agora, sejam repudiadas, combatidas e investigadas mesmo que estejam no poder os ‘amigos’ dessa mídia tendenciosa. É uma pena que a memória nacional seja curta. Hoje, por exemplo, são poucos os que lembram de uma célebre declaração ministerial, captada pelas parabólicas Brasil afora: ‘O que é bom eu faturo, o que não é a gente varre para baixo do tapete’.

  3. Comentou em 15/11/2005 Carlos Cassaro

    Ora,por quê Veja iria contestar alguém do PSDB? Se fosse do PT,já teriam botado a boca no trombone,não deixariam barato,e seria motivo para mais uma ‘reportagem investigativa’.

  4. Comentou em 15/11/2005 Gabriela Guerreiro

    PERDEU VEJA !!!

  5. Comentou em 15/11/2005 Renê Guedes

    Caro Nader,

    é óbvio o comnportamento da dita revista…
    Ainda mais ela, fiél depositária de campanhas tucanas.
    Não existe dificuldade na leitura desta entrevista: ‘ Aos meus amigos tudo…aos inimigos, A LEI !!!!!!!!!’

    Mídia canalha, sem vergonha, pústula…
    só com a democratização dela é que começaremos a discutir, seriamente, a dita democracia…
    Até agora, as pessoas tem se valido de maneira incosequente, até mesmo desapercebida, da verdadeira revolução em curso…a revolução da informação. Num futuro, que julgo muito próximo, o jornalismo será praticado em fóruns como o seu, sr. Nader, no caótico universo virtual. Não será racional e ordenado, mas sim verdadeiro…
    Trabalhei na Folha de S.paulo. Participei da 1º turma de trainees daquela empresa. Experiência malfadada, considerando o fracasso do programa. Educador, no entanto, ao me proporcionar os meandros de uma ‘ indústria’ da mídia, com todas as suas, digamos, vicissitudes…A grande pergunta decisiva para a contratação era…’ a internet substituirá o papel imprensa’…
    ehehehe, pobres senhores da mídia…estão preocupados com a forma…nunca com o conteúdo…
    Pois bem, passados 6 anos desta entrevistam, respondo aos senhores daquela folha: ‘ a falta de ética e seriedade jornalistica acabará com o papel imprensa…e tudo o mais’…

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