Quinta-feira, 26 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
Menu

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Ensinando a ´lixar´

Por Luiz Weis em 17/04/2008 | comentários

No último fim de semana os jornais acharam que já era hora de apurar como é que as crianças acompanham e ‘vivenciam’ a tragédia de Isabella. E aproveitaram para perguntar a psicólogos e educadores o que os pais e professores deviam ou não deviam fazer para ajudá-las a enfrentar o horror a que a TV as expõem e que se tornou, também para elas, o centro das atenções.

Ontem, os repórteres Gilberto Amendola e Vitor Hugo Brandalise tiveram a sorte de estar no lugar certo, na hora certa, e a sensibilidade para registrar como essas funcionam na vida real. Deu no seguinte, como saiu no Estado de hoje:

Vestindo um uniforme escolar e carregando uma mochila nas costas e uma pasta cor-de-rosa nas mãos, Fernanda (nome fictício), de 8 anos, estava parada em frente ao edifício Bragança da Serra, na Rua Dr. Timóteo Penteado, em Guarulhos, na Grande São Paulo [onde mora o pai da madrasta de Isabella] Ao perceber a movimentação dos repórteres, a menina repetia: ‘Tem que ´lixar´, tem que ´lixar´.’ Perguntada sobre o significado de ´lixar´, ela respondeu. ‘Minha mãe disse que ´lixar` (linchar) é bater no pai da Isabella.’

Bater até matar, naturalmente.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/04/2008 iracema ferreira ferreira

    acho um absurdo esse negossio de linchar não podemos gerar mais violencia voces viram quando a mãe de alexandre nardone gritava covardia covardia entrgue esse asassino na minhas mãos mas não mais gritou quando ela soube que o asassino era seu propio filho já imagnaram que todos os asassinos tem pai e mãe prsizamos muito de rezar pra que nunca aconteça na nossa familha que deus nus proteja e nus de paz para que essa violencia tenha fim eu rezei muito ra que não fosse opai e a madrasta pois confesso que chorei quando comprovou que eram eles e muito difisil quando e um asassino perguntamos de que familia e essa pesoa agora o prprio pai e muita dor não cosigo achar uma palavra a não rezar pela familia de ana carolina oliveira e as familhas do casal que estão marcadas para sempre que deus us prteja nunca vão coseguir recuperar completamente

  2. Comentou em 20/04/2008 Aldineide Lelian Lelian de Souza

    Vivemos num país onde as leis buscam diligentemente operar justiça; temos uma polícia competente que integra uma rede de mecanismos que respeita os direitos humanos, sem obscurecer o fator primordial da justiça que é punir legalmente os culpados. Enveredar pelo caminho da violência seria o mesmo que ser conivente com a babárie cometida pelo casal Ana Madrasta e Alexandre Nardoni. A mídia, somente propagou a verdade, no cumprimento de seu dever; e nós ficamos indignados, no cumprimento do nosso dever cidadão; as nossas crianças, como podem ser poupadas, se elas mesmas são alvo indefeso das mais cruéis violências? Ficaremos em paz quando os assassinos forem punidos; não podemos nos reportar à lei do dente por dente e olho por olho, mas não abriremos mão da justiça, sob pena de fomentarmos um novo ‘faroeste’. E, sinceramente, estamos orgulhosos da ‘polícia’ brasileira. Esperamos esta mesma diligência nos demais casos. Obrigada.

  3. Comentou em 20/04/2008 antonio barbosa filho

    A única coisa que as TVs lamentam nesta tragédia é não terem sabido minutos antes para poderem transmitir ao vivo a menina sendo jogada pela janela. Daria ainda mais Ibope! Especialmente com aquela narração histérica dos finais-de-tarde. Mas os apresentadores e repórteres garantem: farão um grande espetáculo na reconstituição do crime. E se houver linchamento dos acusados pela multidão estimulada pela mídia, melhor ainda. Mais pontos no Ibope, mais faturamento – isso é o que importa. pena que não aconteçam casos como este todo dia…

  4. Comentou em 18/04/2008 CArlos N Mendes

    Caro Fábio, esse crime em Alcobaça foi filmado e passou em rede nacional. Lembro na TV (mas não lembro o canal) os corpos empilhados ainda queimando. Não sei se mesmo hoje, é possível convencer as pessoas que não se pode dar aos criminosos punições piores que os crimes que cometeram. Mas as cabeças mudaram : há duzentos anos, depois de presenciar o incineramento de algum criminoso, provavelmente as pessoas iam comemorar o fato com um churrasco…

  5. Comentou em 18/04/2008 márcia oliveira

    o caso da menina isabella realmente é revoltante. O papel da midia é o de levar a informaçao, infelizmente alguns veiculos de comunicaçao, principalmente a tv alem de informar estimula e aguça em todos o sentimento de odio pelo casal. Nao podemos deixar que esses meios eduquem nossos filhos. O dialogo nessa hora é muito importante, nós pais temos mais poder sobre nossos filhos que a midia. Então, podemos até falar com eles, do ódio que estamos sentindo daquele pai, daquela madrasta, da vontade de fazer o mesmo com eles. Mas nao podemos, fazer. Espero que a tv, após esfriar um pouco o caso, aproveite do seu poder, em seus programas leve para os lares alguns especialistas que possam explicar o que aconteceu, que tipos de sujeitos sao esses, que matam e insistem em dizer que sao inoscentes, e que avô é aquele, qual a influência que ele tem nesse comportamento dos acusados.

  6. Comentou em 18/04/2008 Fabiano Melo Quirino

    ‘Caso Isabella faz audiência de telejornais crescer até 46%’- deu hoje (18/04) na Folha de São Paulo. ‘No ´Jornal Nacional´, a cobertura chegou a ocupar 15 minutos e 20 segundos na edição da última terça-feira (15), o equivalente a 37% do telejornal. A Globo mobilizou 18 repórteres, oito produtores e 20 cinegrafistas para cobrir o caso. Eles fazem plantões permanentes em casas de parentes de Isabella e em delegacias’. Abandonei a televisão há muito tempo e tenho sabido de detalhes (sórdidos) sobre o caso através dos comentários de colegas e uma ou outra olhadela nos jornais (impressos e virtuais). O efeito da exploração do caso no imaginário infantil, como descrito pelos repórteres mencionados acima, comprova a imundície da televisão em sua busca incessante de audiência quais urubus famintos por carniça.Para essa raça irresponsável (para não usar um palavrão), o importante é o índice do Ibope. O resto, como disse a a garotinha, que se ‘lixe’!

  7. Comentou em 18/04/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você foi curto e precioso. Me fez lembrar de um outro linchamento (não jornalistico, mas real mesmo). Em 1988 comprei com alguns amigos uma casinha na cidade de Alcobaça BA. Desde então passei para lá e ficava 20 ou 35 dias durante as férias. Fiz vários amigos na cidade, vi crianças crescerem naquela cidade. Conheci duas que partilharam uma verdadeira tragédia. Por razões que agora não lembro um casal foi assassinado em Alcobaça. O autor do crime foi preso, mas revoltados os moradores da cidade invadiram a cadeia, destruiram a cela, lincharam os autores do duplo homicídio e depois queimaram-nos em praça pública. A filha de 10 anos de uma amiga minha foi assistir ao que estava ocorrendo e presenciou a fogueira. A cena a chocou tanto, que muitos anos depois ela não podia sentir o cheiro de sabão-de-coco porque associava-o ao odor dos corpos queimando e aquilo lhe provocava uma sensação aterradora. Também conheci a filhinha do casal que foi assassinado… Alcobaça não tinha jornal, nem rádio, nem TV, mas se tivesse e os mesmos fizessem o que alguns jornais, rádios e TVs fazem em Sampa a tragédia certamente seria ainda mais medonha (e com registros em tape).

  8. Comentou em 18/04/2008 Pedro Meira

    Infelizmente, o caso está sendo tratado com um sensacionalismo absurdo, para saciar a sede de sangue do povo, em nome da audiência. A cobertura prejudica enormemente a imparcialidade da investigação e julgamento. Onde irão encontrar um júri capaz de julgar com isenção esse casal, que não esteja com a cabeça cheia de prejulgamentos e até de ódio? Só se for em outro país.

  9. Comentou em 17/04/2008 Ubirajara sousa

    Senhor Luiz Weis, o senhor porventura deteve-se a examinar o comportamento das emissoras de tv no que se refere às manifestações hostis, de toda ordem, veiculadas nesses dias? Será que é correto o jornalistista cinegrafista (é isso mesmo?) assestar a sua filmadora para pessoas cuja finalidade, maior do que a de suprir a sua curiosidade e a sua gana de extravasamento de seus instintos bestiais, disfarçados em gritos de justiça, é a de direcionar os holofotes da mídia para as suas desbitadas imagens, no afã de conseguir os seus 5 (cinco) segundos de glória. Trabalha mal a imprensa. Chamar a isso de ‘prestar informação’ para mim cheira mal. Assim, a menininha que gritava lixar, na sua inocência, era autêntica, pois apenas repercutia o que a sua mãe repercutira da mensagem da mídia. O Brasil precisa de um melhor jornalismo. O senhor não acha?

  10. Comentou em 17/04/2008 janete alves menezes giardini menezes giardini

    Comono país não há punição para os mais ricos, o povo quer fazer justiça comas mãos.É sabido que no Brasil quem vaipra cadeia sao só os ladrões de galinhas. os miseráveiseos negros, cria-setodo esse barulho do
    LIXAR.

  11. Comentou em 17/04/2008 janete alves menezes giardini menezes giardini

    È lamentável o que a imprensa anda fazendo com ocaso Isabela, para vendermais.O ódio que se distribuicom fartura espalha-separa todos
    oslados. Onossopovo acha que nãoexiste justiçano país , pois só vai para acadeia ladrão degalinhaeosnegros e por isso querem justiça seja ela como for.yw

  12. Comentou em 17/04/2008 AV AV

    No minimo a mídia e imprensa deveria fazer um apelo aos curiosos de platão para não violar os direitos de ‘ir e vir e tranquilidade’ na casa da familia já que os proprio plantões da imprensa e da mídia provoca a mobilização. Engraçado que esses plantões e essas indgnações não é feita na mesma proporção quando é preciso questionar um legislador e a legislação deste páis!

  13. Comentou em 17/04/2008 Felipe Pereira

    É lamentável a corbertura de certos veículos sobre o caso da menina Isabella. Pode até parecer bobeira, mas virou assunto de botequim. Todos querem dar palpites, e muitos programas de televisão chegam a fazer ‘mesas redondas’ para discutir tal fato.

  14. Comentou em 17/04/2008 Marco Antônio Leite

    A imprensa esta fazendo o seu papel, o de levar informação ao grande público, com mais ou menos lisura, mas esta cumprindo com aquilo que esta escrito na cartilha do jornalista. Porém, como se trata de um crime de classe média pobre vamos sugar essa cana até virar bagaço, é o que esta acontecendo, é só ler jornais, ler blogs, assistir televisão, capas de revistas e agregados que o corpo do olvidado esta exposto livre, leve e solto. Linchar e lixar esta relacionada com espancar, esfaquear, matar através de tiros (balas), enforcar, etc. Isso em função do ódio de populares desconjurados com um crime cometido pela vítima do linchamento ou lixamento. Lixar vale para desgastar ou polir com lixa. Igualmente, indignar-se, enfurecer-se e ter mau fim. Saliento, tanto lixar como linchar tem o mesmo peso, é tudo aquilo que esta exposto acima, ou seja, justiçar ou executar sumariamente sem julgamento “legal”.

  15. Comentou em 17/04/2008 Wellington Oliveira

    É evidente que a imprensa precisa noticiar os fatos, afinal é esta a sua finalidade. Mas mesmo assim não podemos deixar de perguntar até que nível se deve ir em busca de fornecer informações = atrair audiência = vender audiência = lucrar milhões, pouco importando com o resultado disso na vida das pessoas. Ora, mas se estamos cientes da equação acima, então recai sobre cada pai e mãe a responsabilidade de orientar os seus filhos. Não vou aqui defender a idéia da não exposição, pois sei, que ela é impossível. Afinal, se o teu filho não assiste Tv, o amigo da rua, da escola assiste e ele acaba sendo atingido pela exposição indireta. É dever dos pais discutir os fatos midiáticos com os filhos com sensatez e honestidade, não tentando esconder das crianças o que há de verdadeiro no fato, mas tentando mostrar para ela qual a melhor postura a adotar diante das circunstancias apresentadas. Com este tipo de atitude os pais podem não estar garantindo o êxito das suas orientações, mas pelo menos não estarão incentivando a má formação do caráter dos seus filhos.

  16. Comentou em 17/04/2008 Carlos N Mendes

    O Brasil tem demanda reprimida de execuções penais. No mercado paralelo, estamos bem : os mercadores de chacinas se encarregam de parte do mercado, mas há grandes porções da sociedade desassistidas nesse quesito. Muito, MUITO difícil fazer campanha contra a pena de morte; todos sabemos que, quando uma vítima diz ‘quero que se faça justiça’, a maior parte das vezes ela está querendo dizer ‘quero que se faça vingança’. Se analisarmos bem, qual seria a diferença ? Na maioria das Nações, porém, a pena de morte foi abolida, entre outros motivos, porque a vingança não se basta em si, ela nos rebaixa à altura do ato a ser punido, e é irreversível, o que inviabilizaria uma correção futura. Falta-nos também uma ‘âncora moral’ que nos diga que pré-julgar é injusto, porque mancha a vida das pessoas de tal forma que, se forem inocentes da acusação, ficarão o resto de seus dias tentando fugir da injustiça. E aí a imprensa pode assumir o papel de âncora moral da sociedade, deixando de alimentar a fúria contra quem ainda não foi julgado. Mas o circo vende mais jornal, infelizmente.

  17. Comentou em 17/04/2008 Alexandre Leschinski

    Quando servi o exército, alguns sargentos e até tenentes ensinavam que quando se tira serviço no batalhão e por acaso alguém entra nas dependências do mesmo deve-se dar 2 tiros.
    Um no sujeito e outro pra cima e então perguntar ‘Alto! Quem vem lá?’
    Acho que a imprensa está fazendo isso no caso Isabella.

  18. Comentou em 17/04/2008 jairo ferreira coelho

    Meus amigos e leitores e também vitimas dessa que foi sem duvida a materia que mais, ficou na midia nestes dias.
    O tragico assassinato marcou em todos nós, a pior das emoçoes. Por meio das noticias fomoe s ficando com cor, medo e odio ao mesmo tempo.
    Somos humanos e sentimos, mas quero fazer aqui uma pergunta. Quantas crianças precisam perder ou tert a sua vida ceifada para que nos homens e mulheres posamos toamr uma atitude, para tentarmos mudar esse quadro, que é terrivel. Somos invadidos por uma programaçãopd e TV sem controle de moral. podemos ver como a midia ficou como urubu vasculhandoa carniça. Até que pontro isso é bom? Nos dias atuais a midia parece viver de vasculhar o pior dos piores para editar publicar e com isso vender seus prondiuto final. a manchete. Estamso como jornalistas contribuindoi para que.?
    Somos responsaveis por nossos atos , mas não somos responsabiliados pelo que as pessaos vão pensar do nosso trabalho. o qua vamos fazer? Jairo Coelho

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem