Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Epitáfio para uma guerra

Por Luiz Weis em 25/07/2006 | comentários

Peço desculpas por transcrever, no original, o texto abaixo. Mas, entre mantê-lo entre os meus guardados, à espera de que tenha tempo para traduzi-lo, em prazo incerto e não sabido, e publicá-lo assim mesmo, sabendo que não terá serventia para uma parcela dos leitores, fico com a segunda alternativa, tão “definitivo” me parece esse artigo sobre os ataques de Israel ao Líbano.

Intitula-se “A moralidade não está do nosso lado”. Foi escrito por Zeev Maoz, professor de ciência política da Universidade de Tel-Aviv. Saiu hoje na edição on line em língua inglesa do jornal israelense Haaretz. O link é http://www.haaretz.com/hasen/spages/742257.html

”There´s practically a holy consensus right now that the war in the North is a just war and that morality is on our side. The bitter truth must be said: this holy consensus is based on short-range selective memory, an introverted worldview, and double standards.

This war is not a just war. Israel is using excessive force without distinguishing between civilian population and enemy, whose sole purpose is extortion. That is not to say that morality and justice are on Hezbollah´s side. Most certainly not. But the fact that Hezbollah ‘started it’ when it kidnapped soldiers from across an international border does not even begin to tilt the scales of justice toward our side.

Let´s start with a few facts. We invaded a sovereign state, and occupied its capital in 1982. In the process of this occupation, we dropped several tons of bombs from the air, ground and sea, while wounding and killing thousands of civilians. Approximately 14,000 civilians were killed between June and September of 1982, according to a conservative estimate. The majority of these civilians had nothing to do with the PLO, which provided the official pretext for the war.

In Operations Accountability and Grapes of Wrath, we caused the mass flight of about 500,000 refugees from southern Lebanon on each occasion. There are no exact data on the number of casualties in these operations, but one can recall that in Operation Grapes of Wrath, we bombed a shelter in the village of Kafr Kana which killed 103 civilians. The bombing may have been accidental, but that did not make the operation any more moral.

On July 28, 1989, we kidnapped Sheikh Obeid, and on May 12, 1994, we kidnapped Mustafa Dirani, who had captured Ron Arad. Israel held these two people and another 20-odd Lebanese detainees without trial, as ‘negotiating chips.’ That which is permissible to us is, of course, forbidden to Hezbollah.

Hezbollah crossed a border that is recognized by the international community. That is true. What we are forgetting is that ever since our withdrawal from Lebanon, the Israel Air Force has conducted photo-surveillance sorties on a daily basis in Lebanese airspace. While these flights caused no casualties, border violations are border violations. Here too, morality is not on our side.

So much for the history of morality. Now, let´s consider current affairs. What exactly is the difference between launching Katyushas into civilian population centers in Israel and the Israel Air Force bombing population centers in south Beirut, Tyre, Sidon and Tripoli? The IDF has fired thousands of shells into south Lebanon villages, alleging that Hezbollah men are concealed among the civilian population. Approximately 25 Israeli civilians have been killed as a result of Katyusha missiles to date. The number of dead in Lebanon, the vast majority comprised of civilians who have nothing to do with Hezbollah, is more than 300.

Worse yet, bombing infrastructure targets such as power stations, bridges and other civil facilities turns the entire Lebanese civilian population into a victim and hostage, even if we are not physically harming civilians. The use of bombings to achieve a diplomatic goal – namely, coercing the Lebanese government into implementing UN Security Council Resolution 1559 – is an attempt at political blackmail, and no less than the kidnapping of IDF soldiers by Hezbollah is the aim of bringing about a prisoner exchange.

There is a propaganda aspect to this war, and it involves a competition as to who is more miserable. Each side tries to persuade the world that it is more miserable. As in every propaganda campaign, the use of information is selective, distorted and self-righteous. If we want to base our information (or shall we call it propaganda?) policy on the assumption that the international environment is going to buy the dubious merchandise that we are selling, be it out of ignorance or hypocrisy, then fine. But in terms of our own national soul searching, we owe ourselves to confront the bitter truth – maybe we will win this conflict on the military field, maybe we will make some diplomatic gains, but on the moral plane, we have no advantage, and we have no special status.”

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/08/2006 alto falante

    Tentámos colocar aqui a tradução do texto por Vós publicado em ‘epitáfio para uma guerra’, mas não cabe!…
    Vai estar disponível em

    http://altybonsomws.blogspot.com/

    Cumprimentos e felicidades de Portugal!…

  2. Comentou em 26/07/2006 Edivaldo Melo

    Mas se queremos buscar nossa própria identidade nacional, nós devemos ficar cara a cara com a verdade amarga: talvez iremos ganhar esse conflito no campos militar, talvez teremos muitos ganhos diplomáticos, mas no plano moral, nós não temos vantagem e não temos nenhuma situação especial.

  3. Comentou em 26/07/2006 Edivaldo Melo

    O número de mortos no Líbano, a grande maioria é composta de civis que não tem nada a ver com o Hesbollah, é mais de 300. Pior ainda, bombardeando alvos de infraestrutura como estações de energia elétrica, pontes e outros edifícios civis tornando a população civil do Líbano inteira em vítima e refém mesmo não ferindo esses civis. O uso de bombardeios para alcançar uma objetivo diplomático – em outras palavras, forçar o governo libanês a implementar a Resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU – é uma tentativa de chantagem potítica, e não menos que o seqüestro dos soldados israelenses pelo Hesbollah é o objetivo ocasionando a troca de prisioneiros. Existe o aspecto da propaganda nesta Guerra, e isto envolve uma competição como quem é mais miserável. Cada laso tenta persuadir o mundo que é mais miserável. Como em toda campanha de propaganda, o uso da informação é seletiva, distorcida e tipo ‘santinho’. Se nos queremos apoiar nossa política de informação (ou podemos chamar isso de propaganda ?) assumindo que os outros países estão comprando a mercadoria duvidosa qie nós estamos vendendo, será por ignorância ou hipocrísia, então tudo bem.

  4. Comentou em 26/07/2006 Edivaldo Melo

    …nós bombardeamos um abrigo no vilarejo de Kafr Kana que mataram 103 civis. O ataque pode ter sido acidental, mas aquilo não fez que a operação tivesse mais nenhuma moral. Em 28 de julho de 1.989, nos sequestramos Sheikh Obeid, e em 12 de maio de 1.994, nós seqüestramos Mustafá Dirani, o qual tinha capturado Ron Arad. Israel prendeu estas duas pessoas e outros 20 detentos Libaneses irregulares sem julgamento. Isso é permitido para nós, é lógico, e proibido para o Hesbollah. O Hesbollah cruzou a fronteira que é reconhecida pela comunidade internacional. Isto é verdade. O que nos estamos esquecendo é que desde nossa retirada do Líbano, a Força Aérea Israelense tem conduzido uma vigilância através de fotos todo dia dentro do espaço aéreo libanês. Enquanto esses vôos não causam vítimas , violações de fronteira são violações de fronteira. Aqui também, a moralidade não está do nosso lado. Tanto pela história da moralidade. Agora vamos considerar os problemas atuais. Qual é exatamente a diferença entre lançar ‘Kastyushas’ nos civis em Israel e a Força Aérea Israelense bombardear civis no sul de Beirute, Tyre, Sidon e Trípoli ? As Forças de Defesa de Israel tem lançado milhares de bombas em vilarejos no sul do Líbano alegando que homens do Hesbollad estão escondidos entre a população civil. Aproximadamente 25 civis israelenses foram mortos como resultados dos ‘Katyusha’ até agora

  5. Comentou em 26/07/2006 Edivaldo Melo

    Vu tentar uma tradução livre, OK ? É um consenso sagrado que a guerra do Norte é apenas guerra e que a moralidade está do nosso lado. A dura verdade precisa ser dita: o consenso sagrado é baseado em uma memoria seletiva de curto alcance, uma visão do mundo introvertida e preconceituosa. Esta não é apenas uma guerra. Israel está usando excessivamente a força sem distinguir civis dos inimigos, o qual tem como único objetivo a chantagem. Isto não é dizer que moralidade e a justiça está do lado do Hesbollah. Certamente que não. Mas o fato que o Hesbollah começou isso quando sequestrou soldados de uma fronteira internacional não faz inclinar a escala de justiçà para o nosso lado. Vamos começar com alguns fatos. Em 1982 nós invadimos e ocupamos um país independente. No processo de ocupação, nós jogamos toneladas de bombas do ar, da terra e do mar, matando e ferindo milhares de civis. De acordo com estimativas conservadores, aproximadamente 14.000 civis morreram entre junho e setembro de 1982. A maioria não tinha nada a ver com o PLO (?), que era o pretexto oficial para a guerra. Nas operações Acerto de Contas e Uvas da Fúria, nós causamos fugas em massa de quase 500.000 refugiados do sul do Líbano em cada ocasião. Não há um número exato das perdas de vidas nestas operações, mas qualquer um pode se lembrar que na Operação Uvas da Fúria, nos bombardeamos..

  6. Comentou em 26/07/2006 marta tajra

    Por favor Luiz, traduza o texto para nós, pobres mortais que não aprendemos essa tal de língua universal e pela qual eu não me envergonho nem um pouquinho ( por não saber a língua, claro). Obrigada em bom português.

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