Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Esquadrões

Por Mauro Malin em 18/05/2006 | comentários

Nosso Século, editora Abril Cultura, 1980, vol. 5, pág. 196:


“(….) A matança de delinqüentes foi se generalizando, sem muito alarde, sobretudo no Rio de Janeiro, até que, em 1968, os jornais começaram a receber telefonemas de um agente chamado ´Rosa Vermelha´, que informava o local onde estaria o próximo cadáver. Os corpos traziam cartazes com a caveira e as tíbias [usadas no emblema do Esquadrão da Morte]. Em São Paulo, o relações-públicas do Esquadrão chamava-se ´Lírio Branco´. Em 1970, uma pessoa ligada ao Esquadrão revelou uma lista de policiais que participavam da organização, nela incluindo o delegado Sérgio Fleury. Iniciou-se o processo (o primeiro deles) sobre os crimes do Esquadrão da Morte. O procurador da Justiça, Hélio Bicudo (que acusou o esquadrão de acobertar tráfico de drogas, exterminando quadrilhas em benefício de outras), passou a ser diariamente ameaçado de morte, mas enfrentou a organização até quando pôde, isto é, até ser exonerado do cargo. Os cérebros do Esquadrão permaneceram impunes. O próprio Fleury, que estava sendo processo, foi beneficiado por uma lei baixada em 1973 (e que acabou levando seu nome): os réus primários de bons antecedentes, mesmo depois de condenados, não são presos até o julgamento do recurso em última instância.”


Nessa época se detectou, portanto, colusão entre bandidos e policiais em ações de tráfico de drogas. O assaltante Lúcio Flávio Vilar Lírio, eliminado na cadeia em 1975, considerando excessiva a confusão, julgou necessário estabelecer distinção entre bandidos e policiais.


O leitor Eucimar Oliveira escreve:


‘Caro Mauro, me desculpe a impertinência, mas acho que num bom, preciso e isento (ao seu jeito) exercício de memória, a questâo do esquadrãoo da morte em Sao Paulo, do Fleury e do Fininho, deveria, numa versao poltergeister do blog, sair da tumba para que todos vejam quanto aterradora, estupida, inócua é a defesa do extermínio. Leitor do blog: Imagine a sua empregada, a quem você paga mal e exige muito, use os seus 400 reais mensais para investir na educaçao do filho. Imagine esse jovem no local e hora errados assistindo à execução de prováveis delinqüentes. Imagine depois o luto dessa empregada de que você tanto gosta e nem tanto remunera. A lógica dos esquadrões é não deixar rastros. Danem-se as testemunhas, inocentes que sejam. Para quem defende isso, um voto: esteja no lugar e na hora certos para não testemunhar. Só assim você poderá continuar vivo para defender a tese da aniquilação.’

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