Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Estadão ironiza blogs tentando obter credibilidade

Por Carlos Castilho em 17/08/2007 | comentários


O jornal O Estado de S.Paulo resolveu ironizar os weblogs na tentativa de mostrar que eles não merecem ser levados a sério, numa campanha onde o alvo indireto é o fortalecimento da credibilidade do veterano órgão da elite quatrocentona de São Paulo.



A iniciativa revela mais as preocupações do Estadão do que as debilidades dos weblogs em matéria de confiabilidade e exatidão das informações que publicam.


Se o jornal quisesse mesmo prestar um serviço ao público teria enfatizado a necessidade de um posicionamento crítico, em vez de uma inútil tentativa de desqualificar um canal de comunicação adotado hoje por quase 70 milhões de pessoas em todo mundo, inclusive pela maioria dos jornais.


Os blogs não estão acima de qualquer suspeita em matéria de veracidade das informações que publicam. Muito menos jornais, como o Estadão, porque é crescente a consciência de que o conteúdo de todos os veículos de comunicação deve ser visto de forma crítica, o que não significa hostilidade e nem desconfiança.

A desastrada campanha publicitária do Estadão provocou a reação imediata da comunidade de blogueiros. Alguns deles chegaram a pegar pesado, como o Banda Podre, que usou o episódio Pimenta Neves, que nada tem a ver com  a questão da credibilidade do jornal.


A realidade contemporânea se tornou demasiado complexa para ser condensada nas páginas de um jornal, revistas, no noticiário radiofônico ou nos telejornais. Em vez de se preocupar em desacreditar concorrentes ou blogs, o Estadão deveria começar pelo próprio quintal, porque só assim ele poderia mostrar o caminho para busca de solução de um problema que é um desafio para toda a imprensa e também para os blogs.


A questão da credibilidade nos meios de comunicação é muito mais séria do que as piadinhas dos spots publicitários do Estadão. Ela não vai ser resolvida com ironias, que servem apenas para mostrar a falta de informação do jornal sobre a complexidade da comunicação contemporânea.


Conversa com os leitores
O texto do post foi corrigido no quinta parágrafo para suprimir uma informação que errôneamente atribuia ao blog de André Deak (e não Bleak como escrevi) o anúncio fake com a imagem do ex-editor chefe do Estadão, Pimenta Neves.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/08/2007 marina chaves

    e quem me dera…….. justamente o jornalista mino carta….. que nao deixa a velha olivetti por nada! isso ainda acaba em poesia…

  2. Comentou em 21/08/2007 marina chaves

    calma………. ainda nao devemos perder a esperança………… nem tudo está perdido na guerra iniciada pelo o estado de sao paulo contra os bolgs. ontem eu navegava no site da carta capital e descobri que a revista fechou acordo com comunidades de blogs na internet…… o objetivo da revista ao se aliar aos blogs é justamente para se garantir que no brasil a livre imprensa de fato aconteça…… ainda mais que o jornalista mino carta tem um blog aqui no ig. parece que a carta capital entrou nesse guerra pra valer!

  3. Comentou em 21/08/2007 Carlos N Mendes

    Essa campanha do Estadão só mostra a importância da credibilidade como fundamento para se vender jornal. Me admira que TODOS os jornais brasileiros optem por abordagens ideológicas, sacrificando parte da credibilidade apenas porque, como disse Roberto Civita, o público quer ver sangue. Credite-se a favor do Estadão que, em matéria de parcialidade, ele está levando um banho da Veja (quase um órgão partidário) e da Folha (o jornal do contraponto negativo, quando fala do governo Lula : ´a economia vai bem, MAS…´). Blogs, pelo menos, são explicitamente opinativos, e ninguém lê um só, trazendo pluralidade de opinião, um cenário bem mais ventilado que o site de um jornal. E vai melhorar.

  4. Comentou em 21/08/2007 Teresa Leonel Costa Teresa Leonel

    O desespero do Estadão tem de positivo o avanço que o blog alcançou nos últimos anos. O de negativo é o uso da propaganda agressivamente indelicada para atacar profissionais competentes quando a questão diz respeito ao desafio do entender a comunicação contemporânea. Outro fator intrigante é perceber que o próprio jornal tem blogueiros. E, além disso, qual a razão para tanta raiva? Se a questão é a falta de credibilidade de alguns blogs, quem disse que todos os jornais têm credibilidade e estão isentos, sem tendências? Nós como estudiosos da comunicação e comunicadores devemos estar, sim, em constante processo de conhecimento das novas comunicações que estão surgindo para aprimorarmos cada vez mais a forma de entender esse processo. Os blogs não vão afundar os jornais. Muito pelo contrário. Vão contribuir com um novo espaço para o debate. Sou blogueira, sim. http://teresaleonel.blogspot.com

  5. Comentou em 20/08/2007 Erich Vallim Vicente

    Eu sei que não é hora de encontrar bodes expiatórios. Mas esta campanha publicitária do Estadão mostra como é complicado quando a redação fica em segundo plano num jornal. Ou seja, dá-se a chamada ‘carta branca’ ao pessoal do marketing… daí, eles fazem o que bem entendem. O resultado são bobagens como essa.

  6. Comentou em 20/08/2007 JOSE RONALDO GONÇALVES

    Essa guerrinha da Big Press apenas começou. E mal! Quem leu o globo de domingo sabe. Foram duas páginas com matérias de indução subliminar (ou picaretagem mesmo!)muito bem urdidas. Primeiro espalhe-se a idéia de uma rede potencialmente apócrifa, tendo-se o cuidade de destacar relatos à esquerda e à direita; Segundo, destaca-se, num box à parte, a opinião abalizada de um especialista na diatribe: o Jabor; Terceiro: coloca-se dois boxes baixando o pau na credibilidade da rede e seus integrantes. Por dedução, somos (os blogueiros), um imenso e desonesto mundo à parte.
    Conclusão: Estabelecidos estes pontos inicia-se uma campanha eivada de diatribes, ‘testes de hipóteses’ e esculhambação pura e simples. Se colar, colou! Se não é matéria apócrifa!
    Se não, vejamos: O Jabor mandar um Brigadeiro ‘enfiar o pepino no c**&&//?ú é direito à livre manifestação. Já o Marco Aurélio….
    É isso aí moçada! É bom saber que estamos incomodando!
    Saudações.
    PS: Aposto um saco de risadinhas novo em folha que ‘alguém’ no Judiciário já sabia da falta de fidedignidade dos ‘fatos noticiados’ pela veja e fartamente repercutidos pela caterva. SE isso é imprensa, sou mais o descabelante psicanalista da Fôia à cometer, tal e qual Poetarso, de peito aberto e mãos hirsutas, odes ao prazer solitário da descabelação sem culpa.
    Sai de baixo que lá vem imprensa…

  7. Comentou em 20/08/2007 jorge cordeiro

    E só mais uma coisa: eles dizem que os blogs não têm credibilidade, que não dá pra saber que está por trás dos posts. Ora, e quem me garante que quem escreve as matérias sabe de fato do que está falando? Sim, porque com raras exceções, boa parte dos textos é de autoria de jornalistas mal pagos, infelizes com a profissão, com sua rotina, gente que mal tem tempo para se atualizar, para estudar ou mesmo ler. E os mais jovens que entram agora nas redacoes, lapidados em cursos internos que ensinam técnicas mas não respeita a individualidade, já chegam querendo ser mais arrogantes que os antigos. Triste, mas verdade. (www.escriba.org)

  8. Comentou em 20/08/2007 jorge cordeiro

    É claro que os jornais, revistas e afins não vão deixar de existir. Vão sim passar por mudanças profundas, provavelmente encolher, se dedicar mais a assuntos locais e a analises, um pouco de agenda (cultural, esportiva, política, economica) e também as matérias tipo catálogo de vendas (vide cadernos de informática). Como foi dito, em vez de enfatizar suas qualidades, preferiu debochar da concorrência. A água já bate nas canelas desse pessoal e eles parecem não saber bem o que fazer. Primeiro praticamente obrigaram seus jornalistas a montarem blogs (mesmo que a maior parte dos coleguinhas não tenha a menor idéia, nem saco, pra tocar o barco blogueiro), depois abriram espaço para comentários (censurando a maioria deles). E os portais continuam com o ranço da velha imprensa, dividindo os assuntos como antigamente, em editorias que nada ou pouco dizem hoje (onde estão as tags, pelamordedeus?!?!), textos duros, sem links, etc. Vão penar muito ainda… (www.escriba.org)

  9. Comentou em 20/08/2007 jorge cordeiro

    A grande mídia está desesperada. Perde anunciantes, credibilidade e, agora, o respeito de uma legião de internautas. Numa agressão gratuita, sem sentido e burra, o Estadão lançou campanha publicitária detonando blogueiros, pondo em dúvida sua honestidade e inteligência. A reação dos blogs brasileiros foi, como não poderia deixar de ser, imediata e eu assino embaixo. Vamos ver quem tem mais garrafa vazia para vender. A revista britância perguntou, tempos atrás, Quem Matou os Jornais? Elementar, meu caro: os (tu)barões da mídia. (www.escriba.org)

  10. Comentou em 20/08/2007 Vapf ferreira

    A diferenca esta na velocidade de informacao, alem de ler a noticia, o leitor interage, com opinioes…Ja o jornal, nao tirando seu merito, leva um dia para chegar nas bancas ou nas casas, logo a noticia chega de ‘barbas brancas’. Esta polemica nao deve nem ser estimulada, porque as duas ‘naves’ nao se tocam: Uma viaja a velocidade da luz, a outra de carro de boi…

  11. Comentou em 20/08/2007 JorgeWashington Astigarraga

    Muito feliz o seu artigo.Ao ironzar os blogs e,por conseqüência os blogueiros ,o Estadão esquece que comunicação é via de mão dupla.Foi-se o tempo em que o leitor recebia informações goela abaixo e no máximo,ao não concordar com as mesmas,só tinha ao seu dispor a velha coluna Cartas dos Leitores,na qual, nem sempre era atendido ou tinha resposta.O que hoje se percebe nos blogs é uma liberdade que antes não havia.O direito de discordar ou não dos artigos,a liberdade de escolher entre vários enfoques da mesma notícia e o fato de se poder formar juízo entre elas é,no meu entender,a maior conquista que nós leitores obtivemos.A peça publicitária pergunta ‘-se você sabe aonde anda clicando?’.É certo que existem muitos blogs não confiáveis.Mas o fato de poder escolher entre eles,já representa um avanço na relação entre os leitores e a mídia.Ao Estadão cabe uma pergunta:’-vocês sabem o que andam escrevendo?.’ A resposta parece óbvia.

  12. Comentou em 20/08/2007 alfredo sternheim

    Certo, Castilho, o jornal foi infeliz nessa ironia contra os blogs. Quanto ao episódio Pimenta, acreditei que depois do crime, o jornal iria tomar mais cuidado nas suas escolhas, na linha editorial,ser mais pluralista. Afinal, além de assassino , Pimenta pecou por promover a amasia por razões pessoais, em detrimento de outros profissionais da redação. Atitude essa que deveria ter sido percebida (se é que não foi) e combatida pela diretoria do jornal. No momento, cheguei a acreditar que o jornal assumidamente tucano, estava optando por ser menos tendencioso. Ledo engano. Mandei três e-mails perguntando porque as 20 chacinas que só em 2007 mataram mais de 80 pessoas em SP (notícia do Estado) sumiu do jornal. Perguntei porque o Estado insistia em não ter um ouvidor. Nenhuma resposta, apesar da minha condição de assinante. Aliás, até setembro. Chega. Má Educação em limite. Trabalhei no Estadão sob a chefia de Julio de Mesquita Neto, havia realmente um clima mais democrático e de maior respeito ao leitor. Agora, o que se vê são campanhas ironicas e infelizes, e um exacerbado anti-lulismo em todos os cadernos e que que irrita até quem não gosta de Lula. Assuntos importantes simplesmente são ignorados. Triste declínio.

  13. Comentou em 20/08/2007 Antônio Mário Azevedo

    O estadão toma essa atitude pq está se sentindo incomodado. E é para ficar mesmo. A grande mídia perdeu a eleição o ano passado pois sua credibilidade foi colocado em questão.
    No lugar de criticar os blogs, atitude aliás completamente inútil, o estadão, na hora de publicar suas matérias, deveria levar em consideração a inteligência de seus leitores e não ficar fazendo panfletagem. Aí ele ia entender pq anda tão desacreditado! O consolo é q ele não está sozinho não.

  14. Comentou em 20/08/2007 Marko Ajdaric

    Por que não indicam o que o Estdo de São paulo diz? me interessa bem mais do que a ´análise de vocês´

  15. Comentou em 20/08/2007 Clovis Segundo

    Castilho, você falou em anúncio fake, ora o anúncio do Estadão também é um Fake, vários inclusive.

    Eu não sabia que Pimenta Neves, assassino covarde que nunca foi preso, tinha sido editor chefe do Estadão, isso, no meu ponto de vista, diminui a credibilidade do Estadão.

  16. Comentou em 20/08/2007 José Paulo Badaro

    Os blogs não estão acima de qualquer suspeita em matéria de veracidade das informações que publicam. Muito menos jornais, como o Estadão, porque é crescente a consciência de que o conteúdo de todos os veículos de comunicação deve ser visto de forma crítica…

    Matou a pau!

    Chega a ser risível, não o escracho do Estadão em relação aos blogs, mas a falta de percepção de que o futuro da informação é por ai mesmo, de forma alternativa e rápida, passando imediatamente pelo crivo dos leitores, e se alguma coisa errada escapar de um ou de dois, certamente não escapará de todos. Por essas e por outras é que eu não leio apenas o post principal, mas todos os comentários que seguem, tirando ao final as minhas próprias conclusões.

  17. Comentou em 19/08/2007 Marco Antônio Leite

    É triste verificar que o escoltadão tenta desmoralizar um veículo de comunicação que esta deixando a mídia de papel para a história em um desses museus que proliferam mundo afora. O Estadão ao invés de tentar desacreditar os WEBLOG, o ideal seria que esse jornalão antiquado começasse a criar maneiras de levar às noticias de cunho verdadeiro para às periferisa das cidades e, não ficar circulando somente nas camadas mais abastadas da população com notícias que enobrece a elite e, desmoraliza às camadas carentes da população.

  18. Comentou em 19/08/2007 Hélio Amaral

    Embora seja um grande jornal, o Estadão está longe de ser mais confiável que os blogs que frequento. Aliás, nenhum jornal é. Eles refletem apenas as preocupações da classe social de seus assinantes. Ainda bem que temos a diversidade.

  19. Comentou em 19/08/2007 andre deak

    Legal Carlos, grande abraço.

  20. Comentou em 19/08/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Você tem toda razão. E digo mais. Quando vivíamos na ditadura o problema levantado pelo estadão não existia. Os censores ditavam a política oficial e reprimiam duramente qualquer divergência. Via de regra os jornalões seguiam a cartilha estatal. Aliás, é notório o fato de que alguns donos de jornais, rádios e TVs gostavam de adular os milicos e até ganhavam bem para lustrar suas botas. Mas os tempos mudaram. A democracia se tornou uma realidade e a Internet colocou a liberdade de expressão ao alcance de todos. Em razão disto a censura se refinou. Mesmo proibida a maldita censura ainda existe. Mas passou a ser exercida de maneiras indiretas. Uma delas é a baseada na ‘autoridade do discurso’: a credibilidade de alguns websites seria maior do que a de outros. A outra é o ‘discurso da autoridade’: a utilização do Poder Judiciário como uma ferramenta de coerção ideológica se tornou uma triste realidade (a proibição judicial da divulgação da biografia do Roberto Carlos é exemplo claro disto). Do ponto de vista ético o auto-elogio não é uma virtude, mas um erro (não usei o vocábulo ‘defeito’ ou ‘vício’ porque não quero me igualar aos infocensores). Sendo assim, quem diz que suas informações são melhores que as dos outros websites não merece a credibilidade que se auto atribuiu. Escrevi um artigo sobre o assunto http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=130315&cidade=1

  21. Comentou em 19/08/2007 Jorge (acreucho) Nascimento

    Eu sou blogueiro e gosto de colocar minha opinião, não faço críticas por fazer, exponho meus pensamentos sobre os reais e graves problemas sociais brasileiros.
    Blog do acreucho
    http://www.radiovolante.blog.uol.com.br

  22. Comentou em 18/08/2007 Andre Deak

    Carlos, apenas duas correções: Quem ‘pegou pesado’ foi o pessoal do blog que assina a imagem com o Pimenta Neves – eu apenas fiz uma compilação das campanhas contra o estadao que começaram a circular na rede. E é André Deak, não Bleak http://www.andredeak.com.br

  23. Comentou em 18/08/2007 Ivan Moraes

    ‘André Bleak que pegou pesado, colocando na polêmica o triste episódio Pimenta Neves, que nada tem a ver com a questão’: mas que esta engracadisssimo, ta sim. Duvido que Andre estava SE levando a serio por mais irado possa ter ficado… Ta na cara que foi piada, de fato pegou pesadissimo –bem feito! Uma vez fui convidado pra ir num restaurante comer um burger com queijo e como nao estava pagando nao prestei atencao, depois fiquei sabendo que meu burger foi 40 dolares. Um belo dia muitos anos depois esse restaurante foi multado por, entre outras coisa, baratas e ratos na cozinha. O Estadao tem de fato burgers de 40 dolares nos seus blogs (validos ou nao) mas os subestima e os ‘undermine’ (nao tenho ideia) com sua segregacao pros cantos do site. Mesmo assim eu nao como burgers de 40 dolares. Isso nao eh so pro Estadao, certamente, eh pra todos os sites de blogueiros. Quero toda a autenticidade que foi excluida dos jornais e da tv, quero todo o pensamento vivo extirpado da vida jornalistica. Eh pra isso que os blogs servem e eh o que fazem. O que voce talvez nao tenha notado foi a surpreendente veia conservadora que corre numa campanha dessas. Como se brasileiros la na rua fossem de fato tao conservadores como os jornais lhes dizem dia e noite! Eu conheco o Brasil. Eu sou brasileiro. De ‘conservadores’ os brasileiros teem as unhas do dedao do pe.

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