Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Estado da Imprensa 2010: muitas perguntas, raras respostas e mais pessimismo

Por Carlos Castilho em 18/03/2010 | comentários

Uma coisa impressiona logo de cara quem lê o respeitado relatório Estado da Imprensa 2010 publicado anualmente pelo Pew Project for Excellence in Journalism.  Enquanto os informes anteriores destacavam invariavelmente as inovações e mudanças no dia a dia do jornalismo , especialmente nos Estados Unidos, desta vez o documento se concentra na análise da situação econômica da imprensa norte-americana e suas perspectivas futuras.


 


Os jornalistas de todo o mundo seguem de perto tudo o que acontece na imprensa norte-americana porque ela é tida como o padrão para a cultura ocidental em matéria de jornalismo e porque há uma crença generalizada de que o que acontecer com os jornais de lá, vai atingir, em maior ou menor escala, o resto do mundo ocidental.


 


E o relatório 2010 está carregado de pessimismo, a ponto de prever que os jornais norte-americanos têm um prazo até 2013 para achar um novo modelo de negócios, tanto para as versões impressas com as digitais (na Web), mesmo levando em conta uma leve recuperação em 2010 das perdas sofridas no ano passado, em conseqüência da turbulência global nas bolsas de valores.


 


Pesquisadores do projeto e do Instituto Poynter, da Flórida,  estimaram que a indústria dos jornais perdeu 30% de sua capacidade produtiva , avaliada em 1,6 bilhão de dólares, desde 2000. Eles dizem que com isto o setor tem agora apenas US$ 4,1 bilhões para tentar achar uma saída para a crise.


 


A situação está tão feia, que o informe reproduz uma queixa Grafico publicado no Estado da Imprensa 2010das empresas distribuidoras de jornais que reclamam do baixo peso e magreza das edições diárias, responsáveis pelo fato de que os entregadores não conseguem mais jogar os exemplares na porta das casas a partir da calçada. Elas dizem que isto obriga os jornaleiros a chegar mais perto da casa, o que diminui o ritmo de entrega e encarece a distribuição.


 


O informe cita a empresa Veronis Suhler Stevenson para a qual mesmo com uma leve melhoria em 2010, os jornais, revistas e emissoras de televisão dos Estados Unidos devem, em 2013, faturar 43% a menos do que em 2006. É uma queda assustadora e que fica ainda mais preocupante quando se leva em conta que a tiragem média dos jornais norte-americanos caiu 25,6% desde o ano 2000 e que aproximadamente 14 mil jornalistas ficaram desempregados desde 2007.


 


O pior de tudo é que o jornalismo pela Web também não está navegando num mar de rosas. A publicidade online continua raquítica e fica com apenas 10% dos investimentos feitos por anunciantes na mídia norte-americana. Os grandes jornais estão cada dia mais impacientes com a falta de indícios de que a cobrança de acesso às noticias na WEB pode ser rentável. O The New York Times já se deu um prazo de um ano para que a versão online do jornal dê lucro.


 


No caso das iniciativas autônomas, os autores do Estado da Imprensa 2010, citam o projeto J-Lab, que pesquisa jornalismo online nos Estados Unidos, segundo o qual nos últimos quatro anos apenas 141 milhões de dólares foram investidos no segmento, cerca de um décimo do que foi perdido pela grande imprensa no mesmo período.


 

Nesta sinuca de bico, o grande perigo mencionado pelo relatório não é uma quebra em massa de jornais impressos, revistas e telejornais mas o temor de que o segmento se torne irrelevante como fonte de informação. O sintoma desta crescente irrelevância é o fato de que somente 19% dos americanos consultados numa pesquisa do projeto Pew Internet and American Life  terem dito que pagariam pelo acesso a notícias online. 

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/03/2010 RONALD BITTENCOURT

    Será que é proibido falar no OI sobre o encontro do INSTITUTO MILLENIUM em SÃO PAULO que tratou de como deve ser o comportamento da mídia neste ano eleitoral???? Não vi nenhum articulista do OI tratar deste tema tão importante de nossa mídia tupiniquim……

  2. Comentou em 19/03/2010 Cristiana Castro

    Ibsen, o que é EAD?
    Voltando ao texto, ainda tenho uma dúvida. Os jornais impressos, trazem meia tonelada de papel, que a gente nem lê, vai direto pro lixo. É tudo propaganda. Isso tudo não dá conta da manutenção dos jornais? É mais propaganda do que jornal.
    Eu não gostaria de ficar sem o jornal de papel, mas não troco pela web.Ao contrário do planeta, eu não achomais confortável buscar informações na web, prefiro mil vezes, ler meus jornais enquanto tomo meu café. Mas tb é verdade, que de uns tempos para cá, antes de colocar a água do café, ligo o PC. Eu leio e assisto os jornais, mas me guio pela rede. Acredito que, se os jornalistas da rede assumissem os jornais,meio caminho estaria andado. A crise não é do jornalismo, é da Imprensa como empresa.

  3. Comentou em 19/03/2010 Ibsen Marques

    Estive pensando, há uma montanha de Universidades oferecendo cursos EAD que operam, principalmente, via internet. Alguns bons, outros não. Ainda não vi nenhuma que ofereça jornalismo, mas, não vejo problema em que isso ocorra e, melhor ainda, essas instituições talvez fossem incentivadores e participantes do jornalismo on line. A publicação jornalística do site poderia fazer parte da prática do próprio curso de jornalismo. O que você acha disso?

  4. Comentou em 19/03/2010 Ibsen Marques

    ‘baixo peso e magreza das edições diárias’. Castilho, esta afirmação confirma o que você disse sobre o fato de as pessoas estarem interessadas nas generalidades, para ficar por dentro do que anda rolando no mundo. Além de confirmar, indica também que os jornais e jornalistas que trabalham na imprensa em papel já se deram conta disso. O jornal em papel acabou perdendo o que de melhor oferecia que era uma análise aprofundade da conjunturas. As revistas procuram colocar aqueles assuntos ‘quentes’ que pegam as pessoas por seus problemas: saúde, emagrecimento, perda de peso, sensacionalismo científico, religioso e por aí vai. Infelizmente não temos aqui a opção de um jornalismo confiável por parte da grande mídia escrita, falada ou televisada, justamente porque omitem ou escondem propositadamente suas posições políticas alegando falsa isenção e isso já se tornou de domínio público. Por outro lado, ainda há publicidade nos jornais em papel e talvez seja ela quem mantenha muitos leitores (classificados etc). Sobre o investimento de anunciantes no jornalismo web, talvez não aconteça nunca, pois há uma montanha de outros de site com focos outros e que ‘chamam’ muito mais a atenção dos navegadores do que a busca por notícias e, certamente será para lá que irão os investimentos. Sinuca de bico

  5. Comentou em 19/03/2010 C. Brayton

    Eu sou entre os 19%. Eu já pagava o Wall Street Journal — até a venda para Rupert Murdoch. Eu pagaria o New York Times. O valor de uma grande equipe jornalístico com apoio institucional na produção de informações confiáveis e aprofundadas não se supera pela baderna de blogueiros e releases fantasiados de notícias que eles espalham. O que falta é uma campanha maciça promovendo o critério de QUALIDADE DE SERVIÇO.

  6. Comentou em 19/03/2010 Cristiana Castro

    Castilho, eu não consigo entender isso, se as pessoas vem a rede atrás de informação, deve ser pq elas estão interessadas em informação e não a está encontrando nos veículos tradicionais. Aqui no Brasil, isso é fato. Vou me dar como exemplo, na minha casa, costumávamos comprar 3 jornais, todos os dias, hoje, basta comprar um, pq, de um modo geral, o conteúdo é o mesmo. Assim são as revistas e os telejornais. Na verdade, basta ou ler um jornal, ou assistir a um telejornal, ou pegar uma das revistas que já tá tudo visto. Daí que acabamos por fazer a seleção por colunas, ah hoje pega o jornal tal pq tem a coluna do fulano… Quem detounou o mercado, foram eles mesmos qdo optaram por cartelizar a informação. Ora para que alguém vai comprar 4 jornais para ler mais do mesmo. Ou ainda, para que eu vou comprar um jornal pela manhã, para assistir o mesmo a noite e ainda, para que vou pagar uma grana numa revista, para ler o resumo do que já li e vi a semana inteira? Houve um tempo m que havia uma diferença abissal entre o telejornal da Bandeirantes e o da Globo. Hoje, fica difícil escolher o pior, salvo raíssimas, exceções, em favr da Bandeirantes. A rede, mesmo que fizesse a mesma coisa, nos dá a chance de reclamar pq se não desse, ninguém viria atrás de informação,viria para baixar música, teclar, jogar, qq outra coisa. Não é o caso, as pesoas buscam a informação que não recebem.

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