Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Ex-assessor de Bush leva a imprensa norte-americana a discutir posicionamento ético na cobertura da invasão do Iraque

Por Carlos Castilho em 30/05/2008 | comentários

Um livro de memórias de um ex-assessor da Casa Branca colocou a grande imprensa norte-americana diante da espinhosa tarefa de revisar procedimentos editoriais e omissões informativas em 2003, quando o presidente George W. Bush ordenou a invasão do Iraque que levou à derrubada do regime de Saddam Hussein.


 


A principal âncora da televisão norte-americana, Katie Couric, uma espécie de Fátima Bernardes da rede CBS, admitiu publicamente esta semana que foi pressionada a justificar a guerra e evitar qualquer tipo de criticismo ou ceticismo na cobertura dos fatos de antecederam a invasão, há cinco anos.


 


Couric foi até agora a mais importante personalidade da imprensa norte-americana a endossar as afirmações de Scott McClellan, ex-secretario de imprensa da Casa Branca no governo Bush, que acaba de publicar um livro de memórias no qual afirma que a imprensa norte-americana foi duramente pressionada pelo presidente, pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado a evitar questionamentos à decisão de invadir o Iraque.


 


McClellan foi assessor de Bush entre 2003 e 2006, quando foi afastado do cargo em meio a rumores de que havia se desentendido com Karl Rove, o todo-poderoso conselheiro de Bush para questões estratégicas. Ele foi governador do Texas e fazia parte do núcleo duro de ultraconservadores que acompanha Bush desde o seu primeiro mandato presidencial.


 


O livro What Happened: Inside the Bush White House and Washington’s Culture of Deception (O Que Aconteceu: Por Dentro da Casa Branca de Bush e da Cultura da Mentira em Washington) deveria ser lançado só no início de junho, mas algumas cópias vazaram para a imprensa provocando enorme celeuma, não só entre jornalistas como também entre os políticos.


 


Os antecedentes de McClellan, o fato de este ser um ano eleitoral e também porque o livro é a primeira confissão pública de erros por um membro do governo Bush monopolizaram a atenção dos grandes nomes da imprensa norte-americana que se dividiram em dois grupos: os que reconhecem ter sido pressionados a pôr de lado o papel de fiscais do governo (watchdog) e os que justificam as omissões e distorções no noticiario, com base no impacto emocional gerado pelos atentados de 11 de setembro de 2001.


 


Jessica Yellin, âncora da CNN, e que trabalhava na rede NBC em 2003, também admitiu que foi pressionada a apresentar uma visão rósea da invasão. Brian Williams, âncora atual do telejornal da noite da NBC, reconheceu ter recebido vários telefonemas do Pentágono no período pré-invasão, sempre que o noticiário incluía algum item pouco simpático à estratégia da Casa Branca — mas não chegou a fazer um mea-culpa como suas colegas Kouric e Yellin.


 


McClellan diz no seu livro, cujo lançamento foi antecipado por conta da polêmica que provocou, que o presidente norte-americano desenvolveu uma estratégia da mentira para justificar a invasão e classificou esta decisão como “o maior erro da administração Bush, que abandonou a transparência e a honestidade no momento em que elas eram mais necessárias”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/06/2008 JAmBjjbLbZDiHk xUgRnsPFmAmZEdOt

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  2. Comentou em 01/06/2008 gBvoKTkk NsKpuiuadFgf

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  3. Comentou em 31/05/2008 cid elias

    Não foi só isso, Sr. Castilho. A atual cumplicidade do terrorista-mor bush/mídia, bancada sabe-se lá a que preço, teve início na farsa chamada 11 de setembro. Nota 1000 pro Professor Barret que, entrevistado ao vivo no covil chamado fox new´s, ao ser chamado de louco e ‘conspirador’ disse pro lacaio do murdock, entre outras verdades, isto: ‘conspiradores são vocês que querem que acreditemos nessa história ridícula que uma dúzia de barbudos ARMADOS COM CANIVETES e chefiados por outro barbudo, do fundo duma caverna a 10 mil kms de distância, foram os responsáveis pela tragédia…'(quem não viu ainda o documentário LOOSE CHANGE, está no blogdoMello, é impressionante, aliás, estarrecedor!)

  4. Comentou em 31/05/2008 Marco Antônio Leite

    Caro escriba Carlos Castilho, diga-me em que lugar ou país do mundo a imprensa é séria, honesta e verdadeira. Pelo menos aqui no Brasil a mídia trabalha com a ferramenta do sofisma. Já nos Estados Unidos a imprensa esta atolada até o pescoço com as elites do dinheiro e do poder político.

  5. Comentou em 31/05/2008 Edilson Luiz da Silva

    *A imprensa americana, que assume suas preferências políticas é capaz de se deixar influenciar dessa maneira imagine a nossa que, em se tratando de televisão, está nas mãos de politicos sempre aliados com o governo?
    *A pressão deve existir lá como aqui, precisamos de jornalistas corajosos que corram risco de desagradar os poderosos em nome da verdade.
    *A qualquer momento estou estou em meu quintal.
    QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR

  6. Comentou em 31/05/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Ué… agora que o barco dos gringos está afundando no Iraque os jornalistas querem fugir primeiro como se fossem ratos? Se formos comparar os soldados (que acreditaram na imprensa marrom e no governo despótico de Bush e correram o risco de ser despedaçados no deserto – e muitos foram) e os jornalistas safados que os mandaram ao Iraque (e que se dizem pressionadosou que estavam emocionados por causa do 11/09) não é muito difícil perceber qual dos dois grupos agiu com mais ética. Os soldados cumpriram ordens e correram o risco de tomar tiros no Oriente Médio. Os jornalistas, por sua vez, ficaram confortavelmente nos seus estúdios e escritórios e agora se dizem arrependidos. Se tivessem um mínimo de colhões os soldados deveriam estourar os miolos dos seus verdadeiros inimigos: os jornalistas norte-americanos.

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