Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Falta de ignorância

Por Mauro Malin em 12/05/2006 | comentários

Encerrou-se ontem (11/5) o Fórum Folha de Jornalismo. Doze jornalistas estrangeiros falaram em dois dias para uma platéia predominantemente de estudantes. Produziram conteúdo de boa qualidade. No evento promovido pela Folha de S. Paulo chamaram a atenção relatos sobre fatos ocorridos em países vizinhos do Brasil – Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, principalmente – que tiveram muito pouca repercussão na imprensa brasileira. Entende-se melhor por que causam tanta surpresa acontecimentos como a nacionalização do gás boliviano.


Num plano mais filosófico, três frases merecem citação.


O editor-chefe do jornal argentino Clarín, Julio Blanck, falou das informações mal apuradas que são publicadas involuntariamente e… voluntariamente.


O correspondente em Beirute do jornal britânico The Independent, Robert Fisk, protestou com energia e verve contra a interdição de se ir além da descrição sempre limitada dos fatos e se perguntar por que ocorrem determinados processos. Mencionou sobretudo os atentados terroristas de 11 de Setembro e os conflitos no Oriente Médio.


Maria Teresa Ronderos, colunista da publicação online colombiana Semana.com, deu nova forma a uma velha máxima. Disse que um dos maiores problemas dos jornalistas é falta de ignorância: “Desconhecemos o quanto somos ignorantes”.


Publicação


A secretária especial de Comunicação da Prefeitura do Rio de Janeiro, Ágata Messina, anuncia a intenção de publicar os textos. Poderá ser feito um convênio com o Observatório da Imprensa para ampliar a distribuição do livro, dirigido prioritariamente a estudantes de comunicação. A Folha vai oferecer em seu site os vídeos das palestras e debates. Marcelo Beraba, ombudsman do jornal e um dos organizadores do encontro, dispôs-se a encaminhar a idéia à direção do jornal.


Ágata informa que várias publicações já estão na página da Secretaria na internet: http://www.rio.rj.gov.br/secs/ ; clicar em Cadernos de Comunicação no menu à esquerda.  

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  1. Comentou em 14/05/2006 Josefina Neves Mello

    Infelizmente, no plano educacional e de formação dos jovens jornalistas, o fator mais pernicioso que alimenta o mal que aponta María Teresa Ronderos – o desconhecimento do tamanho da própria ignorância – é a qualidade do ensino. As faculdades de Comunicação ´despejam´ anualmente no mercado de trabalho um batalhão de universitários que fazem lembrar ‘os universitários do Silvio Santos’. Não conhecem o contexto cultural do país, da América Latina, do Mundo… não sabem escrever – pois desconhecem as regras básicas da Gramática, da Sintaxe, da Comunicação escrita – e estão o tempo todo preocupados em arranjar um emprego. Essa necessidade do emprego vai ao encontro de necessidades de empregadores inescrupulosos que precisam fazer o rodízio da mão-de-obra (para cumprir algum plano estatístico desenvolvimentista fictício) e economizar na folha de pagamento. Assim, tem-se uma equação que sempre dá certo: jovens recém-formados trabalhando sem discutir, sem analisar o que fazem, e sobretudo escrevem, e patrões com seus lucros garantidos. Enquanto não se encontrar uma forma de fazer uma omelete com os ovos da mesmice e da repetição, para que os formadores de opinião se dêem conta de seu importante lugar social, vamos assistir a essa avalanche de falta de ética e de incompetência no jornalismo, sobretudo no âmbito da sociedade brasileira.

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