Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Falta polêmica na opinião publicada

Por Luiz Weis em 06/01/2006 | comentários

O semanário Expresso, o mais importante periódico português, vendendo em média 128 mil exemplares, entrou em 2006 com um novo diretor, Henrique Monteiro, 16 anos de casa. Ele substitui José Antonio Saraiva, que conduzia o jornal desde 1984.

Importa comentar essa mudança aqui porque a primeira decisão anunciada por Monteiro foi a de ampliar o número de colunistas do Expresso.

E isso importa por causa da sua explicação para a iniciativa. “Num jornal não há nenhum painel que fique fechado, uma vez que não é uma realidade estanque”, argumentou. “E o Expresso está sempre interessado nas opiniões inteligentes deste país.”

No Brasil, quando a ditadura começou a dar sinais de que iria para a UTI e de lá só sairia para a morgue, a Folha se destacou na grande imprensa por ser a primeira a sacar que o público estava com fome de opiniões – inteligentes, sem dúvida, provocadoras, decerto, mas também, ou principalmente, diversificadas.

Isso foi decisivo para tornar o jornal o preferido do leitorado jovem. Hoje em dia, não existem órgãos de mídia brasileiros sem, como diria Henrique Monteiro, um “painel” de autores – jornalistas, ou não, que escrevem o que pensam e assinam em baixo.

A internet, por sua vez, ampliou exponencialmente o espaço para opiniões, nas edições on-line de jornais e revistas, nos sites dos provedores de acesso, nas publicações eletrônicas de caráter jornalístico e, enfim, nos blogs – uma parcela cada vez maior dos quais, por sinal, hospedada nos portais da mídia convencional ou por ela patrocinada.

Mas nunca será descabido cobrar mais opinionismo inteligente na imprensa escrita, falada e televisionada, como já foi moda dizer.

Primeiro porque ela tem a obrigação de ajudar a expandir o debate público no país e, quem sabe, melhorar a sua qualidade, que não é propriamente uma Brastemp.

Segundo, porque é um bom negócio para a imagem não só de jornais e revistas, mas também de emissoras de rádio e TV.

Pesquisas indicam que a credibilidade da mensagem jornalística, em sentido amplo, tende a ser maior quando o mensageiro tem nome, voz e cara.

Isso não quer dizer, evidentemente, que todos os nomes, vozes e caras sejam sucessos automáticos de público. Mas o essencial é que o consumidor de jornalismo se cansou de produtos pasteurizados e de encontrar a mesma mercadoria nas diversas mídias onde se abastece.

É verdade que muita gente só gosta de ler e ouvir o que praticamente só serve para legitimar, com a autoridade dos comunicadores profissionais, aquilo em que já se acredita. É da natureza humana.

Ainda assim, quero quer que a procura pelo contraditório bem-feito, a polêmica sem golpes baixos, é maior do que a oferta. De que adianta um jornal publicar uma pá de textos de análise e opinião se todos os seus autores, ou quase, pensam da mesma forma ou vêem as coisas a partir da mesma perspectiva?

Isso, para não falar nos casos de publicações em que a maioria dos artigos assinados faz coro com a chamada linha da casa, manifestada nos seus editoriais – podendo dar ao leitor a impressão de que por isso mesmo as portas do veículo se abrem para certos signatários e se fecham para outros.

Essa é uma questão que não pode ficar de fora da agenda da crítica de mídia. Os leitores bem que podiam ajudar também, pressionando as publicações a diversificar sempre mais o seu repertório de articulistas e colaboradores.

Afinal, como diz Henrique Monteiro, o novo diretor do Expresso, jornal não é uma “realidade estanque”.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/01/2006 Marcelo Monteiro

    Como dizia Ariano Suassuna, brasileiro não dá show, brasileiro dá espetáculo, parabéns pelo artigo Sr Luiz Weis.

    Espetáculo de bola!

  2. Comentou em 06/01/2006 Jorge Oliveira

    Eu fui assinante pôr um certo periodo da folha e do estadão, ficou para mim a certeza que jogei dinheiro na lata do lixo, o custo beneficio das leituras destes jornalões é muito pouco, é mais manipulação do que imformação, matérias na sua maioria feitas a base de achismos, muitas vezes sem pé nem cabeça, ai voce paga para ler o jornal duvida da matéria e tem que fazer verdadeira maratona para ver se a matéria é verdadeira ou não. Ninguem merece…

  3. Comentou em 06/01/2006 Antonio Marques

    Claro que gostaria muito de participar de uma polemica ou conseguir acompanhar uma discussão politica politizada, alguma coisa ainda posso, neste turbilhão que foi construido nos ultimos dez meses na politica brasileira,discernir sobre o papel da imprensa/meios de comunicação.Não tenho a menor duvida que estão como sempre estiveram, a serviço do Capital, assim sendo caro Luiz, a sua intenção pode ser boa, e o inferno esta cheio delas,porem não houve um unico jornal/imprensa/meio de comunicação procurando a imparcialidade neste periodo,algumas exceções quem sabe no colunismo politico(Tereza Cruvinel,Franklin Martins,Alberto Dines). Ainda Caro Luiz,não consigo ver profissionalismo na midia nacional,vejo sim isso que já foi citado nos comentarios anteriores,¨paus mandados¨por aqueles que não querem um pais justo com um povo soberano.Bem , encontrar um profissional politico ou politico profissional no ¨Estado¨ ainda vai(um dia eles acabam), agora insistir em ¨polemizar¨numa imprensa que esta longe de ser SEMI-PROFISSIONAL, é tambem antes de mais nada ser democratico e socialista. Porque Capitalista é geneticamente um autocrata.

  4. Comentou em 06/01/2006 Piragibe S Borges Borges

    A Folha, já há algum tempo, não tem muita autoridade para falar de opinião. Adorava a folha. Lia-a aos domingos e às quartas, regularmente. Com o passar do tempo, comecei a perceber um certo tendencionismo em suas páginas. A Folha fazia apologia de esquerda para a patuléia e, no velho modelo bate/assopra, acariciava a direita. Assombrou-me, sobremaneira, a conduta da Folha nas eleições para prefeito de São Paulo, como tamhém me incomodou o tal caso ‘Cláudio Abramo’ (esclarecido por Eduardo Suplicy na revista Carta Capital). Dava crédito à Folha por imaginar que estava lendo opiniões isentas e imparciais, do tipo ‘doa a quem doer’. Qual! Falácia pura.

  5. Comentou em 06/01/2006 carlos morais

    Meus caros, como cobrar polêmica e diversidade de uma imprensa que só aceita profissionais ou convidados de uma mesma origem étnica e de classe? Quem duvidar que aponte dez jornalistas ou colunistas da Folha ou do Estadão que escapem ao perfil ‘homem branco de classe média’. Que foi, está difícil lembrar unzinho que seja?

  6. Comentou em 06/01/2006 Paulo oliveira Lima Filho Lima

    Prezados senhores,
    De fato, vivemos num país que o contraditório não existe e a nossa imprensa é o espelho dessa sociedade. Não temos dúvidas que o ‘pautado’ é uma orientação das editorias e definidas pela própria ‘ideologia do interesse’ do jornal e por orientação de suas pesquisas. O jornal de texto, com assuntos de relevância não mais existe…uma atriz de telenovela com seios semi nú , ou que um galâ televisivo que foi encontrado namorando outra moça que não seja a sua parceira de plantão, e que um bandido conseguiu escapar de forma romântica de um cerco policial tem mais peso que uma matéria de interesse cultural…nossa imprensa optou por um tipo de ‘jornalismo sensação’ e até acredito que deve ser o que os leitores pedem e as editorias aceitam , gostam e preferem do falar sobre política de forma adulta, séria e competente.
    A figura do cronista ,já extinta , substituída pelo colunista é uma prova evidente de que o texto curto, que não precisa inicio, meio e fim é o caminho melhor ou mais fácil,impossibilitando o contraditório, até nos papos de esquina.
    Uma informação que deixa sem possibilidade o receptor de comentar ou participar é o retrato da nossa imprensa. As informações morrem no emissor e que se dane o processo de comunicação. Feed back só para meia duzia de leitores que ainda perdem tempo nas ‘cartas dos leitor’ que só servem mesmo como fonte estatística.

  7. Comentou em 06/01/2006 LUIZ CLAUDIO SANTOS

    ACHO QUE, NA VERDADE, FALTAM ARTICULISTAS QUE DEIXEM UM POUCO DE LADO SEUS INTERESSES POLITICOS E DE SEUS PATRÕES. FAÇO PARTE DE UM GRUPO DE DISCUSSÃO (tribuna_da_internet@yahoo.com.br), E ALGUNS DE NÓS TEM TIDO MENSAGENS CENSURADAS NO BLOG DO JOSIAS (UOL), PROVAVELMENTE POR NÃO ADEQUAR NOSSAS OPINIÕES ÀS DELE. SENDO ASSIM, SÓ HAVERÁ POLÊMICA A RESPEITO DAQUILO QUE FOR DO INTERESSE POLÍTICO DELE.

  8. Comentou em 06/01/2006 Jonas Cristovao

    Fico feliz por esse tipo de atitude, para que possa ser ouvida a voz e opiniões de quem discorda de jornalista ou colunistas, que tem suas posições tendenciosas.

  9. Comentou em 06/01/2006 octavio antonio

    Oportuna e feliz o seu comentário a respeito da mídia brasileira. Nós aqui do interior sentimos na pele esse direcionamento midiático sempre a serviço de uma política provinciana recheada de bajulações e interesses. Sou colunista do Jornal ‘O Movimento’, de Pirassununga e, por isso, observador assíduo da linha editorial adotada pela mídia impressa. Parabéns, só assim teremos um leitor bem informado e preparado para os mandos e desmandos que, na maioria das vezes, está oculto nos porões da indignidade.

  10. Comentou em 06/01/2006 Mariva Neves

    Creio que o comprometimento dos profissionais da Imprensa c/ os donos do meio de comunicação, torna opaca a idéia de quem se propõe a emitir opinião sobre um determinado assunto que não seja do interesse dos respectivos patrões. Para nós, -consumidores da informação -, temos que estar atento constantemente ao autor/editor, posto que, de certo, ele tenderá a explicitar não a sua ótica mas sim, aquela que arregimentará maior seguidores para a linha editorial do impresso.Portanto, procuro lê diversos autores em periódicos diferentes e tirar minhas conclusões, quando isso é possível, posto que ‘mentiras’ repetidas vezes, vira verdade !

  11. Comentou em 06/01/2006 Anna Ribeiro

    Fico me perguntando como encaixar o Diogo Mainardi nessa realidade e se o sucesso que ele faz (inclusive comigo) não é pelo fato da pasteurizacao da imprensa ter se tornado uma realidade palpável..

  12. Comentou em 06/01/2006 Bruno Silveira

    Estes dois últimos comentários seus são interessantes. Leio jornal desde os 16 anos (tenho 25). Lembro que no começo não entendia direito. Odiava o caderno de política. Só lia o de esportes e sobre música. Com o tempo passei a gostar de quase tudo, principalmente dela, a política. Percebi a diferença entre reportagem (informação) e opinião. Percebi muito tempo depois que, às vezes, a reportagem também é opinião. Descobri que a opinião do colunista não é, necessariamente, a opinião do jornal. Aos poucos fui selecionando os colunistas. É estranho como a gente aprende a identificar o estilo de cada um. É impressionante o peso que eles têm sobre nossas cabeças. Não conheço ninguém que tem o costume de ler jornal diariamente. Escrevo para alguns dos colunistas e aqui também, pois meus amigos não suportam mais que 10 minutos sobre assuntos relacionados à imprensa ou política. Acho que cheguei à fase de questionar o que leio. É por isso que visito tanto o OI (e este blog também). Questiono inclusive o OI (e este blog também). Escrevi este texto com frases curtas. Acho que aprendi isso lendo jornal. Na faculdade não posso escrever assim. Os parágrafos dos livros são intermináveis. Leio o jornal Folha de São Paulo há 9 anos. Por enquanto não pretendo parar.

  13. Comentou em 06/01/2006 Hugo Ventura Pinto

    Prezado(a).
    Polêmica não resolve problemas, mas, de uma discussão, pode sair a solução.
    Quem traz o assunto para a polêmica (discussão), é o profissional da mídia. Profissional enganjado, ou a seviço de interesses escusos, não acrescenta nada, muito pelo contrário, omite fatos.
    A perplexidade do povo diante dos acontecimentos no país, é fruto desta omissão. Arrombada a porteira, tornando pública as mazelas, ficamos sem entender como detonaram o mito, criado pelos próprios profissionais.
    Tivesse o profissional sido menos um cúmplice silencioso, as coisas não teriam chegado ao ponto que chegaram. Desta forma, prestaram um agravo ao povo e deixou que um presidente da república ficasse literalmente nu diante à nação, sem falar dos prejuizos causados pelas rapingens do dinheiro público.
    Uma imprensa VERDADEIRA, íntegra, isenta, que não pratica a auto censura (pior do que a censura do que voces chamam de ditadura) terá sempre alguém do povo para polemizar.
    Atenciosamente.
    Hugo Ventura Pinto
    hugoventurap@superig.com.br

  14. Comentou em 06/01/2006 Cláudio do Valle Giuliano

    Eu já havia me manifestado anteriormente nesta mesma coluna, mas concordo com o conteúdo da matéria.
    Infelizmente poucos tem acesso a esse tipo de espaço e poucos (pra não dizer nenhum) tem coragem de questionar e contestar as ‘opiniões dominantes’ que assolam os meios de comunicação.
    Espero que, assim como eu, independentemente das convicções políticas, religiosas, raciais, esportivas, etc., outras pessoas comecem a perceber esta manipulação e acordem para descobrir a verdade que existe além das letras escritas e da palavra falada.

  15. Comentou em 06/01/2006 Stelio Nunes da Costa

    A unanimidade é burra, ninguém é perfeito,portanto sempre se encontra pelo menos um motivo para se criar a polêmica.Eu,por exemplo, considero o Rogerio “Desodorante ´´ Ceni como goleiro é um exímio cobrador de faltas e penalties.Debaixo dos paus é um goleiro comum, nunca se contunde porque só pega bola que é chutada encima dele, não suja o uniforme etc…Dizem maravilhas dele que não consigo,por mais que tente, enxergar.E não sou cego,apenas rigoroso na análise.

  16. Comentou em 06/01/2006 Mauro Serra Silva

    Realmente. Opinião confortável não desgasta o articulista, talvez o motivo de tantos ‘concordinos’. Mas o leitor está cansado de mesmice, está atento, mais observador. Parece que o leitor está lendo mais que o articulista. Em conseqüência, mais exigente diante do besterol que povoa os jornais que agem em conta do patrocinador ávido por mais negócios em quantidade do que qualidade. Os articulistas estão escrevendo nivelando por baixo. Azar nosso.

  17. Comentou em 06/01/2006 Beto

    Se polêmica fosse bom, nós teríamos resolvido todos os nossos problemas que sempre ouvimos com promessas eleitorais, só serve mesmo pra vender jornal e dar assunto pra quem não quer resolver nada

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