Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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Fenaj pede adesões a manifesto anti-Tanure

Por Mauro Malin em 25/01/2006 | comentários

Está no site da Fenaj, para adesões (veja abaixo), um manifesto de desagravo e solidariedade contra a perseguição movida pelo empresário Nelson Tanure contra cinco jornalistas: os repórteres do Estado de S. Paulo Lourival Sant´Anna e Alberto Komatsu, sob ameaça de sofrer processo, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Fred Ghedini, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, Aziz Filho, e o repórter free-lancer Murilo Fiúza de Melo, os três já sob processo. Tanure move campanha contra Lourival Sant´Anna desde 15 de janeiro no Jornal do Brasil, com reportagens sem assinatura que são reproduzidas na Gazeta Mercantil. Ele é o controlador dos dois jornais.


O presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, informou ao Observatório da Imprensa que está em avaliação a publicação de matéria paga nos jornais do Rio de Janeiro com o teor do manifesto (reproduzido adiante). Ele disse que Nelson Tanure “leva aos tribunais, e usa seus jornais, para constranger e ameaçar os jornalistas que estão fazendo o seu trabalho”.


“Houve uma comoção de vários profissionais, filiados aos sindicatos ou não, solicitando um posicionamento da Fenaj”, explicou Sérgio Murillo. “A Fenaj tem denunciado a postura do Nelson Tanure, já fizemos audiência no Ministério do Trabalho com a presença dele. Ele falou literalmente que não respeita e não vai respeitar a Consolidação das Leis do Trabalho – disse, aliás, que seria nesse governo, supostamente dos trabalhadores, que a CLT seria rasgada –, e nós denunciamos isso e recebemos o apoio de centenas de aeronautas. A Fenaj publicamente alertou aos funcionários e dirigentes da Varig que corriam risco”.


Segundo Sérgio Murillo, no dia em que Tanure anunciou o controle da Varig, disse publicamente, ainda que não de forma literal, que iria demitir e terceirizar “da mesma forma que fez no Jornal do Brasil e na Gazeta Mercantil”.


“Em várias oportunidades temos enfrentado a postura autoritária de Tanure, que o fez levar aos tribunais o vice-presidente da Federação, presidente do Sindicato de São Paulo, Fred Ghedini, por uma opinião – mais do que uma opinião, é um fato, que ele mesmo assume, dizer que ele é um “predador de empregos e salários” – e está processando o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, Aziz Filho, que cometeu o crime de se solidarizar com um outro jornalista, que fez uma matéria para a revista do Sindicato do Rio, Lide, com o perfil dele, mostrando as práticas que o Jornal do Brasil e a Gazeta Mercantil passaram a adotar depois que ele assumiu o controle. Esse jornalista é Murilo Fiúza de Melo. E agora Tanure está inovando. Está usando, não os jornais que controla para atacar a reputação de jornalistas, que estão fazendo nada mais nada menos do que o seu trabalho”.


Sérgio Murillo disse que a assessoria jurídica da Fenaj foi instruída a apoiar todos os processados e os repórteres do Estadão ameaçados de processo.


MANIFESTO DE SOLIDARIEDADE E DESAGRAVO


‘Por intermédio deste desagravo, manifestamos nosso repúdio aos ataques desferidos pelo empresário Nelson Tanure contra jornalistas que, no exercício da profissão, publicam fatos que o desagradam ou que, como dirigentes sindicais dos jornalistas, procuram defender os direitos de seus colegas. O empresário, que explora os títulos Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil, mancha os nomes dos dois históricos jornais brasileiros com ações judiciais e ataques intimidatórios visando destruir a reputação de repórteres e seus familiares. Nossa solidariedade aos jornalistas Lourival Sant´Anna, Alberto Komatsu, Fred Ghedini, Aziz Filho e Murilo Fiúza de Melo.


Os dois primeiros, do jornal O Estado de S. Paulo, têm sido vítimas de matérias tendenciosas publicadas nos dois jornais de Tanure e estão sendo ameaçados com processos na Justiça. Fred Ghedini, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e vice-presidente da FENAJ, Aziz Filho, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e Murilo Fiúza de Melo, free lancer autor da reportagem ‘Capitalismo à la Tanure’ para a revista Lide, do SJPMRJ, estão sendo processados por Nelson Tanure.’


Nome: ……………………………………………


R.G.: …………………………………….


Digite seu nome e RG e envie para fenaj@fenaj.org.br

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/01/2006 Marco Antonio Rocha

    Apóio com veemência o Manifesto de repúdio a esse ‘murdoch-cover’ tupiniquim, a esse arrivista da imprensa, e lamento que cinco colegas de profissão, verdadeiramente batalhadores, tenham de sofrer as agressões desse malfeitor através de dois órgãos que tiveram papel da maior importância na construção de com jornalismo mas que infelizmente cairam em mãos espúrias. Falo em defesa particularmente de Lourival Sant´Anna, meu colega aqui no Estadão.

  2. Comentou em 31/01/2006 Marco Antonio Rocha

    E é com esse arrivista da imprensa, esse ‘murdoch-cover’ tupiniquim, urubu do mundo empresarial, que a série PROTAGONISTAS, do ‘Jornalistas&Cia.’ decide fazer uma entrevista, assinada pelo Eduardo Ribeiro, sob pretexto de que Tanure é ‘polêmico’, vocábulo que sempre é usado, na imprensa, para a promoção disfarçada de nulidades triunfantes e velhacos de variada estirpe, por colegas cuja irresistível sabujice é a estrela guia…

  3. Comentou em 30/01/2006 Fernanda Alves Teixeira

    Minha sugestão é a de colocar o link para o dossiê falso no texto em que vocês (Fenaj pede adesões a manifesto anti-Tanure) pedem assinaturas no manifesto. Acho que assim as pessoas estarão mais cientes da história e do que estão prestes ou não a assinar. Eu já tinha visto, sim, o link num texto lá para trás. Alías, é impressionante, mas vocês não dão uma única linha sobre o julgamento do Pimenta, agora marcado por causa da pressão do JB. Será que o Observatório da Imprensa não se interessa em mostrar este assunto?

  4. Comentou em 30/01/2006 José Silva

    Acabei de ler uma matéria no JB Online em que o Lourival Sant´Ana era acusado de ser o Jayson Blair do jornalismo brasileiro. Por isso vim ao Observatório ver se havia alguma reação. Interessante essa polêmica. Talvez, agora, alguns jornalistas descubram qual a sensação de ser linchado em letra de forma sem direito a defesa e sem ter a quem apelar. Estou gostando muito de acompanhar essa briga. Quero ver, lá no fim, qual será o resultado. A propósito, em um conto de Frederick Forsyth, no livro Sem Perdão, há uma história de como um individuo, cuja vida é destruída por um mau jornalista, dá o troco. Recomendo aos dois lados que leiam. Pode ser muito instrutivo.

  5. Comentou em 28/01/2006 Fernanda Alves Teixeira

    Sugiro que vocês sejam honestos e transparentes e coloquem um link na matéria sobre o manifesto anti-tanure para o site: http://www.jbonline.com.br/falsodossie Eu já ia quase assinando o manifesto quando decidi ir um pouco a fundo na história. Na realidade, os colegas do Estadão fizeram matérias de péssima qualidade (escrever que os burgueses encomendavam quadros do renascimento é de uma ignorância ímpar!). Pode ser contra o Tanure ou o pior ser humano, esse comportamento precisa ser banido. E todos nós, jornalistas ou não, temos que responder por eles. Que a polícia e a justiça digam se os colegas do Pimenta (eu não acho digno chamar este assassino de colega) falsificaram documentos ou não. Como mulher e jornalista, sinto-me de alma lavada. O Pimenta Neves saiu do esquecimento e agora finalmente vai ser julgado graças à campanha do JB.

  6. Comentou em 28/01/2006 Regina Braga

    Só faltava mais esta, o jornalista não é um assassino. Quer dizer que não importa o crime que ele cometeu, ainda que assassinato, deve ser absolvido, ficar impune? Êta imprensa. Que nojo.

  7. Comentou em 27/01/2006 Demetrio Leite

    ‘Pimenta nos olhos dos outros é refresco’.
    Os jornalistas estão agora sentindo um pouquinho do seu próprio veneno. Independentemente que quem esteja com a razão nessa cachorrada toda, é bom que a categoria veja no que está se transformando a LIBERTINAGEM que vive hoje o jornalismo nacional sem um órgao de controle externo. E vocês ainda vem dizendo que o que há é liberdade de imprensa. Senhores, por favor…

  8. Comentou em 27/01/2006 Eduardo Guimarães

    Os jornalistas pensam mesmo que são Deus. Acontece também com médicos e advogados. Jornalistas, mesmo os mais obscuros, com suas ações causam todo tipo de cataclisma, em que pese que muitas vezes fazem o bem. Médicos e advogados, nem é preciso explicar que poder de influenciar as vidas das pessoas eles têm. Enquanto isso, os pobres mortais têm que engolir a empáfia desses que pensam que são Deus. Imaginem que recentemente um jornalista me cobrou porque me deu atenção um dia, como se eu devesse ser-lhe eternamente grato por isso. Malucos!

  9. Comentou em 27/01/2006 Gilson Raslan

    QUEM COM FERRO FERE, COM FERRO SERÁ FERIDO, diz o adágio popular. Não é de hoje que inúmeros jornalistas enlameiam a honra de pessoas, noticiando fatos não comprovados, sem, sequer, ouvir o outro lado. Agora, como os ofendidos são jornalistas, a classe se une contra o Tanure. Com essas ponderações não estou querendo dizer que o Tanure está correto em seu procedimento, muito antes pelo contrário. Se os jornalistas e donos da mídia não tivessem voltado contra o projeto de nova lei de imprensa que foi enviado ao Congresso e depois retirado por pressões, tais fatos não estariam ocorrendo: nem do Tanure contra jornalistas sérios que publicaram fatos verídicos a seu respeito nem de jornalistas irresponsáveis que publicam matérias mentirosas e tendenciosas, como atualmente vem ocorrendo na mídia nacional. Com a palavra a Federação dos Jornalistas.

  10. Comentou em 27/01/2006 Eduardo Nunomura

    Aos desinformados de plantão, o manifesto não surgiu da iniciativa de Alberto Dines, nem desse Observatório. Diogo Mainardi não tem nada a ver com isso. Não misturem alhos com bugalhos, água com óleo, jornalistas com comerciantes. Esse manifesto é uma iniciativa espontânea da categoria, coisa rara, que foi repercutido nesse espaço, mas também em outros como o Orkut e alguns blogs. Digam não às tentativas de silenciar a imprensa e os jornalistas, tal como está tentando fazer o empresário Tanure.

  11. Comentou em 27/01/2006 Adriana Thiara

    Nossa luta conta estes inibidores tem que ser ferrenha e contínua! Nós merecemos locais de trabalho saudáveis e devemos respeito ao leitor.

  12. Comentou em 27/01/2006 Zulcy Borges de Souza

    Já era tempo da ‘classe’ reair contra este vilipêndio em forma de gente que não é pior que o restante da ‘classe’ empresarial midiática brasileira. Vide o bispo Macedo.

  13. Comentou em 27/01/2006 Josué Duarte

    Recém-chegado ao cenário de comunicação, o sr. Tanure não pode acreditar que vai se impor à força, através do processo, da ameaça e da difamação. Pois não há jornalista que exerceu a profissão que não tenha recebido algum dia ameaça de algum tipo, até mesmo de morte. Sim, jornalismo é uma profissão de risco e, portanto, este tipo de comportamento do sr. Tanure pode impressionar as pessoas como ele próprio, não nós que passamos pela ditadura e por tudo de ruim que se pode imaginar. Aliás, onde estava ele nos tempos da dita cuja? Se o sr. Tanure é um brigador inveterado e só pensa em abrir fogo, o melhor que pode fazer é se aproximar ao Duda Mendonça, em alguma rinha de galos – a diversão poderá acalmá-lo. Sr. Tanure, somos apenas peças dentro de um contexto e temos por obrigação saber desempenhar bem nosso papel, por mais dificeis que forem as circunstancias. Ao agir como guerrilheiro, pode acabar criando uma guerra. Pense nisso: o que está acontecendo pode muito bem ser uma guerra de Tanure contra Tanure.

  14. Comentou em 27/01/2006 Marinilda Carvalho

    Apóio o desagravo aos colegas e apóio o repúdio a Tanure (já assinei lá na Fenaj). Não porque ele me deva (e a muitos outros) as contas rescisórias (aquelas que até o açougue da esquina honra) e oito anos de FGTS, mas porque transformou o JB num panfleto grotesco que humilha o leitor (pelo menos os que se prezam e sabem ler) e a maioria dos profissionais que lá trabalham.

  15. Comentou em 26/01/2006 Cley Scholz

    Apóio o manifesto e me solidarizo com os companheiros processados e atacados pelas matérias apócrifas publicadas nos dois jornais. Convido os que defendem a liberdade de imprensa a entrar no site http://www.fenaj.org.br e registrar a sua indigação.

  16. Comentou em 26/01/2006 Eduardo Guimarães

    Será que agora o Observatório vai querer estipular o que se pode ou não comentar? Não deixo o Alberto Dines em paz coisa nenhuma. Ele se tornou o caso mais escandaloso de mau jornalismo do momento ao escrever a barbaridade de que Lula ‘massacra a imprensa’. Prefiro a canalhice assumida de Diogo Mainardi

  17. Comentou em 26/01/2006 Eduardo Guimarães

    Realmente o Observatório da Imprensa transformou-se num esgoto da animosidade de Alberto Dines contra seus rivais em desfaçatez da mídia. Mainardi e, agora, Tanure, do JB, são os alvos das idiossincrasias de Dines, que tem a coragem de dizer que viu Lula ‘massacrar a imprensa’. No fim, ninguém se salva. É briga de quadrilhas.

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