Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Foco no vazamento

Por Luiz Weis em 02/09/2008 | comentários

Os principais jornais deram que, em reuniões no Palácio do Planalto, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Felix, praticamente acusou Daniel Dantas de ter recrutado arapongas da Abin para grampear – e vazar – um telefonema entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM.

O vazamento veio acompanhado da versão segundo a qual a Abin também interceptou conversas ao telefone da ministra do Gabinete Civil, Dilma Rousseff, e do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, entre diversos outros.

No Valor, matéria assinada pelo repórter Juliano Basile abre com o seguinte prognóstico:

”A divulgação [do grampo] deverá aumentar o clima de animosidade entre a Corte [o Supremo] e a Polícia Federal e, com isso, favorecer o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.”

Já na Folha, o relato da suspeita do general Felix – repassado pelo senador Demóstenes – desemboca na seguinte previsão:

”No fim da investigação vai aparecer muito jornalista que recebeu do Opportunity.”

Vamos a ver, como dizia um famoso locutor esportivo dos velhos tempos, Raul Tabajara.

Dantas pode ter sido – ou não – o mandante da bisbilhotagem. Mas é como raciocinam os italianos: si non è vero, è bene trovato. Pois, se fosse, faria sentido: grampeou-se o que se grampeou com a principal, ou única, intenção de divulgar um precioso produto do grampeamento.

Precioso não pelo que foi dito, gravado e vazado; a conversa entre o juiz e o senador é apenas banal. Mas por quem foi escutado – a mais alta autoridade do Poder Judiciário – e por quem teria escutado: a Abin, o serviço de informação do governo.

E a Abin, a sucessora do SNI da ditadura, tem fama na praça de ter gosto pela coisa – e não é de hoje que é alvo de denúncias contundentes de funcionar como um órgão para-policial, a serviço de interessados variados, a começar dos seus próprios.

Pensar na história a partir do vazamento, portanto, talvez ajude o leitor a juntar pelo menos as peças essenciais do noticiário do dia – com muita matéria, muito retrospecto e muito bastidor do agito da véspera, no governo, no Supremo e no Senado.

Abrindo o leque para a questão geral da farra da invasão de privacidade no Brasil – em que se encaixa este episódio escandaloso, ou melhor, provavelmente feito para escandalizar –, fique-se com a tirada do colunista da Folha, Jânio de Freitas.

Partindo da constatação – ou alguém duvida que seja? – de que no Estado brasileiro “ninguém sabe quem foi e quem está sendo gravado”, ele o descreve como “um mundo sem olhos e com ouvidos demais’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/09/2008 Gregório Banar

    O açodamento com que a imprensa tem tratado esse caso dos ‘grampos’ telefônicos está desviando o foco da verdadeira reportagem investigativa. Por exemplo: a quem interessa saber o teor das conversas entre o ministro Gilmar Mendes e o senador ou demais interlocutores? Qual a fonte que a revista usou para levantar essa lebre? Por que essa insistência em acusar a Abin, sem pesquisar outros possíveis responsáveis? Será que somente a Abin possui esses equipamentos de escuta, ou ele pode ser comprado no camelô da esquina? O fato é que a tal revista, toda santa semana, levanta uma lebre contra o Governo Federal e, na semana seguinte, nem toca mais no assunto, deixando essa tarefa para as demais mídias irem empurrando o defunto com a barriga, até ele apodrecer de vez. E a ponta final das mídias, o público, que se lasque!

  2. Comentou em 03/09/2008 Afonso Oliveira

    Envergonhadíssimo, devo comentar a forma como tais ‘coisas’ ou ‘acontecimentos importantíssimos’, que ora têm permeado as manchetes jornalísticas na República, estão sendo passados ao grande público, tanto pelos jornais televisivos como pelos impressos.
    Categórica e infelizmente tudo o que conversamos, comentamos com indignação, enfim todos os nossos desopilamentos neste e em outros espaços igualmente democráticos de discussão, nada, mas absolutamente nada, tem servido, efetivamente, como parâmetro de análise, discussão e de alerta, pois essa grande mídia imprime seus jeitos soberanos de noticiar, iludindo e repassando tão somente falsidades e embromações factuais.
    É como se vivêssemos num mundo à parte, longe e imunes a tais esbulhos midiáticos repassados à doses cavalares, a partir dos quais a cegueira acaba por dominar, criando expectativas transversas e inverídicas.
    É como se coubessem a nós os papéis dos grandes e famigerados ET´s dessa ridícula história, que beira, sem dúvida alguma, a uma ópera bufa, ridícula e chula – desculpem-me pelo quase pleonasmo!
    Me sinto, hoje, entristecido e irado, face constatar tamanho e infindável poder de convencimento, cruel e indigno, aliado a uma terrível hipocrisia e surreal desfaçatez por parte de personagens, tipo Gilmares, Mellos, Heráclitos, Demóstenes, Jungmanns, e dos já notórios jornalismos vendilhões e trapaceiros.
    Vergonha

  3. Comentou em 03/09/2008 Miro Junior

    Cansei de ver rádio, jornal e TV dando publicidade e batendo palmas para conversas grampeadas, polícia metendo o pé para entrar em barroco e a neguinho sendo algemado. Até chegarem ao Daniel Dantas valia tudo: Traficante, Petista, Paulinho da Força, Favelado e etc.

    De uns tempos para cá o Presidente Supremo, ops. Presidente do Supremo arrogou para si a defesa da sociedade devassada. Que sociedade é esta cara pálida? É o samba do criolo doido, o juiz mandou soltar o bandido (Dantas) e cobrou a demissão do Mocinho (Paulo Lacerda) e estão todos fazendo de conta que não estão vendo isto. Acorda moçada este elefante não cabe debaixo do tapete.

  4. Comentou em 03/09/2008 Ivan Moraes

    ‘Veja diz que foi a Abin que gravou, e que a fonte quis ficar anônima, e tudo mundo acredita, até um dos diretores da Abin?’: eh tudo golpe neocon. Peco a todos, mas principalmente aos mineiros, encarecidamente, para assistirem o filme ‘The Power of Nightmares’, a respeito deles. Eles estao infiltrados ate os cabelos do fiofoh do Brasil.

  5. Comentou em 03/09/2008 Marcelo Ramos

    Engraçado, desde quando a Veja começou a falar a verdade? Perdi essa parte. Então a Veja diz que foi a Abin que gravou, e que a fonte quis ficar anônima, e tudo mundo acredita, até um dos diretores da Abin? Pelo que vi escrito no artigo do Gilson Caroni, está ocorrendo muita presunção. Presunção de que Veja está falando a verdade. Acorda Brasil, mais uma crise artificial pra tirar uma figura do foco.

  6. Comentou em 02/09/2008 Erich Boechat

    A VEJA não serve nem para substitur o papel higiênico porque só publica mentiras e só os pilantras acreditam nela porque se benificiam das mentiras.

  7. Comentou em 02/09/2008 Carlos N Mendes

    Tá ficando chato. Golpe branco aqui, golpe branco ali… mais dois ‘plots’ e mesmo aquele povinho que compra a Veja não vai mais ligar pra essa palhaçada cíclica, repetitiva e voltada para interesses pessoais e localizados. Paciência de boi também acaba.

  8. Comentou em 02/09/2008 Marco Leite

    Essa arapongagem faz parte do jogo do sistema neoliberal. Todos estão de cauda presa com a corrupção que esta estabelecida no país já faz muito tempo, deste da época de D. Pedro I, o português da mão grande. Essa trinca do momento está fazendo de conta que esse grampo é de metal, mas na realidade esse objeto não passa de abstracismo crônico para iludir a platéia dos desavisados e descamisados deste terreiro de umbanda misturado com quimbanda? Sarava pai compadre mamado?

  9. Comentou em 02/09/2008 Ivan Moraes

    ‘denúncias contundentes de funcionar como um órgão para-policial, a serviço de interessados variados, a começar dos seus próprios’: especificai entao, oh mortal comum, como o congresso eh diferente da Abin porque ainda nao vi! (Acontece que se fosse verdade, o congresso ainda cairia na definicao de mafia. Eh isso?)

  10. Comentou em 02/09/2008 Marco Leite

    Essa história é como vulcão em final de carreira, muito fumaça e nenhuma larva para queimar o rabo dessa gente. Essa é mais uma bomba que faz muito barulho, sem causar vítimas fatais. É apenas mais um furacão com muita chuva e nenhum vento? Quem sabe um dia esses três componentes em conjunto possa reverter o quadro atual. Quem viver verá?

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