Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Folha fará pesquisa para buscar ´caminhos novos´

Por Mauro Malin em 13/05/2007 | comentários

O diretor de Redação da Folha de S. Paulo, Otavio Frias Filho, anuncia para este ano uma grande pesquisa de hábitos de mídia capaz de ajudar o jornal a encontrar caminhos novos. “A mídia vive hoje um período de muito debate interno a respeito dos caminhos do jornalismo, de como preservar o jornalismo dito de qualidade, o jornalismo que ambiciona manter certos compromissos em relação à qualidade em um ambiente de competição crescente, inclusive com meios que trafegam numa zona cinzenta entre o jornalismo e o entretenimento’, diz.


Para Frias Filho, no episódio do mensalão “ficou muito claramente estabelecido que havia um maquinismo de corrupção funcionando dentro do governo. Que este maquinismo ultrapassava as fronteiras entre Estado e partido. Ficou muito configurado um aparelhamento dos setores do governo pelo partido. E ficou configurado também que isso tudo acontecia ou por anuência ou por omissão do presidente da República”.


O jornalista está convencido de que o desempenho da economia, “entre sofrível e razoável”, e “uma mentalidade de servilismo em relação ao PT, em relação à figura simbólica do Lula”, explicam por que as denúncias não produziram efeitos práticos, como ocorreu no caso de Fernando Collor [1990-92], quando houve recessão econômica profunda e havia na mídia e nos aparelhos culturais da sociedade uma mentalidade muito hostil ao presidente, enfim deposto.


O diretor de Redação da Folha diz que a coluna assinada no jornal, na década de 1970, por Alberto Dines – hoje editor-responsável deste Observatório da Imprensa –, teve um papel precursor na mídia brasileira. Frias Filho esperaria mais comentários de caráter amplo sobre a mídia na coluna dominical dos ombudsmans da Folha. Até hoje, desde sua criação, em 1989, a coluna fala prioritariamente da própria Folha.


A entrevista foi feita em 19 de abril. Otavio Frias Filho não pôde estar no jornal na hora marcada – dez dias depois, quando morreu Octavio Frias de Oliveira, a razão dessa impossibilidade ficou patente – mas fez questão de falar: a conversa se realizou por telefone e foi gravada. Ela é reproduzida aqui praticamente na íntegra, expurgados apenas, da fala do entrevistador, alguns vícios de linguagem coloquial e comentários laterais.


Mídia hoje fala mais de si própria do que há vinte ou trinta anos


Eu gostaria de ouvir o senhor a respeito da utilidade de se contar histórias de um meio de comunicação. No caso do livro A trajetória de Octavio Frias de Oliveira, de Engel Paschoal, não temos um estudo sobre o jornal, mas há muita história do jornal. Como o senhor avalia essa contribuição para uma consciência maior?


Otavio Frias Filho – Eu só posso avaliar positivamente. Os jornalistas, de modo geral, estão sempre empenhados, não digo em contar a história do que está ocorrendo na sociedade, mas pelo menos em fazer um primeiro esboço dessa história. Conhecem pouco a história da própria imprensa, até porque no Brasil existe uma tradição pequena de monografias e estudos sobre os meios de comunicação. Quanto mais pesquisa sobre a história desses meios houver, melhor para a profissão, para a sociedade, para todo mundo.


A mídia não gosta de falar da mídia. Não sei se as pessoas que fazem os veículos, os proprietários, os editores, se sentem um pouco acima da sociedade.

O.F.F. – Não sei se eu concordo muito com a premissa. Em décadas passadas eu concordaria. Era raro, há vinte ou trinta anos, digamos, se encontrarem histórias sobre a própria mídia nos jornais ou nas revistas. Mas eu tenho a sensação de que nesses últimos vinte ou trinta anos a situação mudou. Eu até com alguma freqüência ouço a crítica oposta a essa, ou seja, de que a mídia fala demais dela própria.


Não se pode obrigar os ombudsmans a fazer uma crítica mais ampla


Nesse caso creio que a referência é a um discurso quase propagandístico. Mas expor problemas, discutir rumos, e até um falar do outro, porque jornal é público, vai para todo mundo… Todo mundo pode ler e dizer: Isso está bem feito, isso não está bem feito. Mas eu queria passar para um outro ponto, que é a questão da linha interna de crítica na Folha, que começa e segue mais voltada para o próprio jornal. Há um momento em que, na Folha, Alberto Dines começa a falar de toda a mídia. E vinte anos depois, em 1996, vai nascer o Observatório da Imprensa, no fundo uma retomada desse trabalho. Eu queria ouvi-lo a respeito dessas duas linhas de trabalho: a que até hoje é a do ombudsman da Folha, e a outra, que é a da discussão como cidadãos, inseridos na sociedade, do trabalho dos meios de comunicação.


O.F.F. – A coluna do Dines teve um papel precursor na mídia brasileira, e, especificamente na Folha, e a partir já dos anos oitenta [1989] a Folha passou a ter um profissional exercendo a função de ombudsman, fazendo a crítica dos meios de comunicação aos domingos. Na estrutura de funcionamento do ombudsman na Folha, a crítica interna, que ele faz diariamente, é voltada para a edição da Folha daquele próprio dia. E a coluna dominical em tese é uma coluna onde o ombudsman comenta e critica o desempenho da mídia como um todo. Inclusive no pé da própria coluna publicada na Folha aos domingos existe um enunciado dizendo que o objetivo da coluna é a discussão dos meios de comunicação como um todo. [“(….) Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação”.] Mas de fato a praxe adotada pela maioria dos ombudsmans da Folha tem sido a de ocupar o maior espaço das colunas de domingo com observações e comentários sobre a própria Folha. Eventualmente se comentam também os meios de comunicação.


Não seria interessante pensar em ampliar um pouco isso, caminhar mais na direção de discutir a mídia como um serviço público?


O.F.F. – O que o ombudsman escreve é livre. A expectativa é de que ele discuta os meios de comunicação como um todo. Mas eu não posso obrigá-lo a fazer isso.


A trajetória de uma geração de empresários modernizadores


O livro A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira relata toda uma batalha empresarial na Folha que, em determinada etapa, se torna uma batalha editorial. O que ainda precisa ser pesquisado a respeito desse processo, que é quase sempre apresentado de modo muito simplificado, às vezes até caricatural, quando se diz, por exemplo, “Criaram a página de opinião e isso mudou tudo”? Não pode ter sido só isso. Senão o jornal não teria as qualidades que tem na reportagem, na edição. Não seria o caso de estudar melhor toda essa transição, para tirar dela algumas lições?


O.F.F. – Talvez seja ainda um pouco cedo para um estudo retrospectivo desse período todo. A própria Folha publicou nos anos 80 um livro de autoria de Carlos Guilherme Mota e de Maria Helena Capelato, História da Folha de S. Paulo – 1921-1981 [1981], e mais recentemente Carlos Eduardo Lins da Silva publicou um livro que se chama Mil Dias, sobre o período de mudanças na Folha nos anos 80, começo dos anos 90. Esse livro foi até reeditado recentemente [Mil Dias: Seis Mil Dias Depois, 2005].


Agora, a biografia sobre o meu pai transcende muito isso. Esse período de mudanças na Folha, mais recentemente, foi apenas um episódio. O escopo, a dimensão do livro sobre meu pai, a meu ver, é muito maior que isso. Reconstitui, através da vida dele, na verdade, todo o trabalho de uma geração de empresários modernizadores que atuaram em vários setores, a exemplo do meu pai, que atuou no setor bancário, no setor imobiliário, no setor também do que hoje a gente chamaria de agrobusiness, e também, evidentemente, no setor de comunicações.


Vitória empresarial, vitória editorial, relações com a ditadura


A Folha, de uma maneira ou de outra, forneceu uma resposta que no Brasil acabou se tornando “a” resposta a uma crise de transição para a democracia de uma imprensa que basicamente tinha compactuado, até apoiado ou se acovardado em face do regime, isso em todos os meios, inclusive a própria Folha. E na década de 90 a Folha teve uma nova experiência vitoriosa com o Universo Online. Agora nós vivemos na imprensa uma nova crise. De alguma maneira relacionada com mais democracia no país, em primeiro lugar, e com uma coisa nova, permitida por uma tecnologia diferente, a interatividade. Eu não tenho notícia de que se esteja discutindo um novo grande projeto. Neste momento, em abril de 2007, a Folha repete a fórmula de associar o jornal a fascículo, o Diário de S. Paulo está fazendo miniaturas de automóveis. Eu pergunto se e quando a Folha pretende se arriscar em novos caminhos. E aí o “arriscar” não é gratuito. Baseia-se numa frase de Octavio Frias de Oliveira: “Sem risco você não chega a lugar nenhum”.


O.F.F. – Eu discordo da premissa. Eu acho que no período do regime militar, pelo menos em vários momentos, vários trechos daquele período, os jornais tiveram uma atitude muito crítica. Para não mencionar os momentos em que a própria Folha desempenhou esse papel, basta lembrar o quanto o Estado de S. Paulo, o Jornal do Brasil, em alguns períodos também a revista Veja, tiveram uma atitude crítica e procuraram, na medida do possível, repelir a censura que na época se abatia sobre os meios de comunicação. E a minha outra discordância é que o choque político que levou ao regime militar dividiu a sociedade ao meio. Você tinha, durante o regime militar, duas visões. Uma visão autoritária, censuradora, que mantinha, digamos, os parâmetros de organização da sociedade, e uma visão que se insurgia até por meio da luta armada com o objetivo de instalar uma ditadura de partido único no Brasil. As coisas não são tão simples como você colocou.


Havia um confronto, a meu ver, e esse confronto dividiu o mundo em duas esferas. E essas duas esferas estavam mantendo um enfrentamento inclusive em termos armados em várias regiões do mundo, como ocorreu também no Brasil. Então acho simplista dizer que na época do regime militar a questão que se colocava era entre ditadura e democracia. Porque não era. Era entre uma ditadura de direita e entre grupos que pretendiam instalar uma ditadura de partido único de esquerda no Brasil. Essa é a minha visão.


Eu não tenho essa visão. Acho até que existe um exagero muito grande na dimensão que se dá à luta armada como um caminho quase exclusivo. Sempre me insurjo contra isso, até porque eu vivi o período, participei, nunca peguei numa arma e nunca pensei em fazê-lo. Existiu um outro processo, inclusive na imprensa há o nascimento de jornais puramente oposicionistas, Opinião, Movimento, O Pasquim, O Repórter, houve todo um movimento. Isso não podia acontecer na televisão, evidentemente. Mas na mídia impressa aconteceu. E, de outro lado, eu usei o advérbio “basicamente”. Não estou dizendo, de jeito nenhum, que os jornais só tiveram isso. Há várias passagens de resistência, muitas. Até algumas coisas que se dizem hoje da Rede Globo, que ela só tinha interesse em apoiar o regime e disso se beneficiar, também não foram assim. Houve muita pressão do regime, é sempre muito difícil.


Há uma discrepância de visão, mas esse não é o nosso foco aqui. Chegou um momento na história do Brasil, e me parece emanar com clareza da trajetória da Folha, em que era preciso dar uma resposta jornalística a uma realidade nova. A Folha fez isso. Fez com tanto sucesso que influenciou todo mundo. Ela foi “a” resposta que surgiu no Brasil. Talvez a mais “redonda”, a mais incisiva, para esse dilema. Hoje não se tem problema de democracia, felizmente – a não ser que nós apontemos as imperfeições da democracia brasileira, e elas não faltarão –, mas se tem um problema de imprensa: jornais e revistas estão vivendo uma crise. 


Meu interesse maior não é nem olhar para trás, de jeito nenhum, embora eu ache que isso é importante. Mas, olhando para a frente, podemos imaginar que vocês, na Folha, estão se mexendo, ou estão se preocupando para tentar alguma resposta diferenciada, uma coisa nova?


Superoferta de informações criou momento difícil para o jornalismo


O.F.F. – Eu concordo que o jornalismo vive um momento difícil, por conta de uma superoferta de informação, sob modalidades as mais diversas e por conta de uma competição crescente dessas informações pela atenção e pelo tempo do leitor. Essa crise pode ser muito fecunda. Pode apontar caminhos novos, forçar mudanças que possam ser úteis para a sociedade. Nós temos discutido muito essa situação internamente. Eu acho que a mídia vive hoje um período de muito debate interno a respeito dos caminhos do jornalismo, de como preservar o jornalismo dito de qualidade, o jornalismo que ambiciona manter certos compromissos em relação à qualidade em um ambiente de competição crescente, inclusive com meios que trafegam numa zona cinzenta entre o jornalismo e o entretenimento. Temos discutido muito isso, vamos fazer uma pesquisa grande de hábitos de mídia junto ao leitor da Folha neste ano – já fazia seis anos que não realizávamos uma pesquisa dessa envergadura –, e estamos procurando acompanhar o debate internacional a respeito da coexistência das duas plataformas – a impressa e a eletrônica. Tem sido um período de muita mudança e a Folha tem mudado. Não tem mudado de uma maneira impensada ou precipitada, mas, nos últimos anos, a Folha tem mudado bastante.


Cotidiano, caderno mais lido da Folha, sinaliza mudanças


Onde, hoje, dentro da Folha, se poderia enxergar um dínamo de excelência, destacado? Sem querer fazer injustiça a nenhum dos jornalistas que trabalham todos os dias no jornal.


O.F.F. – A reforma gráfica que a Folha fez, há quase dois anos, abriu toda uma nova gama de possibilidades para uma ação do jornal em direção ao interesse concreto do leitor. Temos hoje um jornal que é menos voltado a temas institucionais e é mais voltado a temas da dimensão concreta, da vida real, prática, cotidiana do leitor. Acho que essa é uma das mudanças que tem havido. Por outro lado, no ambiente em que o grosso da informação se tornou uma mercadoria divulgada com muita facilidade de circulação e muitas vezes de modo gratuito, o elenco de analistas e de articulistas ganha uma relevância inédita, e nós temos procurado assegurar que o elenco de colunistas da Folha seja representativo de diferentes tendências, garanta o que eu chamaria de biodiversidade de opiniões, de pontos de vista, dentro do jornal, e sejam pessoas que tenham méritos intrínsecos como colunistas, como qualidade de texto. Acho que o elenco de colunistas da Folha é um atrativo muito importante com que o jornal conta neste período.


Temos feito experiências a meu ver interessantes na área do caderno Cotidiano, que é o centro de gravidade do jornal – segundo todas as pesquisas, é o caderno mais lido. Enfim, realmente eu não quero especificar muito para não parecer que estou privilegiando certas áreas em detrimento de outras. Mas ela tem mudado, tem avançado. Mais lentamente talvez do que nós gostaríamos, mas continua um avanço, a meu ver, seguro.


“Havia um maquinismo de corrupção funcionando dentro do governo”


A crise do mensalão parece ter mostrado algumas limitações na imprensa. Primeiro, a cobertura não foi satisfatória – cito a opinião de Marcelo Beraba [ombudsman até o início de abril]. Dependeu muito de autoridades, de CPI, de declarações oficiais, e isso acaba prejudicando. Uma coisa que chamou muito a atenção é que não se obtiveram as conseqüências políticas esperadas da denúncia de irregularidades e do abandono pelo presidente e pelo seu partido do discurso da ética na política. É uma impotência. Senti assim. Porque nós, Observatório da Imprensa, levamos pancada como se fôssemos um elemento a mais dessa mídia que se antagonizou ao governo: “Viu? Vocês perderam a eleição!” “Como assim, perderam a eleição?!” Eu queria ouvir sua opinião sobre essa passagem recente.


O.F.F. – Eu acho que se investigou e levantaram-se evidências bastante convincentes. Me parece que ficou muito claramente estabelecido que havia um maquinismo de corrupção funcionando dentro do governo. Que este maquinismo ultrapassava as fronteiras entre Estado e partido. Ficou muito configurado um aparelhamento dos setores do governo pelo partido. E ficou configurado também que isso tudo acontecia ou por anuência ou por omissão do presidente da República. Em relação a esses fatos me parece que não há muita dúvida. Mas não houve conseqüência real, prática, eu diria, por duas razões: porque a economia tem se desempenhado de forma entre sofrível e razoável – ao contrário, por exemplo, do período do Collor, quando o governo provocou uma recessão muito profunda –, e essa foi a principal razão estrutural que acabou levando à derrubada do Collor. E, por outro lado, no período do Collor havia uma mentalidade predominante na mídia, nos aparelhos culturais da sociedade, nas universidades, entre os intelectuais, os artistas, muito hostil ao Collor. E hoje em dia esses aparelhos culturais ainda padecem de uma mentalidade de servilismo em relação ao PT, em relação à figura simbólica do Lula. Acho que em relação às conseqüências da crise do mensalão, as diferenças se deram por essas duas razões. Este é meu ponto de vista.


Empresa famíliar sem conflitos


No perfil de Octavio Frias de Oliveira traçado no livro se enxerga uma coesão familiar diferente do que se conhece de outras empresas, por exemplo Jornal do Brasil, Estado de S. Paulo, Editora Abril. As Organizações Globo tiveram que contratar uma executiva para organizar uma sucessão que poderia se tornar conflituosa. Na Folha houve unidade de comando e rumos bem definidos. Isso pode ter ajudado?

O.F.F. – Sim. Eu diria que no caso da Folha nós tivemos uma certa sorte. Primeiro, a figura muito predominante do meu pai. Ele ainda acompanha a estratégia geral da empresa, dá a última palavra sobre as decisões mais importantes [a entrevista, como se lê na introdução, foi feita dias antes da morte de Frias]. A liderança do meu pai é uma liderança definitiva. E um aspecto secundário foi uma circunstância familiar, ocasional: meu irmão tem vocação empresarial e eu não tenho. Nós não temos razões objetivas, sequer, para entrar em desentendimento.


(Transcrição feita com a colaboração de Tatiane Klein.)

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/05/2007 Ely de Souza

    Excelente a sacada do Tiago de Jesus – São Paulo – Vale a pena ler.´ São hilárias as afirmações do Tavinho (ou Juninho?). a FSP buscar novos caminhos, fazer discussão interna ? o problema é o PT e o Lula ? Realmente a FSP está em OFF (Otávio Frias Filho), em off porque desligada da IMPARCIALIDADE, da SERIEDADE. Um médico do RS ataca a ‘esquerdinha’ brasileira e diz que temos inveja do OFF pq ele é rico. Não tenho inveja dos ricos ou da riqueza, o que nãos lhes suporto é a arrogância. Talvez o médico seja abastado e tenha estudado numa universidade pública (PÚBLICA) e amealhou seu rico dinheirinho da desprezível pobreza gaúcha. ELE, REALMENTE, TEM RAZÃO PARA TER AVERSÃO AOS POBRES, NÉ ?

  2. Comentou em 18/05/2007 João Pequeno

    ‘hoje em dia esses aparelhos culturais ainda padecem de uma mentalidade de servilismo em relação ao PT, em relação à figura simbólica do Lula’ /// ‘simplista dizer que na época do regime militar a questão que se colocava era entre ditadura e democracia. Porque não era. Era entre uma ditadura de direita e entre grupos que pretendiam instalar uma ditadura de partido único de esquerda no Brasil’ /// ‘O que o ombudsman escreve é livre. A expectativa é de que ele discuta os meios de comunicação como um todo. Mas eu não posso obrigá-lo a fazer isso’ Perfeitas observações

  3. Comentou em 17/05/2007 Fábio José de Mello

    Pois é, Jorge. Jornalismo para o ‘new publisher’ é enfadonho.

  4. Comentou em 16/05/2007 jorge cordeiro

    Baba, Rafael, baba… Pois é, Fábio, engraçado como tal declaração de tédio de Frias Filho com o jornalismo não foi sequer citado na entrevista. Emblemático do jornalismo pot-pourri praticado na terra brasilis…. (www.escriba.org)

  5. Comentou em 16/05/2007 Sidnei Brito

    Interessante que do ‘servilismo’ da imprensa ao PSDB o empresário nada falou… Curiosas também as suas claríssimas opiniões acerca do Presidente da República. Estaria lhe batendo palmas se ele tivesse concedido a entrevista na condição de mero cidadão; mas não, sua entrevista é na condição de DONO de jornal, ou na melhor das hipóteses, de secretário de redação do mesmo. É a velha história da voz do dono e do dono da voz. Que leiamos o seu jornal, portanto, sabendo o que o dono pensa a respeito do presidente de nosso país. Ah, sim, que os senhores jornalistas da Folha também tenham juízo suficiente e saibam o que o seu patrão (não colega, como bem lembra Mino Carta) pensa! E o presidente Lula, caso fique chateado com as opiniões de Frias Filho, que crie uma secretaria no governo para ele, pois assim rapidinho ele muda de opinião e – quem sabe – nos diverte, alegando que só disse o que disse porque foi enganado pela imprensa brasileira!

  6. Comentou em 15/05/2007 rafael Chat

    Vê-se nos comentários que o sr. Otávio tocou na ferida. A resposta raivosa dos paleoesquerdistas, movidos pelo recalque e preconceito com o entrevistado (porque é rico), cegos de ódio e inveja, vem a confirmar tudo o que ele disse. É óbvio que se a mídia quisesse derrubar Lula o teria feito, assim como é óbvio que o establishment cultural, universitário e financeiro teriam concorrido para derrubá-lo se quisessem. Motivo não faltou, sejamos francos. Mas franqueza é esperar muito de um esquerdinha brasileiro…

  7. Comentou em 15/05/2007 João Carlos Araújo

    O Sr. Octavio Frias Filho é muito condescendente com a posição de apoio ou omissão da Folha durante o período da ditadura. A visão de que o Brasil estava a beira do socialismo ou do estado sindicalista não se sustenta historicamente como argumento de se apoiar ou se omitir durante a ditadura.

  8. Comentou em 15/05/2007 Fernando Luís Silva

    Só faltou dizer que a mídia é neutra. Quanto aos ‘novos caminhos’, talvez encontre a partir de 2010

  9. Comentou em 15/05/2007 Fábio José de Mello

    Otavinho já disse que se entedia com o jornalismo – se não me engano em entrevista à Revista Imprensa. Diz que tem outras paixões, como o cinema e o teatro. Em entrevista ao próprio OI (não serei deselegante a ponto de mandar o bom leitor Malin procurá-la), quando questionado se ‘É verdade – como muitos de nós já ouvimos falar – que você não gosta do jornalismo?’, o novo ‘publisher’ respondeu: ‘Essa é uma visão folclórica, que não corresponde à realidade. É fato que sempre tive outros interesses além do jornalismo e essa é uma disposição que continuo a ter. Tenho muita predileção pelo cinema e pelo teatro, por exemplo’. Otavinho acrescenta: ‘Agora, a paixão pela notícia, essa coisa, por exemplo, que um ícone como o Clóvis Rossi tem – embora seja ele um jornalista experiente e que já viveu todas as situações -, essa espécie de entusiasmo juvenil pela notícia, pela novidade, pelo furo que os repórteres têm, isso eu nunca tive e não tenho’. Ele edita a Folha, mas não tem gosto pela notícia. Ele arremata: ‘Mas do ponto de vista das humanidades, houve, infelizmente, um esvaziamento brutal. Considero que o jornalismo exerce um papel intelectual e cultural quase correspondente ao da aldeia do Asterix, das histórias em quadrinhos de Goscinny e Uderzo (risos)’. Nisso ele tem razão.

  10. Comentou em 15/05/2007 jorge cordeiro

    Ele disse isso em uma entrevista no site No Mínimo, tempos atrás. Tentei achar o link, mas não rolou. Mas ele disse exatamente isso: não se empolga com o jornalismo, não é a praia dele.

  11. Comentou em 15/05/2007 Bela Prin

    Postei dois comentários ontem… O que houve? Censura?

  12. Comentou em 15/05/2007 Lica Cintra

    A mídia pode até falar dela própria, como afirma Otávio Frias Filho, mas é sempre com o espírito crítico ‘offline’. Via de regra as críticas dirigidas à mídia são recebidas com a desculpa esfarrapada de ‘atentado à liberdade de expressão’. No quesito ‘autocrítica’ os jornais ainda precisam pedalar muito. Sou leitora da Folha e sempre acompanho o trabalho dos ombudsmans, impressiona-me o fato de que a esmagadora maioria das críticas internas ou são mal respondidas pelas editorias ou simplesmente esquecidas.

  13. Comentou em 15/05/2007 jorge cordeiro

    O jornal impresso não morreu, apenas está com um cheiro esquisito (parafraseando Frank Zappa, sobre o jazz). Num país como o Brasil, em que a propriedade cruzada matou qualquer chance de diversidade de pontos de vista no jornalismo, as chances da internet vingar são as melhores possíveis. Por mais que os grupos de mídia que detêm o controle de jornais, revistas e TVs também estejam online, na grande rede de computadores o pequeno tem as mesmas chances do grande de aparecer, graças a ferramentas como Google, Orkut, MySpace, Digg, Technorati e afins. Basicamente, quem lê só jornal ou revista normalmente é o último a saber das coisas. E quando fica sabendo, obtém uma informação rasa. Os jornais e revistas oferecem os mesmos assuntos e, pior, os mesmos pontos de vistas dia sim, outro também. A Folha pode ser grande na estrutura, na tiragem (pelo menos para padrões brasileiros), mas tem um dos textos mais chatos do jornalismo brasileiro e alcance pífio. Otavio Frias Filho é um dândi que já disse mais de uma vez que se entedia com o jornalismo, que acha tudo um saco. Esse tom blasé com que toca a empresa passa totalmente para o espirito do jornal – um jornal que não fede nem cheira.

  14. Comentou em 15/05/2007 Jadel Abacuque

    Choca nos comentaristas abaixo a quantidade de defensores do atual governo, e sua cega parcialidade.

  15. Comentou em 14/05/2007 Andrea B

    teste

  16. Comentou em 14/05/2007 alvaro marins

    Pela entrevista, percebe-se que nada muda no quartel de abrantes. Mantendo esse discurso, a direita e a mídia continuarão a perder eleições e leitores. Podem fazer quantas pesquisas de qualidade quiserem. Ainda bem.

  17. Comentou em 14/05/2007 Marco Costa Costa

    Segundo o grande Drummond, tudo é nada nada são. Sou ainda mais filosofo. O NADA UM DIA TERÁ FIM.”“NEM MESMO O NADA DURA PARA SEMPRE

  18. Comentou em 14/05/2007 Tiago de Jesus

    Então, deixe-me ver se entendi: malgrado a percepção dos leitores, de articulistas, mesmo do ombudsman da Folha de S. Paulo, o problema da mídia é que ela tem sido *muito* subserviente a Lula e ao PT? Mais ainda, da entrevista conclui-se que a reforma da Folha deve ir na direção de resolver este problema? Então creio que a pesquisa ampla que menciona Frias Filho é desnecessária, que ele sabe o que deve fazer, que possivelmente irá obter dos ‘formadores de opinião’ escolhidos pela metodologia de pesquisa extremamente adequada que irá adotar virão apenas a reconfortar-lhe as crenças já tão arraigadas, ditas com tanta segurança e sem meias palavras.

  19. Comentou em 14/05/2007 Marco Costa Costa

    Ratinhos de borracha e fascículos de arte são dados como bride pelo jornalão em questão. Brindes não combinam com um jornal que se diz correto e sério. Esses penduricalhos são usados como propaganda pouco eficaz pelos políticos. O papel da imprensa não é comprar a consciência do leitor como bobagens tipo ratinhos, sapos, pererecas, receita de bolo entre outras besteiras. Como é do nosso conhecimento, se faz necessário mudar a mentalidade dos patrões no que tange ao noticiário do cotidiano, precisam trazer a informação até o leitor com clareza, objetividade e sem o escândalo que é usado de praxe, o qual é explorado pela maioria dos meios de comunicação, ou seja, trazer a notícia como ela é, não como o Frias transmite, acreditando que o leitor aceita imposição de pensamento fascista.

  20. Comentou em 14/05/2007 Bela Prin

    Ah, não, seu Malin, tenha dó! Na ânsia de rebater o comentário do leitor, afirmar que ‘ratinho é brinde’ e fascículo de arte ‘é produto cultural’ cheira a manipulação… O ratinho É um produto de entretenimento, que vem de brinde junto com o jornal, né não? E a arte, depois de perder a aura e cair na roda da indústria cultural, transformada em fascículos nos quais as obras são muito bem explicadinhas, é o quê? O senhor já leu um tal de Benjamin, alemão da Escola de Frankfurt? Não? Ah, logo vi!!!
    Em tempo: se gosta tanto do play boy, pelo menos disfarce sua ânsia de defendê-lo. Eu quero mais é que a FSP feche, antes que consiga eleger Serra Presidente! E que esse intelectual orgânico da direita fique pobre!

  21. Comentou em 14/05/2007 Bela Prin

    Desfaçatez. Essa é a única palavra que me ocorre para definir a vocação do play boy Otávio. Age como se o espaço da entrevista ao OI fosse o jornal de sua família, onde distorce notícias e a história recente do Brasil à vontade. De resto, mais uma triste comprovação da histórica visão de mundo da classe dominante brasileira, para quem o ‘aparelhamento’ do Estado, quando não é feito por seus pares, contumazes espoliadores da res pública, é motivo para a quebra do pacto democrático e a derrubada do presidente. Enquanto isso, não se toca no assunto do uso que a ditadura militar fez das kombis da Folha de São Paulo, nas madrugadas dos tempos de chumbo…

  22. Comentou em 14/05/2007 Marcos Vinicius Gomes da Silva

    Apesar do empenho do jornalista Malin em fazer uma boa entrevista com o dono do maior jornal do país, sinto que Frias Filho é alguém obtuso em suas convicções. Dizer que no período ditatorial havia dois pólos somente é a meu ver risível. Outra coisa que me intriga é a afirmação feita por Frias Filho de que o jornalismo vive uma crise pela oferta excessiva de informações. Não sei e o que ele disse refere-se à mídias alternativas (internet, rádio, televisão), ou é uma visão ‘pró-truste jornalístico’, em que se mudam os nomes dos jornais, porém um grupo apenas manda. Um bom exemplo é a própria Folha, que edita três jornais. Finalmente, a afirmação de que o jornalismo está numa zona cinzenta entre informação e entretenimento não se sustenta num jornal que distribui ratinhos de borracha e fascículos de pintores famosos em promoções para alavancar as vendas.

  23. Comentou em 14/05/2007 Lau Mendes

    Tanto o nobre jornalista como o Sr. Mídia “esqueceram“que o Brasil continuou a existir entre 1994 e 2002,e sabe-se lá como. Todos os do lado de cá sabem o que cabe dentro deste hiato. O Estado aparelhado há décadas e servil ao “liberalismo”. E estes sim macunaímicos,de caráter elástico do “só será bom para o País se primeiro servir a mim”. Sr. M. Malin, acredito que não tenha havido falha na transcrição e postagem de sua autoria, portanto minha convicção que não interessa ao Sr. mídia comentar a privataria no desgoverno FHC. Se o fizesse estaria batendo de frente com este liberalismo caquético e podre que não deixa o País crescer há décadas em nome da reserva de mercado. Compreende-se o motivo, pois se assim o fizesse estaria cuspindo no prato que tem comido. Obrigado pelo espaço de desabafo.

  24. Comentou em 14/05/2007 Marco Costa Costa

    O leitor de uma maneira geral não esta preocupado com a qualidade das reportagens e da edição que o jornal apresenta. O leitor tem duas preocupações fundamentais, então vejamos, com o preço e com o conteúdo das noticias, aquelas que interessam ou não. O leitor adquire o produto não pela embalagem bonita do papel, mas por aquilo que ele poderá trazer de útil no que concerne às noticias que poderão trazer-lhe retorno. Outro fator sem nenhuma relevância, trata-se em saber se o proprietário do veiculo de comunicação prima pela verdade dos fatos ou não, mais certo não, pois sabemos de antemão, o que interessa para essa gente é o retorno em lucros líquidos que o seu produto trará. É bom salientar que os patrões estão ao lado daqueles que estão no poder por um período predeterminado, assim que entrarem outros governantes o jornal estará ao lado dos mandantes de momento. Vale lembrar, a mídia tem câmara, caneta, voz e assemelhados somente para fazer pesadas criticas ao proletariado, quando se trata de privilegiado, a mídia tem muita luz, câmara e ação e também, tem o maior cuidado na veiculação das noticias, ou seja, para o rico só palavras elegantes e cuidadosas, já para o pobre somente porrada.

  25. Comentou em 14/05/2007 Dante Caleffi

    Seu identificador ,tem falhas.Não reconhece as letras digitadas e recitadas.

  26. Comentou em 14/05/2007 Sérgio Troncoso

    Essa entrevista coloca muito bem a diferença de percepção política e econômica que existe entre as pessoas do andar de cima e nós os simples mortais. Negar que a Folha aderiu a ditadura, ou insinuar que o país poderia virar comunista,devido a guerrilha!?, nos anos sessenta, só engana quem não viveu à época. De minha parte, gostaria apenas de ler jornais que assumissem de que lado estão, declarassem suas preferências, e ainda assim, não torcessem as notícias. Obrigado.

  27. Comentou em 14/05/2007 Jose de Almeida Bispo

    O que me impressiona neste rapaz é que ele encarna como ninguém a neo-UDN. Prepotência, arrogância, desprezo pela pluralidade real e determinação em recriar uma aristocracia que de fato nunca houve. E é sincero. Tudo na base do ‘se quero, eu posso; se posso, eu faço’. É legítima a sua decisão de fazer Serra presidente doa a quem doer. E repito, gosto da sinceridade. Coisa de quem ganhou muito dinheiro e se lambuzou de poder.

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