Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
Menu

CÓDIGO ABERTO >

Fórum mostra diversidade de enfoques na questão da TV Pública

Por Carlos Castilho em 09/05/2007 | comentários

As apresentações dos principais porta-vozes do governo nos dois primeiros dias do Fórum Nacional de TVs Públicas mostraram dois grandes enfoques da questão.


O ministro chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Franklin Martins, deixou claro que o governo vai implantar uma rede nacional de televisão pública e já tem planos sobre como encaminhar a questão.


Por seu lado, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil prefere o diálogo e a diversidade de enfoques como estratégia para chegar ao mesmo objetivo. Dois enfoques que mostram duas maneiras de fazer política e de encarar a questão público/estado.


A posição de Franklin está na linha do dirigismo estatal que mesmo sem impor assume, no entanto, um papel protagônico, alavancado pelo gigantismo do governo federal. É a linha classica dos administradores estatais, que partem do principio de que se não mostrarem serviço, serão considerados vacilantes e portanto relegados a um segundo plano na ribalta do poder.


Gil ganha força no lado oposto do espectro. Não porque suas posições sejam melhores do que as de Franklin , mas simplesmente porque encarna a figura do não político. O ministro da Cultura está criando uma estrutura que não tem a cara tradicional do poder e portanto passa ao largo da desconfiança popular em relação à política. 


Ao apostar no diálogo, na interatividade e na diversidade, Gilberto Gil se coloca dentro da tendência mais atual em matéria de discussão de temas complexos, como é a TV pública. A cultura predominente nos meios políticos e governamentais impede seus ocupantes de ver que não dá mais para usar soluções dirigistas para questões onde só os consensos amplos, e custosamente desenvolvidos, podem levar a soluções minimamente estaveis. 


O mundo está complexo demais para que soluções salvadoras surjam de cabeça de poucos administradores iluminados.


A mesma lógica nos leva a acreditar que o I Fórum Nacional de TVs públicas não chegará a soluções definitivas. É impossivel dada a diversidade de realidades mostradas durante os debates.


Mas duas coisas ficaram mais ou menos claras. Primeiro, que a questão da TV Pública foi colocada na agenda de debates da opinião pública, mesmo que a TVs comerciais tenham feito uma cobertura mínima do evento. Isto nunca havia acontecido antes e as verdadeiras consequências ainda estão por surgir.


A segunda questão é menos evidente, mas começa a se delinear. A televisão pública pode ser o futuro da TV, porque a tendência atual é no sentido da ampliação da participação da audiência em geral. Neste sentido, as TVs púiblicas podem recuperar o tempo perdido, caso percebam que o pior erro agora é imitar a TV comercial, que começa a viver um período crítico de reavalição do seu papel e do seu modelo de ngócios.


Público passou a ser uma palavra chave na chamada Nova Economia onde o importante passam a ser as pessoas e não mais as mercadorias, bens e serviços. Portanto, o modelo da TV tende a ser muito diferente do atual, como mostram algumas experiências em cusro noutros países. A TV pública tem que pensar, acima de tudo no público.


Leia também:  Censura ao Sem Censura – Alberto Dines

Todos os comentários

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem