Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Fórum mostra diversidade de enfoques na questão da TV Pública

Por Carlos Castilho em 09/05/2007 | comentários

As apresentações dos principais porta-vozes do governo nos dois primeiros dias do Fórum Nacional de TVs Públicas mostraram dois grandes enfoques da questão.


O ministro chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Franklin Martins, deixou claro que o governo vai implantar uma rede nacional de televisão pública e já tem planos sobre como encaminhar a questão.


Por seu lado, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil prefere o diálogo e a diversidade de enfoques como estratégia para chegar ao mesmo objetivo. Dois enfoques que mostram duas maneiras de fazer política e de encarar a questão público/estado.


A posição de Franklin está na linha do dirigismo estatal que mesmo sem impor assume, no entanto, um papel protagônico, alavancado pelo gigantismo do governo federal. É a linha classica dos administradores estatais, que partem do principio de que se não mostrarem serviço, serão considerados vacilantes e portanto relegados a um segundo plano na ribalta do poder.


Gil ganha força no lado oposto do espectro. Não porque suas posições sejam melhores do que as de Franklin , mas simplesmente porque encarna a figura do não político. O ministro da Cultura está criando uma estrutura que não tem a cara tradicional do poder e portanto passa ao largo da desconfiança popular em relação à política. 


Ao apostar no diálogo, na interatividade e na diversidade, Gilberto Gil se coloca dentro da tendência mais atual em matéria de discussão de temas complexos, como é a TV pública. A cultura predominente nos meios políticos e governamentais impede seus ocupantes de ver que não dá mais para usar soluções dirigistas para questões onde só os consensos amplos, e custosamente desenvolvidos, podem levar a soluções minimamente estaveis. 


O mundo está complexo demais para que soluções salvadoras surjam de cabeça de poucos administradores iluminados.


A mesma lógica nos leva a acreditar que o I Fórum Nacional de TVs públicas não chegará a soluções definitivas. É impossivel dada a diversidade de realidades mostradas durante os debates.


Mas duas coisas ficaram mais ou menos claras. Primeiro, que a questão da TV Pública foi colocada na agenda de debates da opinião pública, mesmo que a TVs comerciais tenham feito uma cobertura mínima do evento. Isto nunca havia acontecido antes e as verdadeiras consequências ainda estão por surgir.


A segunda questão é menos evidente, mas começa a se delinear. A televisão pública pode ser o futuro da TV, porque a tendência atual é no sentido da ampliação da participação da audiência em geral. Neste sentido, as TVs púiblicas podem recuperar o tempo perdido, caso percebam que o pior erro agora é imitar a TV comercial, que começa a viver um período crítico de reavalição do seu papel e do seu modelo de ngócios.


Público passou a ser uma palavra chave na chamada Nova Economia onde o importante passam a ser as pessoas e não mais as mercadorias, bens e serviços. Portanto, o modelo da TV tende a ser muito diferente do atual, como mostram algumas experiências em cusro noutros países. A TV pública tem que pensar, acima de tudo no público.


Leia também:  Censura ao Sem Censura – Alberto Dines

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/05/2007 jose murilo junior

    Muito bom!
    Re-publiquei lá no fórum virtual do Fórum de TVs Públicas, com o objetivo de dar maior visibilidade aos elementos que a sua perspectiva introduz no debate.
    http://xemele.cultura.gov.br/projetos/forumnacional/
    Saudações.

  2. Comentou em 10/05/2007 levisclei omar Casagrande

    Alguém acredita que com a moral elevada dos governantes que temos,a televisão pública vai realmente cumprir as suas finalidades,ao invés de estar a serviço do governo do momento.
    Alguém acredita que está televisão que se quer criar,não é uma extensão do braço do governo,para divulgar projetos pessoais dos figurantes do momento.
    Ora,ora,Sr.isto não passa de mais uma instituição cuja a finalidade é ser mais um cabide de emprego.

  3. Comentou em 09/05/2007 Pedro Moura

    Ë justíssimo ver o tema ‘tv pública’ sair do limbo em que estava relegado e ganhar a pauta – discreta mas válida – de nossos veículos de imprensa.
    Situado na confluência entre comunicação, estado e interesse público, o campo que compõe essas tvs tem tido suas demandas históricas reprimidas, por isso a tensão nas discussões são aceitáveis na medida em que resultem, como assinalado, em consensos minimamente seguros. Entretanto, algumas batalhas ainda precisam ser travadas nos Estados onde (sobre)vivem essas tvs, controladas por governos que impõem formas de dependência e limitam seu desenvolvimento.

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