Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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Futebol, caipirinha, etanol e PCC

Por Bruno Blecher em 14/07/2006 | comentários

Depois do futebol, em baixa diante do fracasso de Ronaldinhos & Cia, o álcool é o produto brasileiro de mais sucesso na Alemanha. Para beber e para abastecer o tanque. Uma pesquisa recente mostrou que a nossa caipirinha já é a segunda bebida mais consumida nos bares alemães. Só perde, é lógico, para a cerveja.


Mas na Alemanha, assim como em vários outros países da Europa, o etanol e o biodiesel estão em alta. São encarados como a melhor alternativa para combustível, capazes de reduzir a poluição das grandes cidades.


Um release do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) informa que a Ford está muito interessada nos chamados biocombustíveis. Durante um seminário sobre agronegócio, realizado esta semana na Alemanha, Norbert Krueger, da área de sustentabilidade e cidadania coorporativa da Ford, destacou as vantagens do ‘carro verde’. Mas ao mesmo em que elogiou o programa brasileiro do álcool combustível, ele deu uma alfinetada ao sugerir que a expansão da cana no Brasil já estaria comprometendo a preservação do meio ambiente em algumas regiões, além de desrespeitar direitos dos trabalhadores.


‘Os biocombustíveis precisam ser produzidos de forma responsável do ponto de vista do meio ambiente e do social. O etanol tem que ser limpo ecologicamente e socialmente. Isso é chave no mercado da Alemanha’, disse o executivo da Ford.


Até agora elogiado pela mídia mundial, o etanol brasileiro já foi tema de reportagens especiais em publicações de prestígio como The Economist, Wall Street Journal e The New York Times. Nos últimos meses, porém, a mídia alemã começou a publicar matérias negativas sobre a cultura da cana no Brasil, alegando que sua expansão já está provocando a derrubada da floresta ou a utilização de trabalhos forçados.


Onde há fumaça, há fogo. Neste caso, porém, é mais fumaça. Como advertiu o professor José Goldemberg, secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, em entrevista a revista Agroanalysis de junho último, corre-se o risco de a cana invadir áreas ecologicamente inapropriadas como já aconteceu no Pantanal. ‘Em São Paulo, porém, isto não vem ocorrendo porque a cana está ocupando áreas de pastagens’, disse o secretário.


De qualquer forma, se desejam conquistar o mercado internacional de biocombustíveis e buscar parceiros fortes como a Alemanha, os usineiros precisam estar atentos a duas questões fundamentais: responsabilidade social e respeito ao meio ambiente


No seminário da Alemanha, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, representando o governo brasileiro, explicou que é tecnicamente impossivel produzir cana na floresta amazônica. ‘Chove muito na região. A chuva em excesso impede que a cana produza sacarose, tornando-se apenas um bambu’, explicou Rodrigues.


Ele falou também sobre o trabalho em más condições. ‘São casos isolados e o governo atua com firmeza para combatê-los. Se observarmos a classificação da ONU de acordo com o Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), vamos ver que esse índice subiu justamente nos municípios em que a cana de açucar se instalou’, disse Rodrigues.


São justificativas corretas. O problema é que fica cada vez mais difícil defender a imagem do Brasil no exterior, quando as manchetes dos jornais mostram que a principal cidade do país continua sob o domínio do medo.

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