Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Gás, petróleo, eleições: olho vivo

Por Mauro Malin em 03/05/2006 | comentários


A mídia deve acompanhar com lupa a
ação do governo brasileiro em relação à Bolívia. Porque ele agora é regido pela
lógica eleitoral. Isso vale no que diz respeito ao aumento do preço do gás, e
mais ainda a um possível desasbastecimento, que teria conseqüências nefastas
para a campanha da reeleição.


Alguma “solução” precária pode ser
encontrada para não prejudicar a imagem do governo. Todos os governos usam um
arsenal de ações destinadas a empulhar a opinião pública. Em campanha eleitoral,
então, nem se fala.


De certa maneira, o presidente
Lula é refém do instituto da reeleição. Se, nesta altura do campeonato, por
alguma razão, ele anunciasse que não vai concorrer, estaria sinalizando
reconhecimento de fracasso, ou aceitação das críticas feitas pela oposição e na
mídia.


Vamos admitir que pessoalmente ele
não se importasse com isso. Dissesse: não quero mais, fiz o que pude, “a
História me julgará”, ou qualquer platitude semelhante. Seus correligionários,
amigos, clientes, dependentes não aceitariam. Ele não se pertence. É a recíproca
da submissão de um partido outrora tido como brioso, o PT, aos ditames dos
interesses políticos de Lula e ao jugo da estrutura montada por seus
companheiros da Articulação, entre os quais desponta José Dirceu.


Amanhã haverá reunião do presidente
Lula com os presidentes (antes que eu me esqueça, eles não são “colegas”, como
por preguiça se escreve toda hora; tampouco cabe o pedante termo “homólogos”)
Morales, Chávez e Kirchner. O menos esperto desse grupo descalça as meias sem
tirar os sapatos. Lula vai anunciar que saiu do encontro com uma vitória.
Digamos, por mera especulação: o gasoduto da Venezuela à Argentina ocupa o
primeiro plano e ofusca o problema com a Bolívia (e com a Venezuela, provável
beneficiária dos prejuízos da Petrobrás). A famosa fuga para a frente.


Como a imprensa é totalmente viciada
em declaratório, o noticiário tenderá a ficar no plano da retórica oficial. Os
articulistas e comentaristas serão mais críticos. Mas o noticiário é mais
importante do que as colunas de opinião, se não estou enganado. Sobretudo na
televisão aberta, que tem tempo muito escasso para dar todas as notícias.


Pede-se aos veículos que pelo menos
deixem de prontidão especialistas em petróleo, gás e relações internacionais
capazes de avaliar o resultado do encontro. E que os enviados especiais confiram
os movimentos efetivos do governo boliviano.


Todos os comentários

  1. Comentou em 05/05/2006 Ricardo Corrêa Coelho

    Parece-me exagerado afirmar que Lula é refém da reeleição porque a sua candidatura não lhe pertence, mas é do seu partido e de seus correligionários. Se assim fosse, em 1990, após a derrota para Collor em 1989, Lula teria concorrido a Câmara dos Deputados para fazer uma gorda bacada para o seu partido em Brasília. Mas não. Ele preferiu voltar às bases, isto é, às portas de fábrica no ABC e só se candidatar à Presidência da República. Na verdade, acho que Lula só faz o que quer, além de ter a imensa habilidade de parecer ser vítima, e não cabeça, do seu partido.

  2. Comentou em 03/05/2006 MCostaSantos CostaSantos

    XXXXXXXXXXX BOLÍVIA X ELEIÇÕES XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

    O povo saberá distinguir a atuação obrigatória de qualquer governo nessa situação delicada com a Bolívia. É evidente que caberá a imprensa e a oposição informarem quem serão os responsáveis pela boa ou péssima negociação.
    Nosso corpo diplomático e a Petrobrás teem profissionais competentes. O que teem que fazer é manter Lula calado.
    Quanto ao Presidentes da Nação e da Petrobrás o papel é só informar nos auto-falantes o que foi negociado.

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