Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Gás, petróleo, eleições: olho vivo

Por Mauro Malin em 03/05/2006 | comentários


A mídia deve acompanhar com lupa a
ação do governo brasileiro em relação à Bolívia. Porque ele agora é regido pela
lógica eleitoral. Isso vale no que diz respeito ao aumento do preço do gás, e
mais ainda a um possível desasbastecimento, que teria conseqüências nefastas
para a campanha da reeleição.


Alguma “solução” precária pode ser
encontrada para não prejudicar a imagem do governo. Todos os governos usam um
arsenal de ações destinadas a empulhar a opinião pública. Em campanha eleitoral,
então, nem se fala.


De certa maneira, o presidente
Lula é refém do instituto da reeleição. Se, nesta altura do campeonato, por
alguma razão, ele anunciasse que não vai concorrer, estaria sinalizando
reconhecimento de fracasso, ou aceitação das críticas feitas pela oposição e na
mídia.


Vamos admitir que pessoalmente ele
não se importasse com isso. Dissesse: não quero mais, fiz o que pude, “a
História me julgará”, ou qualquer platitude semelhante. Seus correligionários,
amigos, clientes, dependentes não aceitariam. Ele não se pertence. É a recíproca
da submissão de um partido outrora tido como brioso, o PT, aos ditames dos
interesses políticos de Lula e ao jugo da estrutura montada por seus
companheiros da Articulação, entre os quais desponta José Dirceu.


Amanhã haverá reunião do presidente
Lula com os presidentes (antes que eu me esqueça, eles não são “colegas”, como
por preguiça se escreve toda hora; tampouco cabe o pedante termo “homólogos”)
Morales, Chávez e Kirchner. O menos esperto desse grupo descalça as meias sem
tirar os sapatos. Lula vai anunciar que saiu do encontro com uma vitória.
Digamos, por mera especulação: o gasoduto da Venezuela à Argentina ocupa o
primeiro plano e ofusca o problema com a Bolívia (e com a Venezuela, provável
beneficiária dos prejuízos da Petrobrás). A famosa fuga para a frente.


Como a imprensa é totalmente viciada
em declaratório, o noticiário tenderá a ficar no plano da retórica oficial. Os
articulistas e comentaristas serão mais críticos. Mas o noticiário é mais
importante do que as colunas de opinião, se não estou enganado. Sobretudo na
televisão aberta, que tem tempo muito escasso para dar todas as notícias.


Pede-se aos veículos que pelo menos
deixem de prontidão especialistas em petróleo, gás e relações internacionais
capazes de avaliar o resultado do encontro. E que os enviados especiais confiram
os movimentos efetivos do governo boliviano.


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