Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Globo em alta, Estado em baixa, Folha na mesma

Por Luiz Weis em 13/02/2006 | comentários

Saíram os números finais sobre a circulação dos jornais brasileiros auditados pelo IVC em 2005.


O maior jornal do país, a Folha, pela primeira vez desde 2000 parou de perder leitores. Vendeu em média 307,9 mil exemplares por dia, 200 a mais do que no ano anterior. Ou seja, ficou onde estava. Em 2000, vendia 407,7 mil.


Naquele ano, o segundo colocado era o Estado, com 399 mil exemplares diários. Em 2005, o seu quinto ano consecutivo de queda, vendeu 230,9 mil jornais (menos 77 mil do que a Folha e menos 44 mil do que o Globo, que o ultrapassou em 2003 e desde então se mantém em alta).


Em outubro de 2004, o Estadão fez uma reforma gráfica e editorial não só radical, ainda mais considerando os padrões conservadores da casa, porém como de há muito não se via na imprensa diária nacional. Era de esperar que, em consequência, pelo menos parasse de perder leitores. Não parou.


No todo, a vendagem dos jornais aumentou 3,9%, sinal de que o gênero ainda tem muita bala na agulha para enfrentar a concorrência da internet e quem, sabe, desdizer os que o consideram praticamente fadado à extinção.


O bom ano jornaleiro se deveu sobretudo ao leitor-povão. Jornais de muita foto e pouco texto como o carioca Extra (terceiro do ranking geral), o Diário Gaúcho, de Porto Alegre, e o paulistano Agora não têm do que se queixar. A circulação total dos jornais populares cresceu 7% em 2005. A do Extra, 11,7%.


Dois dinossauros, a Gazeta Mercantil de São Paulo e o Jornal do Brasil do Rio, ambos do controvertido homem de negócios Nelson Tanure, estão no osso. A circulação da Gazeta (74,4 mil exemplares) caiu 16%. A do JB (68,2 mil), 10%.


Não está clara a relação entre as variações registradas em geral e mudanças na credibilidade das publicações. Os últimos dados a respeito (Ibope, maio de 2005) indicam que a imprensa diária é tida como o melhor e mais confiável meio de informação.


***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 15/02/2006 Bruno Silveira

    Caro Alceu Nader, no blog do Luiz Weis há a informação de que o Estadão vendeu no ano passado 230,9 mil exemplares, “o seu quinto ano consecutivo de queda” (3º parágrafo). Você diz aqui que desde 2003 ele vem reagindo. Note que, no seu blog, os números de exemplares, nos anos de 2004 e 2005, do Estadão e do Globo, são iguais. Qual dos dois está correto? O Weis, não informa o número de vendas do Globo (esse comentário vai pro blog dele também). Temos que fazer conta pelas vendas do Estadão (facilitar a vida do leitor que é bom, nada). E aí?

  2. Comentou em 14/02/2006 fernando yassu

    Em primeiro lugar, queria parabenizar por seus textos brilhantes (sempre elegantes e com conteúdos). Será possível saber, também, como estão as revistas semanais em termos de tiragem? Aumentaram, dimuiram ou permanecem na mesma situação? Mais: a questão da queda das tiragens merece uma discussão séria. Será que só a internet explica essa queda?

    Fernando Yassu

    Fernando Yassu

  3. Comentou em 14/02/2006 Raphael Perret

    Num tempo de recessão para os líderes, só uma coisa deve explicar o crescimento do Globo: a decadência de seu maior rival, o Jornal do Brasil.

  4. Comentou em 14/02/2006 paulo frança

    Li todos os comentários acima e concordo com praticamente todos eles. Como jornalista há mais de 20 anos, vejo, envergonhado e revoltado, que a imprensa brasileira tornou-se um balcão de negócios. Antes, era apenas um jornal aqui, outro ali. Agora, não. Estadão e Folha são os exemplos mais claros, junto com Veja, IstoÉ, TV Bandeirantes e SBT (com Ana Paula Padrão). E o que eles têm em comum? Todos são paulistas! Fazem o jogo do PSDB/PFL, da elite paulistana, acreditando que o leitor é um idiota que acredita neles. Alguém viu o Jô Soares por aí? O megalômano e narcísico apresentador também tirou a máscara de arrogante e reacionário. Ora, o povão, sim, vê apenas televisão e fotos nos jornais, principalmente de crimes e de futebol, mas os mais esclarecidos, número que vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, vê que a situação do Brasil hoje é muito melhor do que no tempo do FHC, que entregou quase tudo o que tínhamos de melhor (leiam na revista Pangea como FHC quase deu a Base de Alcântara aos EUA – o melhor ponto de lançamento de foguetes do mundo – e o relatório que ele ajudou a fazer para Bush incentivando-o a intervir na América Latina).
    Não sou filiado a partido algum, sou patriota, nacionalista. Nasci aqui, meus filhos também, adoro esta terra e lutarei por ela sempre. Parem e pensem: por que os estrangeiros são loucos pelo Brasil?

  5. Comentou em 14/02/2006 Rafael Motta

    Entendo que os jornais e as revistas de circulação periódica fariam mais ao leitor se, além de reproduzir declarações e dar a ‘última denúncia’, relacionassem os fatos do momento a situações anteriores — algo que você, Weis, fez em uma coluna na qual abordou a ‘lista de Furnas’.
    Quase sempre, claro, se chegariam a interesses particulares, a origem de praticamente tudo o que tem surgido ultimamente na imprensa.
    Ainda assim, raciocinando e pesquisando, repórteres e veículos conseguiriam uma cobertura, se não precisa, ao menos melhor e mais profunda dos fatos (ou das suposições, mais freqüentes na mídia com a crise política de agora).
    É o caso de lembrar um velho bordão de nostálgicos programas musicais de rádio: ‘o passado, sempre presente’.

  6. Comentou em 14/02/2006 Waldinei de Oliveira

    Parei de comprar jornais ha muito tempo, as redaçoes estao tomadas por petistas ou tucanos (o que dá na mesma). A imprensa brasileira é o mais evidente e vergonhoso exemplo de manipulaçao esquerdista que pode haver.

  7. Comentou em 14/02/2006 Mauricio Elarrat

    A mídia de um modo geral beneficiasse da ignorância das massas, ela sabe que em uma sociedade com elites responsáveis e concientes, não teria espaço para manipulações, e o individuo,não o povo, senhor do seu destino, não estaria rendido as falsas ilusões e utopias que lhe vendidas diariamente.

  8. Comentou em 14/02/2006 José Carlos dos Santos

    Fui assinante de Jornais, hoje no papel impresso só leio o Lance que adquiro em banca,é que os jornais como um todo fizeram uma opção anos atrás de ficar ao lado do anunciante ao invés de escolher o lado do leitor, esquecendo que o que interessa ao anunciante é nºde leitores que eles detêm, então para agradar, ou achar que agradaria o anunciante cada vez mais batiam no PT (ou dá p/esquecer que os governos petistas sofriam ataques diários, até as enchentes de S.Paulo eram culpa da Marta) e lambiam a dupla PSDB/PFL, vejam não é caso de querer que o jornal seja um espelho do meu pensamento, coisa que nunca o foi, mas sim querer tratamento justo, e não o ataque pelo ataque. Mas como se pode notar essa estratégia não deu certo pois os jornais estão perdendo credibilidade, leitores e por consequência anunciantes, a pergunta que fica é será que valeu a pena a escolha dos jornais?

  9. Comentou em 14/02/2006 Jaiel de Assis Lopes

    Prezado WEIS,

    depois de tão bons comentário resta lembrar o eterno e bom RAUL SEXAS:
    ‘Mamãe não quero ser Prefeito
    Pode ser que seja eleito
    e alguém vai querer me assassinar.
    Eu não preciso ler jornais
    Mentir sozinho eu sou capaz
    Não quero ir de encontro ao azar’.

  10. Comentou em 14/02/2006 Sérgio Piccinato

    Prezados,não acredito que esses jornais,
    apesar de tanta história,possam fazer parte
    de algo maior como a IMPRENSA.São meros
    DEFORMADORES de Opinião,lacaios de interesses
    inconfessaveis e é natural que experimentem
    de tempos em tempos queda de vendas,
    credibilidade e quiça,no futuro,anunciantes.
    A apropriação da notícia,do fato,como mero
    produto para ser exposto e vendido,conforme
    sua estratégia e embalagem esta cavando sua
    sepultura.Não choremos por esse estúpido
    defunto.(quanto aos jornalistas(?) o que
    dizer???)Cordialmente,Sérgio.

  11. Comentou em 13/02/2006 Haertel Duarte

    O que os grandes jornais e revistas precisam lembrar é que o povão não lê jornal, apenas assiste televisão. Quem lê jornal e revistas tem uma visão crítica mais apurada e percebe nitidamente o proselitismo dessa imprensa. E ao perceber simplesmente abandona esses meios de informação pois tem na internet a fonte que lhe permite ouvir todos os lados das questões e tirar suas próprias conclusões. A eleição presidencial que se aproxima será, sem dúvida, o grande divisor de águas da nossa imprensa escrita, pois aqueles que insistirem em utilizar seu espaço de forma tendenciosa, perderão o seu grande patrimônio que é a credibilidade e com ela também um grande número de leitores.

  12. Comentou em 13/02/2006 vera Candido

    Há mais de ano desisti de ler jornais (antes assinava um do Rio e outro de SP), principalmente os comentaristas, políticos e econômicos. Entre os comentaristas políticos, não há análises de fundo, somente achismos, fofocas, a busca irresponsável do furo, quando não pura e simples má-fé ou proselitismo ou partidarização camuflada. Quanto às colunas econômicas, ou programas econômicos de TV (inclusive fechada, só fazem a divulgação de teses e diagnósticos de um pensamento único, sempre entrevistam as mesmas pessoas (vide o Globonews especial, onde só dá professor da USP ou afim) e com frequência qualquer economista, financeista, corretor da bolsa de plantão é chamado a manifestar opiniões dadas como certas, como se a economia fosse absolutamente unânime. Perda de tempo. Leio somente uma revista semanal, Carta Capital, mesmo assim …

  13. Comentou em 13/02/2006 Abraão Francisco da Costa Costa

    Fui assinante do jornal ‘Folha de São Paulo’ por muito tempo e gostava de ler os editoriais, a política, economia…., porém chegou um tempo em que a parcialidade política foi tão exagerada que preferi ficar com a minha opinião pessoal sobre o tema, pois considerava o jornal imparcial. Em tempos de denuncismo onde jornalistas se escondem atrás do sigilo da fonte – leia-se impunidade que se confunde com a liberdade de imprensa – é difícil dar a mesma credibilidade que alguns anos passados. Tenho saudades daquele tempo em que lia jornal com notícias sérias, imparciais, e que não tinham o condão de tirar um ou colocar outro no poder. Com toda licença do leitor, gostaria de me manifestar sobre as revistas semanais: Onde houve a imparcialidade da ‘Veja’ quando, às vésperas do referendo sobre as armas de fogo publicou uma edição mencionando ‘sete motivos para dizer não’, amplamente divulgada no ‘Superpop’ da Srta. Luciana Gimenez. Dá para crer nesta imprensa escrita? Estamos vivendo a era do imperialismo da imprensa, sobretudo acobertada pelo manto do sigilo!

  14. Comentou em 13/02/2006 cid elias carneiro ELIAS

    Concordo e digo mais : leiam a Folha de hoje pra ver o que é ‘uma imprensa IMPARCIAL’ É NOJENTO!!!!!!!!!!

    Não sou filiado a nenhum partido mas não posso calar diante de tanta HIPOCRISIA e MANIPULAÇÃO dos fatos , feitos sistematicamente por: folhasp, estadao, veja, istoera, globo, jbosta e outros meios
    rasteiros… estes pseudos-jornalistas , esquecem que há ainda pessoas que pensam, geralmente de bom caráter (ao contrário deles), e muitos, FORMADORES DE OPINIÃO, que tentam informar a verdade para amigos, funcionários, família, etc. e conscientizar o número maior de pessoas que o ‘maior esquema de corrupção da história’ NÃO PASSARÁ DE CENTAVOS quando a VERDADE vier a tona…. A PRIVATIZAÇÃO DA VALE É UM DOS MAIORES EXEMPLOS DOS BILHÕES SURRUPIADOS DO POVO BRASILEIROS PELOS VESTAIS DA ÉTICA ENCABEÇADOS POR fhcinico….

    Porque a mídia não destacou a reabertura do processo deste roubo em que um dos réus é fhcorrupto???? piada….

  15. Comentou em 13/02/2006 Vagner Silva

    Não leio jornais, eles só publicam a verdade que lhes interessa, alguns inclusive tem verdadeira postura de partidos politicos. Que todos desapareçam. Há alguns tão ruins que o país seria melhor se desaparecessem. E sem papo de imprensa livre. Não há liberdade com esses meios de comunicação tão corruptos. Eu e grande parte dos brasileiros não acreditamos mais nestes folhetins, por isso que muitos preferem ler sobre assaltos e assassinatos, pelo menos quando se lê sobre isso não se tem tanto a impressão de que alguem ou algum grupo que se acha muito esperto esteja tentando fazer sua cabeça. E quanto aos tais fazedores de opinião, esses são a escoria da escoria.

  16. Comentou em 13/02/2006 Mariva Neves

    A imprensa brasileira está fadada ao descrédito enquanto perdurar essa turminha que mantém o controle do que deve ou nã ser publicado. A independencia, a coerência e principalmente a responsabilidade no que é impresso, são os fatores que levam ao cidadão comum enfiar a mão no bolso e comprar a notícia. A folha teve seus méritos e os esqueceu. Os demais continuam como antes no quatel de abrantes, principalmente os da região Norte/Nordeste submissos aos velhos e novos coronéis ………..

  17. Comentou em 13/02/2006 Roberto Moura Silveira Moura

    Já foi assinante do Estadão e hoje leio a Folha, onde encontrei mais objetividade nos comentários. No Estadão precisava de muito tempo e paciencia para leitura dos artigos e comentários, como se não tivesse mais o que fazer Quanto aos demais jornais não os leio.

  18. Comentou em 13/02/2006 Arivelton Amaral

    A gazeta Mercantil irá continuar caindo mesmo. O trabalho sujo que fizerão em Minas Gerais, com todos os seus funcionarios, irá refletir no resto do país.
    Eles vão chegar ao fundo do posso…

  19. Comentou em 13/02/2006 jurandir araujo silva

    A decadencia da imprensa brasileira deve-se ao claro posicionamento em favor de interesses partidos politicos, que tentam voltar ao poder, através dos denuncismos rancorosos e sem provas, colocando em chek, a inteligencia do leitor. ‘Isto é uma vergonha.’

  20. Comentou em 13/02/2006 José Reis Chaves Chaves

    Prezados Senhores,

    Achei muito restritos os dados. Por que não fizeram uma pesquisa mais de âmbito nacional.Por exempló, há bons jornais em MG, como o O TEMPO e o ESTADO DE MINAS, sobre os quais gostaria de saber a posição. E, é óbvio, seriam bem-vindos os dados de outros periódicos, pelo menos os mais importantes de alguns estados mais importantes do País.
    Meus agradecimentos pela sua atenção.
    Atenciosamente.
    José Reis Chaves

  21. Comentou em 13/02/2006 Lucinei Lucena

    Prezado Weis,

    É hora de duvidar um pouco da maioria das análises que ‘explicam’ a queda das vendas de jornais por causa de internet, tv ou mesmo da ignorância, falta de hábito e dinheiro do povo.

    O fato é que os jornais não falam a língua do povo. É isso que deve ser mais e mais investigado. O povo não se identifica com o que é impresso diáriamente nos jornais. As imagens chamam alguma atenção mas, vender poucas centenas de milhares de jornais ao dia é muikto pouco. Muito pouco. Noto muita incompetência em vender jornal e uma certa arrogância/incompetência no próprio modo de fazer jornalismo que supõe que informar melhor o funcionamento das instituições bnão seria atrativo para o povão porque este simplesmente não entenderia. Ora, ora: incompetência em informar de um modo que o povo entenda. A fuga é ficar fazendo a fácil demagogia de que ‘nada funciona por causa da corrupção’.

    Eu acuso a grande maioria de jornalistas de ter uma visão medíocre e mesquinha das instituições. Eles, sim, que não entendem.

    Saudações, Lucinei.

  22. Comentou em 13/02/2006 Eduardo Guimarães

    O debacle do Estadão se coaduna perfeitamente com o modelo anacrônico de jornalismo que ele faz. Aquele veículo é o cemitério do contraditório. Para qualquer pessoa normal, por mais reacionária que seja – e o Estadão é o quartel-general do reacionarismo tupiniquim -, é extremamente tedioso ler um tipo só de opinião e insultante ver reportagens que não passam de editoriais disfarçados. O Espaço Aberto do Estadão (pág. A2), ou melhor, o jornal inteiro transformou-se num boletim diário do PSDB e do PFL, num amálgama bolorento das ‘idéias’ da direita racista, conservadora, reacionária, antidemocrática que se pela de medo do debate democrático e da contraposição de opiniões. O Globo Cresce porque a Folha não cresce, e a Folha não cresce porque ela e o Globo estão cada vez mais parecidos. A Folha está jogando no lixo o jornalismo plural que praticava, que foi responsável por sua ascensão à posição de maior jornal do país, e começou a se dar a malandragens iguaizinhas às dos outros jornais. Mas todos esses veículos tenderão a ir encolhendo com o tempo, até sumirem. Conforme for morrendo uma geração que lia jornais, as novas gerações buscarão informação de verdade em lugar da lavagem cerebral que esses veículos tentam fazer nas mentes de seus leitores. Aliás, a atuação deles na crise política os fará lamentar por muito tempo a partidarização a que se permitiram. Quem viver, verá.

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