Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Golias contra Golias na guerra pela biblioteca planetária na internet

Por Carlos Castilho em 06/09/2009 | comentários

Esta semana (7-11/9), um tribunal norte-americano vai decidir quem ganha a primeira escaramuça de uma guerra econômica e cultural que vai durar algum tempo e promete lances dignos de um filme policial de Hollywood.


 


É uma luta entre gigantes quase da mesma estatura, com poder de fogo equivalente e um mesmo objetivo: controlar o mercado de livros digitalizados e publicados na internet, um negócio que muitos estimam em mais de 5 bilhões de dólares. 


 


O juiz Denny Chin vai decidir se é legal o acordo firmado entre a empresa Google e a Associação Norte-americana de Editores, a Associação de Autores de Livros e cerca de 20 mil escritores, livreiros e editores independentes, para digitalização de livros e publicação na internet.


 


O acordo foi firmado em outubro de 2008, depois de uma disputa jurídica que durou três anos, na qual os editores e autores acusavam a Google Books de violar os direitos autorais ao anunciar sua decisão de disponibilizar textos de livros pela internet.


 


A decisão está sendo acompanhada nos mínimos detalhes pela Open Book Alliance, um projeto integrado por 11 organizações de escritores, editores e livreiros, patrocinado por três pesos pesados na internet mundial — a Microsoft, a livraria virtual Amazon e a empresa Yahoo.


 


A Open Book Alliance, criada há menos de dois anos, tenta ocupar espaços num mercado que a Google vem cortejando desde 2002, quando foi lançado o projeto Google Books.  A mega corporação de buscas na web já gastou, até agora, cerca de 5 milhões de dólares em pesquisa sobre digitalização de livros, novos e antigos, publicação do conteúdo na página do Google Books e comercialização online.


 


Caso o juiz Denny considere o acordo legal, estará dado o primeiro passo para que a Google e seus parceiros criem a maior biblioteca da história da humanidade, um projeto que provoca divisões até mesmo fora dos Estados Unidos. Os governos da Alemanha e da França já se manifestaram contra o projeto da Google, enquanto a União Européia simpatiza com a idéia.


 


Os integrantes da Open Book Alliance prometem levar a guerra com a Google para dentro das universidades envolvendo também os grandes grupos da mídia convencional, como jornais, editoras, revistas e grandes cadeias de livrarias. O sindicato dos jornalistas dos Estados Unidos é contra a iniciativa da Google, enquanto a poderosa Associação Norte-Americana de Deficientes Físicos e Mentais é a favor.


 

A batalha de Golias em torno da digitalização de livros tem a ver também com os interesses da Amazon e da Sony na venda dos leitores eletrônicos. A Amazon tem o Kindle, o mais vendido e com maior acervo de textos digitalizados. Já a Sony, uma aliada de Google, produz o eBook Reader. Todas estão de olho no futuro mercado do livro eletrônico, qualificado com outra “mina de ouro digital”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/09/2009 Roberto Ribeiro

    Quem vai ler tanto livro? Isso é a pergunta mais jumental da história da humanidade! Ninguém individualmente, claro, mas, enquanto membros da humanidade, todos. O maior especialista do mundo em Inteligêcia Artificial do mundo, Noam Chomsky, há mais de dez anos desistiu da idéia. Jamais um computador terá inteligência no sentido humano, a ‘inteligência’ dos computadores é algo totalmente diferente.

  2. Comentou em 08/09/2009 Carlos Franco

    É o primeiro passo, em grande escala, na direção da Web semântica.
    E não dá para confiar na Amazon, com sua mania de patentear o óbvio (creio que todos lembram do caso do 1-click, não é mesmo?)
    Muito menos na Microsoft e sua psicopatia corporativa.
    Esta estúpida aliança, como tantas outras, existe apenas para contestar um oponente comercial. Como é possível falar em ‘aberto’ com tais afiliados?
    Infelizmente, do outro lado, também fica difícil confiar na Sony…
    Para onde correr?

  3. Comentou em 08/09/2009 Flávio Carvalho Serpa

    Visitando a sede do Google , o historiador George Dyson
    perguntou aos engenheiros quem ia ler tanto livro. ‘Não estamos escaneando esses livros todos para serem lidos por pessoas, mas sim para leitores de AI (Inteligência Artificial)’, responderam. Ou seja, os robôs. Mesmo que os humanos desapareçam da face da terra a Google ainda vai ter clientes. http://www.edge.org/3rd_culture/dyson05/dyson05_index.html

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