Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Grampos: prisão para jornalistas já era

Por Luiz Weis em 19/01/2006 | comentários

Diferentemente do que escreveu anteontem o blogueiro Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, e o jornal publicou ontem, pelo menos no pé em que está, o projeto do governo mudando a legislação sobre escuta telefônica não prevê prisão para jornalistas que divulgarem o conteúdo de quaisquer grampos telefônicos.

No começo da madrugada de hoje, Josias pôs no seu blog informações recebidas do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ele confirma o envio ao Congresso em fevereiro do que chamou “um projeto [ainda] em movimento”.

“As coisas estão sendo mexidas por uma equipe aqui do ministério e da Casa Civil”, teria dito o ministro ao blogueiro.

Ele também teria afirmado que deixou o pessoal “trabalhando” no artigo do projeto que dá cadeia para quem revelar conversas grampeadas.

Mas, a crer no Estadão de hoje, o artigo já era. A matéria “Nova regra para grampos deve vir menos rígida” sugere que a versão do projeto divulgada por Josias não é a que está em exame na Casa Civil.

Diz o jornal: “De acordo com fontes do Ministério da Justiça que manusearam a última [o certo seria escrever “a mais recente”] versão”, a idéia anterior “foi abandonada”.

Prova disso foi o virtual enterro do assunto na Folha de hoje. Depois de todo o carnaval da véspera, com editorial furioso e dois artigos assinados na mesma linha, o jornal deu um pirulito [notícia pequena em uma coluna] em um pé de página, sobre a nota em que a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) considera “totalitária” a possibilidade de prisão de jornalistas.

A menos que o governo tenha mudado o projeto depois do aparente furo de Josias – uma hipótese à primeira vista remota – ficamos assim:

O blogueiro errou ao trabalhar em cima de um texto superado a que teve acesso, o jornal em que trabalha errou ao bancá-lo como se fosse definitivo – e nem um nem outro jogaram limpo com o leitor depois de confirmada a barriga.

O jornalismo – entre outros motivos por ser exercido contra o relógio – é uma atividade a que se aplica, talvez mais do que à grande maioria das outras, o ditado de que “errar é humano”.

Mas quando se erra, seja lá por que razão, o certo, o obrigatório, é assumir inequivocamente o erro e pedir desculpas ao leitor.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/01/2006 antonio barros

    Sou a favor de haja alguma punição para os maus jornalistas, até porque ninguém está acima do bem e do mal. Alguns deles (como o citado na matéria) se acham os bambambans do jornalismo brasileiro.
    Em nome da ´liberdade de imprensa´ tudo se pode, menos punir jornalista levianos, que agem a favor de determinados grupos políticos, etc.
    Chega! a lei tem que ser igual para todos, inclusive para jornalistas
    Um abraço
    Antonio

  2. Comentou em 19/01/2006 rodrigo siqueira

    E aquela história do ‘suposto’ caixa dois tucano em furnas? Não deu em nada, ninguém repercutiu e muito menos aprofundou mais nada, ficou o dito pelo não dito. A mídia esqueceu? Agora que arrefeceu a crise, não há a desculpa de que as redações estão sobrecarregadas. A fugir da pauta imposta pelo cotidiano, a mídia daria uma imensa contribuição à República e à história do Brasil se fizesse uma devassa no financiamento das campanhas políticas e dos partidos brasileiros. Mas talvez isso seria pedir demais, né? Ôôô Brasilzão, sô!

  3. Comentou em 19/01/2006 Maurício José Lima

    É uma pena que continuará a impunidade contra jornalistas que podem falar o que quiser, atacar a honra de quem quiser.
    Missão de informar é nobre, agora como jornalistas são humanos, erram e entre eles não há só santos, a presunção de que todo erro foi apenas um equívoco e não pode ser punido para não oprimir a apuração abre espaço para mentiras montadas propositalmente que não serão oprimidas (deve ser punido os casos em que provar dolo, informações falsas com fontes falsas, etc…). Assim o jornalista continua a pessoa mais poderosa do país, podendo destruir reputações de quem quiser.

  4. Comentou em 19/01/2006 Cristhian Tambosi

    É realmente uma pena que o projeto não preveja a prisão destes arapongas-jornalitas.
    A impensa esquece que não está acima da LEI, não vivemos (ao menos em teoria) no império da Imprensa.

  5. Comentou em 19/01/2006 taciana oliveira

    Você tem certeza de que ele errou? Como se diz: dolo ou culpa? Tem certeza de que não faz parte de mais um lance do ‘bota lenha na fogueira’ do jogo ‘JORNALISTAS contra LULA’ que é sempre a preliminar do jogo principal ‘O POVO contra LULA’, cuja taça para o campeão se chama ‘PRESIDÊNCIA’?

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