Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Grande estréia

Por Luiz Weis em 26/11/2007 | comentários
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HARVEY, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Ed. Record, 1992.

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TRAQUINA, Nelson. O estudo do jornalismo no século XX. São Leopoldo, Ed. Unisinos, 2001.

O Estado se criou um problema:

Repetir, com a brevidade possível, a cesta de 3 pontos que marcou ontem com as suas 124 páginas em formato revista sobre a Amazônia.

Trata-se, como sugere o nome da publicação, “Grandes Reportagens”, da primeira de uma série, embora a matéria promocional a respeito no corpo do jornal de domingo não diga uma palavra nem sobre o tema da próxima, nem sobre a data, muito menos sobre a periodicidade, ou não, da revista.

[O texto, por sinal, não precisava cair na rasa mistura de oba-oba com lugar-comum, ao dizer que ela é “um presente aos leitores”.]

A imagem da capa – o close do olho de uma arara-vermelha, fotografada pelo craque Dida Sampaio -, o título, “Ainda é possível salvar?”, e o texto da chamada, falando das experiências “que poderão preservar a mais rica biodiversidade do planeta”, remetem a um aspecto central da crise amazônica, porém não mais importante do que a sua relação com a tragédia climática, a que evidentemente está interligado.

Na revista se lê que, embora 17% da floresta já tenha virado fumaça ou tombou a golpes de moto-serra, a massa verde remanescente ainda parece capaz de retirar da atmosfera todo o carbono emitido no Brasil, seguno estimativas preliminares.

Então vamos calcar fundo o acelerador dos nossos poluentes SUVs que a mata nos absolverá?

Sem essa, se lê hoje no jornal, numa esclarecedora suite [sequência] do repórter Herton Escobar. A única solução real para as mudanças climáticas é reduzir as emissões dos gases que provocam o efeito estufa, “e não ficar pedindo crédito pelo que a natureza faz”, adverte o professor Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da USP [apresentado como especialista, mas sem a identificação da especialidade; ele é astrofísico].

A matéria explica em poucas linhas por que a vegetação amazônica neutraliza naturalmente emissões tóxicas e aonde isso conduz.

O carbono, pela fotossíntese, é incorporado aos tecidos de plantas em crescimento. Por isso, o carbono “sequestrado” pela floresta não pode servir para abater a contribuição do Brasil ao aquecimento global.

Citando o professor Gylvan, a reportagem informa que as emissões mundiais de carbono são da ordem de 7 bilhões de toneladas por ano. Deles, os oceanos capturam 2 bilhões, outros 2 bi para a biosfera (incluíndo as florestas) e 3 bi ficam na atmosfera – causando a catástrofe que os cientistas não se cansam de anunciar.

Em outros artigos neste blog, sustentei que, diante da questão ambiental, sem prejuízo dos chamados tudo-sobre – como a excelente edição inaugural da revista do Estadão -, a mídia tem de manter o assunto em foco dia sim, o outro também.

Daí a importância da suite comentada acima. Pode até ser que a idéia por trás dela seja a de “repercutir” a revista. Se for, é do jogo. O que interessa, a qualquer pretexto, é concentrar a atenção do leitor no maior problema deste mundo que está aí.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/11/2007 Ivan Moraes

    ‘embora 17% da floresta já tenha virado fumaça ou tombou a golpes de moto-serra’ ninguem tem a menor ideia aonde o dinheiro foi parar. No Brasil nao esta…

  2. Comentou em 26/11/2007 Werner Piana

    Pois é… paguei os R$5 do ESTADÃO de domingo e não recebi a revista – o rapaz da banca de jornais disse que não veio para Belo Horizonte.
    Uma LÁSTIMA!

    Devo procurar o PROCON?

  3. Comentou em 26/11/2007 Menjol Almeida

    O Estadão poderia ‘republicar’ uma série de reportagens onde demonstrou, com base nos fatos, a vitória dos EUA no Vietnã.

  4. Comentou em 26/11/2007 Ivan Berger

    Pois é, de vez em quando a tal PIG dá uma bola dentro. Com a palavra,os detratores de plantão.

  5. Comentou em 26/11/2007 Carlos N Mendes

    Encarte realmente espetacular, já roubei a revista de um colega (para guardar para a posteridade). Um grande trabalho da redação do Estado. Nós leitores deveríamos tratar os jornais como crianças – reforço positivo quando acertam, reforço negativo quando tentam ‘formar opinião’. Minha opinião está formada, ela só aceita upgrade. A opinião do OESP e seus pares eu não compro, só tomo emprestada para saber como eles desejam que eu opine. Mas capa está bonita…

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