Sábado, 21 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Gravadoras e imprensa usam Michael Jackson para tentar ganhar tempo na crise de modelos de negócio 

Por Carlos Castilho em 01/07/2009 | comentários

A morte do cantor Michael Jackson uniu a indústria fonográfica e a imprensa do mundo inteiro num frenético esforço de dar sobrevida a um mito para alavancar vendas e adiar por mais alguns meses o confronto com a dura realidade da falência de dois modelos de negócio que a inovação tecnológica tornou obsoletos.


 


Esta união de esforços mostrou como as gravadoras, em especial a Sony, detentora dos direitos musicais de Michael Jackson, estão dispostas a sugar até a última gota o potencial de vendas de astros e mitos do showbiz mundial. A Sony vendeu 750 milhões de álbuns (long play e CDs) do cantor desde 1982.


 


E a imprensa mergulhou de cabeça na notícia-espetáculo transformando em atualidade e voyeurismo aquilo que na verdade é essencialmente uma operação de marketing para valorizar o produto Michael Jackson.  Não está em questão a produção musical e nem o gênero pop, mas o uso comercial que foi feito de ambos.


 


Michael Jackson é um caso único não tanto pela sua carreira e pelo gênero que criou mas sim pelo fato de ser o último grande fenômeno musical em escala planetária. Mesmo morto, não há nenhum outro interprete capaz de conseguir uma audiência global como ele.


 


O mito Michael foi construído na época áurea da indústria fonográfica mundial. Está associado diretamente a um modelo de negócios onde a produção musical estava concentrada nas mãos das gravadoras que controlavam o mercado de forma oligopólica.


 


A morte do chamado “rei do pop”  é um duríssimo golpe para as gravadoras que ficam sem o seu maior astro e seu maior fiador de receitas recordes. Daí a necessidade de manter o mito contando com a ajuda da imprensa, que também passa por maus momentos e precisa aumentar o faturamento.


 


Trata-se, portanto,  de uma aliança de conveniência, que está recorrendo ao que há de pior no jornalismo de variedades quando procura atrair público abrindo espaços para todos aqueles que querem fazer marketing pessoal contando segredos da vida do cantor.


 


Está valendo tudo neste esforço para prolongar o mais possível a permanência de Michael nas manchetes da imprensa e nos programas de televisão. Os jornais sensacionalistas são cúmplices e parceiros nesta empreitada cujo principal beneficiado é a agonizante indústria fonográfica mundial. 

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