Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Gritos e sussurros

Por Luiz Weis em 29/11/2007 | comentários

No domingo, 28 de outubro, sob o título “Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre” a Folha publicou:

“O ex-interno da Febem Anderson Marcos Batista, 25, preso acusado de extorquir o padre Júlio Lancelotti, 58, afirmou à polícia que sustentou por oito anos relação homossexual com o religioso em troca de dinheiro.”

Hoje, sob o título “Detento recua e nega relação íntima com padre”, a Folha publica:

“O detento Marcos José de Lima, suspeito de ter extorquido o padre Júlio Lancelotti, 58, foi interrogado ontem pela Polícia Civil e negou ter mantido relação íntima com o religioso em troca de dinheiro, como disse à Justiça.”

Os nomes dos presos não são a única diferença entre os dois textos. A mais importante é que o primeiro saiu na metade superior da primeira página. O segundo, no canto inferior direito de uma página interna do jornal – com um título bem menor.

Nada de novo na mídia: as acusações saem aos gritos; os desmentidos, aos sussurros.

Os acusados – e os leitores – que se lixem.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/12/2007 Luiz Latino

    Caro Luiz,
    O problema que vivem as pessoas envolvidas em manchetes e buscam as reparações é um problema que preocupa toda a a nação mas nada é mudado. Autoridades neste assunto como voce mobiliza muito a indignação contida mas mesmo assim não interessa aos poderosos da imprensa promover atitudes que demonstrem o interesse da preservação das pessoas.

    Quero, nesta oportunidade, sugerir a voce e aos especialistas da imprensa que pesquisem sobre a imprensa nas pequenas cidade do interior do Brasil. Pequenos jornais, as vezes sem a estrtura legal para funcionarem, sobrevivem a difamação e das ameaças as pessoas. Nos interiores a relações são mais proximas e quando ocorre uma difamação ou denuncia infundada, por exemplo, os danos são bem maiores porque atingem valores pessoais e familiares.

    Orientações e disponiblidade de consulta seriam um bom serviço a favor dos povos interioranos deste país.

    Saudações.

  2. Comentou em 02/12/2007 calypso escobar

    O Universo desorganizado,depressão e medo versus mentiroso,superficial. Afinal,este tropeço traz a lembrança o Vaticano,o Papa,Roma e Itália.certo? Que se lixem os homens,nós,de Neandertal. Nada.melhor que o requinte descarado. Grata calypso escobar

  3. Comentou em 01/12/2007 José Orair Silva

    A questão é que no Brasil a honra do ser humano realmente não vale nada. Assim os meios de comunicação não precisam se preocupar muito em saber se a ‘Geni da Vez’ é inocente ou culpada. O negócio é acompanhar o rebanho e faturar o máximo aproveitando a receptividade do público para o escândalo na vitrine. Se a ‘Geni da Vez’ por inocente o máximo que poderá acontecer será uma ação de natureza civíl por danos morais onde o veículo de comunicação terá uma grande chance de não ser condenado e, se for, o valor será certamente insignificante. Uma revista semanal brasileira de grande tiragem tem sofrido várias condenações que, pelos valores irrisórios que representam diante do faturamento milionário da editora, tornam-se na verdade um incentivo à prática de denúncias sem fundamentos.

  4. Comentou em 01/12/2007 José Orair Silva

    A questão é que no Brasil a honra do ser humano realmente não vale nada. Assim os meios de comunicação não precisam se preocupar muito em saber se a ‘Geni da Vez’ é inocente ou culpada. O negócio é acompanhar o rebanho e faturar o máximo aproveitando a receptividade do público para o escândalo na vitrine. Se a ‘Geni da Vez’ por inocente o máximo que poderá acontecer será uma ação de natureza civíl por danos morais onde o veículo de comunicação terá uma grande chance de não ser condenado e, se for, o valor será certamente insignificante. Uma revista semanal brasileira de grande tiragem tem sofrido várias condenações que, pelos valores irrisórios que representam diante do faturamento milionário da editora, tornam-se na verdade um incentivo à prática de denúncias sem fundamentos.

  5. Comentou em 01/12/2007 Raquel de Moraes Miranda

    No caso da Escola Base, a verdade acabou vindo à tona (depois do linchamento moral dos proprietários): no afã de mostrar serviço, o delegado que instruiu o processo cometeu várias irregularidades, a começar pelo depoimento de criança menor de 6 anos não assistida por psicólogo — nessa idade é impossível diferenciar realidade de imaginação. Mas a população acabou ciente do que ocorreu.
    E no caso do padre Julio Lancelotti, será que acabaremos sabendo o que de fato ocorreu? O fato de o processo correr em segredo de justiça ajuda ou prejudica a divulgação da verdade?

  6. Comentou em 30/11/2007 Joâo Cavalcante Filho

    >>O caso Lancelotti expôs a triste situaçao da Mídia, quando esta se preocupa em acusar pessoas do quilate do padre Lancelotti. O padre Júlio, na verdade, é uma pessoa muito conhecida nos meios de comunicação, por seu ótimo trabalho em prol de crianças aidéticas, de rua etc. Vejo que o padre Júlio errou, talvez por medo, em denunciar pessoas sórdidas, que somente estão interessadas em caluniar o sacerdote em questão.
    >>Vejo também como perversa a atuação da redes recordnews/recorde, que injuriaram o padre júlio, julgando o sacerdote como pedófilo sem aprofundar uma séria investigação jornalística.
    >>Em verdade, parte da mídia brasileira ainda age por impulso, visando se destacar no Ibope, em adquirir lucros embasada em pseudo-investigações. Falta clareza nas informações. Infelizmente temos uma parte da mídia de linha tendenciosa, que tenta ‘derrubar os inimigos e afagar os amigos’. Que lutemos por uma nova comunicação.

  7. Comentou em 30/11/2007 Jairo Fernando Oliveira

    Se todas as notícias referentes ao padre estavam sendo publicadas com grande destaque, as que se sucederam também deveriam ter o merecido destaque, independente de qual dos menores disse o que disse, independentemente se uma era acusando e outra desmentindo. O texto já esclarece que ‘Os nomes dos presos não são a única diferença entre os dois textos’. Ambas notícias relacionadas com o padre. Uma teve grande destaque (acusação) e a outra não (desmentido). Não vem ao caso se o padre é culpado ou não, pois o caso ainda não terminou. O problema, que não querem enxergar é este mesmo: quando se acusa, todo o destaque é dado, inclusive primeira página, quando há desmentidos, põe uma notinha aí no rodapé da página, que não interessa…

  8. Comentou em 30/11/2007 Kleber Carvalho

    Que tal se pudéssemos medir o IDH da mídia brasileira, disparado o mais ‘desenvolvido’ do planeta, supera Serra Leoa com um pé nas costas. Repito, a FSP aprendeu rápido, está somente testando hipóteses.

  9. Comentou em 30/11/2007 Luiz Carlos Bernardo

    É, a Folha usou de dois pesos e duas medidas. Ao acusar deu destaque e coro, ao desmentir timidez e desdém. E o acusado que se dane. E assim vive o Brasil, sob o império do deboche, da incoerência e da ausência de ética. Que regressão! Enquanto isso, o Chávez ‘deita e rola’, contaminando a Bolívia, o Equador, a Colômbia e talvez até o Brasil. Porque aqui, simpatizantes não lhe faltam.

  10. Comentou em 30/11/2007 João Negrão

    Tem mais uma diferença fatal, Luiz Weis: ‘fazia sexo por dinheiro com padre’ e ‘relação íntima com padre’. Muita diferença, muitíssima… Relação ítima pode ser muita coisa. então não fica clara a negativa de que ‘fazia sexo por dinheiro…’

  11. Comentou em 30/11/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    É muito cômodo estar do lado de cá do teclado e escrever o que o cérebro rumina com o intuito de aparecer, ou vender jornais. Posso desancar o articulista, ou qualquer outra pessoa que aqui compareça e até que minhas apologias sejam escritas, uma reputação foi pro beleléu. Que espécie desgraçada essa dita ‘humana’, que vomita suas sandices a quem não gosta, ou desconfia, ou tem um quê de diferente. Sou ateu e tenho minhas aversões a religiosos e coisas do tipo, por isso estou tranqüilo para falar: esse padre é vítima da sordidez social e política que impera neste país. Ele defende interesses dos pobres, já foi visto peitando administradores públicos por defender sem-tetos e, por culpa de uma ingenuidade, vê-se agora vítima da sanha da imprensa calhorda do Brasil e de gente que não deveria ter nascido. Que vergonha!

  12. Comentou em 29/11/2007 Cláudio Dias

    Perguntar não ofende: quando será que o Sr. Luiz Weis questionará sobre a origem do dinheiro transferido ao marginal (foi assim que a defesa do [ ] intitulou Anderson Marcos Batista)? Nunca? Os leitores que se lixem…

  13. Comentou em 29/11/2007 alfredo sternheim

    Ótimo o comentário do prof. Nelson Barbosa. Mais importante que a diagramação da notícia é saber realmente a verdade sobre esse caso. Pouco interessa a vida sexual do padre, mas interessa a verdade porque ele é figura pública que obteve grande respeito e muitas doações devido a sua obra generosa em prol dos aidéticos, das crianças portadoras do HIV. Daí ser importante a imprensa esclarecer porque essa conduta de dar tanto dinheiro a essas pessoas hoje detidas, porque submeter-se a essa extorsão, caso houve. Sim, porque a presunção da inocência, da verdade vale para todos os envolvidos. Porém, nenhum jornalista parece quer se aprofundar em ambos os lados. E aqui, só se toma as dores do padre. A surrada frase de que ‘ a mulher de Cesar não basta ser honesta, tem que aparentar ser honesta’ aplica-se no caso do padre por envoler doações de terceiros. Enquando predominarem as dúvidas, a obra beneficente fica comprometida. Mas, ironia, quando o assessor Fredu, do Palácio do Planalto, foi inocentado ds acusações, a notícia também saiu pequena. Antes, muito espaço contra, muita ironia agressiva em torno do nome do assessor, nos textos de Clovis Rossi, Eliane C. e outros.

  14. Comentou em 29/11/2007 Carlos c

    Parabéns, Weiss!

    É assim que se constrói uma imprensa digna e isenta.

  15. Comentou em 29/11/2007 Marcio Varella

    É como aquela história da grana do PT publicada na véspera da eleição/2006. Saiu como dinheiro que o PT entregaria à Planam. Fazia parte de um inquérito. Depois da eleição, nenhum meio de comunicação se interessou em saber a conclusão do inquérito. Querem apostar que a grana não era do PT? É só checar. Duvido que alguém publique o desmentido.

  16. Comentou em 29/11/2007 Victor Hugo Silva Carvalho

    Agora temos que saber quanto o padre gastou do dinheiro recebido das doações e do salário que recebia, sem trabalhar, para esse outro [ ] mudar o depoimento anterior.

  17. Comentou em 29/11/2007 Jedeão Carneiro

    Pelo andar da carruagem, é mil vezes pior cair nas garras da Mídia do que nas garras da Tropa de Elite ou do crime organizado. Não há justiça que repare os danos causados às vitimas do jornalismo. Padre Júlio, Escola Base, ‘Assassina da Mamadeira’ e tantos outros que tiveram vidas e futuros destruídos que o digam!

  18. Comentou em 29/11/2007 Carlos N Mendes

    O sr. Ivan Moraes levantou uma questão relevante … quem julga esse tipo de agressão no Brasil ? Que força tem qualquer órgão regulador (incluindo aí Ministério Público) em relação a uma situação que humilha e destrói reputações ? Vai ficar por isso mesmo ? Pensando bem, numa Nação onde fazendeiros que mantém trabalhadores sob o regime de semi-escravidão são ‘punidos’ apenas com multa pecuniária, ficar comemorando IDH é escárnio. Sabemos que pressões externas, no Brasil, a princípio são recebidas a pedradas, mas acabam tendo efeito prático a longo prazo, pois mexem com nossos brios. Talvez seja uma solução.

  19. Comentou em 29/11/2007 Fabiano Mendes

    Lembram-se dos casos do Senador Ibsen Pinheiro? Lembram-se do caso da Escola Base? A mídia além de preguiçosa e parcial, se acha no direito de denegrir imagens sem se preocupar com uma coisa chamada ética. Ela acusa, julga e condena sem ter a mínima preocupação investigativa imparcial, sim, imparcial, porque quando quer acusar para beneficiar certos grupos, usa de todos os meios escusos possíveis . Lembram das visitas que repórteres travestidos faziam as fazendas do Renan? Quando surgiu insinuações de que este senador estava investigando seus adversários, essa mesma mídia achou um absurdo o ato, ou seja, dois pesos, duas medidas. São alguns exemplos de como agem sem nenhuma ética. Está passando da hora de se criar uma norma que ponha termo a esses abusos e crie uma lei que puna severamente quem calunia . Isso não é censura. A mídia não está acima da lei e não é e nunca foi a dona da verdade. Gostam de falar que os Estados Unidos é a maior democracia do mundo e lá repórteres e donos de jornais são punidos frequentemente.Tudo tem limite.

  20. Comentou em 29/11/2007 Nelson Barbosa

    É curiosa a leitura de Luiz Weis e sua preocupação cirúrgica quanto à localização da notícia na página do jornal. Ora, o primeiro não desmentiu nada, e parece que mantém sua denúncia, o que pode agravar o caso. Mas nada disso parece interessar ao experiente jornalista. Seria o caso, contudo, de perguntar se a diagramação da notícia vale mais do que o questionamento (nunca feito, aliás!) sobre a ‘ingenuidade’ do tal padre que, sabendo tratar-se de bandidos (pois assim ele e a mídia qualificam os presos envolvidos), continuava a mantê-los, por anos, com somas importantes de ‘dinheiro’, o real ‘objeto’ do crime. Todos sabemos, desde crianças, que dar um trocadinho, uma esmola, para um pobre alcoolista significa facilitar-lhe o consumo de bebida alcoólica. O mesmo acontece com viciados em drogas ou com pessoas que vivem desses expedientes. O padre não sabia disso? Nem o jornalista parece preocupado com isso, desde que a questão moral da sexualidade do padre fique limpa diante dos olhos dos leitores. Eu, como leitor, costumo ficar mais ‘lixado’ quando vejo um jornalista ‘experiente’ desmerecendo a minha inteligência como leitor, tentando induzir-me a não pensar nas motivações dos tais crimes que acabam desqualificando. Seria legal esse jornalista ler o artigo sobre a imprensa que desestimula a inteligência dos leitores, publicado neste mesmo site, na seção ‘Debates’.

  21. Comentou em 29/11/2007 Ivan Moraes

    Serao preciso leis internacionais contra esse tipo de cachorrada. O Brasil serah o 70o pais do mundo a adotar las…

  22. Comentou em 29/11/2007 Max Suel

    Bem, o detento Marcos, segundo a Polícia Civil, negou ter mantido relação íntima com o religioso. E quanto ao ex-interno da Febem Anderson, como ficou o caso? Este não desmentiu. Como ficou este caso? A pergunta que fica: a notícia sobre o detento saiu em que lugar do jornal? (a do ex-interno saiu com título maior, segundo o jornalista). Não deveria ser comparada a notícia original sobre o detento x desmentido com o detento ? desse jeito a comparação não vale.

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