Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Holofote nem para bandido, nem para político

Por Luiz Weis em 23/05/2006 | comentários

O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo, não quer que a CPI do Tráfico de Armas interrogue no Congresso o capo do PCC, Marcos Camacho, o Marcola.

A comissão deverá ouvi-lo na cadeia de Presidente Bernardes.

O motivo alegado por Rebelo, que a mídia comprou pelo seu valor de face, é a preocupação com a segurança no Congresso.

Mas não é só isso.

Informa a colunista Dora Kramer, no Estado de hoje, que o deputado não quer dar holofote a bandido:

”Aldo Rebelo deixa patente sua posição crítica ao reconhecimento que se faz de narcotraficantes e assassinos, franqueando-lhes a palavra em diferentes tribunas”, como se merecessem “reconhecimento institucional e social”.

Mas não é só isso.

Rebelo decerto não quer dar holofote também aos nobres parlamentares. Muitos deles gostariam que Marcola fosse ouvido no Congresso para que pudessem deitar e rolar diante das câmaras de TV, como implacáveis inimigos do crime e campeões da segurança pública.

Seria não um circo de mídia, mas um circo para a mídia.

Viva a diferença

Os jornais do dia registram mais de um voz comparando o abafa da polícia paulista sobre as matanças da PM ao “autoritarismoo que remonta aos tempos em que as arbitrariedades policiais eram acobertadas pela representação ditatorial das Secretarias de Segurança”, nas palavras do colunista Janio de Freitas, da Folha.

Mas hoje existe o Ministério Público – que deu 72 horas para as autoridades entregarem os nomes de todos os 109 mortos pela PM na repressão aos atentados do PCC. E cópias de todos os respectivos boletins de ocorrência e laudos do IML.

E hoje existe um Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial, que investigará o que aconteceu nas quebradas de São Paulo nas noites que se seguiram ao fim dos atentados.

E hoje existe uma Promotoria da Cidadania que abriu inquérito para averiguar prováveis violações dos direitos da pessoa.

E hoje existem – e sem medo de agir –, além da Ordem dos Advogados, a Ouvidoria da Polícia, a Defensoria Pública e as ONGs, como a Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura.

A barbárie continua dando as cartas. Mas a civilização também tem seus trunfos. Uma vida inocente que as instituições democráticas consigam salvar, ou um culpado que consigam punir, já faz a diferença entre a noite e o dia.

O lugar certo para encontros ‘impessoais’

O ministro político do governo, Tarso Genro, aparece na mídia defendendo o encontro secreto entre o seu colega da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com o banqueiro Daniel Dantas. Diz que a reunião foi “institucional”.

O encontro foi revelado na edição desta semana da revista Veja. Na semana anterior, ela afirmou, sem provas, que o banqueiro tinha um dossiê no qual o presidente Lula e outras autoridades federais são citados como titulares de contas clandestinas no exterior. Dantas nega.

Bastos e Dantas se encontraram terça-feira passada, à noite, na casa do senador pefelista Heráclito Fortes, ligado ao banqueiro. Dois deputados do PT foram chamados pelo ministro a testemunhar a reunião.

Nos jornais de hoje, ele diz que o encontro foi “impessoal”.

O problema é que o lugar certo para reuniões institucionais e encontros impessoais é outro. No caso, o gabinete de Bastos no Ministério da Justiça – e “em horário de expediente”, com assinala o Estadão em editorial.

”Rainha da Fofoca”

Mal nas pesquisas, com um companheiro de chapa que não é quem ele queria e um substituto no governo paulista que o ironiza um dia sim, o outro também, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin parece estar perdendo a fleuma de chuchu de outros tempos.

Confrontado pela repórter Catia Seabra, da Folha, com a aparente divergência entre ele e o presidente do PSDB,Tasso Jereissati, sobre a unificação das polícias de São Paulo – Alckmin é contra, Tasso quer que isso conste do programa do candidato –, este chamou a jornalista de “rainha da fofoca”.

Disse ainda, segundo o jornal, que ela estava “feliz” e “tinha ganhado seu dia” por ter descoberto uma divergência que a Folha usaria para “afirmar que há uma crise na campanha do PSDB’.

Nada de novo sob o sol: sempre sobra para a mídia.

***

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