Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Holofote nem para bandido, nem para político

Por Luiz Weis em 23/05/2006 | comentários

O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, do PC do B de São Paulo, não quer que a CPI do Tráfico de Armas interrogue no Congresso o capo do PCC, Marcos Camacho, o Marcola.

A comissão deverá ouvi-lo na cadeia de Presidente Bernardes.

O motivo alegado por Rebelo, que a mídia comprou pelo seu valor de face, é a preocupação com a segurança no Congresso.

Mas não é só isso.

Informa a colunista Dora Kramer, no Estado de hoje, que o deputado não quer dar holofote a bandido:

”Aldo Rebelo deixa patente sua posição crítica ao reconhecimento que se faz de narcotraficantes e assassinos, franqueando-lhes a palavra em diferentes tribunas”, como se merecessem “reconhecimento institucional e social”.

Mas não é só isso.

Rebelo decerto não quer dar holofote também aos nobres parlamentares. Muitos deles gostariam que Marcola fosse ouvido no Congresso para que pudessem deitar e rolar diante das câmaras de TV, como implacáveis inimigos do crime e campeões da segurança pública.

Seria não um circo de mídia, mas um circo para a mídia.

Viva a diferença

Os jornais do dia registram mais de um voz comparando o abafa da polícia paulista sobre as matanças da PM ao “autoritarismoo que remonta aos tempos em que as arbitrariedades policiais eram acobertadas pela representação ditatorial das Secretarias de Segurança”, nas palavras do colunista Janio de Freitas, da Folha.

Mas hoje existe o Ministério Público – que deu 72 horas para as autoridades entregarem os nomes de todos os 109 mortos pela PM na repressão aos atentados do PCC. E cópias de todos os respectivos boletins de ocorrência e laudos do IML.

E hoje existe um Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial, que investigará o que aconteceu nas quebradas de São Paulo nas noites que se seguiram ao fim dos atentados.

E hoje existe uma Promotoria da Cidadania que abriu inquérito para averiguar prováveis violações dos direitos da pessoa.

E hoje existem – e sem medo de agir –, além da Ordem dos Advogados, a Ouvidoria da Polícia, a Defensoria Pública e as ONGs, como a Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura.

A barbárie continua dando as cartas. Mas a civilização também tem seus trunfos. Uma vida inocente que as instituições democráticas consigam salvar, ou um culpado que consigam punir, já faz a diferença entre a noite e o dia.

O lugar certo para encontros ‘impessoais’

O ministro político do governo, Tarso Genro, aparece na mídia defendendo o encontro secreto entre o seu colega da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, com o banqueiro Daniel Dantas. Diz que a reunião foi “institucional”.

O encontro foi revelado na edição desta semana da revista Veja. Na semana anterior, ela afirmou, sem provas, que o banqueiro tinha um dossiê no qual o presidente Lula e outras autoridades federais são citados como titulares de contas clandestinas no exterior. Dantas nega.

Bastos e Dantas se encontraram terça-feira passada, à noite, na casa do senador pefelista Heráclito Fortes, ligado ao banqueiro. Dois deputados do PT foram chamados pelo ministro a testemunhar a reunião.

Nos jornais de hoje, ele diz que o encontro foi “impessoal”.

O problema é que o lugar certo para reuniões institucionais e encontros impessoais é outro. No caso, o gabinete de Bastos no Ministério da Justiça – e “em horário de expediente”, com assinala o Estadão em editorial.

”Rainha da Fofoca”

Mal nas pesquisas, com um companheiro de chapa que não é quem ele queria e um substituto no governo paulista que o ironiza um dia sim, o outro também, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin parece estar perdendo a fleuma de chuchu de outros tempos.

Confrontado pela repórter Catia Seabra, da Folha, com a aparente divergência entre ele e o presidente do PSDB,Tasso Jereissati, sobre a unificação das polícias de São Paulo – Alckmin é contra, Tasso quer que isso conste do programa do candidato –, este chamou a jornalista de “rainha da fofoca”.

Disse ainda, segundo o jornal, que ela estava “feliz” e “tinha ganhado seu dia” por ter descoberto uma divergência que a Folha usaria para “afirmar que há uma crise na campanha do PSDB’.

Nada de novo sob o sol: sempre sobra para a mídia.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 25/05/2006 MANOEL PINTO

    Quando se admite a possibilidade de um governo negociar com bandidos,seja ogoverno ESTADUAL, MUNICIPAL OU FEDERAL, estamos aceitando a hipótese, no mínimo, de que falar em cidadania, soberania nacional, não passa de balela! Afinal, parece-me esclarecida uma dúvida que muito me atormenta: quem verdadeiramente é o governo paralelo de que tanto se fala?! Os traficantes de drogas, os presidiários, ou a soberana cúpula do tráfico de drogas? Se realmente o acordo aconteceu, são todos partícipantes e coniventes, não?! Então, com humilhação vergonhosa para todos nós, a soberana cúpula sequer recebe governos e governantes para negociar?! A negociata tem como centro de negociações os presídios?!… Que por sua vez têm como porta voz os presidiários?! Em assim sendo, uma verdade me parece incontestável: não temos um Presidente da República, não temos um Governador do estado, não temos um Prefeito municipal! Temos, sim, um Sub-Presidente da República, um Sub-Governador do estado, um Sub-Prefeito municipal!…. Os verdadeiros e autêncticos presidente, governador e prefeito, estão lá… na cúpula! E ainda têm a audácia de dizer que somos o país do futuro?! Respeitem, senhores, nossa dignidade e caráter!

  2. Comentou em 23/05/2006 Silas Leite da Silva

    Considero totalmente correto o posicionamento do Deputado Aldo Rebelo. Revela, no mínimo, seriedade com um tema que não merece ser apresentado ao público como mero espetáculo para todo tipo de oportunismo.
    A questão da segurança exige medidas concretas, não cabendo espetáculo algum para a midia ou para políticos/atores.

  3. Comentou em 23/05/2006 JOSE VALMIR ANDRADE

    O presidente da Cãmera Federal, é um hom de senso e perspicacia. Ao rejeitar a presença de um beligerante delinquente na tribuna do congresso, ele coloca cada um no seu seu lugar. Ou pelo menos onde cada um deveria estar. Em paises com mais seriedade, nao se ver bandidos passeando de jatinho, às custas da sociedade já tão massacrada pela desigualdade social e cultural. No Brasil, um país pobre tanto material como culturalmente; com uma concentração derenda brutal, ainda se dá essa ‘colher de chá’ à bandidos.

  4. Comentou em 23/05/2006 jayme guedes guedes

    Precisamos refletir sobre o que realmente queremos. A sociedade não pode continuar valorizando de forma distinta a morte conforme a origem/destino da bala que mata o ator numa cena de confronto. A reação da sociedade é perigosamente diferente conforme esse ator seja um policial, um bandido ou um terceiro que estaria no lugar errado e na hora errada. Se um policial morre por bala de bandido ou bala de outro policial (fogo amigo, em tiroteio), nenhuma comoção. É como se fossem pagos para morrer. Se um terceiro morre por bala disparada pelo bandido, também nenhuma repercussão. É apenas guerra urbana. Mas se morre por bala perdida vinda da arma do policial, só pode ter sido execução e punições são veementemente cobradas por uma legião de frações da sociedade como Ong’s, Min. Público, Midia, etc. Se um bandido morre por bala vinda da arma do outro bandido (mais uma vez, fogo amigo), também nenhuma comoção. Há até uma reação de alívio. Mas se o bandido morre pela arma do policial, foi execução e mais uma vez as vozes que defendem os direitos humanos dos que são humanos apenas na aparência se levantam exigindo punição. Afinal, que vidas valem mais para a sociedade? Como travar uma guerra urbana sem atingir acidentalmente um terceiro? Quem sabe as ong’s dos defensores dos direitos humanos dos bandidos sabem como fazer isso? A sociedade devia pedir que se apresentassem

  5. Comentou em 23/05/2006 Leandro Benetti

    Quer dizer, então, que o chuchu é contra a unificação das polícias? Provalvelmente, ele – que diz ter sido aluno de Mario Covas – faltou à aula no dia em que o ex-governador enviou esta mesma proposta para o Congresso Nacional.

    É lamentável como a cultura tradicional do personalismo conseguiu destruir o programa do PSDB (parlamentarismo, reforma do Estado, …).

  6. Comentou em 23/05/2006 celso silva silva

    Existe no país uma crise institucional , onde o poder publico negocia com marginais ( Que diga-se de passagem) bem organizados.Fazendo que o cidadão se sinta cada vez mais acuado.Se antes era necessário apenas grades nas portas e janelas das casas,hoje é preciso blindagem á prova de fuzíl.
    No meu humilde ponto de vista,enquanto tivermos instituições fracas
    e políticos sem autoridade estaremos sujeitos a essa barbarie acontecida a tão pouco tempo.
    Outra coisa ,não falando somente de poder judiciário que sempre estão em atraso sistêmico com a sociedade, vejamos o caso do INPI
    que demora vários anos para decidir sobre patentes nacionais.
    Afinal o SEBRAE é privado ou é um orgão de lavagem de dinheiro do governo federal( presidente indicado pelo presidente da república

  7. Comentou em 23/05/2006 Swamoro Songhay

    Na realidade sempre sobra para o eleitor, que depois é acusado de votar errado, de escolher mal. Por que , então, respeitando a Lei Eleitoral, não divulgar logo as idéias centrais de como pretende governar o País? Isso vale par todos os lados em disputa. Até agora é só jogo de diz-que-me-diz e quem quer saber o que pensam fica sem resposta. Isso não é bom.

  8. Comentou em 23/05/2006 Ricardo Borges Lourenço

    É impressionante como os políticos fazem questão da presença da imprensa, quando o assunto os interessa; mas quando se trata de algo que põe a descoberto suas intrigas, prevaricações e outros podres, são céleres em descartar ou ofender a imprensa.

  9. Comentou em 23/05/2006 Nome Sobrenome

    E hoje não existe ninguém condenado pelo massacre do Carandiru.
    E eu consigo imaginar uma variedade de maneiras de simular que as mortes da última semana tenham ocorrido em confronto, ao invés de execução.
    E duvido que os bons políciais do esquadrão da morte tenham colocado ‘execução com tiro na cabeça’ no b.o. como causa das mortes.

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