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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1001
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Idéias preconcebidas

Por Mauro Malin em 20/11/2005 | comentários

O economista François Bremaeker, coordenador de Articulação Político-Institucional do Instituto Brasileiro de Administração Municipal, Ibam, foi ouvido por vários veículos de imprensa na semana passada para comentar os dados do IBGE sobre o PIB dos municípios brasileiros. Ao Observatório da Imprensa, ele falou sobre duas ocasiões em que a Rede Globo, insatisfeita com o teor de suas declarações, arquivou-as – numa delas, arquivou a própria reportagem.


“Foi feita uma matéria pela Rede Globo a respeito da criação de municípios, o que tecnicamente não representa nenhum ônus financeiro maior, nem para a União, nem para os estados. O que acontece na prática é uma repartição maior dos recursos que vão para os municípios naquele estado. Em princípio, ao que tudo indicava, a intenção da matéria era no sentido de que deveria ser feita uma crítica direta ao processo de criação de municípios”, conta Bremaeker. “Como nós defendemos a tese de que isso não causava maiores problemas, até, pelo contrário, para as comunidades locais representava uma situação de melhora bastante significativa, porque eles passavam a ter recursos adicionais que antes nunca teriam, essa matéria simplesmente caiu, não foi ao ar, porque não foi dito aquilo que se esperava que fosse dito”.


O senhor mencionou outro episódio em que sua declaração entrou em choque com a pauta.


François Bremaeker – Nós tivemos o caso, esse mais recente, da suspensão da contagem de população por parte do IBGE. O governo federal havia cortado uma verba de R$ 500 milhões do IBGE, o que suspendia o Censo Agropecuário e a Contagem de População. O questionamento era quanto às implicações negativas que isso poderia trazer para a estimativa de população e no que isso afetaria os municípios. Foi colocado por nós que, de fato, a decisão não traria maiores problemas. A precisão da estimativa poderia perder um pouco da qualidade, devido ao fato de não se ter a contagem em 2005, mas o Censo de 1991, a Contagem de População de 1996 e o Censo de 2000 eram três momentos suficientes para que se fizesse a interpolação e, a partir daí, as estimativas de população. Com um grau de precisão bastante elevado.


Não haveria nenhum tipo de perda?


F.B – O que poderia escapar disso seriam casos isolados, como a construção de uma hidrelétrica, ou um assentamento de migrantes pelo Incra, em determinado município. Isso poderia eventualmente aumentar a população, mas o município resolveria o problema com um ofício ao IBGE pedindo uma recontagem especial naquele município. E assim seria corrigida a estimativa de população.


Qual foi a reação da reportagem da TV Globo?


F.B – Como isso não era exatamente o que se desejava mostrar, esse comentário caiu, não foi para o ar. O que faz com que, obviamente, não tenham sido ouvidos os dois lados. Fica-se com uma só versão da história.


E sua disposição é não dizer qualquer coisa…


F.B – … simplesmente para aparecer na mídia. Não há realmente necessidade. Eu, pelo menos, não me aviltaria a ponto de contrariar os meus princípios, e aquilo que eu acredito que seja o fato real e verdadeiro, para poder simplesmente ter o benefício de sair na mídia. Se não sair, azar. Infelizmente, a verdade, ou um dos lados da história, não terá sido contado.


Realidades díspares


Bremaeker constata que certas teses, depois que enfunam velas, prosperam na mídia sem muita contestação. É o caso, por exemplo, das críticas aos incentivos fiscais, que também têm um lado positivo.


A pobreza da análise, na sua opinião, reside na tendência a tratar a realidade brasileira, que é díspar, como algo homogêneo.


“Há uma diversidade muito grande de situações. A situação do Nordeste, por exemplo, é muito ruim. Na medida em que os programas de governo não levam em conta as diferenças, tendem a dar com os burros n´água”, argumenta.


Ele diz que recentemente leu a história exemplar de um maestro que adapta partituras de peças sinfônicas para bandas municipais. “E faz muito sucesso. Uma banda não consegue tocar com a partitura da orquestra”.

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