Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Idéias que levam ao inferno

Por Luiz Weis em 13/10/2007 | comentários

Com um reparo, peço licença para assinar embaixo da coluna de André Petry, que acabo de ler no Blog do Noblat, ‘Dane-se a rabacuada’, na Veja desde hoje nas bancas. A sua matéria de capa, a propósito, sobre Tropa de Elite, explica o sucesso do filme porque trata bandido como tal e mostra – já não sem tempo, acrescento – que consumidor de droga é sócio do tráfico.


O artigo de André é um dos tais que me deixam pê da vida – não com ele, mas comigo, por eu não ter tido antes a idéia de cobrar do Brasil, como faz primorosamente o colunista, o fato de se instalarem juizados especiais nos aeroportos, em socorro dos passageiros, mas não nas portas da escolas, em socorro das mães que varam a noite na fila das matrículas, nem nos hospitais públicos, em socorro dos desventurados que deles para sobreviver – literalmente.


‘A indigência da desigualdade de tudo – de tratamento, de vida, de renda – produz a indigência do resto todo’, escreve André. ‘Tal como, para ficar na bizarrice da semana, a miséria do debate sobre o apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz. Uma discussão rasteira, pois é de obviedade gritante que reclamar da bandidagem é um claro convite à civilidade e defender o banditismo é uma regressão à barbárie. Discussões desse nível fazem até banqueiro sonhar com a volta da luta de classes, que ao menos organizava as idéias em categorias morais.’


Tendo eu próprio reclamado mais de uma vez neste blog da indigência do debate que envolve Huck, Ferréz, outros articulistas e não poucos autores das cartas que a Folha vem publicando sobre o caso, vamos ao reparo:


Concordo que ‘defender o banditismo é uma regressão à barbárie’, mas discordo de que reclamar da bandidagem é – apenas e necessariamente – ‘um claro convite à civilidade’.


Pode ser também, e de há muito tem sido em setores da mídia – incluída a publicação em que os escritos de André costumam ser uma rara ilha de decência – uma ‘regressão à barbárie’.


Depende de como se reclama.


Faz décadas que ratinhos e ratazanas de rádio e TV proclamam que bandido bom é bandido morto, enunciado cujo sentido é de uma obviedade gritante, e escarnecem dos defensores dos direitos humanos, tratando-os como cúmplices da bandidagem, ou, no mínimo, inocentes úteis ao crime.


À vociferante escumalha que prega a regressão à barbárie como política de segurança pública, somem-se, inumeráveis andares de respeitabilidade acima, os jornais e revistas nos quais, em editoriais e artigos assinados, a expressão direitos humanos frequentemente vem precedida do desqualificativo ‘chamados’ ou ‘assim chamados’. O Estadão é um dos que incorrem nesse delito moral.


A mídia não faz mais do que a obrigação – no exercício de um dos papéis que traz colados à pele – ao provocar, mediar e ampliar o debate público sobre tudo aquilo que, vai sem dizer, merece ser debatido publicamente por ser do interesse coletivo.


É também de uma obviedade gritante, principalmente quando rebentam diante de nós alguns dos mais bárbaros exemplos de criminalidade e violência urbana – esta última nem sempre de autoria de criminosos profissionais – que a mídia está em dívida com a construção da civilidade no Brasil, ao não se fazer suficiente porta-voz do que a sociedade tem de melhor nessa matéria vital: aqueles que, sem embargo de exigir a prevenção apta e a punição incomplacente do crime, denunciam as condições desumanas a que o sistema policial, judicial e penitenciário submetem os delinquentes, com as consequências sabidas.


Em outras palavras, sentou praça na opinião pública uma trevosa dicotomia entre os que acham que bandido deve ser tratado como tal – o subentendido dispensa descrições – e os que acham que bandido deve ser tratado antes de mais nada como vítima das escabrosas injustiças sociais no país.


Jornalistas e publicações jornalísticas que se considerem comprometidos com a civilidade têm de bater na tecla de que, cada qual ao seu modo, ambas as proposições só conduzem a um lugar ainda pior do que o proverbial beco sem saída no enfrentamento da delinquência: o inferno sem saída da selvageria do cotidiano nacional.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/10/2007 Jorge Cortás Sader Filho

    Fui censurado pelo sr LUIZ WEIS. Enviei matéria para este espaço, rigorosamente dentro dos padrões jornalísticos e sem a menor ofensa a quem quer que seja. Até segunda ordem, este site é suspeito para mim.
    Jorge Cortás Sader Filho. OAB/RJ 2956

  2. Comentou em 16/10/2007 jairo arco e flexa

    1. Pior do que a expressão ‘os assim chamados direitos humanos’ é outra, ‘a turma dos direitos humanos’.

    2. Concordo que consumidor de drogas é sócio de traficante . Mas é importante lembrar que é também sócio de policiais corruptos, sem os quais, aliás, diminuiria muito a violência ligada ao tráfico.

  3. Comentou em 16/10/2007 Luiz Paulo Santana

    São vários os fatores desencadeantes deste estado de coisas que, na verdade, vem se avolumando há décadas. Pouca gente poderia supor que em 50, 60 anos, as diferenças socioeconômicas preexistentes num caldo de cultura corrompido por processos históricos seculares iria traduzir-se em tão dramático — mas não definitivo — quadro,
    A questão das drogas são um capítulo à parte: legalize-se, tribute-se, controle-se, previna-se. Devolva-se ao cidadão o exercício de sua cidadania — bem informada, claro. Tal política desmobilizaria guetos de corrupção que envolve desde o policial militar até empresários ‘paralelos’, passando por delegados, juízes, enfim, uma multidão de pessoas ocupadas com algo que simplesmente constitui — apesar dos pesares — uma demanda social. Esse corpo funcional deveria dedicar-se ao combate dos crimes contra a vida e o patrimônio, ao combate contra a corrupção na administração pública e privada, crimes cujas consequências mortais e morais podem ser quantificadas e traduzidas em miséria, doença e morte. Continuam impunes os ‘grandes’?
    Ação radical: colocarmos todas as crianças em escolas bem equipadas. Unidades da FEBEM transformadas em escolas. Escolas boas. Quartos decentes, quadras de esportes, etc.. Bem vestidos, as crianças e jovens têm que se parecer conosco. Teriam a certeza de nosso apreço. Aqui interrompe-se o recrutamento para o crime. Faremos isso?

  4. Comentou em 16/10/2007 Onildo S

    Os ‘chamados’ direitos humanos são assim chamados por sempre serem evocados em favor de bandidos, nunca em favor da vítima. Acho isso uma obviedade gritante.
    É claro que os defensores dos ‘chamados’ direitos humanos usam essa bandeira pra fazer política. Má política, por sinal.

  5. Comentou em 16/10/2007 Jean Canesqui

    Será relamente que o texto de Ferréz é realmente simplista? Eu li um conto que ao humanizar o criminoso o coloca apenas numa luz relativista. Não legitimina o crime, mas relembra que seu praticante não é um servo de uma entidade metafísica chamada ‘MAL’. Será que para ‘bem letrada’ pequena burguesia, essa observação não complica uma solução simplista?

  6. Comentou em 16/10/2007 VITOR zanella

    em relação ao penúltimo parágrafo, e falando tbem dos direitos humanos. penso que:
    falta objetividade aos direitos humanos, mas como a visão deles é um pouco tapada demais.
    tapada demais pq?……: qdo a policia se sobrepõe demais contra os marginais eles defendem, os bandidos…..e qto as vítimas desses bandidos, os q sofrem crimes, bem como familiares , pq eles se calam…????
    -objetividade…: há deveras grandes injustiças sociais no país, então vamos tentar resolvê-las(eu diria minimizar), mas para isso leva tempo.
    então o q fazer objetivamente:
    presídios , q tentem não virar escola do crime.
    como fazer isso:
    dividindo os presidiários por tipo de crime, se é de quadrilha, organização (pcc, comando vermelho, etc..)…se fizerem assim, quem não tem tanta malandragem, ou tanta esperteza, não vai conhecer os professores nas cadeias.
    te pergunto outra coisa, lembras qdo deu aquela rebelião, num presídio de são paulo, alguem falou q eles depredaram um bem público? depredação de bem publico é crime.
    outra se a situação já era horrível lá, imagina depois, e acho q dinheiro publico, nem deveria ser gasto para refazer, o q eles destruiram, pois quem destrui foram eles mesmo.
    temos q aprender a valorizar o imposto q pagamos.
    abraços

  7. Comentou em 16/10/2007 Jorge Cortás Sader Filho

    Toda vez que existe lançamento de livro ou filme que envolve violência desmedida, os teóricos de plantão – e eles são muitos – vem opinar em assunto que conhecem apenas através de livros, congressos e simpósios. A realidade sempre se encontra bem afastada, como é o caso das discussões acadêmicas sobre o filme “Tropa de Elite”. O BOPE não é uma força policial comum, mas um batalhão criado para combater a guerrilha urbana. O Exército Brasileiro tem condições suficientes para empregar seus soldados nesta guerra interna, mas decidiu que a Polícia Militar poderia, com oficiais, subalternos e soldados, combater esta insidiosa forma de guerra, talvez a mais perigosa que se conhece. Com instrução adequada, o BOPE transformou-se num órgão de defesa do estado e da sociedade, mas os críticos não enxergam esta realidade. Não fosse ele, governo e população civil estariam cercados e coagidos. Mas como os “homens de preto” torturam e matam, os bandidos ainda respeitam a autoridade constituída.

  8. Comentou em 16/10/2007 Somos Nóis eu mesmo!

    Prfeito !!! SHOW DE BOLA ! ! ! ! ! Afinal…. quem nós pensamos que somos!?

  9. Comentou em 16/10/2007 Felipe Faria

    O problema é que quem mais sofre nas mãos dos bandidos são as vítimas das escabrosas injustiças sociais no país. A grande maioria dos pobres e despossuídos não é bandida, da ordem de 99%. Porque alguns deles se viram para o crime e outros não?

  10. Comentou em 15/10/2007 Marco Antônio Leite

    O cara percebe uma fortuna para falar somente loooocura, loooocura, loooocura. Em função desse bordão pouco inteligente e, de uma platéia que assiste televisão quase que obrigatoriamente, em função de não ter dinheiro para um lazer mais saudável, inteligente e instrutivo do ponto de vista cultural. Esse cara com toda a sua arrogância de um [ ] nato, que se julga o dono da verdade, veio à público protestar que seu potente e pontual rolex foi roubado pôr um bandido pé rapado da vida. Cara, procure tomar um chá de simancol e, caia na real, primeiro você mora num país aonde noventa porcento da população é constituída de miseráveis, segundo você com sua competência de cunho duvidoso ganha fortuna com o IBOPE às custas do proletariado. Se é o preço que você esta pagando pôr querer desafiar os riscos que o Brasil oferece para quem tem muito dinheiro, inclusive para portar um relógio que a grande maioria nem sabe que existe. Procure ser simples, de um rolé na praça sem o seu queridinho ROLEX!

  11. Comentou em 15/10/2007 Filipe Fonseca

    Lamento muito a dicotomização que a sua visão está promovendo. Sempre gostei dos seus textos, mas esse!

    1 – O argumento de que o usuário é ‘sócio do tráfico’ – vou dispensar adjetivações – não encontra eco na realidade empírica das sociedades. O consumidor de cerveja não é ‘sócio das cervejarias’, para ficar num exemplo próximo. Lembro que a ilegalidade é meramente circunstancial, não pode ser levada em conta. O mundo ‘sem usuários’, de qualquer forma, nunca existiu, nem parece que o vá. Não é sensato, realista ou pragmático pensar essa associação maldosa; 2 – O bandido, segundo a doutrina dos direitos humanos, deve ser tratado como gente. Eu também, você também, ponto final. ‘Vítima’ ou ‘monstro’ são duas classificações opostamente caricaturais, que decerto deformariam qualquer sistema de normas jurídicas. Não há direitos humanos onde há ‘excessões’.

  12. Comentou em 15/10/2007 Edmilson Fidelis

    Não há um artigo na constituição que diz sermos todos iguas perante a lei?
    Então porque alguns são mais iguais que outros?
    Some-se aos juizados especiais em aeroportos os foros privilegiados para politicos e afins, as prisões especiais, os conselhos classistas, estatutos da criança, estatuto das mulheres, leis de imprensa e tantas outras que afloram por aí. Até o movimento gay já está querendo uma lei especifica para eles.
    Enquanto cada um defende o seu sem se procupar a mínima com os outros o caminho para o inferno estará bem pavimentado. E sem pedágios.

  13. Comentou em 15/10/2007 Luiz Carlos Bernardo

    O tema é denso e controvertido. Existem vertentes para todos os gostos. Não se pode combater a violência com mais violência. Mas também não se deve se curvar ante aos defensores dos direitos humanos, protegendo-se apenas o banditismo como se tal classe seja mais vítima do que algoz. Tem-se que analisar os dois lados de uma forma racional e não emocional somente. Os direitos humanos têm que cuidar de todos e ao mesmo tempo não permitir que cidadãos do século XXI passem a tratar os delinquentes com bárbarie institucional; até porque os políticos e os empresários corruptos fazem mais mal à sociedade do que os bandidos pontuais. Os primeiros praticam o genocídio social com suas canetas maquiavélicas, desviando recursos públicos. Os últimos, agindo individualmente ou em grupos, causam menos danos apesar da violência explícita que, não raras vezes, geram atos bárbaros e mais repulsivos ante aos nossos olhos. De qualquer maneira, os dois aspectos enfocados pelo blog, ora comentado, merecem outras e cuidadosas atenções. Os usuários de drogas, inconscientemente talvez, semeam a violência e incentivam o tráfico em cumpliciamento com os traficantes. Sem os primeiros não existiriam os últimos. Por fim, crime não se elimina com castigo e tampouco com afrouxamento. Ambas as coisas devem ser analisadas e sopesadas com respeito e firmeza.

  14. Comentou em 15/10/2007 Marco Antônio Leite

    Senhores comentaristas qual a diferença do facínora LALAU que desviou milhões de Reais dos cofres públicos, com o bandido de periferia que rouba um BANCO. Posso indicar uma, o LALAU teve oportunidade de estudar e se profissionalizar como defensor da Justiça, o outro não teve nenhuma oportunidade na vida, muito ao contrario, foi discriminado desde o nascimento. O bandido chique mata milhares de crianças de inanição, enquanto o pé rapado mata aquele que estiver na sua frente. Resumo da opera, os dois são nocivos para o meio social, bem como são bandidos desqualificados e sujos! Se faz necessário criar uma polícia especificada para combater o crime do colarinho engomado, uma polícia que não tenha nenhum compromisso com a escol do dinheiro e do poder político. A honesta mídia fala grosso somente com o bandido pobre, quero ver ter aquilo roxo e gritar com o marginal de luxo?

  15. Comentou em 14/10/2007 marcos omag

    O texto do Ferrez na ‘Folha’ foi para dar uma idéia para a classe média alienada das reflexões de alguém como o indivíduo que levou o relógio do Luciano Huck.Segundo o próprio Ferrez, em seu blog (ferrez.blogspot.com)foi uma peça de ficção, e não apologia ao crime.Na minha opinião,o texto foi muito oportuno em um momento no qual a tal parcela alienada da camada média da sociedade vocifera contra a CPMF,sendo perfeitos ‘papagaios de telejornal’, como diz a canção do Max Gonzaga. Nao estão ‘nem aí’ se haverá corte na verba de programas sociais do Governo Lula. Os ‘sem-tudo’ não têm nada a perder e, infelizmente, a vida de um ‘playboy’ acaba não valendo nada para eles.Afinal, para os ‘papagaios de telejornal’,os ‘sem-tudo’ não cidadãos.Apenas passam a existir quando recebem o ‘choque-de-realidade’ do cano do revólver batendo no vidro de sua redoma automobilística.

  16. Comentou em 14/10/2007 Jose de Almeida Bispo

    José (codinome), jovem, menos de vinte e cinco anos, sob domiciliar, instado pela mãe a comprar uma modesta casa para si, para a mulher com quem vive e o filho de menos de um ano, dispara: ‘sei que vou morrer logo. Portanto, não vou deixar nada pra ninguém.’ E continuou a preparar mais uma festinha de domingo para si e comparsas.
    Esta é uma história real.
    Se alguém acha que resumir o avassalador banditismo que tomou conta da sociedade brasileira, principalmente depois de 1985, (é só verificar os números de mortalidade violenta do DATASUS), numa dicotomia ‘bandido bandido’ ou ‘bandido vítima social’ já sei que tá tudo perdido.
    Tem que matar a serpente no ovo. Tem que educar. E educar não é entupir menino de sopa de letras em cursos e mais cursos, alguns deles até questionáveis. Não se educa na escola; lá se instrui. Educar é um ato de família e sociedade em cujo se deve envolver também a escola. Aí, sim, se terá matado a serpente no ovo. Depois de grande, quantas se matem, outras mais lhes sucederão.
    Bandido é bandido. Pouco importa o inferno que o gerou. Logo, seguremos os que não têm mais jeito ou pouco o tem; e apaguemos as labaredas do inferno que os gera incessantemente.

  17. Comentou em 14/10/2007 Marco Antônio Leite

    Não devemos fazer apologia do crime, correto? Porém, virar às costas para a causa que da origem o grande número de marginais espalhados pôr esta quase nação, é fazer de conta que devemos combater o efeito de toda essa desgraceira que estamos presenciando e vivendo, correndo o risco de levar um balaço na testa. Escrevo pela enésima vez, a causa do alto índice de criminalidade esta relacionado com o sistema de concentração mesquinha de renda e poder pelo político, que nada faz para os pobres . Isto provoca um empobrecimento enorme de uma grande parcela da população brasileira. Na medida que o homem não tem um trabalho decente com um salário digno, isso facilita sua entrada no mundo no crime, seja ele qual for. Todos nós pagamos impostos, porque será que às melhorias que ocorrem nas cidades só estão concentradas nos bairros elegantes e aonde se localizam às áreas comerciais, basta observar, para descobrir esse fato. Nas periferias, favelas, morros, palafitas e outros ambientes inadequados, o Estado não dá às caras, deixando as populações há ver navios. Que tal melhorar as condições de vida dos excluídos e melhorar a infra-estrutura nos bairros pobres. Com certeza, o crime não será banido totalmente, mas cairá sensivelmente. Vale a pena pensar e colocar em prática tal sugestão?

  18. Comentou em 14/10/2007 José Paulo Badaro

    Interessante a lembrança do Petry quanto à instalação de juizados especiais nos aeroportos, e o pouco caso do Judiciário em relação aos problemas que acontecem nas portas das escolas, hospitais públicos, etc, ainda mais que a imprensa não faz muito se desmanchou em elogios à ministra Ellen Grace por ocasião das denúncias do mensalão, e como se as preocupações da “elite branca” não fossem tratadas prioritariamente pelo sistema que ele, e a empresa para qual trabalha, defendem com unhas e dentes, e onde “A indigência da desigualdade de tudo – de tratamento, de vida, de renda – produz a indigência do resto todo’. Como empregado da Veja deve se cuidar desses átimos de lucidez. Pode ser fatal!

  19. Comentou em 14/10/2007 Ricardo Camargo

    Congratulo-me, sr. Weis, com esta matéria, tendo em vista que, em 2004, publiquei, neste mesmo OI, dois textos a respeito da lastimável confusão entre defesa dos direitos humanos e ‘defesa dos bandidos’, bem como a inadmissibilidade de se considerar que, em se tratando da repressão a criminosos, tudo estaria permitido contra estes. Lembro, na ocasião, que um debate acirrado foi travado com o dr. Marco Aurélio Dutra Aydos, ao qual remeto no artigo que veiculei nesta última edição do OI. O caso João Hélio comove, e foi usado pela Veja como meio para negar a existência de uma questão social, reduzindo tudo a um caso de polícia, quando nem todo caso de polícia se explica pela questão social nem a questão social se reduz a um mero caso de polícia. O caso Jean Charles, entretanto, ocorrido em 2005, precisa ser mais lembrado: pena que muitos pensem que, por serem ‘pessoas de bem’, algo como o que aconteceu a este garoto, que foi realmente vítima da arbitrariedade da polícia inglesa – considerada modelo de excelência em todo o mundo – e que não se dirigia a nenhum dos lugares considerados suspeitos pelo público de Veja, FSP, Estadão, O Globo, Diário Gaúcho, Zero Hora e outros que tais, mas sim a seu trabalho.

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