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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Impérios jornalísticos mudam e apostam na simbiose entre papel e bytes

Por Carlos Castilho em 20/05/2008 | comentários

O jornal inglês The Guardian tornou-se um dos primeiros dos grandes jornais mundiais a admitir abertamente que em breve poderá abandonar a edição impressa para publicar notícias apenas na versão online.


Neil McIntosh, diretor de projetos editoriais do Guardian, em declarações ao jornal Press Gazette, disse que a mudança não é imediata, mas reconheceu que mais cedo ou mais tarde a sua empresa terá que decidir o que fazer com a edição impressa.


A declaração do executivo do jornal britânico é sintomática de uma mudança de atitudes dentro da maioria dos grandes grupos de imprensa no mundo ocidental. Quase todos eles abandonaram a denominação newspaper (notícia no papel) para se autodefinirem como empresas de comunicação, no sentido amplo.


Isto significa que para os grandes impérios midiáticos contemporâneos o jornal impresso não é mais o seu carro-chefe em matéria de estratégia editorial. O jornal norte-americano The Washington Post foi ainda mais longe ao definir a educação como a sua principal missão corporativa.


Essas mudanças estão acontecendo sem que o público leitor tome conhecimento delas pelas páginas dos jornais. Elas só se tornam públicas nas revistas especializadas ou nas reuniões de empresários, mantendo-se a velha tradição de hermetismo na discussão de temas corporativos.


O novo padrão, que é cada dia mais generalizado no negócio da comunicação, é a coexistência entre as plataformas online e offline na publicação de noticias. As versões online de jornais e revistas atraem público mas não conseguem dar as margens de lucro proporcionadas pelas versões em papel.


Há uma simbiose entre papel e web, que no entender dos especialistas não deve durar muito, pois acredita-se que haverá uma tendência da internet monopolizar a publicação das noticias de atualidade por causa da agilidade do meio eletrônico, segundo fica claro na série de entrevistas dadas por executivos da imprensa mundial ao Editor´s Blog, do Fórum Mundial de Editores.


A versão impressa acabaria por se especializar na publicação de material analítico e investigativo. É uma opção que muitos jornais consideram uma tábua de salvação, mas que vai criar uma concorrência com as revistas semanais de informação, já que ambos disputarão o mesmo espaço editorial.


Os jornais terão que passar por mudanças traumáticas para substituir a cultura do furo e da atualidade pela da análise e interpretação. As revistas, por seu lado, terão que apostar ainda mais na qualificação de seus repórteres, articulistas e ensaístas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/05/2008 Ilda de Freitas

    A longa agonia da mídia impressa já começou há tempos e acredito que dentro de uns dez anos a transição já estará terminada. A agonia do resto da mídia como temos hoje virá aos poucos. Mas virá, com toda certeza! A internete triunfará para sempre sobre as oligarquias econômicas e políticas que ainda dominam a mídia, manipulam a informação e asfixiam a verdade e a liberdade de expressão.

  2. Comentou em 26/05/2008 Chuck Bells

    ‘Em seu livro The Vanishing Newspaper, Philip Meyer calcula que o primeiro trimestre de 2043 será o momento em que o jornal impresso morrerá nos Estados Unidos, quando o último leitor cansado colocar de lado a última edição amarrotada.’

    Retirado da revista ‘The Economist’ de Março.

    Acho até uma previsão bem generosa.

  3. Comentou em 24/05/2008 Romeu Agostinho santomauro

    Sem querer parecer inconseqüente, mas com a opção do jornal on line colaborará indiretamente para a preservação ambiental, uma vez que possibilitaráa não- derrubada de árvores para o fábrico de papel.
    Claro,ter-se-á de enfrentar o ptroblema da geração de energia elétrica! Por outro lado, preservando-se a cobertura vegetal, com certeza, melhorará o regime de chuvas e, com isso, também estará estabilizada a ‘cobertura’ hídrica do planeta! E assim…

  4. Comentou em 23/05/2008 Ivan Bispo

    Temos também, aí, o problema ambiental, vamos deixar de ler jornais impressos por serem antiecologico e desperdiçar muita madeira. Daqui prá frente esse será o o mote:jornal impresso gasta muita madeira e imprime muita asneira.

  5. Comentou em 23/05/2008 Alessandra Guimarães Mizher

    A mudança irá mesmo acontecer. Alias, já está contecendo. Os jornais impressos estão sendo obrigados a se adaptar a nova realidade. Isso, é claro, se quiserem sobreviver. Entretanto, muitos empresários da comunicação se esquecem de que é preciso dar suporte para que os profissionais da mídia se qualifiquem. Não basta apenas investir em tecnologia, programas ultra-modernos, novas propostas de diagramação destes impressos. O principal é investir na ‘mão-de-obra’ que irá fazer esse novo tipo de mídia. Vale lembrar que o impresso pode sim sobreviver. Porém, ele terá que passar por uma mutação, adaptação. Para aqueles que continuam no impresso, é fundamental formar profissionais que saibam pensar, analisar, interpretar, pois essa será a nova função dos newspaper. Mas para que essa nova função seja cumprida com competência e profissionalismo, é preciso formar ‘fazedores’ deste novo jornal.

  6. Comentou em 22/05/2008 Felipe Pereira

    O jornal impresso é uma grande fonte de informação, eu particularmente gosto. Eles não têm a mesma velocidade e dinâmica das versões online, porém são mais completos, mais bem elaborados.
    Mas a maioria dos leitores do mundo, vem dispensando o jornal impresso, preferem a comodidade da internet. Na minha opinião a saída para os jornais seria a redução de seu conteúdo, com informações mais seletas e de maneira compacta. Muitas empresas já vem adotando este modelo, vide o Jornal da Tarde que disponibiliza gratuitamente exemplares reduzidos em alguns pontos da cidade de São Paulo. Não sei se está fazendo sucesso, mas agrada quem o lê.

  7. Comentou em 22/05/2008 Marco Antônio Leite

    correção: Mamãe passou talco.

  8. Comentou em 22/05/2008 Marco Antônio Leite

    O jornal de papel além de sujar as mãos de tinta, não serve nem mesmo para embrulhar peixe, bem como para limpar aquilo que mão passou talco. Só lamento o desemprego que ira gerar, isso trará um problema social. Porém, o capitalista não esta preocupado com esse item e, acredita que com o passar do tempo as pessoas se ajeitam no cotidiano.

  9. Comentou em 22/05/2008 Nadja Pereira Pereira

    A análise do professor e repórter foi precisa, pois o impresso jamais morrerá (como alguns prevêem). Certamente haverá uma reformulação no seu conteúdo. Atualmente, ele é extenso demais e pouco específico, e deverá se aproximar das revistas com reporteres exclusivos e ensaístas que valem a compra ou assinatura do veículo. E isso já ocorre em rádios como CBN e Band News FM. O que valerá mais é um público cativo, agora sim, teremos um jornalismo servindo os interesses do cidadão.

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