Sábado, 25 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº937

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Informe afirma que jornais não podem mais adiar escolha de novo modelo de negócios

Por Carlos Castilho em 13/03/2007 | comentários


O informe Estado da Imprensa, versão 2007, divulgado esta semana nos Estados Unidos coloca em questão o modelo de negócios da maioria dos jornais mundiais e afirma que se os executivos do setor não repensarem imediatamente suas estratégias editoriais o futuro das empresas jornalísticas poderá ser decidido por investidores sem nenhum apego à notícia.


O The State of the News Media 2007, afirma que já não funciona mais a contento o sistema convencional de basear a sustentabilidade de um jornal na receita com publicidade.


Até agora os jornais atraiam leitores por meio do fornecimento de notícias e depois ‘vendiam’ a audiência aos anunciantes. Com a internet o sistema mudou e a compra de bens, produtos e serviços passou a ser uma atividade independente. Os anunciantes já não precisam mais da notícia para chegar aos clientes potenciais. A internet se transformou num mega ‘páginas amarelas’ para os consumidores.


Por outro lado, diante da avalancha informativa, o público acostumou-se a receber notícias sem pagar nada, deixando os jornais diante de um duplo dilema: receitas caindo assustadoramente pelo quarto ano consecutivo e público leitor cada vez mais exigente e adepto dos serviços grátis.

A queda de circulação dos jornais norte-americanos no primeiro semestre de 2006 foi ainda maior do que em igual período em 2005. O valor das ações de empresas jornalísticas também caiu em quase todo o mundo, em especial nos Estados Unidos.


Isto levou os autores do documento a afirmar que a maior incógnita é a reação dos meios financeiros, onde a grande pergunta é: a crise da imprensa é um processo terminal ou um uma transição para uma nova etapa de crescimento?

Se os investidores acreditarem que o declínio é irreversvel, as ações cairão ainda mais e as perspectivas são muito preocupantes. Já a segunda alternativa (transição) cria um pouco mais de espaço de manobra para que as empresas jornalísticas buscarem saídas inovadoras para a crise.

O relatório, produzido pelo Projeto Excelência no Jornalismo (Project for Excellence in Journalism ) insiste que não há mais tempo para os jornais continuarem adiando um profundo estudo de sua sustentabilidade financeira a médio e longo prazo e aponta como alternativa a aceleração do que muitos chamam de ‘webificação’ da imprensa, ou seja, sua integração cada vez maior com sistemas online de captação, edição e publicação de informações.

Outra questão chave é a da propriedade dos jornais. O sistema norte-americano está baseado em participação acionária, em oposição do sistema brasileiro, onde predomina o controle privado e familiar. O Estado da Imprensa 2007 constata que a especulação com as ações de empresas jornalísticas norte-americanas gerou uma situação paradoxal. Os papéis dos grupos de mídia valem menos no pregão do que nas negociações privadas.

A questão da propriedade dos jornais nos EUA é crucial para o futuro da imprensa porque se os investidores assumirem o controle da imprensa através da compra de ações baratas visando posterior revenda (os chamados investidores abutres), a procura da lucratividade imediata vai predominar sobre a preocupação com a qualidade da informação e com os princípios jornalísticos.

Por seu lado, os grupos familiares que controlam a imprensa em vários países do mundo, inclusive no Brasil, mantém uma preocupação, pelo menos retórica, com a qualidade informativa, mas não têm recursos para investir maciçamente no desenvolvimento de um novo modelo de negócios para a produção de notícias.

Os pesquisadores do Estado da Imprensa 2007 concentraram suas preocupações no estudo de vários modelos de projetos de informação jornalística na Web e não chegaram a uma conclusão. Eles admitem que o caminho está na internet, mas reconhecem que ainda não foi possivel identificar uma tendência e nem uma alternativa capaz de servir de modelo.


Conversa com o leitor
Como havia adiantado no post anterior, estamos introduzindo a partir de agora o sistema de reconfirmação do envio de comentários. Trata-se de uma tentativa de reduzir os efeitos do avassalador crescimento dos spams em weblogs. Depois de você clicar na tecla comentário surgirá a tela para redigir o texto e embaixo há um quadro com cinco letras aleatórias. Após redigir o seu texto, você deve reproduzir as mesmas letras, na mesma ordem, num quadrinho ao lado, clicando depois em enviar. As vezes, a visualização das letras é meio dificil por causa do fundo cinzento. Caso não consiga reproduzir as letras, o sistema as substituirá por um novo conjunto. Se houver qualquer dificuldade, por favor me fale. Abraço Castilho

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/03/2007 Rafael de Araujo Aguiar

    Errei:

    ‘O conteúdo é trancado’, concordância nominal

  2. Comentou em 21/03/2007 Rafael de Araujo Aguiar

    Aqui em Brasília há apenas dois jornais diários que mereçam menção, o Jornal de Brasília e o Correio Brasilienze. Infelizmente, o Correio é mais citado pelos publicitários e diagramadores como modelo para os veículos nacionais, e não pelos jornalistas ou quem se interessa pelo modo como se faz uma notícia. Desde a saída do Noblat e o consentimento de que o jornalismo do maior dos dois, o Correio, é realmente chapa-branca, as vendagens andam ridículas. Logo, a publicidade também. Por conseguinte, limpas e enxugamentos nas redações se dão de modo constante. O Jornalismo sobrevive na capital por causa da movimentação política (concursos públicos, assessorias de imprensa). Mas para a capital política, as linhas editoriais andam mornas demais. E na Internet o conteúdo de ambos os periódicos citados são trancados para assinantes, o que demonstra o atraso em que estamos enredados. O dinheiro não vem pelo papel e os acessos não vêm pela web.

  3. Comentou em 16/03/2007 Ivan Moraes

    ‘1- A grande massa de pés descalços não tem verba, muitos menos gostam de ler.’: excelente ponto. No Brasil, se se espalha para a populacao esta pra ser abandonado cedo cedo.: de que outra maneira a elite se sentiriaa superior? Existem um milhao de casos de tecnologias, culturas, modelos economicos e empresariais, etc, etc, etc, que assim que tiveram uma condicao **evolutiva** de se espalharem ja estavam aa beira da morte. Nao vou chorar a morte da imprensa brasileira, vou chorar a falta de morte da tv brasileira. Vou.

  4. Comentou em 16/03/2007 Marco Costa Costa

    CORREÇÃO: PAPEL – SUAS – AQUELA.

  5. Comentou em 16/03/2007 Marco Costa Costa

    A imprensa de papel esta em como já faz algum tempo. 1- A grande massa de pés descalços não tem verba, muitos menos gostam de ler. 2- A internet esta roubando os poucos leitores desse tradicional meio de levar a notícia até o leitor. 3- A imprensa de papal usa como pano de fundo para cenário de seus notícias o sofisma. 4- A entrega do jornal é deficitário, o que vemos são motoboys jogarem o exemplar de qualquer maneira. 5- Nos pontos de vendas deste meio de comunicação existe uma concorrência desleal, ou seja, a imprensa alternativa, aquele que seus exemplares são distribuídos gratuitamente. 6- O antigo leitor de jornais, hoje tem os telejornais para saciar a sua sede de informação nada confiavel. Em suma, o jornal de papel, sairá do estado de como diretamente para o cemitério.

  6. Comentou em 14/03/2007 Frederico Fiori

    É fato que o futuro do noticiário impresso migrará para a internet, mas discordo que será um novo modelo ideal. Ler grandes blocos de textos pelo monitor de computador é incômodo, nocivo aos olhos e à postura, além de enfadonho.

  7. Comentou em 14/03/2007 Manoel Roberto Seabra

    Castilho, essa avaliação sobre a crise na imprensa vale para o Brasil? Pergunto isso porque as últimas pesquisas mostram crescimento na circulação de jornais, nos últimos quatro anos. Seria o efeito Lula da distribuição da renda, como apregoa o Governo, ou apenas uma resposta do público aos jornais gratuitos? abraço

  8. Comentou em 14/03/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Extra, extra ‘Extinção em massa da imprensa unidirecional de massas.’ gritou o vendedor de jornais. Contudo, o último número do último jornal impresso não conseguiu sequer ser sobreviver um dia: não foi vendido, comprado ou lido. Acabou jogado num cesto de lixo e um mendigo se recusou a utilizá-lo para forrar as meias para espantar o frio com medo de ser ridicularizado pelos seus iguais.

    Penso que esta seria a mais curta, hilária, terrível e menos lida cronica jornalistica jamais impressa.

    Os jornalões brasileiros (quase todos nas mãos dos políticos) também serão extintos? Se forem, não deixarão saudades!

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