Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Já não se fazem listas negras como antes

Por Luiz Weis em 20/11/2007 | comentários

A propósito do artigo ‘Da discussão nasce a escuridão’, de Carlos Brickmann [http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=460CIR001], no Circo da Notícia deste OI.


Agradeço ao autor a sugestão de que eu me manifeste. Como o seu texto aponta e exemplifica, pode-se falar em dois tipos de listas negras – a dos jornalistas que não devem ser contratados e a das pessoas que não devem ser “noticiadas”. Neste segundo caso, quando a força dos fatos torna inevitável a sua inclusão no noticiário, a idéia é fazê-lo o quanto possível em surdina. Isso não se aplica ao primeiro caso, evidentemente: nenhuma contratação é inevitável.


 


Jornalistas são vetados pelos patrões e/ou pelos editores. Mas a razão de fundo tende a ser a mesma: eles se tornam indesejáveis porque têm fama de “criar caso”, por ser independentes e se recusarem a torcer os fatos para amoldá-los aos caprichos da chefia, ou, pior, à linha da casa, como se diz nas redações.


 


Torcer os fatos, a propósito, não é só dizer que chove canivete quando o céu está apenas nublado, ou vice-versa. Entre muitas outras coisas, é hierarquizar eventos e personagens em cada matéria e as matérias no conjunto da edição, de modo a dar ao público uma visão das coisas que combina menos com a realidade apurada do que com a posição que o periódico tem a respeito.


 


Hoje em dia, não se fazem mais listas como no tempo da ditadura. (E mesmo então – a história é conhecida – havia no baronato da mídia quem se recusasse a expurgar ou a fechar as portas àqueles que o regime queria banir da profissão.) Não existem relações de nomes inempregáveis. E contrariando a mitologia de que a mídia é um monolito, um jornalista inaceitável para a publicação xis poderá perfeitamente ser aceito pela publicação ipsilon.


 


Mas a competência e a integridade ainda estão longe de ser os requisitos exclusivos para uma carreira jornalística bem sucedida no Brasil.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/11/2007 Lau Mendes

    ‘Um jornalista brasileiro, de luto fechado pela derrota do seu candidato à presidência da República, depois de dar por favas contadas a vitória, afirmou: “O povo votou contra a opinião pública”. Afirmação que permite que nos perguntemos: que povo é esse que não respeita a “opinião pública”? Mas, sobretudo: que “opinião pública” é essa, que se choca com a opinião do povo? E que jornalista é esse, que imprensa é essa, que fabrica – conforme a expressão de Chomsky – uma “opinião pública” ilusória?’
    Sr.Weiss desculpe a colagem mas me parece que seu texto e o do Blog do Emir na Carta Maior pontuando matérias da imprensa paulista se complementam.

  2. Comentou em 22/11/2007 ailton amaral

    pois é, ja ha tempos percebemos a falta de vergonha da imprensa no brasil, poucos espacos sao abertos, como esse, onde as opinioes divergem, mas ainda temos o direito de ver e percerber o que ocorre nos veiculos de comunicacao.
    existe claramente em toda a imprensa brasileira o lado tendencioso, sempre, nao importa se pra agradar o anunciante, o governo ou o dono do veiculo, o pior é que com tao poucas pessoas serias no jornalismo como vamos saber o que realmente ocorre? jornalistas tomam as dores de patroes ou de pessoas que lhe sao caras, nao importando sua funcao, deixam de noticiar o que realmente acontece.
    o editorial, como dizem, é quem manda, as regras da casa é o que importa, e a casa sempre busca o que e melhor pra si.
    o que pesa nisso tudo é nao poder contar com a midia pra informar seriamente, pois é a imprensa que quer dar o tom da democracia, mas a maioria nao sabe sequer o que isso quer dizer, entao, por que ouvir pessoas que deveriam serem isentas, que no entanto usam de sua profissao pra manipular a massa, nos ditar as regras da democracia?
    a democracia deveria levar em conta a maioria, o que nao ocorre porque a imprensa nao colabora. os politicos safados nao sao denunciados pq sao boas fontes, os empresarios pagam os anuncios, e os donos dos veiculos mamam nas tetas do governo, alias, nas nossas tetas e nos, mesmo assim nao nos respeitam.

  3. Comentou em 22/11/2007 Carlos N Mendes

    A imprensa é um negócio como outro qualquer, não se deve falar mal dos amigos. Já pensou aquele industrial com quem você toma uma cerveja todo o final de semana no clube Hispéria entrando no seu escritório para reclamar daquele seu funcionário, ‘jornalistazinho mequetrefe’ que falou mal da esposa na coluna de ontem?. Das duas, uma : ou o ddono do jornal descarta todos os amigos ou vai viver o inferno da ira de seus pares. Difícil.

  4. Comentou em 22/11/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    É realmente lamentável os tais ‘barões da mídia’ não perceberem o real valor da democracia. Esta história dos jornalões maquearem a realidade por razões obscuras ou de impedirem alguém de trabalhar só porque o tal pensa de maneira diferente (ou é integro) é tão escrota que fico pensando se estes caras não merecem um Juan Carlos da vida para mandar os jornais deles ‘calar a boca’.

  5. Comentou em 22/11/2007 Jose de Almeida Bispo

    ‘- havia no baronato da mídia quem se recusasse a expurgar ou a fechar as portas àqueles que…’
    Claro, Weis, depois que os milicos deram provas que não repetiriam a dupla Deodoro/Floriano Peixoto, entregando o filé mignon no ponto para repasto dos ‘nobres’, o baronato da mídia encabeçou o movimento retrô e passou a hostilizá-los e posarem de democráticos.
    Particularmente não vejo nada demais de a Veja – como alega o Cláudio Dias, servidor público (Brasília/DF) – manter a 27 anos uma escalação ‘pra bater no operário’. Desde que a Veja assuma que detesta ‘o operário’. Trata-se de uma opinião; e essa é a essência da democracia: a livre expressão das opiniões. O que não dá e ver a mídia concessionária pública panfletando contra esse ou aquele; ou mesmo a imprensa se dizendo a vestal da verdade suprema enquanto se entrega em bacanais de sabujismos e extorsões. Assuma o que é e mande o pau. Da mesma forma – ainda comentando o Dias, não dá para aceitar que um projeto de país fique emperrando porque alguém que ganha o dinheiro do povo resolveu ficar contra a maioria que elegeu o governo a quem deve obediência constitucional e fazer politicagem de oposição – ou mesmo de situação – dentro da repartição. Isso não. Também não dá. O país é bem mais que quatro ou oito anos de governo, ou oposição de quem quer que seja.
    http://markltda.blog.uol.com.br

  6. Comentou em 21/11/2007 Cláudio Dias

    É… parece que não só na Veja são dispensados os que não se enquadram…

    No IPEA também…

    E institutos de pesquisa também fazem parte daquele poder ideológico que forma a opinião pública… E o governo tem um monte deles…

    Mas aí, claro, poucos são os que falam em manipulação, em como é lamentável a ausência de informações que combinam com a realidade apurada…

    De um lado a ‘imprensa golpista’ e, do outro, os ‘pesquisadores manietados’ ou ‘pesquisadores alinhados’.

    Mas o pior, e se vê todo dia isso aqui no O.I., é que a maior parte do público só se preocupa mesmo em se alinhar também, à direita ou à esquerda, dizendo amém a este ou aquele espectro político.

    VEJA e IPEA – bons exemplos da nossa direita e esquerda, respectivamente.

    Um abraço.

  7. Comentou em 21/11/2007 José Orair Silva

    ‘Mas a competência e a integridade ainda estão longe de ser os requisitos exclusivos para uma carreira jornalística bem sucedida no Brasil’. Quais são os demais requisitos necessários para uma carreira jornalística bem sucedida no Brasil?

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