Domingo, 20 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

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Jogo para ‘cachorro grande’

Por Carlos Castilho em 05/10/2010 | comentários

É cada dia mais difícil interpretar o resultado de uma sondagem de intenções de voto num pleito presidencial porque os números já representam pouca coisa diante da crescente importância da contextualização de dados, fatos e processos.


Como a maior parte das pessoas ainda percebe as pesquisas como um retrato da realidade pré-eleitoral, fica fácil entender que a manipulação do contexto pode induzir os leitores, ouvintes, espectadores e internautas a percepções bastante diversificadas sobre um mesmo fenômeno.


As variáveis que entram na manipulação do contexto são muitas, daí a complexidade de uma análise de resultados numéricos porque eles podem significar muita coisa. Para se ter uma idéia de que elementos entram na contextualização poderíamos citar o dia e hora em que a pesquisa é feita, a composição social, econômica e geográfica da amostra pessoas consultadas, o tipo de pergunta feita, o lugar onde a pergunta é formulada e por aí vai.


Como a imprensa só divulga o percentual e a margem de erro, torna-se impossível ao público contextualizar os resultados de uma pesquisa eleitoral porque as pessoas não dispõem de dados essenciais para extrair deles significados minimamente representativos da opinião eleitoral de um segmento da população.


Mas apesar de todas estas ressalvas técnicas, as pesquisas se transformaram num componente obrigatório do processo eleitoral e portanto parte do processo de condicionamento de percepções políticas do eleitor.


As ciências da cognição, uma das áreas do conhecimento humano mais valorizadas atualmente, apontam que hoje não é mais possível fazer julgamentos simplistas, tipo sim ou não, ganha ou perde, sem incorrer em graves riscos de distorção dos resultados.


Os resultados das pesquisas de intenção de votos divulgados antes e depois da votação do dia 3 de outubro entram nesta categoria de risco, com uma agravante. Assim como os números e percentagens não foram contextualizados adequadamente, também os erros foram avaliados de forma superficial.


Não se trata de desqualificar os resultados da pesquisa porque isto levaria a um bate-boca interminável e improdutivo, porque uma sondagem pode ser tecnicamente isenta, mas comprometida do ponto de vista contextual.


O importante é ver que a manipulação das pesquisas não é uma questão de fraude, mas de estratégia de comunicação destinada a induzir o eleitor a uma determinada percepção. E aí, o cidadão não tem outra arma para julgar o que percebe senão o recurso a quantidades crescentes de informação.


Quando a imprensa não fornece ao cidadão os elementos para a contextualização dos resultados da pesquisa, ela pode estar cometendo um equívoco tão grave quanto mudar números ou percentuais.


O processo eleitoral contemporâneo tornou-se um jogo de “cachorro grande” do qual só participam especialistas. As pesquisas que definem eleições são realizadas muito antes da votação. A boca de urna não está preocupada com a apuração, mas sim com o que pode acontecer semanas depois.

Se formos pensar em democratização do processo eleitoral, teremos que inevitavelmente refletir sobre a distribuição da informação. Sem ela, o eleitor não consegue contextualizar os dados de pesquisas, só para citar um dos muitos fatores que influem numa eleição. Sem contextualização, o cidadão torna-se um marionete nas mãos dos especialistas e marqueteiros eleitorais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/10/2010 Pedro pereirira pereriria

    Ja estao levantando supeitas que ha fraudes nas eleiçoes… que isso, essa oposiçao e mesmo do borogodó vai acabar sendo responsavel pela derrota da Dilma..
    Nao ha o que entender,,, sejam realistas. a candidata do PT nao tem t votos . sao transferencia devido a popularidade de Lula.
    … Entao… o eleitor nao tem compromisso com ela. e muda o vota. simples assim.. o resto sao chorumelas,, vejamos se acaso a Dilma ganhar as eleiçoes esse comportamento da militanca nao vai mudar,,, fica tudo certinho novamente… Saudades da escolastica,,( trivium , nao e uma senhora e nem banda de Rock:

  2. Comentou em 08/10/2010 rogerio cardozo

    Aqi em SC as pesquisas levaram o eleitor como qizeram,ove uma frade,pesqisas devem ser proibidas.Porque nesse mundo do dinheiro quem paga qer o resultado que deseja,não de hoje qe a RBS manipula eleições.Medalha,Medalha,Medalha!

  3. Comentou em 08/10/2010 Cristiana Castro

    ( cont.), com os votos já contados, como é que os institutos de pesquisa poderiam fazer sondagem. A gente já votou, e até agora ninguém sabe quem entra,quem sai, que voto é que vale… Sério, Castilho, essa eleição é tão bizarra que não dá pra fazer sondagem nem depois do pleito. Em SPo min. do TSE, declarou a vitória de um candidato e qdo perguntado pelos votos dos nanicos,apresentou a conta no dia seguinte. Não havia como qq instituto fazer previsão pq a próprio processo eleitorl era imprevisível. Eu duvido, que alguém aqui já tenha visto uma coisa dessas antes. Ainda bem, que as pesquisas erraram pq se acertassem ia ficar pior ainda. E ainda nem fomos para o segundo turno, não trabalho em institutos de pesquisa mas te garanto,vai ser apoteótico. Essa eleição vai ser decidida nos Tribunais, como já está se desenhando e, para isso, não havia necessidade de colocar na rua 135 milhões de brasileiros num domingo e depois no meio de um feriado. Eu só quero que acabe logo. Muito esquisita essa eleição. E, urna eletrônica, sem papelzinho, nunca mais.

  4. Comentou em 08/10/2010 Cristiana Castro

    ( cont ), eleitores, sequer sabem se o seu voto é válido e, ao que tudo indica, um outro problema está despontando, o entendimento que os votos seriam das legendas e não dos candidatos, parece que caiu por terra. Há poucos dias das eleições. ainda tinha candidato sendo substituído e, como não havia tempo hábil, o candidato era um e a foto era do outro. Após a divulgação dos resultados do 1º turno, ainda cogitava-se a troca de vice nua chapa para presidente da República. O governo do maior Estado da Federação foi decidido,com margem apertadíssima e com base numa lei que, nem se sabe vai vigir nessas eleições ( como se elas ainda fossem acontecer ). Um outro estado está com as eleições para o Senado suspensas, com base na mesma lei e, nesse caso, pior ainda, sob ena de anulação, uma vez que mais da metade dos votos foi dada a candidatos sub judice.O índice de nulos, brancos e abstenções é maior que o do segundo colocado nas eleições para presidente. O 2º turno está marcado ara o meio de um feriado Nacional,colado ao feriado do funcionalismo. Ora, ninguém sabe nada dessa eleição, nem partdios, nem eleitores, nem candidatos e,muito menos o Judiciário. O Brasil parece ter entregue as chaves ao TSE,como prefeito entrega as chaves da cidade a Momo para que ele reine nos dias de Folia. Eu pergunto, seninguém está entendendo nada, até agora, ( cont.)

  5. Comentou em 08/10/2010 Cristiana Castro

    Castilho, eu fiquei sem entender o que aconteceu com as pesquisas,um senhor, acho que,do Vox Populi, estava explicando mas a explicação era mais complicada que o resultado. Eu, não entendi. Não gosto de pesquisas mas, de uma certa forma, sobrou para eles a responsabilidade pela discrepância nos resultados. Não defendo institutos de pesquisa mas não é justo. Essas eleições não estão normais e o caos em todo o processo eleitoral pode ter se refletido nas pesquisas, Tivemos quatro leis alteradas na vigência do processo, ou seja, em um ano ( aqui contado o prazo para filiação dos candidatos ). Dessas quatro, três tratavam,diretamente, do processo. Uma relacionada aos partidos ( verticalização ); outra aos candidatos ( Ficha-Limpa ) e, outra aos eleitores ( dois documentos ). Ou seja,todo o pleito foi alterado,em cima da hora, para o bem ou para o mal. Até o momento e,com o pleito já em curso, inclusive com governadores já declarados eleitos em 1º turno, nos maiores e mais importantes colégios eleitorais do país – e aqui,por mais que eu tente, não consigo crer que não tenha havido conta de chegar para que se garantisse, o mínimo de estabilidade ante o caos que imperaria em meio a tamanha insegurança jurídica – partidos,eleitores e candidatos, ainda não sabem qual a lei que está regulando o pleito, quem são os candidatos que, de fato,estão concorrendo ( cont. )

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