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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Jornais, cada vez mais, com cara de revista

Por Carlos Castilho em 27/08/2008 | comentários

Na guerra pela adaptação aos novos tempos, os jornais impressos estão mudando a sua cara, e também o seu conteúdo, diminuindo as diferenças entre a imprensa diária e as revistas semanais.


 


O jornal Correio da Bahia apresentou esta semana o seu novo visual inspirado pela proposta gráfica do espanhol Innovation, que privilegia a publicação de fotos como o principal atrativo da primeira página.


 


Esta é uma tendência que está ganhando cada vez mais adeptos pelo mundo, como mostram as recentes reformas gráficas nos jornais Chicago Tribune, Sentinel Sun, Baltimore Sun e Rocky Mountains, para citar apenas alguns exemplos.



 


O redesenho das primeiras páginas alterou desde o logotipo de muitos jornais até o próprio nome, como é o caso do veterano The Sun, que agora passou a se chamar Baltimore Sun. No espaço informativo, as fotografias passaram a ocupar até 50% da primeira página. O Correio da Bahia, que na reforma virou apenas Correio, não deixou por menos: chegou a quase 70% da primeira página, com no caso (acima) da foto de uma família no jardim.


 


A mudança de proposta visual faz com que os jornais tenham uma cara cada vez mais parecida com as revistas semanais, o que cria um dilema editorial tanto para um como para outro veículo. Os jornais terão que vencer as resistências de leitores acostumados ao foco na notícia de atualidade enquanto as revistas passam a brigar pelo mesmo espaço informativo das matérias produzidas sobre temas atemporais. 


 


A corrida pela modernização do design dos jornais procura mudar as expectativas do mercado publicitário em torno de uma indústria que enfrenta dias difíceis — por conta das enormes incertezas criadas pela mudança dos hábitos dos leitores e pela internet.


 


A valorização da imagem em jornais — onde até agora a manchete de primeira página era o principal ponto de venda — ocorre numa conjuntura em que, pelo menos no caso norte-americano, o novo visual está associado a cortes na redação, em especial na reportagem.


 


É que a opção pela fotografia chamativa gera um forte impacto no leitor, mas se não vier acompanhada de uma contextualização no formato texto, pode criar percepções equivocadas. Isto requer redações mais robustas contrastando com a atual tendência de cortar pessoal “até o osso”.


 

Assim, a nova filosofia imagética das primeiras páginas é indubitavelmente mais atraente do que os pesados formatos anteriores, mas ela será inócua em matéria de aumento de índices de leitura se não vier acompanhada de um reforço na produção investigativa e analítica no material textual.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/08/2008 marcio fernandes

    prezado carlos,

    um interessante estudo do final dos anos 90, chamado Diário de 2020 (e liderado pelo designer cubano Mário Garcia) aponta esse ´arrevistamento´ dos jornais. teu texto é bastante preciso e vai de encontro ao que preconiza o referido estudo. o grande desafio dos jornais é manter essa nova concepção gráfica diariamente.

  2. Comentou em 29/08/2008 marcelo damico

    Realmente, nada de novo. O já citado Notícias Populares se utilizou em larga escala desses artifícios, inclusive dos Infográficos, que renascem agora como se fossem a última novidade do mercado editorial.

  3. Comentou em 28/08/2008 Ivan Moraes

    Curioso que tipograficamente, so o tal ‘Hoje’ acertou! Os outros dois que voce mostrou sao uma bagunca de fontes de uma dezena de tamanhos, e de cores Martha Stewart. De volta aa prancheta…

  4. Comentou em 28/08/2008 Roberto Ribeiro

    O antigo ‘Notícias Populares’, junto do sangue, servia uma grande quantidade de fotos. Acho que a idéia não é nova, tablóides escandalosos de todo o mundo usam fotos e imagens chamativas na primeira página. A idéia simplesmente é chamar a atenção de um público que não lê com tanta facilidade, nos vários graus de ‘analfabetismo funcional’ e semi-analfabetismo. A antiga revista Manchete era voltada para esse tipo de público, que, principalmente no interior do Brasil, ‘lia’ as imagens pq não conseguia entender o texto. É o estilo ‘arara’: colorido e fala pouco. Agostini, no séc. XIX, conseguia vender seus jornais porque o público semi-alfabetizado se referenciava pelas imagens. No mundo todo, a educação se ‘universalizou’ porém com uma qualidade baixíssima, não é a toa que 90% dos sergipanos tenham estudado pelo menos 4 anos, porém só 50% da população saiba ler. Enfim, não vejo nada de novo, só uma mudança de foco quanto ao público alvo de alguns jornais.

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