Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Jornais vendem fumaça como se fosse fato

Por Luiz Weis em 05/01/2007 | comentários

Folha: “Lula determina que Exército ajude o Rio”.

Globo: “Lula atende a pedido feito por Cabral”.

Estado: “Exército não vai policiar ruas do Rio”.

À primeira vista, o Estadão marcha com o passo errado.

Afinal, como registraram os concorrentes, os ministros da Defesa, da Justiça e do Gabinete de Segurança Institucional prometeram ontem à noite por escrito ao governador Sérgio Cabral Filho que as Forças Armadas passarão a tomar parte no Gabinete Integrado de Segurança Pública, no Rio de Janeiro. E que os militares terão presença mais ostensiva no entorno dos seus quartéis no Estado.

Cabral havia pedido a Lula que os militares começassem a patrulhar as áreas vizinhas às instalações das Armas. Pedido atendido, garante o Globo.

Pode não ser verdade. A repórter do Estado, Tânia Monteiro, banca que o pedido foi negado porque, para ser acolhido, dando aos militares funções de polícia, o governador, segundo a legislação, precisaria reconhecer que o sistema estadual de segurança é insuficiente para garantir a lei e a ordem no Rio – o que ele obviamente não tem a mais remota intenção de fazer.

Se assim é, a Folha e o Globo levaram ao pé da letra o que pode ter sido apenas fumaça – um gesto de Lula para não deixar o seu aliado carioca perder a face, sem que nada mude substancialmente na crise de segurança do Rio.

Mesmo porque outro pedido de Cabral, “o envio imediato” ao Estado de tropas da Força Nacional de Segurança Pública, já foi devidamente desidratado, por falta de infra-estrutura de transporte, alimentação, alojamento e equipamentos. E falta de superestrutura: “inteligência e estratégia”, como assinala Eliane Cantanhêde na Folha de hoje.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 08/01/2007 Francisco Bezerra

    Peço perdão ao Sr Weis, pois cometi uma asneira com meu comentário anterior. O trecho que eu procurava, referente aos parabéns ao Estadão, não está neste post e sim no artigo citado pelo Marnei Fernando, publicado em 19/09. Também é verdade que entrei nos comentários deste post não pelo índice geral, mas pelas chamadas da página principal.

  2. Comentou em 07/01/2007 Francisco Bezerra

    O artigo de Luiz Weis ‘Jornais vendem fumaça como se fossem fatos’ foi retirado do índice geral e cortado na sua parte final. São 08:02h do dia 07/01. Quem o lê agora entrando por INICIO>BLOGS>VERBO SOLTO não vai nem entender a que elogios estamos nos referindo nos comentários. Será censura no OI ou reconhecimento de um deslize pelo articulista?

  3. Comentou em 06/01/2007 Marnei Fernando

    É Sr. Luiz… julguei que o sr. fosse diferente da maioria dos jornalistas tendenciosos e golpistas que assolam as redações da mídia pelo Brasil… infelizmente me enganei…

  4. Comentou em 06/01/2007 Marnei Fernando

    Se bem que fora dos colchetes o Sr. também ajudou a transformar toda a fumaça de que os petistas negociaram dinheiro em troca do dossiê em fatos… também naquele mesmo texto, o Sr. transformou em fato, a fumaça de que a revista Isto É teria recebido dinheiro para publicar o conteúdo do dossiê… Agora, os fatos que a mídia e o Sr. transformaram fumaça e se evaporou foi justamente o conteúdo do dossiê… Aquelas cópias de cheque que os vedoím mostraram na IstoÉ se transformaram em fumaça na mídia… quele video do Serra, sob efusivos apláusos, entregando ambulâncias superfaturadas aos deputados tucanos sanguessugas a mídia transformou em fumaça. Cortina de fumaça. Porquê? – Ah… desculpe meu erro de digitação… A palavra correta do que o Estadão fez e o senhor aplaudiu entusiasmadamente na época foi ILAÇÃO…

  5. Comentou em 06/01/2007 Carlos Teixeira

    O estadão se apressou em acusar Freud Godoy no caso do dossiê simplesmente porque o rapaz era muito próximo do Presidente Lula. A intenção não era ‘pegar’ Freud Godoy, mas sim prejudicar o Presidente Lula e beneficiar o ex-governador Alckmin, pois ainda procuravam um ‘fato novo’, que pudesse ‘virar’ a eleição presidencial. Seguindo o mesmo interesse, um jornalista da FSP, Kennedy Alencar, tentou incriminar o Presidente do PT, Ricardo Berzoine, dizendo que tinha consultado ‘diversas fontes’, que incriminavam Berzoine no caso Dossiê. HOJE JÁ SABEMOS A VERDADE. Tudo não passou de jogo de interesse de integrantes da mídia, que deveriam ser criticados neste OI, e não o foram simplesmente por questões CORPORATIVAS.

  6. Comentou em 06/01/2007 Lelé Arantes

    Creio que o cerne da questão continua intocado. Quem a Força Nacional de Segurança Pública deverá combater nos morros do Rio: os traficantes ou as ‘melissias’? Agora, cá entre nós, será que a Polícia carioca é tão incompetente que não sabe quem são os ‘cabeças’ do crime organizado no Rio? Weis tem razão, há fumaça demais e informação de menos nos grandes jornais brasileiros que são incapazes de se aprofundar nessa questão. Alguém se lembra que quando o Estadão tinha competência para fazer os grandes ‘dossiês’ que desnudavam grandes problemas nacionais? Talvez esteja na hora da imprensa virar a própria a mesa em favor do leitor e do povo brasileiro.

  7. Comentou em 06/01/2007 Adriano Finozzi Molero

    Luiz Weis, você precisa decidir se você é colaborador do Observatório ou profeta. Você escreveu: ‘um gesto de Lula para não deixar o seu aliado carioca perder a face, sem que nada mude substancialmente na crise de segurança do Rio.’ Como você sabe que nada vai mudar na segurança carioca? Por quê você rebaixa para a categoria de ‘gesto’ uma importante decisão do governo federal na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu xará? É para fazer pouco caso do presidente e de seus atos? Se esse vaticínio se realizar então você deveria adivinhar também os números da Megasena, ganhar aquela bolada e se aposentar como colaborador do Observatório. Olha, você e o Dines podem se dar as mãos, viu?

  8. Comentou em 06/01/2007 Francisco Bezerra

    Ao primeiro olhar sobre essa matéria me veio a lembrança do caso Godoy, para ficar no exemplo mais recente de tentativa de solidificação de fumaça pela imprensa. Lembrei que no ensejo alguns articulistas do OI fizeram coro. O marnei Fernando foi na mosca ao citar a matéria do articulista acima. Em resposta o Luiz Weis fez o eperado. Pegou um erro ortográfico do comentarista para tentar ridicularizá-lo logo de início. Até as pedras sabem que o que Marnei quiz escrever foi ‘ilação’. Credito isso a um erro de digitação, que nessa exígua janelinha de 1400 toques tem maijorada a possibilidade de passar despercebido.
    No âmago do comentário o Weis não tocou. Parabéns e elogios são quase incestuosos. O que foi parabenizado em 19/09 pode claramente ser classificado no contexto do artigo atual como levar ‘ao pé da letra o que foi apenas fumaça’…
    Disse Thoreau em 1863 ‘Não conheço muitos intelectuais de mentalidade tão ampla e de espírito tão liberal que permitam ao próximo pensar alto em sua companhia. A maioria deles, logo no começo do diálogo, se põe a defender alguma instituição na qual parece ter interesse; ou seja, adota uma perspectiva particular e não universal. Eles sempre tentarão colocar seu próprio teto entre você e a luz do céu, mas você prefere uma vista livre para a imensidão dos céus. Aí eu grito: tirem suas teias de aranha da minha frente! Limpem suas vidraças!

  9. Comentou em 05/01/2007 Eduardo Guimarães

    Eliane Cantanhêde, a mulher do marqueteiro do PSDB?

  10. Comentou em 05/01/2007 Marnei Fernando

    Sr. Luiz Weis… eu fiquei muito decepcionado com uma matéria sua aqui no OI em 19/9/2006 às 9:37:41 AM…. Lá, o senhor fazia exatamente o que condena agora neste post… No texto o Sr. parabeniza e assina em baixo a iliação do Estadão sobre a participação de Freud Godoy na compra do dossiê Vedoin… Hoje, como sabemos ficou provada a inocência do rapaz… ficou também provada a evidência de que essa mídia asquerosa tentou das maneiras mais baixas possíveis enganar o eleitor… e para minha surpresa e decepção… ví seu nome envolvido nessa trama também… e aí? o que o sr. tem a dizer a respeito?
    http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id_blog=3&id=%7B80D542FC-6B70-43C0-8F60-F7FFF65C63C5%7D

  11. Comentou em 05/01/2007 Carlos Teixeira

    O problema é que, como sempre, a mídia se perde ao tentar divulgar corretamente uma informação. Qualquer pessoa mais ou menos informada sabe que o governador do Rio pediu ao governo federal duas coias: a) a utilização das tropas das forças armadas baseadas no Rio, para patrulhar o entorno dos quartéis; b) o envio antecipado de tropas da força de segurança nacional (que já estavam previstas para acontecer um pouco antes dos jogos Pan-americanos). O govêrno federal atendeu o governador em ambas solicitudes, ou seja, o uso RESTRITO e imediato das forças armadas e o envio de tropas das forças de segurança nacional ja a partir de meados de janeiro. O resto não passa de intrigas e futricas.

  12. Comentou em 05/01/2007 João Carlos Albuquerque

    Bom, se o Exército de um País não tem condições de atender estas condições (infra-estrutura e supra-estrutura), para quê serve? Então os EUA, salvadas as proporções com seu similar brasileiro, não teria mandado tropas ao Iraque. Se o Exécito se estabeleceu no Haití, porque não haveria de fazê-lo em territôrio próprio. A jornalista da Folha escreve cada coisa, francamente.

  13. Comentou em 05/01/2007 Marco Costa Costa

    Para que o Rio de Janeiro volte a sua rotina de normalidade, é preciso prender os políciais militares e civis. Esta gente esta contaminada pela doença da corrupção. Desta forma, o Estado contrataria novos policias, os quais começariam suas atividades sem vícios, procurando combater a criminalidade de frente, ou seja, sem rabo preso com a bandidagem.

  14. Comentou em 05/01/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Será que você pode me responder algumas questões:
    1) Adianta combater o crime nas favelas e preservar o processo de favelização de nossas cidades?
    2) Como dar esperança e emprego às pessoas SÓ encontram estas duas coisas no tráfico de drogas?
    3) Desde quando a violência é a resposta para os processos de degradação socio-econômica de comunidades inteiras?
    4) Que papel a educação desempenha nas favelas, que papel poderia desempenhar caso o Estado e a mídia (especialmente as TVs) demonstrassem interesse (e compromisso) com a desfavelização de nossas cidades?
    Desculpe-me fazer estar perguntas. É que sou muito ignorante e incapaz de respondê-las; Mas sou suficientemente perspicaz para imaginar que esta história de mais exércitos, mais policias, mais mortes, mais torturas, mais prisões e a mesma miséria é uma equação insolúvel. As mesmas soluções (que parecem atender mais às expectativas dos donos de hotéis na orla marítima do que os interesses da população carioca) somente desaguarão na renovação do caos, da criminalidade e das notícias relacionadas às três coisas.

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