Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Jornal se antecipou aos juízes

Por Luiz Weis em 06/07/2007 | comentários

Do Estado de hoje: “Estudo revela que é rara punição de autoridades”.

Revela?

Sem demérito nenhum para o estudo da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), segundo o qual o Supremo Tribunal Federal jamais condenou um réu ali processado por ter direito ao foro privilegiado, esta foi a manchete do Globo de 18 de junho:

“Supremo Tribunal Federal não condenou autoridade alguma nos últimos 40 anos”.

O título encabeçava a segunda de uma estupenda série de reportagens sobre a impunidade nacional – “O Brasil vive o crime sem castigo”. Começou um dia antes e terminou no último domingo, 1º de julho.

Faço o registro porque seria esperar demais da concorrência que, na hora de abrir espaço para o justo movimento da AMB pelo fim do foro privilegiado, tivesse a elegância de creditar ao Globo a primazia do alerta.

A série é um verdadeiro “tudo sobre”, como se diz nas redações: um acervo completo das modalidades de delitos cujos autores continuam por aí, lépidos e fagueiros nos seus colarinhos brancos, e um retrato detalhado dos porquês dessa aberração.

Ou, dito de outro modo, por que o crime compensa quando os acusados, entre muitos outros visitados pelo jornal, se chamam Marcos Valério, Edemar Cid Ferreira, Zélia Cardoso de Mello, Ronaldo Cunha Lima, Edmundo, Antonio Marcos Pimenta Neves – e o símbolo por excelência [sem trocadilho] do escândalo judicial que o Globo denunciou: Paulo Salim Maluf.

E por falar na figura, beleza pura a traulitada que a colunista Barbara Gancia dá hoje na Folha no cônsul-geral americano em São Paulo, Christopher McMullen, por ter convidado para a recepção da data nacional dos Estados Unidos, o 4 de Julho, o indigitado político.

Em vez de cair na armadilha do moralismo estéril, gênero “onde já se viu?”, Barbara levantou uma questão substantiva: o convidado não apenas está sob investigação do implacável promotor nova-iorquino Robert Morgenthau, por lavagem de dinhiero, como este pediu que ele seja preso se puser os pés nos EUA.

Raciocina a colunista: “O consulado é território norte-americano e, nos Estados Unidos, o ex-prefeito continua sendo pessoa indesejável.”

E por falar na recepção do Fourth of July, um tesouro como material para reflexão a foto publicada anteontem, também na Folha, mas na coluna de Monica Bergamo, que mostra em animada tertúlia o supra-citado Doutor Paulo, o ex-governador Orestes Quércia e o expert em gravatas de grife, rabino Henry Sobel.

Como costumava escrever o genial Millôr, “pano rápido”.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 07/07/2007 Ivan Moraes

    (perdao, ‘dinheiro desse **banco**’)

  2. Comentou em 07/07/2007 Ivan Moraes

    ‘pagando ainda hoje as consequências, na forma dos juros da dívida pública…’: nao existe maneira logica de nenhum pais do mundo se livrar de divida publica porque eh interessante aos bancos centrais manter a estrutura social de escravidao. Nao eh por acidente que o dinheiro desse dinheiro desapareceu e nao eh por acidente que ninguem descobriu aonde ele foi parar. Desaparecimento de dinheiro do Brasil eh especialidade bancaria ha seculos, mas depois do tal banco central ser adotado pelos EUA ele foi empurrado goela abaixo do continente todo. Nao existe fim aos juros porque o dinheiro depositado pela cidadania existe, mas o dinheiro que os bancos emprestam eh **literalmente** inventado do ar, tirado do botao dos donos de banco, e nunca existiu de fato. Isso eh, dinheiro real eh tirado de circulacao, mas nao eh reposto.

  3. Comentou em 06/07/2007 JOSE ORAIR Silva

    Impunidade por impunidade é preciso citar também o caso do Banco Nacional, um escândalo sem pararelo na história bancária mundial. Seis bilhões de reais foram roubados nas barbas da auditoria e do Banco Central. Os mentores da fraude ainda se divertiam ano a ano publicando um balanço fajuto para os analistas de mercado… Os depositantes e aplicadores do banco teriam ficado literalmente de tanga não fosse a intervenção do PROER, uma forma bastante criativa de cobrir o roubo dos espertos com o dinheiro dos trouxas. Os responsáveis também estão por aí, lépidos e fagueiros nos seus colarinhos brancos e continuam dispondo de grande prestígio social, enquanto nós, os otários de sempre, estamos pagando ainda hoje as consequências, na forma dos juros da dívida pública…

  4. Comentou em 06/07/2007 Marcelo Soares

    Weis, o Estadão também havia publicado, há meses, um balanço sobre políticos processados (e nunca condenados) no STF. A diferença: o Estadão pegou inquéritos e O Globo pegou ações penais. A matéria de hoje do Estadão pega o STJ. Aos poucos se vai fazendo um quadro geral da impunidade, tribunal por tribunal.

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