Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Jornalismo em rede: onde profissionais e amadores se encontram

Por Carlos Castilho em 29/12/2009 | comentários

Jornalismo cidadão, jornalismo participativo, jornalismo online, digital, interativo, móvel, e por aí vai. Depois desta avalancha de adjetivos que acabaram confundindo mais do que esclarecendo as mudanças provocadas pela internet no jornalismo, o quando conceitual começa a ficar menos nebuloso com o fortalecimento da idéia de jornalismo praticado em rede, interconectado ou “networked”, segundo os norte-americanos.


 


Cidadão, foi a mais polemica das qualificações dadas à modalidade de coleta e publicação de notícias por pessoas sem formação técnica em jornalismo. Muita gente chegou a afirmar que ela substituiria o jornalismo profissional. Mas agora está ficando claro que não existe um jornalismo cidadão divorciado de um contexto informativo, caracterizado pela interatividade entre captadores de informações, com ou sem diploma.


 


O jornalismo em rede parece ser a definição mais adequada ao novo tipo de atividade informativa que está surgindo em conseqüência da combinação de dois fatores: a capacidade dos cidadãos publicarem notícias em redes virtuais viabilizadas pela internet e a necessidade cada vez maior de contextualização de dados e informações para que as noticias tenham significado para quem as lê, escuta, vê e discute.


 


A participação de pessoas sem formação técnica em jornalismo na produção e publicação de noticias já é um fato consumado e irreversível. Portanto estamos diante da realidade de um jornalismo praticado por amadores. A categoria jornalista já não é mais uma exclusividade dos que tem diploma ou são reconhecidos como profissionais. Todos praticam atos jornalísticos quando captam, e depois publicam, noticias de interesse público.


 


Portanto, é inevitável o surgimento de um jornalismo profissional ao lado de um jornalismo amador. A diferença é que o primeiro é um especialista no manejo e contextualização de informações, dados e noticias, atividade que é também o seu ganha pão ou objeto de pesquisa. Já o amador pratica atos de jornalismo de forma esporádica, não sistemática, sem critério científico  e sem ser a sua fonte de renda principal.


 


A midiatização da vida contemporânea transformou os indivíduos em mensageiros, ou seja, pessoas que pelo simples fato de existirem, já estão transmitindo uma mensagem. Cada item que integra o nosso estilo de vida, da camiseta ao corte de cabelo e escova de dentes, transmite uma mensagem a outras pessoas, informando como somos e que desejamos. Idem para os objetos. Uma garrafa de vinho pode hoje acumular tanto informação quanto um livro.


 


De forma cada vez mais rápida e intensa, estamos incorporando este principio ao nosso dia a dia, ao usarmos as ferramentas criadas pela Web para permitir a interatividade entre pessoas e organizações. Esta interatividade só é possível graças às redes e é nelas que começa a surgir uma atividade informativa que integra, cada vez mais, profissionais e amadores num único objetivo.


 


A integração tende a acontecer em dois tipos de redes:


1)     As formais, como as criadas por órgãos da imprensa e que incluem consultas aos leitores, enquetes, comentários online, fóruns, publicação de fotografias, vídeos e gravações sonoras.


2)     As informais, surgidas em comunidades virtuais do tipo Orkut, Twitter, Facebook e weblogs.


 


A principal diferença entre ambas é que as formais tendem a obedecer a agenda da grande imprensa, enquanto as informais seguem os impulsos dos usuários. A divergência entre ambas é enorme, mas tende a diminuir. A agenda da mídia convencional está se mostrando cada vez mais defasada em relação aos desejos e necessidades da sociedade e também porque a presença dos amadores na prática de atos de jornalismo é cada vez mais freqüente.


 


As pessoas comuns já praticam, até inconscientemente, o jornalismo em rede, quando trocam e comparam informações ou notícias. Os profissionais é que ainda encaram esta integração com desconfiança e alguma resistência. Mas isto vai durar até o momento em que perceberem que a perda da exclusividade na coleta, processamento e publicação de noticias não significa o fim do jornalismo. Muito ao contrário.

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