Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
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Jornalismo tamanho único

Por Luiz Weis em 27/04/2008 | comentários

Elizabeth Edwards é mulher do político americano John Edwards, que foi companheiro de chapa do candidato democrata à Casa Branca, John Kerry, em 2004. O ex-senador pela Carolina do Norte tentou ser o presidenciável do partido este ano. Desistiu quando ficou claro que os democratas preferem ou Hillary Clinton ou Barack Obama.


 


Em todo caso, ao acompanhar as incursões eleitorais do marido durante mais de um ano, Elizabeth teve uma visão privilegiada da copa-e-cozinha da cobertura jornalística da disputa. E o que ela viu foi uma imprensa em geral concentrada nas estratégias políticas dos pré-candidatos, nas trocas de golpes entre eles e no folclore da competição – e desinteressada, com poucas exceções, de informar, questionar e comparar as suas idéias sobre os problemas que afetam o eleitorado do país: economia, emprego, políticas de saúde, Iraque…


 


Isso lhe deu matéria-prima para escrever no New York Times deste domingo o artigo cujo título –  “Boliche 1, Saúde Pública 0 – resume a sua decepção com as preferências da mídia. [O boliche se refere às matérias sobre o desempenho de Obama no jogo.]


 


É o que ela chama de “jornalismo de flash”, que mostra os contornos dos fatos, mas deixa muita coisa na sombra.


 


Neste ano de eleições municipais no Brasil, com as metrópoles nacionais atoladas em problemas conhecidos de todos, as críticas da senhora Edwards ao jornalismo político americano podem servir de guia para o que a imprensa brasileira não deveria fazer na cobertura da campanha que vem aí.


 



“O problema”, ela escreve, “é que está ficando cada vez mais difícil para os eleitores se informar sobre os candidatos, especialmente se não têm acesso à internet”.


“Estamos escolhendo um presidente. Não estamos comprando sabão”, reclama.


 


Elizabeth cita um levantamento segundo o qual 63% das matérias da campanha presidencial publicadas este ano tratam das estratégias dos candidatos, enquanto apenas 15% discutem as suas propostas.


 


Para ela, que fala com conhecimento de causa, a imprensa gravita em torno de um padrão de narrativa eleitoral que parece um autor procurando personagens para uma novela, esquadrinhando os candidatos, para ver o que neles “vende”. É o jornalismo tamanho único.


 


“Questões que poderiam fazer diferença na vida dos americanos não se encaixam nesse padrão e, portanto, cedem o banco dianteiro [da cobertura] para as superficialidades”, acusa. E o pior, segundo ela, é que a imprensa nem acha que existe diferença entre uma coisa e outra.


 


Se os eleitores querem uma imprensa vibrante e vigorosa, argumenta, terão de exigi-lo junto aos que detêm a enorme responsabilidade de informar o máximo possível sobre o que os candidatos fariam na presidência. “Façam o seu serviço”, demanda, “para que nós, como eleitores, possamos fazer o nosso.”


 


Clique aqui para ler o artigo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/04/2008 Ivan Moraes

    ‘“Façam o seu serviço”, demanda, “para que nós, como eleitores, possamos fazer o nosso.”’: cara senhora Elizabeth, tente avisar a populacao americana porque eu nao tenho condicoes: lembra se da velha bolha dos dotcom que virou a bolha dos subprime? Sim, a mesma bolha, aquela mesmo, a mesmissima bolha de exuberante ganancia. Ela cresceu e virou a bolha do petroleo. Ir sumindo do planeta que eh bom, ela ainda nao foi.

  2. Comentou em 29/04/2008 Pedro Meira

    No caso norte-americano, talvez a ausência de discussão de idéias dos candidatos na mídia se deva ao fato de que estes já não se atrevam a expô-las, devido à eficiência das patrulhas ideológicas. Nenhum político pode mais se assumir seriamente como contra ou a favor de algo sem ser massacrado na mídia por sectários da posição oposta. Restou então aos candidatos entoarem slogans vazios e frases que se autocontradizem. O paradigma desse tipo de político foi Colin Powell em sua quase candidatura de 1996, quando dizia coisas do tipo ‘sou contra a proibição do aborto, mas acho que as mulheres não deviam praticá-lo’. Consegiu com isso que muitos liberais se tomassem de amores por ele.

  3. Comentou em 28/04/2008 marina chaves

    concordo plenamente…. a midia devia explorar o que cada um dos candidatos a prefeito pensam em fazer pela sua cidade, isso sim…. explorar ideias e projetos…. mas toda a vez que vem campanha eleitoral, o que eu vejo na midia são trocas de farpas, dossies interminaveis, ai vao abrir a CPi do dossie………….. isso nao tem fim!

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