Quinta-feira, 29 de Junho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº947

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Jornalistas tomam banho de Lula

Por Luiz Weis em 15/05/2007 | comentários

Terminada a sua primeira coletiva à imprensa do segundo mandato, na terça-feira (15/5), o presidente Lula autorizou o ministro da Comunicação do governo, Franklin Martins, a promover novos encontros do gênero – embora em duas ocasiões tivesse deixado escapar que estava achando a coisa muito demorada. ‘Parece que já respondi a 80 perguntas’, comentou, meio sério, meio brincando. [Foram 15 ao todo, com direito a réplica, ao contrário do que se divulgou.]


Ao dizer para Franklin que ele poderá fazer o que os seus antecessores não puderam, apressou-se a esclarecer que não foi por culpa deles, mas por sua própria culpa. E, voltando-se para os jornalistas: ‘Estou muito mais flexível neste segundo mandato. Aproveitem.’


Dessa flexibilidade ele não se cansou de dar mostras durante a entrevista de duas horas, precedida de uma extensa exposição. Flexibilidade no seguinte sentido: transpirando bom humor e alto astral ele tirou de letra o que lhe perguntavam, sabendo, decerto, que não seria fácil pegá-lo pela palavra, mesmo nas réplicas.


Foi um banho de Lula.


Até diante da pergunta mais constrangedora, que obviamente sabia que lhe seria feita – sobre a participação no seu governo de críticos ferozes no primeiro período, como o deputado Geddel Vieira Lima e o pensador Roberto Mangabeira Unger – disse o que quis e ficou por isso mesmo.


As melhores perguntas foram três:


Aborto. Porque, na réplica, o repórter Celso Teixeira, com boa pontaria, levou Lula a dizer mais do que já tinha dito sobre a sua posição contrária como cidadão e o seu dever como presidente de considerar o assunto uma questão de saúde pública. Pela primeira vez, Lula deixou claro que, por isso, a gestante que não quer o filho precisa ter ‘tratamento adequado’. Ou seja, sem o risco de ser considerada criminosa, como ainda hoje estipula o Código Penal de 1940.



Terceiro mandato. Porque, desafiado pelo repórter Sandro Lima a dizer que não o quer, e, depois, a dizer como reagirá a um projeto de emenda constitucional que lhe permita querê-lo, Lula foi claro como cristal: não quer, respondeu, porque não pode e porque ‘eu não brinco com democracia’; considera ‘imprudente’ e ‘provocação à democracia’ qualquer movimento nesse sentido; e desestimulará qualquer parlamentar da base governista a tentar mudar a regra do jogo.


PT e sucessão. Porque disse ao repórter Fabio Pannunzio, primeiro, que para o seu partido, tendo o maior cargo no governo, ‘mais é querer muita coisa’; segundo, que o seu candidato em 2010 não sairá necessariamente do PT, mas da coalizão que o apoia; e terceiro, que ele quer fazer o sucessor e trabalhará para isso.


Às folhas tantas, depois de soltar um ‘sine qua non’, fez uma pausa, sorriu e comentou: ‘Vocês gostaram do sine qua non.’ Ele já fez essa brincadeira antes. Diverte-o imaginar que os seus interlocutores registrem que, apesar de sua baixa escolaridade formal, sabe falar difícil.


P.S. Dos principais jornais, fizeram perguntas ao presidente repórteres do Globo, Folha, Valor e Jornal do Brasil. Por que o Estado ficou de fora?


Correção acrescentada às 19h18 de 15/5: o Estado não ficou de fora. A repórter Tania Monteiro, da sucursal de Brasília do jornal, participou da entrevista, com uma pergunta sobre eventual aproximação entre PT e PSDB. Desculpas aos leitores e à jornalista.


***


Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/05/2007 Marco Costa Costa

    Caro rapas, quando um político do calibre do ex-comunista diz que é contra o aborto, traduzindo para a língua portuguesa esta dizem sim. Elle como presidente da República, que teoricamente governa para todos, digo só para os ricos, diz aquilo que a platéia gosta de ouvir, e não aquilo que elle pensa e gostaria de falar. Uma hipótese que elle fale, a galera vai desabar o teatro de tanto vaiar. Rapas acorde, ninguém mata ninguém porque sente prazer para tal ato, principalmente uma mãe, o aborto é um mal necessário. Crime são as 10 milhões de crianças que perambulam pôr este país afora esmolando e se prostituindo. Crime são as milhares de crianças que falecem de inanição. Quer mais?

  2. Comentou em 16/05/2007 Eduardo Silva

    Rapaz, o nosso problema de educação é grave. É gravíssimo, eu diria. Interpretação de texto, então, pra quê…
    Onde foi que Lula foi comunista?? Hahahahahahahahahahaha.
    Onde foi que Lula defendeu a morte de crianças no ventre??Hahahahahahahahahahahahaha.
    O Presidente, como qualquer pessoa de bom senso, acha que o problema do aborto deve ser um problema de saúde pública, ou, quem sabe, de religião, de fé. Ele é contra o ato, como muitos de nós. Agora, manter criminalizado o ato, é de uma irrealidade atroz. Se a Igreja acha que o fiel deve ser contra, e não realizar tal ato, porque acredita que isso só é possível se for criminalizado?? A convicção, a fé, não bastam????
    Eu gostaria de saber das milhares de pessoas que morrem FORA do ventre de suas mães, crianças, jovens, adultos e idosos, vítimas de armas de fogo, geralmente, na sua maioria esmagadora fabricadas no Brasil(o maior número de mortes é causada por armas/revólveres calibre 38 ou 22), e que a Igreja Católica, através de seus líderes não excomungam aqueles que votaram contra a proibição das aramas no país. São esses mortos menos importantes que os outros, ainda não nascidos? E aqueles que matam e morrem por causa das bebidas alcólicas? Porque não se proíbe também, OU SE CRIMINALIZAM?
    Ah, as hipocrisias, sempre as hipocrisias…

  3. Comentou em 16/05/2007 Marco Costa Costa

    O ilustre Lulla não deu um banho de sabedoria em ninguém. Nesta entrevista coletiva, a qual a imprensa chora e implora para que haja esse tipo de circo mambembe, o que pudemos comprovar é que, temos uma imprensa amadora , a qual faz perguntas como se fosse um jogo de futebol, o jogador medíocre dá um passe de bandeja para o artilheiro só empurrar para o gol. O ilustre Lulla, durante o decorrer de sua vida, sempre trabalhou com a palavra, tendo como coadjuvante o microfone, como é de seu mister, usou a imprensa como caixa de ressonância, para repercutir suas palavras e frases de efeito. Tudo que lhe foi perguntado qualquer cidadão com muito ou pouco intelecto já sabe do que ocorre na política brasileira, na realidade esses eventos servem para dar visibilidade para o Lulla, como também para satisfazer o instinto de sobrevivência da manhosa imprensa. Quem sabe na próxima entrevista, a imprensa vai calçada e reverte o placar do jogo, ao invés de dar um banho, de um chocolate no presidente.

  4. Comentou em 16/05/2007 David Almeida Almeida

    Bravo! Presidente. Só não gostei, porque sou estudante de J O R N A L I S M O. Aí eu pergunto: O banho, foi numa banheira com direito, a fragências, pétalas de rosas vermelhas, hidromassagem…Ou debaixo de uma torneira, emplena seca, do sertão nordestino sob um apagão?

  5. Comentou em 16/05/2007 Sidnei Brito

    Sinceramente não sei por que os jornalistas tanto exigem as tais entrevistas coletivas, pois sempre, não importa em que tipo de entrevista, o presidente lhes dá um show e eles saem quietinhos. Ademais, como bem lembrou minha esposa hoje pela manhã, se o presidente Lula fala tão pouco assim com a imprensa, de onde será que se tiram essas idéias de que ele fala muita besteira, fala tudo errado etc.? A imprensa deveria é querer que o presidente não lhes falasse mesmo, pois assim eles teriam mais assunto para ficar especulando. E agora, o que vão dizer para seus leitores que – em muitos casos – adorariam ver o presidente massacrado pelos jornalistas dos órgãos que acompanham?

  6. Comentou em 16/05/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Há um ditado segundo o qual ‘em terra de cego quem tem um olho é rei’. Mas também há uma fábula segundo a qual ‘ em terra de cego, quem admitiu ver teve seus olhos arrancados porque ver era ilegal e absolutamente anti-natural.’ No primeiro mandato, Lula afastou-se da imprensa para não comprometer sua reeleição. Reeleito, aproxima-se da imprensa demonstrando uma tranquilidade imensa porque supostamente não quer um terceiro mandato. Fernando Henrique disse várias vezes que não queria um segundo mandato e que a CF/88 proibia a reeleição. Contudo, sabemos que ele trabalhou para mudar a constituição, se candidatou e acabou reeleito. Lula pode acabar fazendo o mesmo! Não porque quer um terceiro mandato, mas porque ‘forças ocultas’ o colocarão na condição de candidato contra sua vontade. Veremos…

  7. Comentou em 15/05/2007 Caetano Greco Junior

    Jornalista Luis Weis. E o Governador José Serra, quantas entrevistas coletivas deu? E como Prefeito? Se as respostas forem ‘NENHUMA’ e ‘NENHUMA’, não precisa responder. Aliás o dito cujo tem o jornalismo de convencimento para (des)informar o eleitor-cidadão.

  8. Comentou em 15/05/2007 Dante Caleffi

    Ausência do’ Estadão’, pode ser interpretada, como desinteresse ,em promover ,Lula, sua figura ,seu governo e seu momento político. As outras ‘famílias’, do jornalismo, bem que gostariam de não comparecerem.Porém, um boicote, apenas confirmaria o que se diz e não se comprova:postura conspiradora e golpista. Sobre o PAC, nenhuma pergunta.Parece orquestração…

  9. Comentou em 15/05/2007 Marco Costa Costa

    Fazemos de conta que acreditamos que as perguntas foram aleatórias, não existia um documento elaborado com as perguntas já preparadas pêlos assessores do ‘rei’ dos pobres e miseráveis. Essa postura de fazer uma coletiva com a pidona da imprensa, é dar bala ao moleque para que ele não jogue pedra na janela da minha casa, bem como mostrar que estamos em pleno sistema democrata. Perguntas polemicas, o aborto de fato é uma situação de saúde pública, aquela que esta necessitando fazer um mal necessário precisa um apoio do Estado. Quanto ao terceiro mandato, na medida que o político fala não, traduzindo na nossa língua, esta dizendo sim, é aguardar, é uma questão de tempo. No quesito sucessão, o ex-comunista, com certeza, se não for o próprio, ira apoiar um candidato do PT. O resto é história para nené dormir com os anjinhos.

  10. Comentou em 15/05/2007 Fábio José de Mello

    Exigem que o presidente dê uma coletiva. Quando isso acontece, as emissoras de TV abertas não trasmitem ao vivo o encontro com os jornalistas.

  11. Comentou em 15/05/2007 ubirajara sousa

    Gostaria de ver, um dia, um texto semelhante, escrito pelo senhor Dines. Mas, acho difícil. Senhor Weis, o senhor está voltando a exercitar a verdadeira função para qual o OI foi criado. Parabéns.

  12. Comentou em 15/05/2007 Marnei Fernando

    Tá tudo muito bem… tá tudo muito bom… mas essa conversa mole do Lula (enquanto presidente e tal) ser favorável ao assassinao de crianças no ventre das suas mães tá muito ruim… Coisa triste ouvir isto dele… Se ele tivesse dito isto antes da eleição com todas essas letras que disse hoje… O meu voto e de milhares de pessoas de bom senso, ele não teria… Me sinto traído… Espero uma retratação dele ou no mínimo uma reparação pelo que disse…

  13. Comentou em 15/05/2007 Leandro Fortes

    Meu caro, o Estadão não ficou de fora. A repórter Tânia Monteiro, da sucursal de O Estado de S.Paulo em Brasília, fez a penúltima pergunta.
    abs

  14. Comentou em 15/05/2007 Giovanni Moscato Júnior

    Luiz, com o devido respeito, com exceção dos bons (e conhecidos) nomes do jornalismo brasileiro, dar ‘um banho’, principalmente nesse pessoal formado a pouco tempo, é tarefa das mais fáceis.

  15. Comentou em 15/05/2007 Clerton de Castro e Silva

    O Presidente sempre foi bem tratado pela imprensa, pois ele tem carisma. Os problemas sempre ocorreram com a turma que cerca o Lula. O PT adora dar tiro no pé.

  16. Comentou em 15/05/2007 Pedro Leite

    Caros, o Estado foi contemplado sim. Quem fez a pergunta foi a repórter Tânia Monteiro, setorista do jornal no Palácio do Planalto há muitos anos.

  17. Comentou em 15/05/2007 Leonencio Nossa

    Meu caro, o Estado foi representado pela repórter Tânia Monteiro, setorista do jornal no Palácio do Planalto. Como forma de contribuir para o debate, gostaria de destacar que a repórter perguntou sobre a aproximação do PT com o PSDB e um provável apoio do presidente ao governador Aécio Neves em 2010. Ela também quis saber se esse apoio pode permitir a ele, Lula, voltar em 2014. Um abraço,

  18. Comentou em 15/05/2007 Marco Tognollo

    1. É engraçada a posiçao da imprensa e de alguns jornalistas. Querem por que querem entrevistas e mais entrevistas coletivas iguais a de hoje. E para que? Perguntar pela quinquagesima oitava vez sobre o ‘terceiro mandato’. Ouviram pela quinquagesima oitava vez a mesma resposta. Depois ficam reclamando……
    2. Talvez o Estadão foi deixado de fora para evitar aquelas reportagens do tipo ‘em entrevista ao ESTADO e a outros veiculos de comunicacao, o Presidente Lula (ou Bush, ou Sicrano ou Pixoxó, )…’ O OESP vai lá, faz uma mísera perguntinha e diz que foi entrevista concedida a ele…Falando sério, deve ter sido sorteio mesmo. Talvez a informação dos jornais possa estar equivocada, não? Ora, isso até pode render textos de Mauro Chaves, Mellao, Jarbas Passarinho (vira e mexe ele defende o AI-5 no OESP) dizendo que o ‘Governo Lula pretende calar o Estadão’ ou ‘mais uma prova do autoritarismo do PT’.

  19. Comentou em 15/05/2007 Fernando Maciel

    Olha Luiz… a imprensa sempre reclamou que o presidente não concedia entrevista coletiva como este de hoje. Deveriam agradecê-lo, pois se tivesse uma dessa por semana seria um banho nos jornalistas opositores de plantão a cada vez, até que ficassem sem estoque mais de perguntas ‘pertinentes’ para fazer.

  20. Comentou em 15/05/2007 Marco Costa Costa

    Fazemos de conta que acreditamos que as perguntas foram aleatórias, não existia um documento elaborado com as perguntas já preparadas pêlos assessores do ‘rei’ dos pobres e miseráveis. Essa postura de fazer uma coletiva com a pidona da imprensa, é dar bala ao moleque para que ele não jogue pedra na janela da minha casa, bem como mostrar que estamos em pleno sistema democrata. Perguntas polemicas, o aborto de fato é uma situação de saúde pública, aquela que esta necessitando fazer um mal necessário precisa um apoio do Estado. Quanto ao terceiro mandato, na medida que o político fala não, traduzindo na nossa língua, esta dizendo sim, é aguardar, é uma questão de tempo. No quesito sucessão, o ex-comunista, com certeza, se não for o próprio, ira apoiar um candidato do PT. O resto é história para nené dormir com os anjinhos.

  21. Comentou em 15/05/2007 Adir Tavares

    O Estado ficou de fora porque não foi sorteado, imagino!!!

  22. Comentou em 15/05/2007 Matheus Reino

    É engraçado a maneira como alguns jornalistas falam sobre as entrevistas do presidente Lula. Vivem reclamando que ele não concede muitas entrevistas, que Fernando Henrique era mais aberto à imprensa e talz, Quando há essas entrevistas eles tomam um banho de Lula. Uma enxurrada para os jornalistas que estavam presentes e um forte respingo para os que assistiram de longe.

  23. Comentou em 15/05/2007 Severino Goes

    O Estadão ficou de fora, Weis, porque foi feito um sorteio prévio e, lógico, o jornalão não foi contemplado.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem