Segunda-feira, 21 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
Menu

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

Laptops sob suspeita

Por Carlos Castilho em 04/08/2008 | comentários

Enquanto a imprensa faz um grande barulho com a resistência do governo chinês em eliminar restrições ao uso da internet, nos Estados Unidos, entrou em vigor uma norma que não fica nada a dever em matéria de atropelos aos direitos individuais.


 


A partir de agora computadores portáteis, pen drives, MP3 e MPEG players, telefones celulares,  iPods, discos duros portáteis, CDs, DVDs, fitas cassetes e cartões de memória podem ser capturados nas alfândegas norte-americanas se algum funcionário suspeitar que possam conter dados e informações consideradas ameaçadoras à segurança nacional.


 


As novas normas baixadas pelo Departamento de Segurança Interna (Departament of Homeland Security) prevêem que equipamento sob suspeita pode ser retido e seu conteúdo pode ser copiado para distribuição entre órgãos governamentais e privados que trabalham com informações consideradas estratégicas.


 


A medida alcança visitantes estrangeiros e cidadãos norte-americanos regressando a seu país, o que seguramente vai provocar muita preocupação entre os viajantes, principalmente os homens de negócio que usam seus computadores portáteis como um equipamento obrigatório.


 


Caso algum deles tenha seu computador retido na alfândega todos os seus compromissos corporativos podem ser ameaçados, porque o prazo para devolução pode chegar a 25 dias. Quem faz escalas num aeroporto pode enfrentar uma dor de cabeça ainda maior.


 


O ponto mais criticado pela imprensa norte-americana nas novas regras é o poder dado aos funcionários da imigração para decidir, por conta própria, como agir baseando-se em avaliações subjetivas do grau de suspeição. Como raramente os funcionários da imigração são desautorizados por seus superiores, eles passaram a ter poderes absolutos em relação ao ingresso de equipamentos eletrônicos com memória.


 


A paranóia com a segurança nacional ainda continua em alta nos Estados Unidos, passados sete anos dos ataques terroristas contra as torres gêmeas em Nova York. Para evitar problemas, várias empresas estão recomendando a funcionários que não levem laptops ou equipamentos com capacidade de memória ao ingressar em território norte-americano. A opção seria alugar computadores e transferir dados via internet.


 

A mesma recomendação pode ser dada a jornalistas que não viajam sem o seu laptop.

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/08/2008 Thiago Vieira

    Sinceramente, Orson Welles é ficha pequena. Tenho 21 anos e joguei o RPG Paranóia quando jovem. E lembro de, no jogo, ocorrerem situações muito parecidas com a que estamos vendo nestes tempos.
    E eu que achava que aquilo tudo era fantasia…

  2. Comentou em 07/08/2008 Sérgio Santos

    É a ‘maior democracia do mundo’ mostrando seus valores.

  3. Comentou em 07/08/2008 Ivan Moraes

    Falando em ataque de cricris neocons, Castilho, aqui esta mua prova engracadissima: http://egan.blogs.nytimes.com/2008/08/06/nanny-nation/index.html (‘Nacao-Babá’)

  4. Comentou em 07/08/2008 Jorge Cortás Sader Filho

    Os norte-americanos são maníacos em matéria de segurança interna do país, talvez pelo ataque de Pearl Harbor. Com a destruição em plena New York, a coisa piorou, e não podemos censurar. A audácia foi grande demais. Já imaginaram um doido quaquer destruir a Candelária, ou o edifício Avenida Central? Dá medo mesmo! O que não se justifica são os exageros. Ao que tudo indica, fuzilaram um brasileiro que apenas transportava pouca quantidade, para uso próprio, de maconha. Se esta regra é válida para todos, a Universidade de New York deve ser bombardeada! É o velho estilo de J.E.Hoover, diretor do FBI por anos…

  5. Comentou em 07/08/2008 Bruno Marchetto

    Deixando de lado os evitentes abusos de autoridade e a violação de direitos individuais que tal nova norma possibilita, gostaria de saber qual seria a efetividade de tal medida frente ao objetivo a que – segundo propalam seus criadores e defensores -esta se destina: controlar o fluxo de informações que sejam potencialmente ameaçadoras a segurança nacional. Em minha opinião, a resposta para a questão seria ‘efetividade nula’. Em um ambiente de alta integração dos meios de comunicação mundiais, no qual diversas medidas de restrição ao fluxo de dados e informações geraram, na verdade, incentivos a inovações que contornassem tais regulamentos, não se pode esperar que normas como a exposta no artigo de Castilho tenham os efeitos esperados, a não ser o de, como afirmado início, fazer com que os direitos do indivíduo – o de ir e vir; o de exercer sua profissão com a garantia de que os instrumentos para isso necessários não lhe serão tomados ou danificados – sejam cada vez mais violados. Combater movimentos terroristas deve ser, sim, um objetivo de todos os Estados comprometidos com os próprios Direitos Humanos. O que não pode ocorrer é que, na busca por esse objetivo, se passe por cima dos próprios direitos que se busca defender; seria contraproducente.

  6. Comentou em 05/08/2008 Ivan Moraes

    ‘O Grande Ataque Dos Cricris Neocons’… filminho chato. Considere o como heranca de Louisiana ao mundo… a norma que permite essa desapropriacao eh copiada diretamente de Louisiana, onde equipamentos, eletronicos, e casas tambem podiam ser confiscados sem mais explicacao pela policia. Quando dava tempo, somente ’60 Minutes’ teve coragem de fazer uma investigacao e expor a pratica ao pais inteiro.

  7. Comentou em 04/08/2008 Marcos Fagundes

    No Brasil existe o patrulhamento ideológico da direita neoliberal…..

  8. Comentou em 04/08/2008 vinicius dias

    Pois ainda dizem que no brasil existe um estado policial..

  9. Comentou em 04/08/2008 Ivo A. Auerbach

    A tese de que a vida imita a arte ou a ficção, é mais verossímil do que a nossa vã filosofia pode supor. Iniciamos com: “O Grande Irmão” – mais conhecido atualmente como “Big Brother”- romance de Orson Wells, onde tudo será vigiado e a privacidade será banida de vez da sociedade. A seguir tivemos a notícia de que o Google teria que entregar os registros históricos dos vídeos do YouTube, inclusive nomes de usuários e endereços de IP de cada um. Agora tem este imbróglio dos laptops, que se acatada pela justiça, abrirá um precedente perigoso para que as privacidades dos usuários da internet desapareçam de vez! Daí para um estado totalitário, imaginado por George Orwell com o seu “1984”, será um pulo.

  10. Comentou em 04/08/2008 ubirajara sousa

    Ainda não vi a grande imprensa malhando os EUA a respeito do assunto. Mas, como malhar o nosso padrão de democracia? Grande Imprensa, argh!

  11. Comentou em 04/08/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Há exatamente uma semana estou tirando o maior sarro da cara dos norte-americanos numa comunidade do Multiply por causa desta história. Eles não se conformam. Estão putos da vida com a administração Bush, e muito mais putos porque tem que aguentar minhas provocações. Quando lhes digo que agora os EUA garante a propriedade privada, mas os computadores deles pertencem à polícia eles resmungam um montão. Quando afirmo que eles estão vivendo numa nova CCCP e que Stalin, Béria e Molotov dariam boas gargalhadas se vissem o que está ocorrendo nos EUA eles ficam furiosos… Tudo bem pesado o Bush está se transformando num grande alidado. Deste jeito o turismo nos EUA declina e o do Brasil vai aumentar.

  12. Comentou em 04/08/2008 Ronaldo Santana

    Quantas pessoas já viveram a seguinte situação, ou conhecem alguém que viveu: estar nas filas de imigração e constatar abusos e desrespeitos contra visitantes. Acontece muito. Vai desde uma cara emburrada do oficial que faz sua entrada no país até comentários indecentes como: ‘Brasileiro de m…’. Pior quando negam a entrada sem direito a uma explicação dos motivos ou dar chance para que se explique. E cada vez mais dão poder aos oficiais de imigração, que podem rebaixar e humilhar turistas utilizando os diversos instrumentos legais abusivos. Imagina agora que você pode até ter instrumentos de diversão ou até trabalho surrupiados pelo governo. Frente a estes abusos, se você não tem pai Embaixador, terá que ficar quietinho na sua senão pode amargar perdas enormes: perder reservas em hotéis, perder as passagens (e ter que enfrentar algumas horas de vôo de volta, sem tomar banho ou se alimentar direito). E ainda: transformar as férias num motivo de más lembranças. Para isto, existe um termo que descreve a demonstração de poder: playing God – é ele que decide, sem precisar dar satisfação, de acordo com suas convicções e vontades. Ao ‘julgado’ cabe fazer papel de bom moço para eliciar a misericórdia e massagear o ego do oficial. Triste.

  13. Comentou em 04/08/2008 Ziclaudio Costa

    … e nós, como ficamos. Haja paranóia!
    Aliás, o tratamento da notícia em nossa imprensa tão ´imparcial´ foi risível.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem