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Domingo, 19 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Lei Ricupero às avessas reaparece no noticiário sobre queda da miséria

Por Alceu Nader em 29/11/2005 | comentários

O que é bom, se esconde; o que é ruim, se amplifica. Se o que for bom viver acompanhado de números, continua-se escondendo. Sempre haverá como produzir uma versão da realidade.

Desde a omissão aos elogios da revista The Economist ao Programa Bolsa-Família, os jornalões – com a honrosa exceção do O Globo – não aplicavam tão abertamente o avesso da lei Ricupero.

A prestidigitação, sempre vergonhosa, repete-se hoje na primeiras páginas da maioria dos jornais brasileiros, de onde também saem os despachos que alimentam dezenas de pequenos e médios jornais de outras cidades e capitais, sem contar suas ramificações no rádio, na tevê e na internet. Desta vez, o fato a ser escondido é a radiografia da miséria nacional apresentada ontem pela FGV (Fundação Getúlio Vargas).

Os números são do ano passado – e talvez por aí se encontre as razões que expliquem a motivação para a manobra.

O Jornal do Brasil e a Folha de S.Paulo ignoram olimpicamente na primeira página que a Fundação Getúlio Vargas divulgou ontem estudo que aponta queda no exército de brasileiros que vivem na miséria. Já O Estado de S.Paulo não esconde – pelo contrário, joga no alto da primeira o título ‘2,6 milhões de brasileiros saem da miséria’. Mas, na legenda da segunda foto mais importante da capa, recorre ao engodo:

Na mesma’, diz, em assim mesmo, em negrito. ‘O carroceiro William Barbosa dos Reis não notou mudança e diz que ‘a vida era melhor’’.

Um primor de prestidigitação.

O Globo também traz o assunto na primeira página: ‘FGV: queda da desigualdade reduziu miséria’, registra a submanchete, sem truques.

Na leitura comparativa, outras diferenças gritantes começam a saltar – a começar pelo número real apontado pela FGV:

‘Uma quantidade de brasileiros comparável ao total de habitantes dos estados de Alagoas ou Espírito Santo — nada menos que 3,180 milhões de pessoas — superou a linha da miséria no ano passado’, diz O Globo.

‘A miséria caiu 8% em 2004 no País, uma redução de 2,6 milhões no número de pessoas nessa situação’, contradiz o Estado, com um abatimento de 500 mil pessoas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2005 Richard Liebscher

    Se ocorrer no Brasil os fatos ocorridos na França, entraremos em guerra civil. Se lá, com território ínfimo comparado ao Brasil, foi difícil resolver, aqui será quase impossível. O saldo final será catastrófico.
    A Imprensa terá uma parcela significativa de culpa e, no final, estará destruída.

  2. Comentou em 30/11/2005 Richard Teixeira LIEBSCHER

    O Povo brasileiro precisa aprender a exigir decência da elite brasileira.
    A elite precisa aprender a valorizar o lucro vendendo verdade.

  3. Comentou em 30/11/2005 Ary Carlos Moura Cardoso

    Permita-me dizer algo com alguns fragmentos de um poema escrito faz um tempinho.

    Atrás do que existe por detrás das coisas,
    o que de fato pode haver?

    O Sol nada revela,
    As Estrelas são ilusões débeis
    e o Mar, bem o Mar,
    simplesmente um complexo jogo de mares.

    Quantos enganos nas razões oficiais!

    Atrás do que existe por detrás das coisas,
    o que de fato pode haver?

  4. Comentou em 30/11/2005 Jose Ronaldo Gonçalves

    Sr. Alceu:
    Até aqui nada de novo no front. Alvissareiro é o fato de que se começa a perceber e contestar. Isso é bom. É um bom começo. Acho, entretanto, que será preciso um mártir para que isto venha à ser divulgado mais amplamente. Afinal os grandes jornais são também grandes empresas e notícia é apenas um dos produtos…
    Há pouco tempo assisti num programa de TV ao relato sobre um jornalista. Um jornalista que, diga-se de passagem, comporta-se como uma espécie de ‘ Arauto do Apocalipse ‘ tal a sua veemencia e virulencia com que informa(???). Pois bem, num programa semanal destes ele noticiou a prisão e encarceramento de dois supostos estupradores de crianças. Bem ao seu estilo, caprichou… Bem os caras foram inocentados posteriormente. Antes comeram o pão que asmodeu, belzebu,lúcifer, astaroth,etc… a turma toda, amassou. Comeram não traduz bem. Antes pelo contrário.
    Eu que leio até papel higiênico e assisto quase tudo que se noticia na TV, não percebi nenhuma manifestação. Nenhum desagravo. Nada.
    Tá certo. Quem prende é a Policia. Quem condena é a Justiça.
    Mas pergunto se a Imprensa deve julgar.
    Mondo Cane esse nosso.
    O que ajuda é que gente como você tá de olho.
    siga firme.
    Saudações.

  5. Comentou em 29/11/2005 ibrium

    Cuidado mídia insana.
    Vejam a França.
    Procurem os fatos e somente os descrevam.
    Abstenham-se de acusar (somente os da lei o podem fazer) e ignorar (somente os tolos o fazem).

  6. Comentou em 29/11/2005 Paulo Cesar Santos

    Quando em 2004 ,o Presidente Lula em seus dircursos transmitia para nós brasileiros, um grau de otimismo elevado relativamente àquele ano,- dizendo que seria ‘um ano Espetacular’ para o Brasil -, a imprensa com sua ‘autoridade’ e ‘infalibilidade’ dizia o contrário, fazendo desdém do Presidente. Agora com a divulgação dos resultados da pesquisa efetuada pela Fundação Getúlio Vargas FGV, de credibilidade incontestável, viu-se que o Presidente tinha razão. A imprensa mais uma vez omissa e com meias palavras, não dá importância para resultados tão expressivos e de grande relevância para o povo Brasileiro.
    A renda do povo Brasileiro aumentou, os desiguais diminuiram e conseqüentemente menos pessoas estão na linha de miséria neste País.
    Acreditei na época e continuo acreditando que o Presidente Lula irá colocar nosso país nos eixos, tando no aspecto ecônomico como no social.
    Parabéns ao Presidente Lula e sua equipe de colaboradores, que tando o tem ajudado.
    Pesames a essa Imprensa retrógada que deixa seus leitores tão carentes de informações pelo prazer ser tendenciosa.
    Ainda bem que em 2006 iremos reeleger LULA e assim ele poderá dar continuidade ao projeto de inclusão social, beneficiando grande parte da população , fazendo-as mais iguais.

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