Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Leiam as cartas dos leitores

Por Luiz Weis em 18/01/2007 | comentários

Ir a fundo nas causas do desmoronamento da obra do metrô em Pinheiros é um desafio e tanto para a imprensa, porque é íngreme para os leigos o terreno técnico em que o problema se assenta.

Os jornais até que se esforçam, garimpando declarações de especialistas que se mantêm no anonimato sobre o que foi feito (ou deixou de ser feito)para prevenir (ou provocar) a tragédia.

Esse trabalho complementa a publicação de revelações importantes sobre a conduta do consórcio das maiores empreiteiras do país responsável pela construção da Linha Amarela do metrô paulistano.

Por exemplo, a informação de que na véspera do desabamento já haviam sido constatados indícios de problemas sérios no local (Estado) e a de que os responsáveis diretos pela obra destruída tiveram pelo menos 10 minutos para avisar a vizinha do que estava para acontecer e nada fizeram (Folha). Poderiam no mínimo ter parado o trânsito na Rua Capri, o que salvaria as vidas do motorista, cobrador e dos quatro passageiros da van que acabou tragada pelo buracão.

Mas os jornalistas envolvidos na cobertura parecem que não lêem os próprios jornais – ou melhor, as cartas dos leitores. Todos os dias sai correspondência de técnicos do setor apontando questões que merecem ser abordadas pela mídia, naturalmente, com os devidos cuidados, para não vender gato por lebre ao público.

Uma dessas mensagens mais promissoras está no Estado de hoje. É assinada por Hoover Américo Sampaio, de São Paulo. Começa dizendo:

‘Sou arquiteto, e não engenheiro de estruturas, mas, nos 15 anos em que fui membro do Crea, tive a oportunidade de assistir a muitas conversas sobre desabamentos em que a entidade era chamada a opinar. E um dos fatos observados pelos especialistas era que, em geral, os ferros da estrutura que desabara estavam lisos, limpos, sem nenhuma aderência de concreto neles, o que era demonstração de má dosagem de cimento no concreto.’

Hoover é o que se chama de leitor atento. Vejam só como continua a sua carta:

‘Se observarmos a grande foto na primeira página do caderno Metrópole de ontem, notaremos que, bem acima dos bombeiros que retiram uma vítima, temos uma malha de ferro da laje quebrada e, no canto direito, embaixo, vários ferros que parecem ser de um pilar que estão, tanto a malha como estes, limpinhos.’

E ele termina:

‘Vai aqui uma modesta contribuição de leitor para os órgãos encarregados das perícias. Tanho certeza de que eles já sabem disso, mas não custa mostrar aos outros.’

E não custa apurar – ou, se custa, vale a pena – se o homem diz coisa com coisa. Em caso positivo, é questão de saber o porquê da ‘má dosagem de cimento no concreto’. Incompetência? Economia?

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/01/2007 Marco Costa Costa

    Faltou de tudo neste episódio macabro envolvendo a linha 4 do metrô. Contrato feito nebulosamente, Estado e Município omissos quanto a fiscalização da grande obra, engenheiros formados nas faculdades de ponta de esquina, sistema de geologia falho, não observação adequada das normas de segurança, o projeto não foi acompanhado como deveria ser, as empresas do ‘CONSORCIO’ economizaram nos materiais empregados na referida obra e falta de vergonha na cara de todos aqueles que diretamente ou diretamente estão trabalhando naquele imenso buraco. Com certeza absoluta, o porteiro da obra vai para a cadeia como único culpado pelo terrível acidente e, os bom da boca vão deglutir uma boa rodada de pizza na pisaria mais elegante da cidade. Quem viver verá?

  2. Comentou em 19/01/2007 Ivan Moraes

    ‘E imagina se a obra ruísse só bem depois, com o metrô já funcionando…’: eu topo, entao, Daniel: quem esta checando a espessura das paredes do resto da construcao? Especificamente quais sao os nomes das pessoas que serao responsaveis pela checagem do resto do metro, so em caso de outro acidente acontecer? Fabio: ‘investigação detalhada das causas do acidente será feita pelo Poder Judiciário sob o crivo do contraditório e acarretará a condenação dos culpados’: so advogados falam ou acreditam nisso. (sua revista eh um barato)

  3. Comentou em 19/01/2007 Max Morel

    Qualquer conclusão sobre a(s) causa(s) do acidente com o trecho da Linha Amarela do Metro SP é precipitada e leviana.
    Há que se esperar pelas perícias que serão efetuadas pelos órgãos competentes.
    Algumas pessoas (jornalistas, leigos e experts anônimos) estão se pronunciando com muita afoiteza, que denotam inaptidão e/ou ineptidão ou simplesmente má fé e interesses políticos.
    Erro(s) de Engenharia, no sentido mais amplo da palavra, houve sem dúvida. (não tivemos terremotos; nenhum ser extraterrestre apareceu das profundezas etc.); contudo, a lógica, o bom senso, o amor à verdade, a honestidade de propósitos, tudo isto, nos leva a esperar o final da apuração das causas do acidente, que aliás só começará agora, após a devida remoção das vítimas.
    Leviana e lamentável a atitude daqueles que advogam, por interesses políticos subalternos, a paralização total das obras. Certa esta a decisão de apenas paralizar as obras do trecho afetado, dando sequência serviços dos demais trechos, onde trabalham mais de 3.200 trabalhadores.

  4. Comentou em 19/01/2007 Ruy Acquaviva

    Não ví nenhum jornalista comentando sobre o possível perigo que os moradores e transeuntes das proximidades das outras obras do metrô, principalmente aquelas elaboradas pelo mesmo consórcio da obra desabada… Por que?

  5. Comentou em 19/01/2007 José Carlos da Silva

    Nao sei se só acontece comigo, mas estou discrente de tudo. Já li, ouvi e vi tantas coisas nessa vida que nao espero mais nada. Mesmo que o ministério publico, imprensa ou organizações apure os fatos, será que serão punidos? Quando chegar a hora o coorporativismo imperara. Como sempre acontece a hora que o fato esfriar, todos mudarão de assunto e somente os envolvidos terão que lutar, e divididos se enfraquecerão. Para empresarios, engenheiros, jornalistas, advogados, medicos, policiais, deputados, senadores, prefeitos, governadores etc.. agirem com tanta displicência ao meu ver só tem um motivo: IMPUNIDADE.

  6. Comentou em 19/01/2007 Luiz Roberto Portela

    Verbo Solto, pero no mucho. O espaco do OI é necessário, nao só para observar a imprensa – ou, da forma que muitos fazemos, significa “mandar bala” na imprensa – mas também para refletir procesos atuais e novas posibilidades. Como estamos em um espaco para comentar o comportamento da imprensa, a reflexao que proponho é: como os observadores da imprensa podem ser imparciais e independentes se, se veem na situacao de sinuca de bico onde, para mencionar o desastre na obra do Metro, devem utlizar a palabra “Consórcio” em substituicao (entre outras) à Odebrecht, a mesma que patrocina o site do OI? Quem dos observadores vai ser louco de comecar a questionar a responsabilidade da Odebrecht no desastre? Peguntar se economizaram no cimento? Aliás, que imprensa vai fazer isso? Os bois têm nomes. Até agora o único artigo publicado no site mencionando o envolvimento da Odebrecht, foi do Elio Gaspari. É, eu nao tenho resposta. Por isso que escrevi uma proposta para reflexao.

  7. Comentou em 19/01/2007 Daniel Campos

    Tenho algo à acrescentar nas observações de Hoover. Notei nas imagens que a face de concreto do poço, destinada à segurar a terra fora do mesmo, era fina demais. Ainda mais considerando-se que os engenheiros do mesmo deviam saber com que tipo de terreno que estavam lidando. Aquela parede do poço era tão fina que se o terreno ao redor resolvesse fazer um pouco mais de pressão iria arrebentar mesmo, como aconteceu. E mais, o modo como uma parte desabou (e foi filmado pelas TVs) indica um concreto de má qualidade, que se esfarelou facilmente enquanto desabava. Tudo indica para qualquer um que saiba um pouco de engenharia que houve um erro grave no dimensionamento da face de concreto do poço, e se foi um erro intencional (exigência da direção para economizar) então temos um crime aqui. E imagina se a obra ruísse só bem depois, com o metrô já funcionando…

  8. Comentou em 19/01/2007 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Suas observações são excepcionais. A transcrição da carta do leitor também. Como advogado, gostaria apenas de fazer algumas observações. A investigação detalhada das causas do acidente será feita pelo Poder Judiciário sob o crivo do contraditório e acarretará a condenação dos culpados (se houver culpa, é claro). A função da mídia é divulgar os fatos relevantes acerca do acidente. Em se tratanto de uma obra pública ou em que o interesse público é manifesto, se cumprir bem sua missão a mídia dará à sociedade (e eventualmente ao próprio Poder Judiciário) condições para evitar a politização do julgamento. Já estamos cansados de ver nossos políticos colocarem ‘panos quentes’ nas cagadas dos amigos e tentar fazer cumprir a Lei apenas quando os inimigos são implicados.

  9. Comentou em 19/01/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    Concordo plenamente com o Sr. Rui e a Sra. Mariza que comentaram abaixo. É isso o que queremos: a energia da indignação em nossa sociedade, frente aos descalabros governamentais, disseminada na mídia. Para todos os responsáveis! Embora eu veja problemas aos montes espalhados por aí, e sendo um cidadão crítico e analítico, não dá para subir num banquinho em praça público e, aos berros, expor minha insatisfação. Há outros meios e fóruns para isso. Mas a mídia pode. E consegue, se quiser. Por isso, não aceitamos uma carga aliviada para um determinado político e a batida forte em outro. Porque isso cheira a má-fé. Não me interessa se o sujeito é do P-daqui, ou P-dali, pois a indiganção não tem bandeiras. Portanto, também não me interessa se a obra foi feita com dinheiro privado, ou se o Estado interviu, como deseja, eristicamente, conduzir o debate um certo médico que vem por aqui. Isso pouco importa e a discussão é estéril nesse ponto. Quero saber é quem é o dono da obra que causou prejuizo à população. Se tem dono, que seja punida a sua má gestão. E pronto!
    Não se pode é escolher o partido para bater, por que isso é feio, covarde e imoral.

  10. Comentou em 19/01/2007 Eduardo Guimarães

    Luiz, você termina o texto perguntando se houve ‘incompetência’ ou ‘economia’ no buraco do Alckmin. Eu acrescento: houve falta de fiscalização também?

  11. Comentou em 19/01/2007 Carlos E Bocchi

    As equipes de busca já localizaram o ex-governador para que ele dê alguma declaração a respeito da tragédia? O homem parecia tão preocupado com o bem estar dos brasileiros durante a campanha eleitoral, agora não põe a cara na TV nem pra manifestar seu pesar às famílias das vítimas… Por onde anda Geraldo Alckmin?

  12. Comentou em 18/01/2007 Ruy Acquaviva

    O Sr. escreveu: ‘Ir a fundo nas causas do desmoronamento da obra do metrô em Pinheiros é um desafio e tanto para a imprensa, porque é íngreme para os leigos o terreno técnico em que o problema se assenta.’.

    Aí eu pergunto, não é também ‘íngreme aos leigos’ o ‘terreno técnico’ em que se assenta as questões da segurança de vôo e as referentes à engenharia aeronáutica? Ou no caso o termo ‘terreno’ não é figura de linguagem e o Sr. quer dizer que só é difícil falar sobre as questões técnicas do que está sobre o sole. Se voar fica fácil.

    Sim, porque os ‘esforçados’ jornalistas que hoje não ‘conseguem’ escrever sobre as questões técnicas da segurança das obras do metrô, não tiveram a mesma dificuldade em relação à segurança do controle de vôo, ainda a pouco tempo atrás.

    O que justifica tão grande diferença de postura??? Seria porque a questão de segurança de vôo serviu para criticar o governo Lula e tal ímpeto crítico não existe em relação ao PSDB, Serra, Alckmin, PFL, Kassab e toda essa turma tão cara aos ‘isentos’ jornalistas da grande imprensa???

  13. Comentou em 18/01/2007 Marilza Rangel de Oliveira Rangel

    É evidente que com relação ao desabamento que ainda está acontecendo na linha do metrô em S. Paulo, que deu fim a vidas (o bem maior de um ser humano), e gerou gravíssimos prejuízos ao moradores dos arredores, tem que haver uma apuração severa dos culpados. As famílias que perderam seus entes queridos; os que ficaram de suas residências e seus pertences, muitas sem documentos etc. Isto é uma situação muito séria! Quem não tem condições, não se estabeleça! O governo de S. Paulo teve medo de ser linchado pelo povo prejudicado, por aquela senhora que perdeu o marido e estava em aparente estado de alucinação, mas que não tinha forças físicas para agredir. Ela só precisava, naquele momento, de atenção, de compreensão e providências. A outra que estava grávida, foi para o hospital, passando mal. E SE ESSAS PESSOAS FOSSEM MEMBROS DAS FAMÍLIAS DOS POLÍTICOS?
    É o povo que elege seus representantes que, na verdade, está elegendo, em maioria, corruptos, desumanos, que depois que assumem o Poder, mautrata seus eleitores e depois do mandato de QUATROS ANOS, SAEM LEVANDO UMA GORDA APOSENTADORIA VITALÍCIA, SEM CONTAR QUE SE DÃO REAJUSTES ABUSIVOS PELAS CALADAS DAS MADRUGADAS ENQUANTO SEUS ELEITORES CONTINUAM EM ESTADO MÍSERO DE VIDA! O voto não deveria ser obrigatório!
    É isto: ‘Verbo Solto’ mesmo!!! Se o ‘Verbo Solto’ continuar, ainda nos resta uma ‘luz ao fundo do túnel’.

  14. Comentou em 18/01/2007 Marilza Rangel de Oliveira Rangel

    A Imprensa tem um dos papeis mais importantes para a solução de todos os problemas de ordem social, política e educacional. Como tudo o que não é penal e Civil,assim também, a saúde etc.,estão incluidos na ‘ordem social’. ENTENDO QUE A IMPRENSA TEM QUE TER SUA LIBERDADE QUE É CONSTITUCIONAL E DEMOCRÁTICA, TEM QUE TRABALHAR COM A SUA INVESTIGAÇÃO SEM NENHUM IMPEDIMENTO PARA TRANSMITIR PARA TODA A SOCIEDADE TODAS AS INFORMAÇÕES OBTIDAS, SEM RESERVAS. A imprensa é muito poderosa e por causa dela muitos problemas já foram resolvidos.
    A imprensa tem mesmo que falar bem alto para todo o mundo ter conhecimento do que acontece no Brasil, não só para os brasileiros trabalhadores e oprimidos pelas pressões políticas. Somos um dos países mais ricos e com a maior parte da população vivendo ABAIXO DA LINHA DA POBREZA (NA MISÉRIA MESMO!). Lembro, ainda que, todo bom profissional é dotado de ética – falo sem medo de errar. Falo de profissional que passaram anos e anos estudando, investindo em conhecimento e capacidade profissional, porque ao contrário disto, CONSIDERA-SE EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO (DE QUAISQUER PROFISSÕES). Médico tem que se diplomado, Advogado, Professor, Contador, enfim, todos os profissionais têm que ser diplomados.
    TODOS OS VERDADEIROS JORNALISTA, AQUELES QUE SÃO CREDENCIADOS, TÊM UM DOS MAIS IMPORTANTES PAPEIS, INTERNACIONALMENTE: INFORMAR À SOCIEDADE!!!

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