Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Leva-e-traz reflete superficialidade da cobertura política

Por Alceu Nader em 11/02/2006 | comentários

Os jornais abriram esta semana que se encerra com o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, deixando de lado a elegância da linguagem sociológica com ataques diretos ao seu sucessor e ao PT. A escalada começou na capa da revista Istoé, começou a render repercussões ainda no final de semana e, na segunda-feira, ganhou o reforço do Roda Viva, na TV Cultura.

No total, foram quase cinco dias de avaliações e palavras duras sobre comportamento moral dos principais adversários. Os jornais, rádios e tevês empenharam-se no leva-e-traz, fazendo a ponte entre FHC e os incomodados, no caso o presidente do PR, Ricardo Berzoini, embora a cobrança por reação tenha acompanhado o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na sua viagem à África, onde, pela enésima vez, ele despistou os repórteres transferindo a cobrança de réplica para o PT.

O leva-e-traz entre acusante e acusados rendeu algo de útil para os leitores?
Possivelmente, não. Além de nova demonstração de que a guerra eleitoral dos próximos meses será sangrenta, quase nada se aproveitou – exceto a exposição dos limites da mediocridade e da hipocrisia a que podem chegar os políticos do Brasil.

Esse saldo poderia ser diferente se, antes de entregar-se de corpo e alma ao leva-e-traz, os meios se perguntassem acerca das razões da perda de elegância de FHC. Se eles fossem mais atilados – e menos mexeriqueiros – teriam deparado com a realidade e com a estratégia adotada pelo PSDB.

A conclusão é elementar: FHC é o tucano com índice mais alto de rejeição no eleitorado, de acordo com as últimas sondagens que apontam a recuperação de Lula. A repulsa do eleitor afasta o ex-presidente de qualquer pretensão nas próximas eleições. Sem nada a perder, coube a ele retomar o ataque contra a recuperação de Lula e o retrocesso dos candidatos tucanos nas pesquisas.

Mas os meios não conseguiram seguir esse raciocínio lógico – nem perguntar ao ex-presidente as razões de sua súbita indignação. O importante foi levar e trazer, sem se perguntar sobre o que continha o pacote.

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