Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Leva-e-traz reflete superficialidade da cobertura política

Por Alceu Nader em 11/02/2006 | comentários

Os jornais abriram esta semana que se encerra com o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, deixando de lado a elegância da linguagem sociológica com ataques diretos ao seu sucessor e ao PT. A escalada começou na capa da revista Istoé, começou a render repercussões ainda no final de semana e, na segunda-feira, ganhou o reforço do Roda Viva, na TV Cultura.

No total, foram quase cinco dias de avaliações e palavras duras sobre comportamento moral dos principais adversários. Os jornais, rádios e tevês empenharam-se no leva-e-traz, fazendo a ponte entre FHC e os incomodados, no caso o presidente do PR, Ricardo Berzoini, embora a cobrança por reação tenha acompanhado o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na sua viagem à África, onde, pela enésima vez, ele despistou os repórteres transferindo a cobrança de réplica para o PT.

O leva-e-traz entre acusante e acusados rendeu algo de útil para os leitores?
Possivelmente, não. Além de nova demonstração de que a guerra eleitoral dos próximos meses será sangrenta, quase nada se aproveitou – exceto a exposição dos limites da mediocridade e da hipocrisia a que podem chegar os políticos do Brasil.

Esse saldo poderia ser diferente se, antes de entregar-se de corpo e alma ao leva-e-traz, os meios se perguntassem acerca das razões da perda de elegância de FHC. Se eles fossem mais atilados – e menos mexeriqueiros – teriam deparado com a realidade e com a estratégia adotada pelo PSDB.

A conclusão é elementar: FHC é o tucano com índice mais alto de rejeição no eleitorado, de acordo com as últimas sondagens que apontam a recuperação de Lula. A repulsa do eleitor afasta o ex-presidente de qualquer pretensão nas próximas eleições. Sem nada a perder, coube a ele retomar o ataque contra a recuperação de Lula e o retrocesso dos candidatos tucanos nas pesquisas.

Mas os meios não conseguiram seguir esse raciocínio lógico – nem perguntar ao ex-presidente as razões de sua súbita indignação. O importante foi levar e trazer, sem se perguntar sobre o que continha o pacote.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/02/2006 Carlos Alberto Gesteira

    Perfeito o Prof. Virgílio Bastos, obrigado pela aula.

  2. Comentou em 14/02/2006 Edson Borges

    A cobertura política no Brasil, há tempos, com raríssimas exceções, está pior do que a própria atuação dos políticos, também com raríssimas exceções!

  3. Comentou em 14/02/2006 Beto Venturini

    A ofensiva de FHC teve respaldo e apoio total da mídia. Quem assistiu ao roda-viva pôde perceber como FH ficou á vontade para falar o que quisesse sem ser questionado duramente. FHC parecia estar num bar com amigos conversando sobre política e não tinha nenhum jornalistas de revistas ou jornais de esquerda para dar uma outra cara para as perguntas. O mesmo comportamento bajulador dos jornalistas tb foi verificado na entrevista de Alckmin e com esse os jornalistas ficaram mais assanhados ainda e só faltou ao final do programa todos darem as mãos e gritar Bravo!! Alckmin presidente já!!

  4. Comentou em 13/02/2006 Odracir Silva

    Acho q o titular do blog deve ser mais centrado. Nao entendo muito bem pq o ex-presidente nao pode criticar a atual gestao. Mas consigo ver q o titular do blog ee leniente em relacao ao atual governo. Alias, nao sei aonde este partidarismo da midia iraa levar, talvez a midia fique (ainda) mais desmoralizada. Veja tambem o estigma q querem imputar aos jornalistas que vao naquele seminario da Opus Dei. Quer dizer, esse maniqueismo q o pessoal da OI fazem ee meio besta, nao? ‘Esquerda’ ee boa, ‘direita’ ee do capeta… Qual ee o problema se uns jornalistas sao ‘catequizados’ pela ordem? No Brasil, para cada ‘Diogo Mainardi’ ou ‘Olavo de Carvalho’, haveraa sempre umas dezenas de jornalistas esquerdistas. E o duro ee q a maioria dos colunistas politicos sao medianos e uma boa parte sao atee mediocres. O titular do blog nao estaa ajudando a aumentar o conceito da midia c/ este tipo de jornalismo.

  5. Comentou em 13/02/2006 Rikene Fontenele

    A cada cinco discursos do Presidente Lula nos palanques espalhados pelo Brasil, pelo menos em quatro, ele ataca o antecessor, o que é sempre ‘noticiado’ pelos jornais e parece não incomodar o signatário do blog. Não seria justo ou equilibrado que esses mesmos jornais ignorassem o que diz o ex-presidente FHC, principal político de um dos principais partidos de oposição.

  6. Comentou em 13/02/2006 Tiago de Jesus

    Parece até que FHC está tentando eleger o Lula. Os próximos escalados para atacar o PT são Darth Vader, Odete Reutmann, Adolf Hitler e, não menos importante, o médico eliminado do Big Brother com 97% dos votos.

  7. Comentou em 13/02/2006 Marconi Brasil

    FHC não sabia… Mas FHC MORREU!!! Alguém avise o sujeito… Alguém avise a ‘Folha’ e que descanse em paz…

  8. Comentou em 12/02/2006 Virgilio Bastos

    Certamente são interessantes as reflexões sobre o papel de leva-e-traz da mídia (sobretudo nestes tempos de blogs com a produção em série de pequenas notinhas guiadas pelo interesse de gerar o maior número de acessos e, com isso, o título de blog mais visitado do mês). O problema não é apenas de superficialidade (quizera se limitasse a isso). A grande imprensa tem interesses econômicos e políticos; já tomou um claro partido, pois nunca absorveu qualquer possibilidade de mudança na ordem oligárquica e subserviente aos interesses estrangeiros que sempre governou o Brasil. Por mais continuidade que apontem no governo Lula, são porta vozes do medo de que os sinais de mudança fortaleçam a construção de uma sociedade mais justa e democrática. Falar da tendenciosidade da mídia em todo este episódio da crise política é desnecessário, por mais mal estar e repugnância que ela me cause. As causas da irritação, do destempero, da falta de elegância e de compostura de FHC podem ser buscadas no plano político e nas articulações sobre quem e quando se deve bater em Lula. Mas, certamente, deve ter uma dose de inveja pessoal. Já imaginaram o impacto da leitura da entrevista ao jornal Correio do Brasil do sociólogo suíço, Jean Ziegler na auto-estima do ex-presidente? Um colega de profissão, destacando o papel de liderança que Lula tem exercido no cenário internacional!Não há ego que aguente!

  9. Comentou em 12/02/2006 maria santos santos

    O Sr. fhc foi patético em suas entrevistas.
    Sua imagem, um ´velho´ cara de pau, não conseguiu convencer os brasileiros de suas boas intenções.
    Nunca, como agora, se fez tanto pelo Brasil e não é qualquer pilantra emproado que vai conseguir colocar o povo contra o Sr. LULA.
    Em sua trajetória política traiu amigos e afundou o Brasil.
    Mesmo que assuma este ar douto está irremediávelmente fora de cena.

  10. Comentou em 11/02/2006 Deolinda Conceiçao Taveira Moreira

    Será que é apenas na cobertura política que a midia é superfcial?
    Em 2005 para romper o silêncio absoluto da imprensa goiana sobre o processo de perseguição perpetado contra servidor público municipal, pelo secretário municipal de cultura ‘DR’ Kleber Branquinho Adorno (advogado,professor,’doutorando’, membro da Academia Goiana de Letras, membro da UBE), nasceu blog Amigos de Museu cujo o endereço é http://amigosdemuseu.blogspot.com/ .E por que a perseguição? Por que a servidora em questão ousou discordar do uso de cargos públicos para ‘acomodar’ apaniguados políticos, exigindo que a legislação municipal e CF fossem obedecidas. E para isso recorreu ao Ministério Público que acolhendo a denúncia após 7 meses de investigação protocolou uma Ação Civil Publica por IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA contra o Sr.Kleber Branquinho Adorno (SECRETÀRIO); Sr. Antônio Rodrigues da Mata Neto, vulgo da Mata, ‘Diretor do Departamento de Musicalidade(?) e a Senhora Cláudia Regina Ribeiro Rocha ‘Diretora do Museu de Arte de Goiânia. Nenhuma linha sobre o assunto foi publicado na imprensa local, exceto uma notinha no semanário Jornal Opção.
    Em seguida a isso diversas matérias foram publicadas inaltecendo as ‘obras’ e ‘pretenções’ da municipalidade para a cultura. Matérias essas que pecaram pelo evidente despreparo dos jornalistas para elabora de um texto com um minímo de credibilidade.

  11. Comentou em 11/02/2006 João Maria Fernandes

    Concordo plenamente com Vladimir Nunes de Oliveira, e torço para que o PSDB lance o Serra, pois a lógica diz que a tendência dele é despencar, e, quem sabe, o Lula levar, ainda no primeiro turno. Votei 4 vezes no Lula, e votarei de novo se for candidato. PSDB/PFL, se depender de mim, NUNCA MAIS….. invejosos, sínicos e amnésicos…………

  12. Comentou em 11/02/2006 jose claudio assale

    Veja o encadeamento dos fatos.

    Cria-se uma CPI para investigar o ‘mensalão’ ,que seria uma mesada dada a parlamentares para apoiar o governo nas votações no congresso utilizando-se de dinheiro público, e o que apareceu, comprovadamente, foi a utilização de dinheiro público (COPASA, CEMIG, …) na campanha de reeleição de um governador tucano, hoje senador e ex-presidente nacional do partido.

    O Tribunal Regional Federal de Brasília determina perícia na ‘privatização’ da Companhia Vale do Rio Doce .

    A Justiça Federal condena Ricardo Sérgio, caixa de FH e Serra e Diretor da área internacional do Banco do Brasil, indicado por Serra, a sete anos de prisão por crime de gestão temerária e desvio de créditos por empréstimos à Encol.

    Aprovada a instauração da CPI das privatizações, que estava anos na fila.

    O ex-deputado Roberto Jefferson, o ex-homem- bomba, o ex-paladino da ética na política, confirma que a lista de Funas pode ser verdadeira.

    Como diria a revista Veja, ou deveria dizer, ‘O cerco se fecha’.

    Assim não me admira a reação do príncipe dos sociólogos.

  13. Comentou em 11/02/2006 Maria Paula

    Não sei poque tanto melindre dos PTistas e simpatizantes,Fernando Henrique só falou oque todo mundo já sabe. O governo Lula è corrupto e conivente com a corrupção.Tem alguma novidade nisto?

  14. Comentou em 11/02/2006 Eduardo Guimarães

    Especular sobre as razões da Folha para agir como agiam os censores do regime militar nas redações dos jornais, é desnecessário. Obviamente o objetivo dessa atitude foi proteger Serra e Alckmin. Vejam que em praticamente todas as notícias sobre a lista de Furnas que têm saído na mídia os nomes dos presidenciáveis tucanos são omitidos, apesar de figurarem no topo daquela lista em primeiro e segundo lugares. Enquanto isso, a mesma mídia sempre dá um jeito de mencionar o nome do presidente da República ao tratar de uma denúncia que não o atinge.
    Em vista do exposto, peço a você, leitor, que seja honesto consigo mesmo e responda se tenho ou não motivos justificáveis para me indignar com a mídia.

  15. Comentou em 11/02/2006 Eduardo Guimarães

    A Folha só publicou a acusação de Jefferson ao PSDB, ao PFL e ao PMDB de Minas que você leu acima. Porém, o blogueiro Souza fez uma pergunta ao deputado cassado que o jornal achou por bem não publicar. Pergunta e resposta somaram 26 palavras. Palavras importantíssimas que a Folha teria obrigação de publicar devido à importância que encerram, mas não publicou. Confira as palavras:
    – Josias de Souza – Mas a lista contém vários nomes de São Paulo…
    – Roberto Jefferson – Claro, São Paulo também é coberto por Furnas. São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Goiás…
    Apesar de Souza não ter feito menção a Serra e Alckmin – que figuram na lista de Furnas e querem ser presidente da República – e perguntado apenas sobre ‘nomes de São Paulo’, sem esquecer, porém, de meter o nome de Lula e José Dirceu na história, não se pode negar ao jornalista o mérito de um mínimo de cacoete jornalístico ao fazer essa pergunta. A Folha, porém, nem a menção velada a Serra e Alckmin quis fazer. Diz que publicou ‘trechos’ da entrevista, mas, como se pode notar, o que fez foi censurar uma pequena parte dela. Publicar trechos de um texto qualquer é publicar apenas uma parcela dele; quando se publica o texto quase inteiro, a intenção é cortar partes que não se quer que sejam conhecidas.

  16. Comentou em 11/02/2006 Eduardo Guimarães

    Verificando a entrevista integral concedida ao blog de Souza e a que foi publicado pela Folha revela que das 130 palavras sonegadas ao leitor do jornal, ao menos 26 são da maior importância, porque envolvem no escândalo de Furnas dois dos três principais pré-candidatos à Presidência da República, José Serra e Geraldo Alckmin, pois mostram que o PSDB paulista também foi beneficiado pelo esquema de caixa 2 de Furnas, pois o prefeito e o governador de São Paulo encabeçam a lista dos que receberam os recursos ilegais. As 26 importantes palavras da entrevista de Jefferson sonegadas ao leitor são um complemento da seguinte pergunta:
    – Josias de Souza – De onde vinha a influência de Dimas Toledo?
    – Roberto Jefferson – Ele cobria o PSDB. O PSDB mineiro inteiro, o PFL mineiro inteiro, o PMDB mineiro inteiro. A pressão que eu recebi, até do… Não vou falar. Mas foi muita pressão que eu recebi.
    —- continua —->

  17. Comentou em 11/02/2006 Eduardo Guimarães

    Não lhe peço, leitor – seja você petista, tucano ou neutro -, nada além de honestidade para consigo mesmo e um pingo de consideração por seu país e pela verdade. Portanto, peço que reflita muito bem sobre o que irei revelar e me diga se é ou não possível afirmar que o jornalismo deste país, ao menos no que tange os grandes órgãos de imprensa, é totalmente malandro. Na noite de quinta feira o blog do jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, publicou uma entrevista de 513 palavras com o deputado cassado Roberto Jefferson. O assunto era a Lista de Furnas. No dia seguinte, a Folha publicou ‘trechos’ da entrevista que somaram 383 palavras, ou seja, 74,65% do tamanho da entrevista original. Foram omitidas ao leitor da Folha, portanto, 130 palavras. Um mínimo de senso crítico obriga o leitor atento a se questionar sobre a razão de economia tão inexplicável de espaço para divulgar acusações tão relevantes de um homem público que em meados do ano passado tinha qualquer coisa que dissesse divulgada pela mídia com grande estardalhaço e farto espaço jornalístico. —- continua —->

  18. Comentou em 11/02/2006 José Carlos dos Santos

    Grande parte desses mexeriqueiros, não os chamarei de jornalistas pois quem leva e traz são aquelas pessoas que por não terem o que fazer se prestam a esse papel apenas por diversão diferentemente dos profissionais que devem ou pelo devem tentar enxergar o que há por trás das declarações, como dizia esses mexeriqueiros parecem servir só a um lado, desculpe a insistência nisso, mas é o que parece, por quê a nova pesquisa Ipsos não é repercutida, antes durante o ano passado quando Lula em queda até pesquisa feita por síndico em condomínios, eram publicadas por isso fica difícil virar o disco fica cada vez mais evidente que maior parte da mídia já escolheu seu lado, mas isso não é o grave, para mim o grave é não assumir isso publicamente deixando claro a quem apóiam propiciando uma leitura crítica de suas notícias. Não seria isso mais digno e até levando o leitor a pensar sobre os motivos de tal e escolha que pode até ser legítima, mas escondendo isso só leva a pensar que tais motivos são escusos

  19. Comentou em 11/02/2006 Vladimir Nunes de Oliveira

    Alguém tem que fazer o jogo sujo. É lamentável que o ex-presidente Fernando Henrique tenha se prestado a esse papel indigno. A dor que corrói os corações tucanos é a do arrependimento. Quando tiveram a chance de derrubar Lula, ficaram com medo de tansformá-lo em mártir, e prefiriram fazê-lo sangrar até as eleições de outubro/2006. E, de repente… Surpresa! Lula desponta nas pesquisas como favoritíssimo à reeleição. E o que é mais grave para os tucanos: tudo que podiam ter dito contra Lula já o foi. Contra Serra, por enquanto, nem se começou a falar. Aliás, o PSDB está prestes a dar mais uma mãozinha a Lula: ao que tudo indica,indicará o prefeito de São Paulo como candidato à sucessão. Serra é o candidato talhado para perder, ou alguém imagina que passará batido, durante a campanha, que Serra assinou documento se comprometendo a cumprir os quatro anos de mandato frente à prefeitura? Se os tucanos fossem um pouquinho mais espertos,lançariam Alckimin, esse sim com chances de enfrentar Lula. Isso tudo explica o destempero de Fernando Henrique. Ele percebe, a cada dia, que a possibilidade de retomada do poder vai ficando mais distante. E a culpa maior, ele sabe, é de seus pares emplumados.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem