Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Lula e o aborto: cadê a dubiedade?

Por Luiz Weis em 08/05/2007 | comentários

O Valor usou o substantivo ‘dubiedade’ no título: ‘Lula mostra dubiedade ao falar sobre aborto’. O Globo usou o adjetivo ‘dúbia’ na primeira linha da matéria: ‘O presidente Lula demonstrou posição dúbia em relação à polêmica legalização do aborto no país.’

Dúbio, ensina o Aurélio, é ‘duvidoso, incerto, ambíguo’.

Nenhum desses adjetivos se aplica ao caso. O contrário é que é a verdade. Como o próprio Globo informou no título, ‘Lula diz ter posições distintas sobre aborto’.

Ou como está no sub-título da Folha: ‘Presidente afirma ser contra a interrupção voluntária da gravidez, mas que não pode desconhecer uma questão de saúde pública’.

Contra o aborto é o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Já um presidente da República que não seja hipócrita é obrigado a reconhecer que ‘o Estado não pode ficar alheio a uma coisa que existe, que é real, e não dar assistência para essas pessoas’ – aquelas ‘muitas meninas que, no desespero e por falta de orientação, se matam precocemente’, tentando fazer abortos sem assistência médica, ou em condições de risco extremo.

Em vez de apontar dubiedades onde não existem, melhor teriam feito os jornais se destacassem a coragem do presidente em dizer o óbvio, num país em que a maioria da população não quer que se mexa nas restrições ao aborto, que datam de 1940, e ainda por cima na antevéspera da chegada de um papa, cuja voz, ‘voltada para o passado, ignora as aflições causadas pelos problemas práticos da sociedade moderna’, nas palavras da revista Carta Capital na capa da edição desta semana.

Posso estar enganado, mas não me lembro de outro presidente brasileiro que tenha dito com a mesma clareza o que há de essencial a dizer sobre a questão do aborto: é um problema de saúde pública.

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Todos os comentários

  1. Comentou em 13/05/2007 Patrícia Valiño

    Gente, o Papa está certíssimo: se formos fazer sexo apenas quando (e se!) absolutamente necessário, não teremos mais abortos, nem aids e outras DSTs, nem precisaremos de camisinha, e não importa o quanto marido e mulher se odeiem, como nunca se divorciam assumem juntos 100% das despesas dos filhos. Quem se declara católico que pare de reclamar e vá viver assim, que a igreja não admite questionamento, é obedecer e pronto. Oras quem quiser questionar que vá ser filósofo.

  2. Comentou em 12/05/2007 Calypso Escobar

    Se a resposta do Presidente foi duvidosa,dúbia ou indefinível,frente à pergunta dou louvas ao nosso Chefe,quem não o faria, se polemitizar sôbre certos assuntos que não chegam a nenhum contexto.Inteligente! Abordar essa matéria é tão sensível como outras tantas que devemos nos abster.Parabens e que se façam assistenciais médicas à pobreza.Grata

  3. Comentou em 10/05/2007 césar figueiredo

    Sem dúvida é um problema de saúde pública,quando convém às
    mulheres envolvidas;quando não, é problema policial/judiciário.
    Não seria mais sensato procurar dar maior apoio,psicológico e
    material às grávidas, mais educação para prevenção de gravidez
    indesejada;se tudo isso falhar resta o dito popular: um erro não
    justifica outro, muito mais grave,cruel e desumano!

  4. Comentou em 10/05/2007 Cesar Junior

    Já que o debate derivou da posição dúbia do presidente Lula para a questão da descriminalização do aborto propriamente, gostaria de observar apenas que um dos argumentos mais utilizados pelos defensores do aborto – a saber: que é uma questão de saúde pública pois centenas de milhares de mulheres submetem-se a práticas clandestinas e acabam morrendo – não tem a menor sustentação. Explico por que: o próprio ministro da saúde, José Temporão, já declarou, em entrevista ao programa Roda Viva do dia 16/04/2007, que o Estado (o sistema único) não terá capacidade de atender minimamente a essa demanda. Não há recursos nem meios de prestar o serviço. O resultado será que as mulheres continuarão tendo que recorrer a intervenções particulares, e continuarão a correr riscos. Portanto, a verdade é: descrminalizar o aborto NÃO VAI solucionar o problema de saúde pública. Servirá, no máximo, de pretexto para criação de algum novo imposto escorchante, à là CPMF.

  5. Comentou em 10/05/2007 Lica Cintra

    Também acho que dessa vez Lula respondeu com clareza. O posicionamento sobre o aborto envolve a consciência e a religiosidade de cada um. Por convicção religiosa eu jamais faria um aborto mas defendo a descriminalização do aborto. É uma posição legítima como qualquer outra.

  6. Comentou em 10/05/2007 Américo Leal Viana Leal

    Em primeiro lugar, aborto não é panacéia. Depois, a opinão do Presidente da República, no caso do aborto, é de somenos, uma vez que, sendo ele a favor ou contra essa prática, isso em nada influenciará sobre a minha opinião. Portanto, a aprovação ou não do aborto não depende – exclusivamente, da opinião do Presidente Lula, mas, como ele mesmo tem afirmado, trata-se de um debate, que deve envolver toda a sociedade brasileira, e não apenas o governo federal. Onde está a dubiedade do Presidente?

  7. Comentou em 10/05/2007 Rafael Chat

    Weis, não sou tão fã do Papa como tu és da Carta Capital. Mas dizer que ele ignora as questões atuais é desonesto. Ele passa o tempo todo dizendo que a solução para os tais ‘problemas práticos’ é viver segundo os preceitos do catolicismo. Quem quiser, que o faça.

  8. Comentou em 10/05/2007 Rafael Chat

    Marco Antônio, liberar o aborto para evitar a proliferação de pobres e mendigos é algo muito próximo às idéias eugênicas que levaram vários países a cometer atrocidades, como a Alemanha Nazista. Se quer evitar crianças abandonadas, evite sua gestação. Mas defender aborto como forma de controle de natalidade é hediondo. Então, que se faça uma política ampla para evitar gravidez indesejada.

  9. Comentou em 10/05/2007 Etiene Egg de Resende

    Vivemos em um país que ainda guarda valores tradicionais do cristianismo católico. Aprovar a lei do aborto, assim como a legalização da maconha, fere gravemente esses valores afinal, vivemos num país onde mais de 70% da população pertence à esta religião. Quando o Lula fala como presidente da república subre um tema polêmico como o aborto, os oportunistas de plantão aproveitam para apontar ambiguidades – assim como apontariam caso ele se declarasse, a partir de seus valores como cidadão e cristão, contra o aborto. Com isso, aproveitam que o presidente não deixa de dar respostas ao que é perguntado e sempre coloca sua opinião pessoal em segundo plano, para apontar supostas ambiguidades. A lei do aborto deve ser discutida de forma desconexa dos valores de religião, mas conectadas aos valores humanos, assim como a redução da maioridade penal, legalização da maconha, entre outras. Ninguém se posiciona a favor ou contra, mas quando o presidente fala, todo mundo aponta!

  10. Comentou em 10/05/2007 francisco josé And

    Há realmente uma diversidade de comentários, isto é prática democrática e liberdade de expressão, vemos comentários a favor, o que poderiamos dizer daquela mãe que recentemente apareceu na TV com seu filho sem cerebro, que não abortou e cuida dele até que Deus venha buscá-lo, quanto a milhares de crianças na rua, realmente lamentável pois pagamos escola pública superior para quem pode pagar e temos de pagar escola particular para que nossos filhos tenham direito a um ensino melhor, aonde esta a responsabilidade do Estado em cobrar os Pais a presença de seus filhos na sala de aula pelo menos até o fim do segundo grau, o Estado deve ampliar o ensino técnico pois melhora a capaciade da mão de obra do país, democratizando a qualificação porfissional, quanto a fazer a Faculdade um técnico bem preparado com sua remuneração poderá pagar uma Faculdade à noite, ninguém morre por estudar à noite, milhêos de pessoas o fazem, o que é necessário é melhorar a Fiscalização dos cursos para que o dinheiro suado de quem trabalha e se esforça não vá pelo ralo em cursos casas níqueis, em nada comprometidos com a valorização do ser humano, sou a favor de legalizar para alguns casos em que haja risco de vida para a mãe, controle de natalidade não se faz com abortos. Vamos educar nossas crianças e jovens, para que possamos comemorar os resultados que serão muitos e diversos.

  11. Comentou em 09/05/2007 Marco Costa Costa

    Mais de 100 mil meninas são vítimas de exploração sexual no Brasil, conforme dados da OIT. Mais de 10 milhões de crianças no Brasil (OMS) vivem perambulando pelas ruas de nossas cidades. Muitas pedindo esmolas, outras vendendo quinquilharias, muitos meninos engraxando sapatos, são atividades executadas para reforçar o precário orçamento familiar. Aonde andam os religiosos (Papa, Pastores e congêneres), políticos, Governantes e os hipócritas de plantão contrários ao abordo. Com toda essa miséria humana, como podemos ser contra o aborto, este processo não é para ser feito a revelia, mas quando necessário for. O papa dizimo vem fazer a farra do desperdício, esse dinheiro poderia ser utilizado para melhorar a vida de centenas de crianças.

  12. Comentou em 09/05/2007 ITAMAR RODRIGUES TOSTES

    FOI COM MUITA SATISFAÇÃO QUE LEMOS A SUA OPINIÃO A RESPEITO DA POSIÇÃO DO ‘PRESIDENTE DA REPÚBLICA’. SÓ TEMOS A LAMENTAR OS COMENTÁRIOS FEITOS PELA GRANDE IMPRENSA.

  13. Comentou em 09/05/2007 Cesar Junior

    Para quem sabe ler nas entrelinhas, de fato, ele não foi dúbio. Ele já tomou um partido: A FAVOR do aborto. O resto é conversa mole para enganar os brasileiros. O resto é mistificação, bem ao gosto de Lula. Como sabe que a maioria da população é contrária ao aborto, e como ele sabe que a maioria de seus eleitores o escolheu acreditando que ele era contrário ao aborto (pois foi o que ele sempre declarou), Lula não diz explicitamente o que realmente quer. Ao contrário, ele inventa um artifício retórico: ‘quando vocês votaram no cidadão Luiz Inácio, ele era cotnra o aborto; mas agora que esta cidadão chegou à presidência, ele não pode mais ser contra o aborto’. Em outras palavras, ele está tentando enganar os brasileiros e a opinião pública. Isto é, está mentindo. Haveria algum sentido melhor para o adjetivo ‘dúbio’?

  14. Comentou em 09/05/2007 Juliana Drumond

    Vejo a postura do presidente como uma postura digna e admirável.
    Acredito que falta ainda a percepção por parte de muitos de seus eleitores, que às vezes se faz necessário o presidente assumir posturas que valorizem a necessidade do país como um todo, e não somente levar em consideração seus valores íntimos.

  15. Comentou em 09/05/2007 Marco Costa Costa

    Qual o direito à vida que as crianças abandonadas tem. Uma parcela considerável dos adolescentes sem escolas e perspectivas de futuro, qual seria o direito à vida que eles tem. Milhares de pais de famílias sem emprego salário e sem dignidade como ser humano podem ter direito à vida. Centenas de jovens mães solteiras desamparadas pelo sistema de saúde, qual seria o direito à vida que elas tem. Quantos pais não podem criar seus filhos com um mínimo de conforto, qual o direito à vida esses filhos tem. Deixemos a hipocrisia de lado, o aborto é um mal necessário, não venham os puritanos e conservadores acharem que a vida se inicia quando ocorre o encontro do espermatózoide com o óvulo, simplesmente para decidir pelo direito daquelas que são às verdadeiras donas de suas vidas, às mulheres, bem como daquilo que elas entendem ser o melhor. Quanto ao Lulla, lamentamos sua fraqueza quando se trata de temas polêmicos.

  16. Comentou em 09/05/2007 Claudia Buch

    Chega de hipocrisia! Falou e disse o presidente quando afirmou o que todas as pessoas esclarecidas já sabem, o abortos clandestinos são sim problema de saúde pública! O que fazer para evitar esse tipo de atitude? Um sistema de planejamento familiar mais efetivo, se possível até com laqueadura e vasectomia em massa para as classes menos favorecidas que já tenham muitos filhos e é claro massificação de informações no que se refere a gravidez responsável. Na minha opinião isso nunca foi dubiedade, é um homem público que sabe separar o que é da alçada da religião do que é um problema público.

  17. Comentou em 09/05/2007 Marnei Fernando

    Sou um árduo defensor do presidente Lula, mas nesse tema específico acho que Lula deveria ter se manifestado de foma mais enfática contra o aborto… Eu o elegí pelo que ele me falou que acredita, o que ele defende, o que ele é contra… Não para que esses valores fossem colocados à margem quando um assunto confronta o que ele pensa do que a sociedade pensa… O aborto nada mais é que o assassinato de uma criança… É caso de polícia… Podemos pensar nas mulheres que furam seu útero para abortar um bebê… mas devemos nos lembrar que ela só furou seu próprio útero porque estava tentando enfiar seguidamente aquela agulha de tricô fina e pontiaguda, no seu próprio filho e ferí-lo mortalmente.

  18. Comentou em 08/05/2007 jun nak

    Dúbias são as posturas dos jornais sobre o tema.

  19. Comentou em 08/05/2007 Ana Trigo

    Felizmente o Lula algumas vezes nos surpreende para o bem. Sou católica, não concordo que o aborto deva ser usado como método anticoncepcional. Mas quando o assunto é saúde ou estupro, a coisa é bem diferente. Outra boa notícia sobre o tema é a recusa em assinar o tratado com o Vaticano, que garante todos os privilégios à Igreja em território nacional. Até agora o Governo tem entendido que, se assinar, teria dificuldades em mudar, entre outras coisas, exatamente a lei do aborto, porque deixaria claro que Brasil e Vaticano compartilham dos mesmos valores.

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