Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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Lula no Roda Viva: olho nas perguntas

Por Luiz Weis em 07/11/2005 | comentários

Hoje é dia de prestar atenção no que dirá o presidente Lula – e mais, talvez, no que lhe for perguntado.

Um dos mais falantes chefes de governo na história da democracia brasileira e um dos menos falantes, quando se trata de se expor à mídia, Lula será o entrevistado da edição especial de aniversário do Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo.

O programa completa 1.000 entrevistas. Esta será gravada agora de manhã no Palácio do Planalto para exibição no horário tradicional das 22h30.

O motivo por que jornalistas e não jornalistas devem atentar para o desempenho dos entrevistadores tem a ver com a história dessa entrevista e com um comentário da colunista Dora Kramer, do Estadão.

A história é que Lula relutou meio ano para aceitar o indeclinável convite, como se pudesse ser outro se não o presidente da República Federativa do Brasil o protagonista da milésima edição do mais bem sucedido programa do gênero na TV brasileira.

O comentário é que “a idéia de formar a bancada com ex-apresentadores do programa foi uma forma de predispor o presidente a aceitar o convite”, pois, à exceção de dois deles, “não estão atuando em veículos de informação diária”.

Ou seja, Dora parece sugerir que o critério para a escalação do time de entrevistadores não foi jornalístico, nem simbólico, mas o da conveniência do entrevistado.

E que pelo fato de não atuarem “em veículos de informação diária” – ou na mídia convencional – esses jornalistas em particular seriam menos mordedores do que os outros, por alheamento ou falta de apetite.

A menos que se deduza que, na visão de Lula, eles seriam mais independentes do que os profissionais da grande imprensa, diária e semanal, de que ele vive se queixando, com doses variadas, ou nenhuma, de razão.

Alguém talvez se sinta tentado a dizer que não é uma coisa nem outra: Dora teria escrito o que escreveu por despeito. O critério adotado a exclui de antemão dos entrevistadores em potencial do presidente, de cuja elite ela faz parte.

Se isso é verdade, o sentimento da comentarista do Estado deve ser compartilhado por jornalistas do calibre de Eliane Cantanhêde, Fernando Rodrigues, Josias de Souza, Kennedy Alencar (Folha); Cristiano Romero e Raymundo Costa (Valor); Franklin Martins (TV Globo); Teresa Cruvinel (O Globo), além do blogueiro Ricardo Noblat – para citar apenas os principais daqueles baseados em Brasília.

A ausência de qualquer deles pode ser um alívio para Lula. Para o público, em que pesem os atributos e o currículo de todos os escalados, provavelmente será uma perda.

Enfim, como dizem os hispanos, a ver lo que pasa.

***

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