Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Lula pegou no breu

Por Luiz Weis em 12/05/2007 | comentários

Depois das muitas garantias do ministro de Comunicação Social Franklin Martins sobre a isenção política da Rede Pública de Televisão que o governo está tecendo – a começar da sua rica entrevista à Folha, comentada aqui em 16 de abril[http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/blogs.asp?id=
{1B51A4B0-B3C1-416C-A05E-3EB1A53C45FE}&id_blog=3
] – ontem foi a vez de o presidente Lula reforçar a promessa de que ela não será ‘chapa-branca’. Ou, gastando o adjetivo da semana, será ‘laica’.


Se não por convicção, por realismo. ‘Não adianta fazer uma coisa para falar bem do presidente, porque não dura três meses’, previu, na mosca. 


A promessa veio junto com a informação de que a criação da rede já se tornou irreversível. Ou, nas suas palavras, ‘pegou no breu’.


A expressão se aplica às demais afirmações do presidente sobre a indigência da televisão comercial brasileira. Ele reclamou, notadamente, do deserto de idéias das emissoras abertas nacionais.


Salvo as exceções que mencionou – os programas Canal Livre, da Bandeirantes, e Roda Viva, da Cultura – de fato a TV abandonou por completo o pouco que teve no passado em matéria de debates sobre temas de ordem geral [diferentemente, por exemplo, do Observatório na TV, cujo foco é a mídia].


Lula citou assuntos de interesse da sociedade que os canais comerciais não aprofundam mesmo quando entram na sua pauta, empurrados pelo caráter jornalístico dos fatos que lhes dizem respeito: aborto, células-tronco, energia nuclear, biodiesel.


Podia ter falado de outros, como aquecimento global, segurança, crise das cidades, qualidade do ensino, cotas raciais, alimentos transgênicos… Mas isso é o de menos. De mais é a sua concepção do papel da mídia eletrônica não atrelada nem à publicidade – que é o que determina, em última análise, o seu conteúdo – nem aos governantes de turno.


‘A nossa TV respeitará tudo e todos’, assegurou. Tomara que assim seja, porque não basta a televisão pública tratar de questões praticamente ignoradas pelas redes abertas. Se não ela não se limitar aos temas cuja presença na mídia pode convir ao governo, e se ela não os tratar de modo a incentivar a diversidade de opiniões, o resultado tenderá a ser a proverbial emenda pior do que o soneto.


Do ponto de vista da ampliação do debate público, em termos de agendas e participantes, a desinformação tende a ser mais adversa do que a ausência pura e simples de informação.


Para fazer a coisa certa, a TV pública que vem aí não precisa ser nenhuma BBC – embora esse ainda seja o melhor modelo no setor. Já será uma glória se for uma PBS [Public Broadcasting System], a rede americana do gênero, cujo principal jornalista, Jim Lehrer, leva a sua preocupação com a imparcialidade tão longe, mas tão longe, que não se permite nem votar para presidente de seu país.


***


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Todos os comentários

  1. Comentou em 13/05/2007 Ivan Moraes

    Como dizia o grande filosofo, ‘nao da pra fazer pao sem pegar no breu’.

  2. Comentou em 13/05/2007 Bira di Oliveira

    Reafirmo o que venho dizendo desde o início dessa querela: a criação da chamada ‘TV – pública’ nada mais é do que uma manobra para enquadrar a TVE-RJ. Atualmente a TVE-RJ é uma OSCIP gozando de autonomia conquistada com muito debate no governo FHC. Acontece que alguns não se conformaram com a situação de terem deixado de ser funcionários públicos, e o governo de não ter o controle absoluto do conteúdo. Basta ver a grade de programação da TVE-RJ, bastante eclética com programas chapa-branca (ESTAÇÃO SAÚDE, DIÁLOGO BRASIL), neutros (SEM CENSURA), e de quase oposição (ESPAÇO PÚBLICO). No governo FHC não foi fácil conviver com essa ‘democracia’… O pau quebrava! E por ser um espaço democrático a TVE-RJ guarda em seus quadros jornalistas independentes (ALCEMO GOES, por ex.), e ferrenhos opositores (MILTON TEMER, outro ex.). Assistam a TVE-RJ e vejam como ela já se anuncia como TV-PÚBLICA, e o é. Como sempre Vossa Majestade, o Rei Luiz na sua síndrome da ‘lei do Gerson’ não se conforma com isso. Quer por que quer implantar o seu modelo ‘chavista’ de TV. Se o programa de debate que ele tem em mente for o DIÁLOGO NACIONAL vai ser uma lastima. Não sei como o jornalista Florestan Fernandez Jr. se presta aquele papel. O que me admira nessa situação é a Associação de Funcionários da TVE-RJ tão ativa e participante quando do debate no governo FHC não tenha vindo a público se manifestar.

  3. Comentou em 13/05/2007 Paulo Pereira

    Que venha a TV pública, aguardo ansioso. Se vier TV chapa branca, pra mim também está bom, porque ela ainda será melhor que as comerciais que ai estão. Já vejo bons programas nas TVs Câmara, Senado e Cultura.

  4. Comentou em 12/05/2007 Sérgio Damasceno Guerra

    Vou falar em linguagem clara e objetiva: Tenho uma filha de 6 anos e percebo que a TV Brasileira de forma geral não ajuda em nada em sua educação. O que as TV´s buscam é mais um ponto de audiência. Assim prefiro que ela assista desenhos não violentos e com mensagem positivas e construtivas, o que nos leva a assistir a TV Cultura ou então programações de TV a cabo.
    As grandes TV´s, em sua maioria, não tem programações serias e construtivas. O Presidente esta certo. A nova TV não será uma Chapa Branca. Não devemos temer, pois chapa branca é a Globo que criou o Collor. Chapa Branca é a folha do Sr Frias (in memorian) que apoio a Didatura. Ora! Que venha um canal de TV que seja um sinaleiro para as TV´s existentes mostrando que há caminhos melhores a seguir, e pode-se assim transformar uma sociedade, e neste movimento transformar todas as TV´s que recebem concessão do governo.

  5. Comentou em 12/05/2007 Lucas Ferreira

    Vi o discurso do Presidente Lula e concordo com suas opiniões, a TV aberta se tornou uma tv burra, ela deixou de se tornar uma tv reflexiva, pra se tornar uma tv ‘reflexiva’. Ela ñ é uma tv reflexiva, no sentido q ñ reflete mais sobre os problemas da sociedade, e é uma tv ‘reflexiva’, no sentido q ela reflete(é a imagem) dos seus próprios interesses e ideais pessoais dos respectivos presidentes de cada emissora. Acompanhei o I Fórum Nacional de TVs PÚBLICAS, e senti falta da presença de emissoras como GLOBO, SBT, BAND etc…
    Nos esquecemos q elas são CONCESSÕES PÚBLICAS, ou seja, ñ pagam nd por isso e tem q servir ao povo, oq ñ acontece nunca, na minha opinião, nessa nova geração de TV q vem aí, a TV DIGITAL, deveria ser feito um plebiscito pra saber quais emissoras deveriam ou não ter seu lugar garantido entre as emissoras abertas na era da TV DIGITAL, levando em conta, oq cada emissora tem feito até aqui e qual será sua proposta de ação se tiver seu lugar garantido na era da TV DIGITAL, outra coisa q acho tb é a urgência da criação de um orgão regulador de conteúdo, pq hj vivemos a ditadura da mídia, ela se tornou akilo q tanto combateu, e países como o EUA q ela gosta de usar como modelo de liberdade, entre outros países, tem orgãos reguladores de conteúdo, para q abusos ñ sejam cometidos ‘em nome’ da liberdade. Deve-se sempre respeitar o telespectador.

  6. Comentou em 12/05/2007 Marco Costa Costa

    A TV aberta no país é um verdadeiro deserto de idéias, pouco se produz no âmbito de programas inteligentes, muito se faz em matéria de lixo cultural. Caso a TV pública prospere, esperamos que haja vida inteligente a ponto de nos trazer não só algumas horas de lazer, mas também programas com conteúdo e que aborde todos os temas relacionados com a vida do brasileiro, chega de bobagens e porcarias. Esperamos também, que a rede pública não venha com os mesmos vícios das TVs abertas, com vinculassões partidárias, religiosas, que goste desta ou daquela agremiação esportiva, que de preferencia para esta ou aquela tendência da moda, ou goste mais do branco do que do amarelo, mais do heterossexual do que do pederasta, mais dos privilegiados do que do pobre.

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