Quinta-feira, 25 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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Manchete sem pé nem cabeça

Por Luiz Weis em 25/03/2009 | comentários

Entre o domingo e a segunda-feira a Folha publicou um total de 13 matérias com as suas pesquisas sobre tendência de voto para governador de Estado em 2010. A 19 meses da eleições, isso e nada é quase a mesma coisa. O pouco que valham tais sondagens, a esta altura, com certeza não vale o espaço gasto com elas.

Com tamanha antecedência, a quantos leitores realmente interessa conhecer resultados de pesquisas do gênero, profundamente influenciados, aliás, pelo “efeito recall” (diante da lista de nomes, muitos entrevistados citam como o seu preferido aquele de que se lembram em primeiro lugar)?

Mas nesta quarta-feira, 25, o jornal se superou, como se diz.

Não encontrou nada mais importante, nem mais quente, para dar como manchete de primeira página do que o resultado da mais recente pesquisa do DataFolha sobre a popularidade dos governadores de 10 Estados e do Distrito Federal.

Esse tipo de levantamento é útil como indicador de desempenho. Bem mais útil do que as sondagens eleitorais uma eternidade antes do dia do voto. Mas decerto não é a primeira coisa que o leitor precisava saber hoje. Para escolher apenas entre os demais títulos da página, por que não “Câmara aprova parcelamento de dívidas com fisco em 15 anos”?

Porque, seria uma resposta, a pesquisa sobre os governadores deu Aécio na cabeça. Com nota 7,6 (numa escala até 10) e 77% de aprovação, foi o mais bem avaliado pelas respectivas populações. Com 76% de aprovação era já o primeiro em novembro de 2007 (data da sondagem anterior).

A chamada da primeira página informa que o índice de aprovação do seu rival José Serra no PSDB passou de 49% para 54% e a sua nota, de 6,5% a 6,6%. “Mesmo assim, ele caiu do terceiro para o quinto lugar”.

A isso se chama catar pelo em ovo.

Pois nada mudou em Minas e pouco mudou em São Paulo. Em proporção, mais mineiros continuam gostando do seu governador do que os paulistas do seu. E daí?

Só se justificaria dar manchete com a pesquisa – e olhe lá – se ela trouxesse alguma mudança extravagante em relação à outra, e só no caso de governador, ou de governadores, dos Estados principais.

Não tendo isso acontecido, algum leitor mais chegado a uma teoria da conspiração dirá que a Folha deu a manchete despropositada que deu porque está a fim de promover o governador de Minas. Não deve ser verdade, mas pode parecer.

A Folha retrucaria que Aécio e Serra são presidenciáveis em potencial. Logo, o fato de o primeiro ser mais popular no seu Estado do que o segundo no dele deve significar alguma coisa para o futuro; logo, é notícia.Não significa nada e não é notícia.

Números por números, melhor ficar com os do próprio DataFolha sobre as chances de cada um no Estado do outro na eleição para presidente – com a repetida ressalva de que, a esta altura, tais resultados estão mais para factóides do que para fatos.

Saiu na edição de sábado passado: se o candidato tucano à cadeira de Lula for Serra, terá o voto de 40% dos mineiros; se for Aécio, terá o voto de 14% dos paulistas. Valha o que isso valer.

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