Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Maniqueísmo da imprensa desvaloriza debate sobre juros

Por Alceu Nader em 24/11/2005 | comentários

Os números estão em todos os jornais de hoje: mesmo tendo feito o terceiro corte seguido na taxa básica dos juros (Selic), a dívida pública no que vai deste ano cresceu para R$ 127,08 bilhões, dos quais o fermento dos juros responde por R$ 114,08 bilhões. Em miúdos, esses indicadores ilustram uma das críticas da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que ganharam relevância nas últimas semanas– a de que a política econômica ‘enxuga gelo’.


Não há o que contestar, por mais simpatia e admiração que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, arranque da oposição e dos grandes jornais nas suas idas às comissões do Senado e da Câmara. Todos os editoriais publicados nos grandes jornais desde 9 de novembro passado, dia da entrevista da ministra ao O Estado de S.Paulo que alimentaria a expectativa de queda de Palocci, bateram pesado nas considerações da ministra com a simplificação de que ela defendia a ‘gastança’.


Essa redução da inteligência no debate colocou os ministros em rota inevitável de colisão, e com a colaboração de doses fartas de radicalismo e maniqueísmo da imprensa: Dilma passou a ser vilã no duelo com o mocinho Palocci.


Dois textos dos jornais de hoje tentam recolocar as coisas em seus lugares.


O primeiro deles, ‘Racionalidade na planilha’, assinado por Luís Nassif, na Folha de S.Paulo, vai direto ao ponto ao mostrar que, há décadas, o predomínio de ‘certo vezo da cobertura política e econômica de radicalizar as diferenças’. Para ele, a ênfase do noticiário fez com que ‘Dilma foi acusada de tentar mudar o modelo econômico, de propor a volta da gastança e coisas do gênero’, relegando a importância secundária o que está realmente em discussão.


O colunista pontua as diferenças entre os dois ministros e conclui: houve exagero na conclusão de que a posição defendida por Dilma ministra colocou em xeque o modelo econômico.



‘O que Dilma fez na entrevista – e antes, nos embates internos do governo’ -, diz Nassif, ‘foi demonstrar o anacronismo desse modelo de gestão financeira. Isso não significa questionar modelo econômico nenhum nem propor populismo fiscal. Significa impor um pouco de racionalidade na planilha’.


Recomenda-se fortemente a leitura de todo o artigo na íntegra.


Sem mencionar o papel da imprensa no debate, o colunista Celso Ming, do O Estado de S.Paulo, colabora com o texto ‘Os juros e as expectativas’, que também acrescenta inteligência para o debate da polêmica do dia – afinal, o BC poderia ter cortado os juros além do meio ponto anunciado ontem ?


Celso Ming conclui que, ‘aparentemente sim’, por conta dos vários indicadores favoráveis dentro e fora do Brasil, mas pondera que há ‘outro ponto a examinar’ na trajetória dos juros:



‘Do ponto de vista estrito da execução do sistema de metas de inflação, se o Copom passou do ponto, não deve ter passado demais, uma vez que as projeções apontam para uma inflação (em 2005) de algo acima dos 5,1%, que é a meta adotada – e ninguém está considerando aqui se essa meta está adequada ou não. E, mesmo se tivesse passado do ponto, seria mais fácil compensar o excesso com um corte ainda maior dos juros do que correr atrás do resultado se tivesse ocorrido o contrário’.


Recomenda-se fortemente a leitura de todo o artigo na íntegra.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/11/2005 Iolando Fagundes

    Oi Alceu Nader! Não tenho muito a comentar sobre este tema, no entanto, quero sugerir a você que inclua na sua pauta alguns indicadores interesssantes sobre distribuição de renda no país e os diversos enfoques dados pela mídia.

  2. Comentou em 26/11/2005 angelo melo

    e certo que a oposicao que hoje esta formada em torno do governo federal com a ajuda dos banqueiros controla grande parte da midia e por consequencia a consciencia da populacao .
    A midia nao questiona a oposicao quando a mesma nao deixa o governo andar,existe hoje varios projetos parados que voces nao cobram a sua aprovacao.
    cade as PPP(PARCERIA PUBLICA PRIVADA ) que nao sao aprovadas , qualquer pessoa sabe que se aprovada o brasil hoje,melhor na sua base de infra.estrura ,alguns governos estaduais ja fez ,estes governados pela oposicao.
    a nivel federal estes nao deixan o projeto sair as nossas empresas estatais foram privatisadas por processos nebulosos e ninguen questiona onde foi parar o dinheiro de tal ato.
    Tudo de ruim e o governo sera que a nao e a maior responsavel por se calar por verba publicitaria e concessoes publicas.
    se governo nao precisa-se tanto de dinheiro para infraestrutura ele poderia lancar titulos no mercado com juros mais baixo e ao mesmo tempo almentaria a capacidade de pagamento aumentaria a confianca e com o pais estaria melhor e so gente querer mudar.
    eu nao votei no atual governo e como canditato ao senado fiz duras criticas ao PSDB.
    Como menbro do PDT (rotulado oposicao) nao podemos deixar de reconhecer que as coisas poderiam ser diferentes.
    So e preciso a impressa deixar de se vender e analisar os fatos.
    FELIZ NATAL

  3. Comentou em 24/11/2005 Joao Carlos

    Sem dúvida se a colocação de Dilma tiver sido a descrita, ela seria a mocinha contra o bandido Palocci. O fato é que ninguém está acostumado à responsabilidade de políticos sobre verbas públicas em ano pré-eleitoral. Na dúvida o mercado defende-se do risco maior. Mas neste governo desenxabido de Lulla temos que defender a única coisa em que elle vem sendo razoável, que é a economia. Os juros deverão cair mais rápido tanto quanto o governo reduzir seus gastos. Terá de buscar maior eficiência no gasto de recursos, o que viabilizará a queda mais acentuada dos juros e assim uma redução tributária que permita a formalização da economia. Reduzir a dívida mobiliária é essencial ao promover o DÉFICIT NOMINAL ZERO. Em tempo, governo liberal jamais tributaria um país em níveis tão altos (37% do PIB), isso está mais próximo de regimes comunistas, portanto dizer que esta política é neo-liberal é prova de desconhecimento daqueles que tratam de economia em nossos informativos. O governo liberal propõe o Estado mínimo, portanto, não seria um grande arrecadador, mas um poderoso estimulador dos mercados, orientando e compondo as regras para seu desenvolvimento. Os petistas SALVACIONISTAS não admitem que o país desenvolva-se sem os inúmeros cabides de emprego e a proteção do Estado a tudo e a todos.

  4. Comentou em 24/11/2005 Edson Gomes

    Infelizmente a oposição de alguma forma foi persuadida e o ator principal esta em um palco de destaque onde suas palavras são colocadas pela a imprensa como uma suave brisa no rosto, e seu plano camuflado pelos banqueiros que são os grandes beneficiados com esse plano de governo que o mesmo adotou e com o aval do Exmo Sr Presidente.

  5. Comentou em 24/11/2005 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    É sempre assim, a corrente monetarista está muito bem posicionada na imprensa nacional e toda vez que seus postulados são contestados, é desencadeada toda uma campanha visando a desacreditar quem ousa contestar seus pressupostos.

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