Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Matança só vai piorar as coisas

Por Mauro Malin em 18/05/2006 | comentários

Leitores defendem a truculência policial como único caminho para enfrentar a criminalidade. (Outros não cometem esse equívoco. Vide comentário de Rogério Ferraz Alencar ao programa 270, de 17/5).


A polícia é paga para combater o crime com eficácia. É mal paga e não faz direito seu trabalho. Isso para não falar de conivências e cumplicidades de variada natureza.


É preciso pôr na cabeça o seguinte: no Brasil, o aparelho policial tem segmentos que são elos do crime organizado. Os outros policiais sabem, mas também ficam sob ameaça. É uma situação muito complexa.


O principal é que as estruturas são burocráticas, corporativistas, pouco competentes. E sair matando a torto e a direito não resolve, só complica.


Vou repetir, para ficar bem claro meu pensamento: a matança promovida por policiais, sem critério, para mostrar ‘firmeza’ (no fundo uma monumental insegurança), vai piorar as coisas. Não adianta se iludir. Quem parou o terrorismo foi o crime organizado, depois de uma negociação. O Estado vencerá a partir do momento que se organizar, isolar os parceiros do crime, conquistar o apoio da população, focar suas ações. Para isso será necessário afetar privilégios, silêncios mafiosos, tomar providências antipáticas, preocupar-se um pouco menos com a campanha eleitoral e um pouco mais com a prestação de um serviço público decente. Vale para todos os candidatos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/07/2006 Rose Barbeito

    Gostaria que vc colocasse uma foto de Lucio Flavio Vilar Lírio ,tenho curiosidade de conhecer o rosto de um homem que tem uma biografia e um livro.

  2. Comentou em 20/05/2006 Paulo Bandarra

    Interessante que a manifestação não menciona nem num momento os policiais eliminados pelo crime organizado como se fossem peças desumanizadas descartáveis apenas. A única preocupação é com a morte de quem atira na polícia em tempos de caça ao policial! Gente, policial também é cidadão!!!!

  3. Comentou em 20/05/2006 Elso Silva

    Ocorre que há um hiato entre a realidade da nossa existência e os nossos desejos de qualidade de vida social que sonhamos obter para o nosso país. Muitas vêzes temos a sensação que estamos vivendo nos piores dos mundos. Parece que o ser humano fixa apenas os eventos negativos da vida. E os meios de comunicação têm um papel bastante negativo em acentuar este sentimento. Vivemos um estado de letargia, descrédito coletivo. Outro aspecto é o fato de termos uma tendência exagerada em transferirmos as nossas responsabilidades, enquanto agentes deste processo, ou pecamos por ação, outras horas por omissão. ‘Todos nos achamos os mais perfeitos seres deste mundo. Cumpridores da nossa obrigações. Voltamos àquela velha máxima de enxergarmos um argueiro no olho do vizinho e não vermos a trave em nossos olhos’. Esta onda de violência que ocorreu em São Paulo poderá servir como o primeiro passo para a grande caminha que a humanidade, nós brasileiros em particular, precisamos dar para sairmos desta vidinha que levamos já há uns quinhentos anos de só olharmos para os nossos umbigos. Já li em um mural há alguns anos que Spinoza acreditava e buscava um Deus que se chamava a Alma do Universo, que este Deus não se preocupasse só com as nossa necessidades pessoais. Se soubermos extrair uma lição neste pequeno terremoto poderemos caminhar para dias melhores. É nossa oportunidade pela cidadania.

  4. Comentou em 19/05/2006 Joaquim Messias Marques da Silva

    Grande parte da população já está com nojo dessa conversa mole de que a causa do crime organizado é falta de escolas, injustiça social, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá. Uma das principais causas disso é a crise de valores que a esquerda brasileira promoveu. Basta ver os programas oficiais da educação: livros louvando tiranos assassinos como Fidel Castro e Lênin e ao mesmo tempo criticando os verdadeiros valores como a religião cristã (a não ser que seja a religião civil-gnóstica que prega o culto ao Leviatã, conhecida como Teologia da Libertação), a família e as liberdades individuais, etc. Essa ideologia perversa é responsável também pela difamação de policiais, rotulando-os de truculentos e ao mesmo tempo defendendo o ‘sagrado direito’ dos criminosos. Se acontece algo com um bandido, logo a patrulha politicamente babaca, digo, politicamente correta conhecida como Direitos Humanos para tentar colocar a população contra os policiais. Punição e tolerância ZERO para a bandidagem.

  5. Comentou em 19/05/2006 Isabella Neves

    Caríssimos, acho que falta ao governo e nós, sociedade, reconhecer que estamos vivendo na barbárie. Não é normal, nem aceitável, as situações que vivenciamos nesse país nos últimos anos. A escalada da violência vem de braços dados com a certeza da impunidade. A cada deputado absolvido por seus pares, mais bandidos armados se sentem a vontade para fazer o que bem entendem, seja exigir televisão ou ordenar atentados contra as polícias. Tem crime mais organizado do que os cometidos pelos digníssimos congressitas? Ou as leis desse país mudam, e, mais do que isso, ou as leis desse país passam a valer, a serem cumpridas, independentemente do réu ter dinheiro ou não, ou continuaremos a assistir massacres – de bandidos ou da polícia – atentados contra a população – de colarinho branco ou de metralhadora. Não tem outro jeito. E o papel da imprensa nisso tudo é nos informar, direito, sem fazer sensacionalismo, mas sem ser omissa, ou sem tentar apenas proteger seus pares. Basta de corporativismo. Basta de impunidade.

  6. Comentou em 19/05/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Nem todos os leitores apoiam a a brutalidade ou a impunidade do crime organizado dentro do sistema penitenciário:-

    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/05/353668.shtml

  7. Comentou em 19/05/2006 Wilson Oda

    Concordo com tudo que foi dito. Mas o cerne da questão não está sendo debatido: as falhas na condução do caso foram gravíssimas e o desfecho parecer ser mais terrível ainda. Acho estranho que ninguém tenha pedido a demissão dos Secretários da Seguraça e dos Assuntos Penitenciários. Se o governo estadual quer enfrentar realmente o crime organizado, deveria começar cortando na própria carne.

  8. Comentou em 18/05/2006 Raimundo Eleno dos Santos

    ‘O principal é que as estruturas são burocráticas, corporativistas, pouco competentes. E sair matando a torto e a direito não resolve, só complica.’ Pincei. A culpa pelo imbroglio existente é que na hora de arregimentar pessoal para prencher os vazios das instituições públicas, promovem os concursos de provas de conhecimento, aptidão física e assemelhados, mas esquecem de adotar um sistema de avaliação psicológica. Digamos, um candidato que não tem nenhuma aptidão para servir ao público passa no exame de conhecimento e é nomeado para fazer atendimento ao público num balcão do INSS. Coitado dos segurados. Outro que ñ tem nenhuma aptidão para trabalhar diante de um computador, é obrigado por força de uma nomeação a aboletar-se diante de tal para ‘trabalhar'(ñ trabalha, e se o faz, faz enfezado). Certamente o func. público assim contratado é um desserviço ao Estado e ao cidadão. A mesma coisa é com policiais, seja de qualquer das polícias. Uns vão para dar carteiradas, outros para fugir do desemprego civil, alguns para tirar proveito do cargo e para mostrar que é ‘autoridade’. Até juízes existem que não são vocacionados. Isso é uma lástima para o serviço público. Instituam-se, pois, exames vocacionais como pré-requisito, de carater eliminatório, para ser servidor público. Acho que isso minoraria o sofrimento do cidadão, que é, finalmente, quem paga a conta. Salvo melhor juízo.

  9. Comentou em 18/05/2006 Rubens Hossamu Morita

    A responsabilidade pela disseminação deste infundado conceito de Direitos Humanos é total da imprensa, que se apoiando no preceito de liberdade promove a irresponsabilidade. A boa imprensa é a da liberdade com responsabilidade, e quando estes conceitos fundamentais não caminham no mesmo rumo, abre-se brecha para arbitrariedades. Cercear a imprensa de liberdade devido a essa irresponsabilidade é ser arbitrário, portanto é de fundamental importância que os organismos de imprensa reflitam sobre sua verdadeira importância, dentro de um estado livre e de direito.

  10. Comentou em 18/05/2006 Rubens Hossamu Morita

    As inserções dentro de programas de televisão, que como organismos sujeitas a concessões públicas e, portanto obrigadas a informarem, entreterem e educarem tem sugerido algo de muito grave para a sociedade, que é a dicotomia entre os anseios da sociedade em sua totalidade e os anseios dos organismos de Direitos Humanos. Essa dicotomia não deveria existir. Os organismos de Direitos Humanos preocupam-se sim com as vidas dos policiais que estão sendo desperdiçadas nesta barbárie, uma vez que o pressuposto pétreo destes organismos é o respeito à vida. A imprensa sensacionalista tem frisado com veemência o inverso.
    Os organismos de Direitos Humanos são a favor da vida independente de quem seja. O sacrifício a esmo de pessoas, sejam elas dentro da criminalidade, seja ela fora, insere na sociedade o germe da vingança, e do descrédito no estado de direito e portando ao invés de coibir a violência, a endogeniza nos padrões morais, fato gravíssimo pressupondo a inserção do Brasil em um estado moderno.
    (Continua)

  11. Comentou em 18/05/2006 Rubens Hossamu Morita

    Direitos Humanos em momentos de crise O problema da violência no Brasil chegou a um estágio de pré-terrorismo, têm afirmado os especialistas. As notícias que recebemos nos chocam e nos preocupam porque o Estado brasileiro é incapaz de adotar soluções ótimas no curto prazo devido a sua falta de organização, já as soluções de longo prazo são bem conhecidas e discutidas. Porém algo que não tem sido bem explorado e discutido nestes momentos de crise. É o papel das organizações de Direitos Humanos. É muito preocupante no nosso país, que nestes momentos estas organizações tornam-se alvo de violentas críticas, muitas vezes infundadas. Os organismos de Direitos Humanos nunca foram movimentos de apoio ao banditismo, pelo contrário, sempre apoiaram medidas de contenção da criminalidade. Porem surge nestes momentos de crise um elemento preocupante dentro da sociedade, o preconceito. O escritor deste humilde desabafo gostaria de perguntar a você, leitor, o que são e quais as funções destes organismos de Direitos Humanos. Quem tiver a reposta certa certamente saberá que o que tem se dito na imprensa são deduções caluniosas e preconceituosas. (continua)

  12. Comentou em 18/05/2006 Alexandre Rodrigues Alves

    A MÍDIA APENAS QUER O ESPETÁCULO NESSA CRISE DA SEGURANÇA PÚBLICA(QUE VEM HÁ MUITO TEMPO)…SÓ TRATAM DE CRIMES COM ALGUMA REPERCUSSÃO E NADA É FALADO DA SEGURANÇA PARA A POPULAÇÃO COMO UM TODO; SÓ É FALADO QDO ACONTECE ALGUMA COISA DESSE NÍVEL…A FALÊNCIA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES É ENCOBERTA ENGANANDO O POVO, DIZENDO QUE O VOTO MUDA TUDO, QDO O QUE TEM DE ACONTECER É UMA MUDANÇA COMPLETA EM NOSSO PAÍS…

  13. Comentou em 18/05/2006 Lazlo Kovacs

    A ‘solução final’ preconizada como meio profilático da bandidagem é inversamente proporcional ao uso da inteligência policial (no seu sentido técnico) na esfera preventiva. Não é de hoje que se discute os meios que a polícia utiliza para investigar e combater crimes. A ‘porrada’, a tortura, a alcagüetagem ainda são os meios. O problema ocorrido em São Paulo expõe a ineficácia dos meios utilizados e a fragilidade da cidade como um todo. Infelizmente, as autoridade serão obrigadas a admitir que, com um pouco de inteligência e logística, é possível realizar um grande estrago. Aos que pensam que saio em ‘defesa’ do crime organizado, seria melhor se ater aos fatos – as autoridades ficaram confusas e amedrontadas, mas não quiseram ‘perder o rebolado’ frente a imprensa. Desculpem, mas a polícia precisa repensar o que faz.

  14. Comentou em 18/05/2006 Eucimar Oliveira

    Caro Mauro, me desculpe a impertinencia, mas acho que num bom, preciso e isento (ao seu jeito) exercicio de memoria, a questao do esquadrao da morte em Sao Paulo, do Fleury e do Fininho, deveria, numa versao poltergeister do blog, sair da tumba para que todos vejam quanto aterradora, estupida, inócua é a defesa do extermínio. Leitor do blog. Imagine a sua empregada, a quem voce paga mal e exige muito, use os seus 400 reais mensais para investir na educaçao do filho. Imagine esse jovem no local e hora errados assistindo a execucao de prováveis delinquentes. Imagine depois o luto dessa empregada de que voce tanto gosta e nem tanto remunera. A logica dos esquadroes é nao deixar rastros. Danem-se as testemunhas, inocentes que sejam. Para quem defende isso, um voto: esteja no lugar e na hora certos para nao testemunhar. So assim voce poderá continuar vivo para defender a tese da aniquilaçao. Abrs.

  15. Comentou em 18/05/2006 Ruy Alkmim Rocha Filho

    Matança e a Globo.

    ‘A matança promovida por policiais, sem critério, para mostrar ‘firmeza’ (no fundo uma monumental insegurança), vai piorar as coisas.’
    Permita-me discordar um pouco: qualquer tipo de matança – com ou sem critério – piora a situação. Não basta criar e implementar políticas de segurança pública mais eficientes. Não basta melhorar salários dos policiais, fornecer equipamento, combater a corrupção. Não adianta apenas atacar a consequência do problema. É preciso combater a origem oferecendo empregos e educação.

    Aliás, eu fiquei assustado com o grandioso esforço do jornal da glabo para contradizer o presidente na noite de ontem (17/05/2006). Lula afirmou que o investimento em educação é uma forma de evitar o crescimento da criminalidade. O jornal apresentou a opinião de dois especialista contrários a idéia defendida pelo presidente. Para fechar, uma nota coberta comparou a criminalidade no Brasil com os números de outros três países (Geórgia, Peru e outro país do qual não me recordo). Geórgia e Brasil que apresentavam menóres percentuais de analfabetismo, tinham os maiores índices de criminalidade. Brilhante conclusão do jornal: colacar crianças na escola em nada favorece o controle da criminalidade.

    Restam duas conclusões: ou os reponsáveis pelo jornal não acreditam na importância da educação, ou querem contradizer Lula a qualquer custo.

  16. Comentou em 18/05/2006 João Miramar Poty Guara

    Caro observador:
    Não lhe ocorre que sem a cobertura espalhafatosa, novelesca, dos ataques São Paulo poderia continuar sua vida normal, afinal não se passa um final de semana sem 50, 60 mortos – a maioria pela própria polícia.
    Há um cumplicidade cristalina entre o que pretendia o crime organizado e o que a midia cumplice acabou desencadeando. Cadê o conceito de serviço público: por que a autoridade não requisitou todos os meios para informar os acontecimentos (claro, com a participacao de observadores).
    E a sociedade paulistana, que tanto investe em segurança privada… que autoridade os donos de lojas em bairros ricos fecharam suas lojas… aumento a sensação de pânico…

  17. Comentou em 18/05/2006 Maria Izabel Ladeira Silva Silva

    Prezado Mauro. Concordo 200% com sua avaliação. A tática do ‘bateu, levou’, quando exercida pelo Estado de Direito, é sinonimo de incompetência e desinteligência, é a barbárie pura e simples, prática comum aos grupos terroristas e à máfia. O Estado tem que ser duro e intolerante, mas dentro da Lei, do aparato judicial, com competência, trabalho árduo, policiais bem treinados, armados e bem pagos, seriedade e dedicação. A tortura, a vendeta, a violencia indiscriminada, é coisa de bandido!

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