Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Mentalidades

Por Mauro Malin em 17/02/2006 | comentários

Quase tudo, de Danuza Leão, é um livro excepcional. Entre várias passagens que fazem referência à mídia, ou, de modo mais amplo, à maneira como funcionam as cabeças no Brasil, encontram-se estas duas:


Rede Globo, página 187:


Faltavam apenas três meses para acabar meu contrato, quando um dia recebi um telefonema da Globo dizendo que eu estava demitida [Danuza era produtora de arte de novelas]. Assim, por telefone e sem explicações. Não entendi, perguntei a razão, e tive o indefectível ´ordens lá de cima´ como resposta. Minhas relações com Sílvio [de Abreu, novelista] continuavam ótimas, e, quando liguei para contar, ele também ficou perplexo. Mas tive minhas suspeitas e, depois, umas informações. No domingo anterior, tinha dado uma entrevista para o caderno de TV do Estado de S. Paulo na qual perguntavam meus programas preferidos, essas coisas. Nas minhas respostas a Globo pouco aparecia, e, no quesito telejornal, a resposta foi ´o do Boris Casoy´, que era do SBT. Isso, na Globo, costuma dar demissão – e deu”.


Jornal do Brasil, páginas 203/4:


Danuza descreve uma campanha de sua coluna no Jornal do Brasil para trocar o nome do Aeroporto do Galeão por Aeroporto Internacional Maestro Antonio Carlos Jobim. A certa altura é chamada pelo “Dr. Nascimento Brito, na época o dono do Jornal do Brasil”, que “era um lorde. Muito elegante, muito educado, sempre deu total liberdade aos jornalistas, que escrevessem o que quisessem”.


Ele diz a Danuza que deveria interromper a campanha. “Mas como, de repente, não falar mais de um assunto que era a cara da coluna? E os leitores, e os apoios que eu estava recebendo? Dr. Brito, mansamente, me disse que o Jornal do Brasil tinha, desde que fora fundado, uma posição: era contra a alteração do nome de qualquer logradouro. Eu não precisava parar de repente, mas que fosse diminuindo a freqüência com que falava do assunto; os leitores iriam esquecendo, e pronto. E terminou com esta pérola: ´Esse rapaz [Tom Jobim], minha filha, lá fora ninguém sabe quem é; só aqui algumas pessoas o conhecem´. Diante disso lembrei que manda quem pode, obedece quem tem juízo, e eu não ia convencer dr. Brito de que Garota de Ipanema era a segunda música mais gravada no mundo, até porque ele não ia acreditar. Fiz o que ele mandou, mas já era tarde, e alguns meses depois tive a honra de ser convidada pelo presidente Fernando Henrique para ir a Brasília assistir ao ato em que ele assinaria a mudança do nome do aeroporto para Maestro Antonio Carlos Jobim”.

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