Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Mídia, Inquisição e vã filosofia: tudo pela causa

Por Luiz Weis em 05/11/2005 | comentários

Pessoas muitas vezes acreditam no que lhes convém. Ou dizem o que convém às suas convicções. Mas algumas pessoas são menos livres do que outras para fazê-lo. Intelectuais públicos e jornalistas, por exemplo, se forem fiéis à ética de seus respectivos ofícios – que consistem, cada qual a seu modo, em lidar com a verdade – não emprestarão os seus nomes e o seu eventual prestígio para que mereçam fé as suas crenças, por manifestamente falsas que sejam.

Mas foi o que acabou de fazer a filósofa – e “intelectual orgânica” do PT – Marilena Chaui.

Convidada a falar no sindicato dos metalúrgicos do ABC sobre “Ética na Política” – ou, mais exatamente, sobre “por que a direita quer criar, a imprensa alimenta e você deve entender a crise”, como dizia o jornal do sindicato, citado na Folha de hoje pelo atento repórter Ricardo Melo – afirmou algo que há de ter feito chacoalhar no seu túmulo os ossos do pensador que ela mais parece admirar e de cuja obra é considerada especialista no Brasil, Spinoza.

Benedictus de Spinoza, seu nome oficial, ou Baruch Spinoza, em hebraico, como o haviam batizado seus pais judeus [as palavras são sinônimas], nasceu em Amsterdam, Holanda, em 1632. Não nasceu em Portugal, nem o seu sobrenome é Espinhosa, porque os seus ascendentes dalí fugiram, tangidos pelas perseguições antijudaicas da Santa Inquisição e para escapar aos horrores do seu Tribunal do Santo Ofício.

Pois bem: a uma pergunta da platéia, no sindicato berço do PT, a spinozóloga Chaui não teve dúvidas em afirmar que a mídia brasileira é “pior” do que a Igreja Católica nos tempos inquisitoriais.

Eis o aberrante silogismo da professora: a Inquisição “operava pela produção visível, direta e clara do medo”; a mídia “opera não só por meio da destruição de pessoas, opera pela acusação sem provas”. Logo, ela é mais nefasta do que o medonho braço do catolicismo que torturou e queimou dezenas, se não centenas de milhares de pessoas, na Europa, América Espanhola e Brasil.

E que dizer da sugestão da doutora de que a mídia brasileira sim, mas a Inquisição não operava “pela acusação sem provas”?!

Nos bons tempos, quando a estrela petista reluzia e a estrela do petismo na Academia ainda não parecia ter mandado às favas os seus presumíveis escrúpulos de consciência, na guerra contra os inimigos reais ou imaginários de seu partido, ai do aluno dela que dissesse uma barbaridade dessas.

Também pode ser confortador para a militante filósofa – não confundir com filósofa militante – acreditar que a crise que tirou o PT do eixo e sobe, passo a passo, a rampa do Planalto foi o produto da ação individual de um fabricante de dossiês, conforme reportagem da Caros Amigos, “para derrubar o Lula, porque ele não gostou do Lula”, como ela explicou aos metalúrgicos que a ouviam.

Já escrevi outras vezes que todos temos direito às nossas próprias opiniões, mas não aos nossos próprios fatos [a frase, por sinal, não é minha]. E, a menos que se creia na sempre mirabolante teoria conspiracional da história, os fatos da crise são que ela nasceu de uma arapongagem de um prestador de serviços que, julgando-se prejudicado pelo funcionário dos Correios Maurício Marinho, fez gravar e divulgar a cena em que este aparece embolsando R$ 3 mil. Marinho deu uma entrevista dizendo que o capo das maracutaias na estatal era Roberto Jefferson. O deputado, para se vingar dessa e de outras desfeitas que diria ter sofrido, acusou o PT de pagar mensalão a políticos.

A história está cheia de falsos pretextos para ações, ou reações políticas. Em 1933, os nazistas mandaram pôr fogo no Reichstag [o parlamento alemão] e puseram a culpa nos comunistas, para implantar a ditadura de Hitler. Em 1937, militares brasileiros de extrema-direita forjaram o Plano Cohen, uma imaginária conspiração contra o governo, que deu a Getúlio Vargas o motivo para implantar o Estado Novo.

Agora, para defender o indefensável e dar a volta por cima, petistas e seus amigos invertem o procedimento: se saem com a sua conspiração particular que parece excluir até os “erros” que os próprios ex-dirigentes do partido reconheceram. Foi tudo “para derrubar o Lula, porque ele [o fazedor de dossiês] não gostou do Lula”.

Em tempo: a obra, publicada em 1677, que colocou Spinoza no panteão da história da filosofia e que a professora Marilena Chaui estudou talvez como ninguém por aqui se chama simplesmente “Ética”.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/11/2005 Rinaldo Valença

    Lembro-me quando criança admirava o exercício da medicina, expecificamente o Médico, um verdadeiro herói.
    Também uma admiração incondicional aos jornalistas, sempre lutando de forma gramatical contra os poderosos, coronéis, políticos interessados apenas em garantir o poder.
    Hoje vejo Médicos formados em escolas públicas enojados em tocar nos miseráveis que dependem de assistência, socorro, risco de morte, discriminados por estarem na margem da dignidade humana.
    Hoje vejo em jornalistas aflorar preconceito racial, social e de forma clara desrespeito a instituição presidêncial como se trata-se de meros trabalhadores, escravos.
    Ignoram toda uma história que garantiu respeito internacional, tudo com o intuito de evitar uma reeleição.
    Nada contra ser Médico nem algo contra ser jornalísta, agora é inconcebível a forma que as notícias chegam as classes menos providas de informações transparentes. Não é possível que manchetes sejam fatos sem concistência material ou fontes confiáveis.
    Tudo é verossímel? Todo político é ladrão portanto fechem o congresso.!

  2. Comentou em 07/11/2005 Adriano Marchiori

    O Observatório faz o seu papel,mas a Chauí não está de tomdo errada. Porém o PT não pode de uma hora para outra sair do status do partido oriundo da etalúrgia para a sigla que define nas seguradoras o sinistro pt (PERDA TOTAL). A imprensa brasileira é superficial e atende aos interesses apenas da venda de notícias, ela não preocupa-se com a educação ou com o futuro do país… é midia de massa e produz coisas sem o devido refino. Trabalhem a história do país como um todo e verão que as circunstâncias que levaram o PT ao desatino contaminam e contaminarão sempre a nossa história pois o país não é administrado por Brasília e sim por interesses lá de fora. Os jornalistas neste país são meros produtores de novelas e de novela em novela o país vai perdendo o filme da boa história. por favor jornalistas sejam mais didáticos e menos parciais. O PT não é mais sujo que o PMDB, PSDB OU QUALQUER OUTRO ‘PARTIDO’.

  3. Comentou em 07/11/2005 Maria Tereza Murray

    A culpa deve ser da midia, como ousaram publicar os (mal)feitos do PT ?
    Se fosse na época da Inquisição iam pra fogueira…..
    Ética, o que é isto ??? Perguntem ao Delúbio, Marcos Valério, José Dirceu, Genoíno etc, eles devem saber….

  4. Comentou em 07/11/2005 celina nascentes

    Tinha que ser no ‘OBSERVATÓRIO’,este seu artigo?
    Analítico sem manipulação a si,como alguns na mídia trabalham.Informativo como se espera do jornalismo e correspondente ao fato tanto do pensamento atual quanto do repassado,que é o de Spinoza.
    Perfeito em tudo,vai em frente que a gente vai com voce.
    Falam por todos os lados de Ética.
    Voce esta certíssimo,Spinoza é ÉTICA,atravez da Moral.
    Moral de Spinoza é o que justamente temoriza e quem mais se atreve sabendo que sera execrado excomungado e apatriado como foi Spinoza.Isso não acontece tambem no jornalismo?

  5. Comentou em 07/11/2005 Artur Furquim

    É que reina a imparcialidade e a hipocrisía, se ficasse comprovado que o governo de Lula desviou 25 milhões de reais do Ministério do Trabalho como fez FHC, isso estaria estampado em letras garrfais em todas as bancas nas capas da Veja, Época e Folha de SP.

  6. Comentou em 07/11/2005 Edson Pessoa

    Estamos assistindo os desdobramentos dessa crise já faz bastante tempo. Os vícios e mazelas praticados pela nossa classe política estão sendo agora desnudados como nunca foram anteriormente. Como não poderia deixar de ser, os diversos agentes envolvidos, tanto de ‘oposição’ quanto de ‘situação’ estão eufóricos, ora atacando, ora defendendo, ora atacando para se defender, etc. Um turbilhão de fatos, denúncias, acusações, comentários, e é claro, as suas respectivas análises políticas são noticiados diariamente através dos diversos veículos de imprensa. Enquanto isso, nós os cidadãos – principais clientes dessa imensa estrutura de Governo e de Comunicação, somos atropelados ao tentar fazer a devida análise individual e consequente tomada de decisão sobre o nosso melhor posicionamento político. Temos que filtrar as diversas tendências políticas e econômicas que poluem o teor das notícias. Deveria haver mais respeito ao cidadão tanto por parte das instituições como por parte da imprensa. Não precisamos que tornem a crise mais ‘cabeluda’ do que é.

  7. Comentou em 07/11/2005 Osmar Oliveira

    Tem algo de podre no ar, pois quando prestou depoimento na CPI dos correios, Marcos Valério disse com todas as letras que agiu na campanha petista exatamente como o fez nas outras campanhas e a imprensa não se pronunciou a respeito, o caixa 2 é uma prática que se confunde com a história política do Brasil e a mídia faz parecer algo novo que o PT inventou, eu não sei até onde vai essa hipocrisia mais que esse governo está sendo o melhor governo dos últimos tempos para nós que produzimos ninguém pode negar, mas a imprensa faz questão de ignorar, como ignorou todos os casos de corrupção do governo anterior alguns deles aqui citados, se isso não é ser parcial o que pode ser então?

  8. Comentou em 07/11/2005 João Fabio Cese

    Prezado Weis,

    Perdoe-me a falha de colocar seu sobrenome com dois ‘S’ no comentário anterior.

  9. Comentou em 07/11/2005 João Fabio Cese

    Caro Weiss,

    O que às vezes cansa nesse processo é a constatação da falta de imparcialidade e o assoberbamento das paixões ao tratar da atual crise. Assim como ocorreu no tempo de FHC, quando o governo de todas as formas fugia das acusações que lhe eram imputadas, as pessoas ligadas ao atual governo – seja por vínculos reais ou apenas ideológicos, para citar os que livremente o defendem – adotam a mesma estratégia: negar os fatos, que são claros como a luz do dia. Por exemplo, estou cansado de ver nosso presidente ser justificado apenas porque veio de “origens humildes”. Por quê? Quem concebeu a teoria de que “todos os pobres são honestos”, ou “todos os ricos são canalhas”? Ou não temos nos registros policiais igualmente pobres e ricos criminosos? Quem disse que o “ser humilde” é salvo-conduto para a probidade? E, inversamente, poderíamos dizer: quem disse que o “ser professor doutor” é passaporte para a competência ou honestidade? Quisera fosse assim! As coisas seriam bem mais fáceis. Num mandato, elegeríamos um “professor doutor”. Qualquer um. No outro, um sujeito humilde – fosse quem fosse. E assim também ocorre com os partidos ou com as tendências. Por exemplo, hoje há o conceito plenamente difundido de que só a “esquerda” é correta e moderna, e que a “direita” é rançosa ou decadente. Por quê? O sr. Stalin, ao que me consta, era de esquerda. E o sr. Hitler, de direita. E podemos todos concordar que, numa reunião, teriam ambos muitos pontos comuns a confraternizar. Por isso é ridícula essa frase-chavão de “as forças da direita estão tentando ou perpetrando isso ou aquilo”, como se a verdade absoluta estivesse apenas de um lado. O que me entristece, ao final, é resumirmos tudo a esse debate pobre sobre a suposta “culpa da mídia” a respeito da crise, quando estamos perdendo a oportunidade de olhar para o futuro e refletir profundamente para onde estará indo o país que sonhamos para nossos filhos.

  10. Comentou em 07/11/2005 Julio Cesar Lopardo Alves

    O jornalista Luiz Weis está correto: Marilena Chauí filosofa para justificar suas convicções, pelo menos quando se manifesta sobre a atual crise política. Seria o caso de perguntar se o termo cunhado por Frei Beto não se aplica à nossa filósofa: seria ela uma “militonta”? Por falar nele, o que será que o Frei pensa da comparação da filósofa? Uma coisa é certa, quando percebeu que os “militontos” não eram os radicais de esquerda que defendiam o voto nulo, mas sim os que defendiam Lula, ele abandonou o barco. O argumento do “golpe das elites” é ridículo, é lamentável que uma suposta (empreguemos uma palavra muito em moda) intelectual orgânica sustente argumento tão pífio. Para começar, a “direita” PSDB-PFL e a “esquerda” PT em quase nada diferem, mas não se trata aqui de engrossar a idéia de “fim da história”, defendida por pensadores fim de feira. É muito simples, todos os partidos são partes da democracia dos ricos (vale lembrar que o Brasil é um dos países mais desiguais do Mundo), todos são financiados por poderosos grupos empresarias, e defendem estes interesses com unhas e dentes. Não há segredo.

    Mas Weis está equivocado: a grande mídia brasileira exerce sim um papel nefasto. Compará-la com a Inquisição é outra questão, mais complicada e menos importante. O slogan deste “observatório” é “você nunca mais vai ler jornal da mesma forma”, da minha parte digo o seguinte: nunca mais lerei jornais. Digo isso não exatamente devido a este observatório, mas sim pelas diversas manipulações midiáticas a que assisti. Jornal para mim só serve para mostrar a tabela do campeonato brasileiro, a programação cultural e o horóscopo (foi o João Bidu que afirmou que eu tinha algo muito importante para dizer, e que eu não deveria ser mesquinho, deveria, isto sim, socializar tão grandiosa opinião). O finado insepulto Karl Marx já dizia algo tão óbvio quanto esquecido, não haverá liberdade de imprensa enquanto as empresas de comunicação forem privadas. Ora, interesses privados podem até convergir com interesses públicos, mas podem também, e isto é o mais provável, divergir dos interesses públicos. Precisa ser intelectual orgânico para perceber isso? Um milhão de ombudsmen (Será que é assim que se redigi o plural de ombudsman? Sei lá. Também, ombudsman no Brasil parece Papa, só tem um. Como é que eu vou saber o plural. Alguém aqui sabe o plural de Papa?).

    É engraçado que os observadores da imprensa: Dines, Malin, Nader, Weis e o Nassif (este não contribui neste endereço, mas escreveu um livro muito interessante: A mídia nos anos 90); em geral acreditam que é possível melhorar a grande mídia, mas na prática eles relatam exatamente o contrário. Como escreveu o Weis: “Pessoas muitas vezes acreditam no que lhes convém. Ou dizem o que convém às suas convicções”. Esclareço que cito este trecho com a mesma intenção que o autor quando o empregou contra a filósofa.

    Para finalizar, à parte as brincadeiras, quero registrar o meu contentamento para com este “observatório”, discordo dos observadores, para mim, a grande mídia obedece e defende interesses privados muito concretos. No entanto, este espaço é muito útil para a formação de opiniões, a única forma de tentar evitar as manipulações é recorrer à diversificação das fontes. Este observatório está entre as minhas fontes.

  11. Comentou em 07/11/2005 joão kroska

    Para quem não sabe esses parlamentares que posam de paladinos da justiça nas CPIs, são os mesmos que quando estavam na situação, ajudaram a sepultar as PCIs queiriam apurar as irregularidades nas privatizações, nas empreiteiras e na compra de votos para a releição de FHC, quando voltarem a ser situação (que Deus tenha piedade), voltarão a ser os velhos engavetadores de sempre.
    A corrupção nos correios começou no governo FHC e a imprensa não falou nada,
    A corrupção no BB também começou no governo anterior e a mídia se fez de surda,
    O caixa 2 começou a aparecer com Azeredo no governo anterior e a impensa se calou,
    O desvio de 25 milhões do Ministério do Trabalho também foi no governo anterior e a mídia mais uma vez ignorou será por quê?

  12. Comentou em 07/11/2005 Lucinei Lucena

    Mais importante do que qualquer tipo de patrulhamento ideológico (infelizmente muito comuns e generalizados), é compreender, como bem lembra o Professor Candido Mendes, que a grande imprensa está monopolizada pela visão de mundo das classes médias da sociedade. Isso é muito importante porque as classes médias (no plural mesmo) não são homogêneas em sua constituição nem mesmo, pois, em sua visão de mundo. Por outro lado é muito claro que parcela significativa dessas classes médias se identificaram e se indentificam objetivamente com o ‘projeto’ do PSDB e do PFL desde a sobrevalorização do Real, que lhes permitiu A farra de importados, viajens ao exterior, vinho francês, etc.
    Há ooutros setores que sempre foram ‘anti-esquerdistas’ mesmo. Ou seja: são esses que, aliados aos interesses, também objetivos das empresas, formam a maior e mais significativa parte da grande imprensa.
    Enfim: isso explica suficientemente o pouco caso em melhorar as instituições políticas e concentrar se-le-ti-va-men-te as críticas ao PT. Mais:ao José Dirceu, que foi um dos responsáveis pelo fato de o PT não continuar fazendo campanha de macacão com megafone nas portas de fábricas e, portanto, conseguir que o Lula fosse eleito.

  13. Comentou em 07/11/2005 Paulo Bandarra

    Engraçado que antes a mídia não era inquisitorial e nem tendenciosa! Quando acusava José Sarney, Fernando Collor ou FHC era tudo verdade insofismável para os militantes petistas (leia-se Marilena Chaui)!

    Como disse José Dirceu, ao ser confrontado pela mídia (sempre esta mídia!) que quando do processo de cassação do Ricardo Fiúza, Zé Dirceu fez um empolgado discurso em que disse que todo mundo sabia que Fiúza era corrupto e não precisavam provas.

    Parece que as provas robustas agora são “relativas” para os manifestantes que se expressam aqui! Corrupção de esquerda é virtude e não safadeza!

    Alegar uma conspiração de direita contra a condução da economia o mais ortodoxa possível dos últimos 100 anos no país é piada! A direita vai querer a volta da economia das falácias que obriga o país a chamar o aval do FMI a cada trimestre? Depois de 40 anos o mesmo dispensou as correções ortodoxas que são perseguidas com todo o denodo!

  14. Comentou em 07/11/2005 William Mariano Pinheiro

    Não sou professor, não sou filósofo, tão pouco político, apenas um cidadão acompanhando os fatos políticos com mais atenção nos últimos tempos. Ultimamente venho lendo editorias, ouvindo notícias e reportagens de todas as tendências e opiniões. O que sinto nisto tudo é que para a oposição é sempre fácil cornetar e amplificar os fatos e a notícia, para a imprensa cabe o ato de divulgá-los, às vezes com certa tendência, às vezes com certa ironia e em outras com certa arrôgancia. Aos políticos do governo cabe a sua defesa, a sua argumentação a busca de provas contundentes para provar ao contrário, e parece-me que isto não ocorre, e isto é que esta irritando eleitores do Exmo. Sr. Presidente sobre todo o acontecimento. Que a Oposição esta jogando baixo, todos estão vendo isto. Que a Imprensa esta se lambuzando de tudo isto e até mesmo apimentando com algumas coisas sem uma fonte ou provas contundentes, também todos estão sabendo. Agora, caberia aos representantes ‘Ilustríssimos’ do PT, não a vingança, o sinísmo, o contra ataque desordenado, e sim, dissernimento, cautela, equilibrio e provas ao contrário, atitudes mais agéis e rápidas para conter os desmandos e a arrogância que alguns transmitem em seus cargos ‘públicos’ parecendo-lhes que a eles pertencem por direito e deveres cumpridos. No passado tudo podiam e faziam, agora ninguém pode fazer ou dizer, o que é diferente de tudo que acontece agora, seja absoluta verdade ou não, com o que acointecia no passado recente. Porque agora ninguém pode questinoar, denunciar, se sentir ultrajado ou envergonhado e no passado isto tudo era buscado incessantemente. Por que criticar agora os que querem uma explicação mais objetiva e séria sobre os acontecimentos´, isto não é mais razoável e políticamente correto do que o FORA FHC. Acho que os os governistas deveriam gastar suas energias, ionteligência e filosofias não em contra atacar tudo e todos como se toda a população fosse ‘débil’ e seres não pensantes e sim passarem a dar explicações mais óbivas sobre os fatos, mais claras sobre as denúncias e pregue punições exemplares aos envolvidos. Será mesmo que a culpa disto tudo é somente da Mídia, ou será a auto-proteção partidária dos envolvidos, as desculpas esfarrapadas, o ataque é a melhor defesa que acabaram alimentado tudo isto. Assumir responsabilidade, dar satisfações de fatos incontestáveis e punir envolvidos desde o começo não teria alimentado esta situação que atingem e envergonha todos nós brasileiros independente de partido e ideologia.

  15. Comentou em 07/11/2005 José Carlos Barroso Gadelha Neto

    Olá, Colega Weis.
    Das bandas de cá do PR, como outros já notaram é fácil escamotear a Sra. Chaui, aliás, lembrado por ti, e sempre atento aos fatos…ahh..os… fatos- diz Espinoiza, antes de tudo aos fatos. Todavia é certo que Chaui, como especialista, deva ter no seu engodo, pra nao dizer maiores hostilidades, ofende e muito o bom senso. Enfim, pensar a partir daí numa postura crítica talvez seja demais na cegueira a qual esta encerrada a Sra. Chauí. De novo, vale repetir Espinoza, a saber, antes de tudos aos fatos.

  16. Comentou em 07/11/2005 Eduardo Mammini

    Uma pena q na louca corrida ao Poder, o PT acabou utilizando como combustível para lhe dar mais impulso a própria ética, honestidade e idoneidade. Este artifício foi tão utilizado que hoje ao se defenderem os petistas não vêm que não adianta continuar com a mentira e negação da verdade escancarada pelos fatos, negam os fatos como uma Poliana. E, passam a acreditar nas próprias mentiras, na tentativa de não verem que o rei deles está nu.

  17. Comentou em 07/11/2005 josimar bezerra bezerra

    como diria o compositor, walter franco, ninguen faz a minha cabeça só a tua cabeça.o que eu quero dizer o problema não é a mídia ter opinião como ela tem no brasil, o problema é você se deixar leva pela opinião da mídia.eu estive no debate e eu não ví o seu luis weiss, isso que ele escreveu é opinião dele, a qual eu não concordo.

  18. Comentou em 07/11/2005 Aluizio Amorim

    Caríssimo Weis,

    essa filósofa está toda equivocada. Seu partido, o PT, está liquidado. Eu acho interessante é que essa gente do PT, como a Marilena, mulher letrada, tem uma cabeça tão miúda. Eu votei em Lula, sempre me perfilei à esquerda, mas chega um momento em que a gente tem de admitir que está equivocado, que certos conceitos perderam operacionalidade ou são hipostasiados por conta do marxismo vulgar. É duro ter que admitir certas coisas. Mas a grandeza de uma pessoa está exatamente nisso: reconhecer que certas crenças, teorias e, sobretudo, ideologias, perderam todo o sentido.
    Nas minhas contas, vive-se uma crise na filosofia política que moldou o pensamento ocidental, pelo menos nos últimos duzendos anos. Fatos são fatos. Agora, quem quer ter visões, que vá ao cinema, como dizia Max Weber.
    E aproveito para convidar vc e seus leitores a visitarem o meu blog: http://oquepensaaluizio.zip.net.
    Cordial abraço do
    Aluízio Amorim
    Cordial abraço

  19. Comentou em 06/11/2005 Bruno Corrêa Leite

    Concordo plenamente com a internauta Renata. O ilustre ‘repórter’ Weis continua não acompanhando os acontecimentos que envolvem o governo, a ‘crise?????’ e a ‘mídia??????’. Se acompanhar enxergará, sem muito esforço, a união entre a elite, oposição e ‘mídia????’ contra um governo democraticamente eleito pelo povo.

  20. Comentou em 06/11/2005 Vivian Stipp

    Concordo em número, gênero e grau com a filósofa. A prova de que sua análise é correta, é a própria reação da imprensa, aqui personificada pelo sr. Weis:’Como alguém ousa criticar a imprensa, a mídia ou os meios de comunicação?!’ A qualquer crítica ouve-se o ranger de dentes e respostas enfurecidas, como se se a imprensa fosse uma entidade sacra e quem a contesta, herege. Ante tudo o que temos visto e lido, só os jornalistas mesmo para se levarem a sério!O festival de absurdos, erros grosseiros, mentiras, manipulações, acusações sem provas, julgamentos sumários que temos visto ocorrer nesta mesma ‘santa’ imprensa, é de deixar qualquer inquisidor rubro de vergonha. Existem muitos meios de torturar e matar pessoas, includive assassinando sua reputação e honra. Marilena Chauí: você continua brilhante como sempre.

  21. Comentou em 06/11/2005 Beto Venturini

    O jornal O Estado de S. Paulo já esta preparando terreno para um futuro impeachment de Lula, pois se articula muito bem com a oposição dando destaque de doutores da moralidade e ética na política para ACM neto, Bornhausen, Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e claro os “adorados” Serra e Alckmin. O tucanismo do jornal é explicitado em editoriais, noticias manipuladas e claro que toda semana há uma média de 4 a 5 artigos de ex-membros do governo FHC e do próprio FHC nas primeiras páginas do jornal. Até ai não há problema, mas onde estão os artigos dos que tenham opiniões e idéias diferentes? Cadê a liberdade de expressão? Quer dizer, há liberdade de expressão no país, só que os editores da grande imprensa fazem a própria censura com essas diferentes correntes de pensamento, assim não há espaço para essas diferentes opiniões, a não ser em imprensa mais independente, mas de pouco alcance. Como leitor do jornal Estadão, nem minhas opiniões são publicadas na seção dos leitores e sempre publicam aquelas que são mais reacionárias e a favor da oposição. Será que essa política do jornal em não publicar opiniões diferentes dos próprios leitores é democrática?
    Acho que não, pois em seus editoriais se julgam como porta-vozes da “opinião pública”, sendo que isso não é verdade, pois representa sim, o pensamento de uma elite “Daslu” e de partidos de extrema-direita como PFL e PSDB.
    Vou dar um bom exemplo do que é publicado na seção dos leitores. Neste ultimo domingo tem duas opiniões bem reacionárias, mas que representa o que o jornal pensa e quer que seus leitores pensem também. O primeiro é um leitor que pede a “privatização já” de todas as estatais para que a economia não fique engessada por causa desta corrupção e o segundo é outro leitor que critica os protestos contra George W. Bush e diz ainda que o país deveria agradecer sua visita, pois os EUA são o maior parceiro comercial do Brasil, o Bush é um promovedor da “democracia” no mundo e que presta um bom serviço para a humanidade como “polícia do mundo”. É assustador essas declarações, mas pra quem lê o jornal diariamente percebe que é essa a linha que o jornal prega e todos os dias demonstra uma truculência em seus editoriais preconceituosos. O jornal em parceria com a paranóica revista Veja sempre criminalizam o MST por qualquer coisa, mas quando há assassinato de lideranças do movimento e de outros líderes do campo, o jornal silencia e coloca as noticias como rodapé e não expressa nenhuma indignação a esses fatos. Ao contrário, às vezes até elogia e apóia fazendeiros que formam milícias fortemente armadas para fazer a lei do silêncio no campo. Até o trabalho escravo que ainda perdura por todo o Brasil, o jornal faz vista grossa e em seus editoriais leva em consideração a opinião de fazendeiros que dizem que isso não existe e que são perseguidos por fiscais do trabalho. Deve ser por isso que aqueles 3 fiscais foram mortos em Minas Gerais, porque eles estavam perseguindo os “coitados” dos fazendeiros que empregam milhões de pessoas com carteira assinada e graças a estes a balança comercial do país se equilibra. É exatamente isso que se entende nos editoriais desse jornal que como alguns jornalistas mais independentes dizem há muito tempo que o Estadão é vinculado às oligarquias rurais do país, mais especificamente de São Paulo. Como já disse essas idéias e opiniões que o jornal possui e tenta formar em seus leitores é a mesma desses partidos que já citei e o jornal acaba sempre atuando como assessoria de imprensa de alguns políticos como Bornhausen do PFL que deu uma declaração no mínimo fascista em relação aos petistas, de que ficaria feliz em se ver livre dessa “raça” por uns 30 anos, e passou despercebida pelo jornal e a grande imprensa em geral. Mas se fosse o Stédile, já seria publicado em primeira página e choveriam editoriais condenando tais declarações. O pseudo-jornalista Tales Alvarenga da medíocre revista Veja, apoiou as declarações de Bornhausen e disse ainda que infelizmente não seria possível se ver livre dessa “raça” porque ainda tem os esquerdistas tipo Heloísa Helena que vão ter suas “patas” no congresso por um bom tempo. Acho que para Tales Alvarenga e o jornal Estado de S. Paulo a ditadura que perseguia os “subversivos” comunistas poderia voltar para exterminar essa “raça” e ainda o jornal tenta se solidarizar com Herzog, sendo que se este estivesse vivo com certeza não iria ter espaço para a expressão de suas opiniões no jornal e na grande imprensa corporativa.
    O Estadão e a revista Veja estão super empenhados não só para a derrubada de Lula, mas trabalham para a descaracterização das esquerdas,custe o que custar, pois o jornal foi o único a dar destaque de primeira página para a ridícula reportagem da Veja sobre os dólares cubanos. O delírio jornalístico esta tomando conta das redações desses dois veículos de desinformação que parecem ainda viver na guerra fria e ainda assumem o discurso vazio da oposição de que a corrupção nesse governo é a maior que já houve. Acho que eles acreditam em papai-noel também.
    O jornal assim como toda a grande imprensa, pretende e visa com as denuncias tentar acabar com a imagem do PT, mesmo que alguns membros tenham cometido tais crimes, apenas o partido é associado à corrupção e com isso fornece argumentos vazios para partidos como o PSDB e PFL que agora parecem nunca terem cometido tais ilícitos. O problema não é a imprensa denunciar, mas sim o super dimensionamento das noticias de qualquer pequeno indicio envolvendo o PT. Daqui a pouco a Veja vai dizer que o Osama Bin Laden e a Al-Qaeda também financiaram a campanha de Lula e alimentaram o caixa dois do PT. Se a imprensa quiser cumprir o papel que ela deveria ter, ela deveria procurar investigar o caixa 2 de todos os partidos e não apenas de um só. ACMs netos da vida vociferam na televisão criticando o caixa 2 do PT parecendo que o PFL e PSDB não fazem e nunca utilizaram dinheiro de caixa 2.
    Tudo isso tem um propósito: eleições 2006. E para essas eleições o jornal Estadão esta trabalhando para eleger a trupe do PSDB e PFL de volta ao poder e não esta preocupado com a corrupção endêmica do país, mas quer que ela apenas sirva aos empresários e aos coronéis desses partidos.

  22. Comentou em 05/11/2005 Igor

    Valeu Paulo de Tarso de Curitiba! Uma vez relatei aqui a vontade cínica de parte da grande mídia e da elite atrasada em ver fracassar alguém que teve orígem em camadas sociais menos favorecidas. O método Binário se encaixa perfeitamente. Ou ninguém se lembra de que na eleição de 2002 o Serra tentou colar no lula a pecha de despreparado? Mas, como acusar um governo de fracasso quando, ao se comparar com os 8 anos do antigo governante, se os avanços na economia e em parte dos programas sociais é notável e digno de reportagens extensas por parte da imprensa estrangeira?(Ex:The Economist)

  23. Comentou em 05/11/2005 renata silva

    Christian, devo entender pelo seu comentário que os manuais de redação de jornais e revistas nos permitem entender o ‘horror’ que é a mídia? Quanto a sua sugestão de leitura, agradeço. É sempre bom ter um interlocutor com uma cultura mais vasta do que a nossa. E, por favor, é um elogio, não vai aqui nenhuma ironia.

  24. Comentou em 05/11/2005 Paulo de Tarso Neves Junior

    Quer ver um exemplo de táticas da Inquisição?

    Simplificação binária proposta pela oposição com apoio de parte da mídia:

    Se Lula sabia deve ser impedido por omissão.
    Se Lula não sabia deve ser impedido por incompetência.

    Não importa as alternativas, o destino final deve ser um só: a fogueira.

    Acho que o Tribunal do Santo Ofício usava os mesmos argumentos de acusação contra as ‘bruxas’. Ou será que estou enganado?

  25. Comentou em 05/11/2005 Christian

    Perfeito. Vamos então restringir a ação de toda essa imprensa contra-revolucionária, digo, ANTI-DEMOCRÁTICA. Porque parece que no meio petista-acadêmico, revolução e democracia se confundem…

    Para quem quiser contextualizar o pensamento da P. Dra. Marilena Chauí, recomendo que busque na internet a íntegra de sua carta aberta aos alunos de graduação da USP. A partir dessa leitura, é possível compreender que o jornalista e a FSP não descontextualizaram o discurso da professora-filósofa. Ela realmente pensa dessa forma no tocante à atual crise política.

    Mídia e Inquisição: quem precisa de Manual de Redação? Recomendo à professora Renata, a leitura do ‘Manual dos Inquisidores’ para desmistificar sua visão de que a Inquisição foi um ‘horror escancarado’, ao contrário do que acontece na imprensa brasileira com sua ‘suposta pluralidade’.

  26. Comentou em 05/11/2005 Vera Candido

    Concordo integralmente com a leitora Renata. Também entendi assim o comentário da Marilena Chauí, mesmo que fora de contexto. E lamento que o brilhante jornalista Luiz Weis se dê a esse tipo de fofoca.

  27. Comentou em 05/11/2005 Renata silva

    Gostaria de saber se a afirmação atribuída a Marilena Chauí é uma reproduzação completa da fala dela, com todos os antes e os depois, ou é mais um daqueles casos em que o repórter pinça uma frase de um contexto e a reproduz como a totalidade do pensamento de quem a enunciou. Também considero importante um esclarecimento sobre a insinuação de falta de ética da professora ao fazer uma comparação Inquisição – Midia, a qual permite leituras diversas. Por exemplo, posso entender que Marilena Chauí tenha dito o seguinte: a inquisição era um monstro visível, escancarou e assumiu a sua face de horror. A grande imprensa brasileira, por sua vez, mascara sua truculência na suposta pluralidade de opiniões que diz ostentar. Expõe interpretações como fatos/certezas; reduz a complexidade de pensamentos a frases descontextualizadas e, longe de ser um espaço de reflexão, converte-se num tribunal de juízos de valor moral.
    Se assim não o fosse, não leríamos jornais e colunistas sendo pautados pela revista Veja.
    A Inquisição, ja sabemos,inscreveu-se como o horror na História, teve uma cara; a grande imprensa brasileira, com sua máscara, com certeza, ainda chega lá.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem