Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Mídia não pode acusar aos gritos e dar o ‘outro lado’ aos sussurros

Por Luiz Weis em 12/05/2006 | comentários

A liminar obtida por Anthony Garotinho para obrigar a Veja a dar-lhe direito de resposta à acusação de que, nas suas andanças de pré-candidato, ele usou um avião de João Arcanjo Ribeiro, alegado capo do crime organizado em Mato Grosso, poderá cair quando do julgamento do mérito da questão.

O suposto aluguel do avião é tratado na reportagem da edição da semana passada, cuja capa é uma foto de Garotinho à qual se acrescentaram chifres e rabo de Satanás, para fazê-lo encarnar o que seriam os sete pecados capitais da política brasileira.

O importante na decisão, de todo modo, é que a resposta deve ter o mesmo destaque e espaço da denúncia, incluíndo chamada de capa.

Raramente a Justiça concede direitos de resposta com essa extensão e amplitude. O que deixa a imprensa à vontade para atacar aos berros e se retratar, ou registrar aos sussurros a versão do atacado, quando ela põe em xeque a validade da acusação.

Dar aos acusados da mídia igualdade de condições ao contestar o que se divulgou a seu respeito – sejam eles quem forem, mereçam eles ou não o respeito da opinião pública – não restringe a liberdade de imprensa. Restringe a onipotência de que certas publicações se imaginam detentoras. Em nome disso, propagam ofensas e calúnias como se estivessem acima das leis e da ética do ofício.

P.S.

Só para fazer sentido:

Na nota de terça-feira ”Bolívia: deu no New York Times, mas não aqui” o autor americano citado lembra que “segundo a Constituição boliviana, os contratos [que se seguiram à privatização do setor, em meados dos anos 1990] deveriam ter sido aprovados pelo Congresso. Não foram.”

É a isso que, embora metendo os pés pelas mãos, o presidente Evo Morales se referia quando disse em Viena que a Petrobras “operava ilegalmente, sem respeitar as normas bolivianas”.

O problema é que as normas bolivianas foram desrespeitadas pelo governo boliviano que promoveu a privatização, não pela Petrobras.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 15/05/2006 Hélio Amaral

    Um pouco de racionalidade nessas alturas lava a alma. Perfeito sr. Weis.

  2. Comentou em 14/05/2006 Domingos Aguiar dos Santos Aguiar do Santos

    Fui assinante da revista Veja por 15 anos aproximadamente, tinha nesse veiculo um refencial na imprensa brasileira, onde os assuntos ali abordados eram discutidos com respeito nos locais de trabalho, nos grupos de amigos, etc.Quando as empresas fabricantes de armas injetaram dinheiro na Veja para que ela fosse a favor do comércio de armas de fogo, O que observou alí naquele momento, foi alinhamento claro com os grupos economicos, em detrimento dos interesses da sociedade. O que se ouve atualmente é as pessoas dizerem que concelaram suas assinaturas porque a Veja se partidarizou perdeu o respeito, enfim deixou de ser uma publicação séria para se tornar um pafleto.Tudo que vem do governo Lula é tratado com preconceito e deboche.Eu pergunto se as assinaturas canceladas não faz diferença nas finanças do Grupo Abril, se esse novo sócio já é reflexo dessa situação ? O fato é que se eles continuarem nessa linha de atacar por atacar como vem fazendo semanalmente, estão dando um tiro no proprio pé. As pessoas estão se indignando com essa denúncias fabricadas e as assinaturas dimimuindo….Que diminuam! Isso sem contar os processo por calúnia que uma eles terão que pagar.

  3. Comentou em 14/05/2006 Seve Alves

    Meu caro Weis, Bela sacada. Só queria lembrar um detalhe a propósito do tríptico JOÃO ARCANJO/MÍDIA/GAROTINHO. A cobertura da chamada grande imprensa está tão desonesta que, há quinze dias, li numa matéria no IG que a Polícia Federal estava com documentos que comprovavam envio de dinheiro( R$245.000) do JOÃO ARCANJO para o comitê de campanha do senador ANTERO PAES DE BARROS ( PSDB/MT) – o defensor dos caseiros fracos e oprimidos. O que dói é que NINGUÉM DEU UMA LINHA SEQUER SOBRE O ASSUNTO. E tenho certeza de que, se D. Marisa desse uma gorgeta acima da média á sua manicure, seria manchete de primeiras primeiras páginas e viraria até notícia de escalada no JN como prevaricadora etc. E a oposição, claro, iria pedir mais uma vez o impeachment do Lula

  4. Comentou em 14/05/2006 Eunice Lopes Moraes

    A Veja era pra min era uma revista referencial em credibilidade ,e me deixava atualizada nos meus fins de semana , mas fui perdendo cada reportagem o meu conceito com a Veja,passou a ser mentirosa, tendenciosa , e de uma certa forma partidária, coisa pra me totalmente ante ético, pra uma revista ou jornal que se propõe a passar a verdade para o público ,com respeito e responsabilidade.Cancelamos nossa assinatura.Pois achamos que continuando recebendo a revista estariamos concordando com a falta de respeito dela com as pessoas que ela estar constantemente denunciando e com nós leitores.Estaríamos de uma certa forma pactuando com este tipo de jornalismo que não acrescenta em nada e só tumultua a vida do povo brasileiro.Sei que muitas vezes o nosso presidente fala algumas bobagens , mas não é por isso que ele mereça estar toda semana na Veja sendo achincalhado, POIS O CARGO DELE MERECE RESPEITO E OS BRASILEIROS QUE O COLOCARAM ALÍ TAMBÉM MERECE ESTE MESMO RESPEITO.Coisa que a Veja não estar medindo ,pra falar a verdade a Veja perdeu o respeito por ela mesma e a compostura, e que passar este mesmo lixo de emprensa aos desavisados, a começar pelo Jornalista Diogo Mainarde que é o sabe tudo e se acha o entendido em qualquer assunto, o Brasil pra ele é um lixo ,mas é este lixo que hoje lhe dar renda.O que ele Falou de Franklim Martins eu não perdoo.ele é lixo puro.

  5. Comentou em 14/05/2006 Sérgio Troncoso

    O episódio da Bolívia é emblemático para o tipo de cobertura que a imprensa vem fazendo dos fatos no Brasil.É verdade que a Petrobras pode acabar tendo que ganhar menos do que esperava,mas prejuízo dificilmente ocorrerá,a menos que o gasoduto seja fechado.O efeito do fechamento do gasoduto seria catastrófico para as fábricas e consumidores individuais do gás boliviano.O governo,até agora,agiu corretamente no sentido de não radicalizar os humores dos atuais donos do poder na Bolívia.Mas atualmente o mote é:tudo que é oriundo do governo está errado,custe o que custar.Não acho que Lula esteja fazendo um grande governo,mas tambem fica claro que o dia a dia das pessoas,não mudou em relação aos governos anteriores(nem na corrupção).Sendo assim,muitos como eu estamos a ficar enjoados com a falta de análises mais racionais e menos engajadas na chamada grande imprensa,livre e democrática.E o pior,muitas pessoas estão a se radicalizar,contra ou a favor,de uma maneira por demais emocional numa guerra fraticida,inútil e perigosa,se esquecendo que no mundo real,as soluções para as próprias vidas,vem de decisões e escolhas que independem do governo de plantão.

  6. Comentou em 14/05/2006 ubirajara sousa

    Aqui, como em quase todos os blogs, comete-se o mesmo erro: comentários precipitados. Os que julgaram que Lula foi mole no trato do caso Bolívia/Petrobrás talvez, agora, pensem um pouco diferente. O mole, hoje, não seria o Morales? Assim, são também as críticas referentes às denúncias propaladas pela imprensa. É preciso que tenhamos cautela ao emitirmos as nossas opiniões. Somos livres para pensar, mas certos pensamentos não devem ser expressos, se não dispomos de base que os sustentem. Sinceramente Luiz Weis, acho que você merece leitores mais qualificados.

  7. Comentou em 13/05/2006 adriana coelho viana coelho viana

    como fica o investimento fei pela petrobras ,o nosso paiz so perde
    infelizmente a gente nunca ganha.e triste investe la fora aqui nada nossa saude esta precaria .educação nem se fala .que paiz e este que nos estamos vivendo. muito roubo muita maldade ,nao sei se vale apena viver mais aqui. muito triste com o nosso paiz

  8. Comentou em 13/05/2006 Giovani T.

    1. Sr Morales nada mais faz do que aplicar a orientação de referendo popular boliviano (data de 18 de julho, salvo engano), onde O POVO, em urna, deciciu sobre esta questão.
    2. Todos lembram de Monteiro Lobato e do Sítio do Picapau Amarelo. O que poucos sabem é que este autor foi um dos maiores defensores da exploração do nosso petróleo unicamente por empresas brasileiras (leiam ‘o Poço do Visconde’). Isso lá por 1935. Os Bolivianos tem direito de fazerem o mesmo…
    3. Alguem viu o que representa o prejuízo da Petrobrás nesta questão? Representa muito pouco em relação ao lucro da empresa. (tanto é que suas ações estão em tendência altista, mesmo com essa turba toda)
    4. O custo do polêmico gasoduto : 25bilhões: Com essa grana toda enchemos todo nosso litoral com parques eólicos; ou plantamos meio Brasil com mamona, cana, ouflorestamento, visando a agroenergia…
    5. Revista VEJA. Fui assinante, assim como já olhei o programa do Ratinho. Ambos se equivalem. sensacionalismo demasiado. Prefiro um bom jornal diário
    6. Evidentemente acho que sr Morales trocou os pés pelas mãos ao ofender brasileiros e usar demasiado populismo na execução de tarefas que lhe foram confiadas…
    7. Àqueles que estão adorando ver o atual governo ser apedrejado por todos os lados: um dia se é pedra, no outro, vidraça.

  9. Comentou em 13/05/2006 IVAN MOREIRA DA SILVA

    Sobre o desmentido do Presid.da República sobre a suposta conta de depósitos no exterior, considero que um homem que afirma que não houve mensalão, depois de tudo o que foi apurado, ele poderia até dizer que o contrário (que o valor é insignificante e que ele tem é muito mais) não merece crédito. Pode estar mentindo. Ou será que o Sr. Paulo Maluf merece crédito e ele também nada tem depositado fora do país?
    Está cedo para se fazer comentario em defesa dele. Vamos aguardar. Eu, assinante da Veja, nem recebi este exemplar, o que deverá ocorrer somente amanhã.
    Aliás, ele próprio, o Presidente, já afirmou que quem diz uma inverdade é sempre obrigado a mentir.

  10. Comentou em 13/05/2006 Nádia Bou

    Não é possível que alguém, com um mínimo de acesso à informação, possa acreditar que a editora abril e seu instrumento de extorsão e chantagem, a Veja, mereça ínfima credibilidade. Quanto à Petrobrás, quem pode acreditar (após 10 anos nas mãos dos tucanos) que ela é uma empresa anjo e ainda candidata a santa. Como dizia minha avó, tenha dó…Os que são pagos por essas empresas que ponham a mão na consciência!

  11. Comentou em 13/05/2006 Flavio Lopes

    O comentário da senhora de Fortaleza é muito mais preocupante que o Stedile e o MST. Lembra muito o IBAD e a Marcha da Família Com Deus Pela Liberdade e Contra o Comunismo. Existe uma grande porção das elites brasileiras sonhando com um golpe de estado, que só não aconteceu ainda por absoluta falta de apoio popular.
    Qunato à Veja, equilibrada, só vendo para crer. No meu modo de ver, não é uma revista de notícias mas de fofocas, já que não tem qualquer compromisso com a responsabilidade, emitindo matérias que atingem a honra de terceiros sem que estejam lastreadas sequer em indícios consistentes.
    No caso, por exemplo, das supostas contas de Lula em paraísos fiscais, ainda que, só para argumentar, a fofoca venha a se mostrar verdadeira, da forma como foi feita, sem base em nada consistente, não passa de mero ‘jornalismo marrom’.
    Tamanha falta de compromisso com a verdade só pode estar a serviço de interesses inconfessáveis.
    P.S.: Não sou petista e me oponho ao governo Lula, que vejo com néo-liberal!

  12. Comentou em 13/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Pois é. Esse é o problema. O nazismo mexeu igualmente com os sentimentos das massas, desencadeando histeria coletiva. A ‘revolução’, de Stedile, é ainda mais atrativa às massas pois envolta da falsa idéia de ‘dar consciência’. Isso tudo é baseado num discurso antigo da luta de classes, uma teoria superada na qual o Brasil estacionou há muito.

  13. Comentou em 13/05/2006 VERENA ITALY

    ESTOU PREOCUPADA É C ESTA AMEACA DE VIOLÊNCIA DE STÉDILE AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO STEDILE PROMETE “LEVANTE” PARA TOMAR O PODER Líder do MST descarta eleições, quer revolução Depois da traição de Chávez e Morales – que Lula apóia e que hoje atacam e ameaçam o Brasil – foi a vez de João Stédile, o chefe nacional do MST. Stédile disse em Viena, na Áustria (na véspera da chegada de Lula) que não está interessado em eleições, mas em promover um “levante” no Brasil. O chefe nacional do MST declarou textualmente: ‘Dia mais, dia menos, a população brasileira vai se levantar. Nosso problema não é a eleição (de outubro), mas dar consciência para o povo’. Ligado a Chávez e apoiando a expropriação da Petrobrás na Bolívia, Stédile queixa-se de Lula e (para não perder as bocas no governo) diz que Lula é antiimperialista, apenas não é anticapitalista… O desastre do Governo na política externa (com os interesses brasileiros espoliados na Bolívia) e a declaração de Stédile prometendo um “levante”, ou seja, a violência como forma de tomar o poder devem ser associadas, pois revela a falta de respeito que Lula infunde nos seus próprios aliados, externos e internos. Junto com os escândalos de corrupção, a promessa de violência do homem do MST, indica os riscos que correria o país se Lula fosse reeleito, o que não acontecerá.

  14. Comentou em 12/05/2006 Claudia Rodrigues

    O PT tem uma máquina de propaganda poderosa, sem igual. A ponto de o único jornalista com uma visão mais equilibrada, como me parece o Sr. Weis, precisar fazer algumas concessões para se fazer entender, já que a hermenêutica desse partido deu conta d promover a inversão da realidade na cabeça de muitos incautos. Em pauta anterior, Sr. Weis acusa a revista Veja de praticar jornalismo de esgoto, numa concessão à campanha de boicote à imprensa que os petistas tentaram emplacar. Não sou leitora de Veja, não compartilho dos mesmos alinhamentos ideológicos, embora reconheça que seja uma das publicações melhor produzidas e encabeçada por alguns integrantes da nata do jornalismo. Mesmo assim, assumi que a publicação deveria ter se excedido nesta edição, criticada por um dos raros jornalistas que considero ponderados neste Observatório, como Weis,a despeito de que tais críticas não são feitas em relação aos panfletos dedicados a fazer propaganda petista quando estes excedem nas acusações (sempre!). No entanto, comprei a publicação hoje por curiosidade e qual não foi minha surpresa ao constatar que a reportagem sobre a questão da Bolívia é de altíssima qualidade e profundamente esclarecedora, sem incorrer em quaisquer excessos. O editorial, idem, equilibradíssimo. Se os panfletos petistas (que são muitos!) tivessem um décimo do padrão de qualidade de Veja já seria um avanço e tanto.

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