Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Mistério: quem são os ‘juristas’ que interpelam o presidente do Supremo?

Por Alceu Nader em 02/02/2006 | comentários

A charada dos jornais de hoje esconde-se detrás de dois fenômenos. Um é a indisposição dos jornais em aprofundar a investigação sobre a chamada ‘lista de Furnas’. O outro projeta o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, que ontem voltou a impedir quebra de sigilos solicitado pelos senadores da CPI dos Bingos.

A imprensa não checou a veracidade do documento, mas traz dois integrantes da lista – o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, José Serra – desqualificando o papel como cópia grosseira e irresponsável do chamado ‘Dossiê Cayman’, divulgado pela imprensa durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no qual vários dirigentes do PSDB eram titulares de uma conta-corrente no paraíso fiscal do Caribe. O curioso da iniciativa de invalidar a lista com 156 nomes de políticos que recebiam em Furnas dinheiro deixado por empresas privadas – bancos, siderúrgicas, fundos de pensão, entre outras – é que vários sites da Internet publicam, junto com a lista, laudo, feito sobre cópia do papel timbrado de Furnas, assinado pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp, de 28 de outubro do ano passado. Nele se lê: ‘é possível, dentro das ressalvas apontadas, que o documento questionado não apresenta indícios de manipulação fraudulenta’. A ‘ressalva’, no caso, é o fato de a lista estar numa cópia. Nenhum dos jornais de hoje identifica a existência desse laudo.

O outro fenômeno está na tentativa de azedar ainda mais as relações entre Jobim e o Congresso. Para desandar ainda mais o caldo, o presidente do Supremo voltou a impedir ontem quebra de sigilo solicitado pelos senadores da CPI dos Bingos, desta vez do empresário de Ribeirão Preto, Roberto Carlos Kurzweill, proprietário do automóvel que teria transportado os supostos US$ 3 milhões que o governo de Cuba mandou para a campanha do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O Estado de S.Paulo é o que mais atiça as partes. Hoje, o jornal pendura em sua manchete principal que ‘Jobim critica ‘patrulha’ e é interpelado por juristas‘. Ao se procurar a reportagem da interpelação, porém, não se encontra qualquer nome. Nem dos ‘juristas’, nem dos ‘representantes da imprensa e da Igreja Católica’.

Se se confirmar a veracidade da lista – trabalho que depende exclusivamente da Polícia Federal – a discussão gerada pelos leitores no Contrapauta no comentário (quase desabafo) sobre a decisão de Jobim de proibir a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico de Paulo Okamoto, ex-tesoureiro do PT, amigo do presidente da República e atual presidente do Sebrae, ganha ainda mais sentido e gravidade. O pessimismo salta dos comentários dos leitores: tanto a Justiça como a Imprensa – que dirá o Legislativo e o Executivo? –, não são íntegros para decidir ou informar o cidadão. Não há por onde escapar.

Não é bem assim. O leitor não deve desanimar, achando que a bandalheira é generalizada e que todos somos espertos e os outros trouxas. Há ainda gente digna de crédito entre os políticos. Quanto aos jornais, continua sendo indispensável a leitura de mais de um jornal ou revista para se aproximar da verdade.

O fastio demonstrado pelos leitores do blog certamente nasceu com as seguidas decepções dos últimos meses e cresceu com a dolorosa constatação de que as fraquezas morais são extensivas a todos os partidos políticos. Todos têm os pés na lama. A imprensa também tem sua quota de responsabilidade sobre essa desesperança. Primeiro, porque cobriu maciçamente a crise utilizando-se de uma profusão de dossiês e gravações clandestinas. Segundo, porque amplificou a crise e fechou o foco quase que exclusivamente sobre o PT e seus aliados, quando nomes da oposição também apareceram bebendo no valerioduto. Terceiro, como mostram os jornais de hoje no noticiário sobre a lista de Furnas entregue pelo ex-deputado Roberto Jefferson à Polícia Federal, continua vigente a falta de bom-senso na concessão de dois pesos e duas medidas – dependendo de onde a lama alcança.

Todos os comentários

  1. Comentou em 10/02/2006 Geraldo Moura da Silveira

    Gostaria de perguntar aos dignos representantes da grande imprensa se, ao deferir liminar em favor de Daniel Dantas impedindo ‘temporariamente’ a CPI de ter acesso ao disco-rígido (que já apresenta sinais de flexibilidade) do Banco Opportunity, a insuspeita ministra Ellen Gracie estaria interferindo indevidamente nos trabalhos persecutórios da CPI dos Correios??? E quais as insondáveis razões que levam essa mesma grande imprensa a simplesmente ‘ignorar’ as estranhas movimentações desse cidadão que foi um dos donatários do ‘esquema’ das, digamos, privatizações de nossas estatais? E o que acham os representantes da grande imprensa do fato de DD ter lhes imposto uma censura prévia no bojo de um processo criminal, sem possibilidade do contraditório? Quando surgiu a proposta do CNJ, os defensores da liberdade de imprimir promoveram ‘verdadeira guerra cívica’ contra a proposta, que visava disciplinar internamente a conduta ética dos únicos profissionais ‘liberais’ que têm liberdade absoluta no exercício de seu ofício. Até o Judiciário, que julga os delinqüentes verbais da mídia, é controlado administrativamente por um órgão constitucional. Mas os delinqüentes verbais se julgam acima dos três poderes. E os três poderes se curvam a eles. Como bem diz Mino Carta, a imprensa brasileira gosta mesmo é de dinheiro. E, de preferência, bastante. Informação pública? De somenos importância.

  2. Comentou em 05/02/2006 Luiz Fernando Carceroni

    O caixa 2 de Furnas do PSDB/PFL tem cópia autenticada em cartório com a Polícia Federal. A cópia foi entregue por Nilton Monteiro. É uma novidade muito importante. Eu disse Autenticada em cartório. Por isso, o delegado federal esteve em dois cartórios do Rio de Janeiro. A imprensa não se interessou nem acompanhou o trabalho da polícia apesar de chamada. O Jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, disse que o Dimasduto se baseia em cópia de uma cópia para desmoralizar o documento provocando insegurança e descrença sobre seu conteúdo. Ele não cumpriu seu papel de bem informar-se sobre o que escreve. A imprensa em geral, quando se trata de denúncia contra o atual governo, ouve a oposição, consulta analistas, pergunta aos universitários e reserva a primeira página, durante vários dias, para ficar badalando o sino do assunto. Ao contrário, se é suspeita contra a oposição, se apressa em tentar invalidar, neutralizar, não ouve a oposição da oposição, só reserva a primeira página em casos raros e não badala sino algum e muito menos entrevista especialistas. Parte da importante da imprensa esta lutando desesperadamente para desqualificar e por em dúvida o documento do Dimasduto. Os verbos usados sempre estão no condicional duvidativo. Para eles pau que bate em Chico não bate em Franscisco

  3. Comentou em 04/02/2006 Wagner Martins

    Acho que tá na hora de começarmos uma cruzada de luta defesa das garantias conquistadas na Constituição de 1988. Depois e tentarem desmoralizar a figura do Habeas Corpus, partem para um questionamento estranho a um Juiz da Suprema Corte, que se encontra lá desde antanho. Repensar, pois houve um tempo em que se dizia que DECISÃO DE JUIZ, NÃO SE DISCUTE, CUMPRE-SE. Isso onde há sociedade realmente organizada… Ótima a matéria. A abordagem está correta. O tratamento que e deu a um caso, não foi e não está sendo dispensado ao outro…

  4. Comentou em 04/02/2006 Paulo Henrique Soares

    Parabéns Alceu. Parabens as pessoas que aqui opinaram. Eu acho que nos como formadores de opiniao devemos fazer nossa parte , divulgando a verdade. Que essa midia parcil , nao comande o destino deste pais. Como cidadoes devemos divulgar o que acontece. Eu ainda tenho esperanca no Brasil

  5. Comentou em 04/02/2006 Gerson Faria

    A respeito do que disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim na abertura do ano Judiciário – (o STF) “…nunca se curvou e não vai se curvar a patrulhamentos de nenhum tipo, públicos ou privados”. À parte as controvérsias que gerou quase que instantaneamente, a declaração remete a uma questão levantada pelo titular deste Contrapauta (“Da maior importância: presidente do Supremo fundamenta decisão no descrédito da mídia”, 30/1)

    < ?xml:namespace prefix = o ns = 'urn:schemas-microsoft-com:office:office' />

    Primeiro: teria sido de fato a credibilidade da imprensa, posta em xeque a partir da incessante onda de denúncias de corrupção envolvendo o governo federal, o ponto central da sentença como aponta o blog? Ou a simples rejeição do papel da mídia, “como instituição”, no processo, como aliás é sugerido entre vírgulas na mesma postagem? Parágrafo quinto: “Esta é a frase que resume a credibilidade da imprensa, como instituição, depois de meses de intensa cobertura sobre a corrupção no governo federal.”

    Independente de acertos ou erros por parte da mídia, de sua qualificação, de engajamentos de alguns setores tanto de um lado como de outro, de tendências explícitas ou da legitimidade de suas práticas em toda a crise, a meu ver o que interessa é pra que lado sopra a sentença de Jobim.

    Uma coisa é a desqualificação de matéria jornalística como peça de instrução processual. E assim deve ser discutida. Outra é se o que se discute é o nível de sua atuação, e se com base nela o presidente do STF teria fundamentado sua decisão (“A imprensa está sendo questionada duramente em outros países e talvez a decisão do presidente do STF contextualize esse mesmo questionamento no Brasil”), porque aí me parece que o buraco é bem mais embaixo. Acho que um quadro como esse se desloca da esfera jurídica e assume contornos de republiqueta, seja qual for seu principal item agrícola.

    Justificar a contextualização de uma decisão do Supremo, com base no crédito ou descrédito do trabalho atual da imprensa, é inaceitável, simplesmente por embutir a aceitação de uma aberração. A favor da Corte, resta a hipótese de Jobim ter vedado o pedido de quebra de sigilo pelo fato deste ser capenga do ponto de vista jurídico. Ainda assim não sem contestação, a considerar o fato de que sobre o mandato de Jobim no Supremo sempre pairou dúvidas quanto às suas intenções políticas. Ainda mais nesses dias, já que ele se tornou, com todo desprendimento, a noiva da vez, desejada tanto por um lado como por outro para uma composição nas próximas eleições.

    Durante toda a crise o ministro Jobim teve a oportunidade de protagonizar decisões tão polêmicas como a atual, em que acena com a salvaguarda de liberdades e garantias individuais para legitimar sua decisão. Particularmente no caso do julgamento de pelo menos uma das dúzias de ações interpostas por José Dirceu no STF, pode-se dizer que o ministro teve comportamento bisonho, chegando a constranger um de seus pares, ao interpelá-lo em plenário por discordar de tese defendida por ele.

    O episódio, que gerou controvérsia até mesmo quanto ao resultado registrado (teria havido manipulação na contagem de votos), foi mais uma jogadinha de lama no Judiciário. Jobim foi ainda, entre outros, alvo de um pedido de impeachment por comportamento, digamos, não-republicano, depois de declarar que quando relator da Constituição de 1988 teria feito dois artigos passarem por baixo do pano. O pedido não partiu da imprensa ou do Legislativo, mas de um de seus pares mais renomados, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello, que perfilou junto ao seu nomes de outros juristas de peso, como Goffredo da Silva Telles, Fábio Comparato, Dalmo Dallari e Paulo Bonavides, que também estariam dispostos a pedir a sua cabeça (não vi sobre isso nenhuma investigação por parte da imprensa). Uma coisa é o fato, outra é contá-lo como se fosse uma façanha, uma travessura”, justificou Mello. “Ele achincalhou a nossa Constituição e maculou o nosso Congresso no concerto internacional dos países” (Carta Capital, agosto de 2005).

    Como se vê, a trajetória de Jobim à frente do Judiciário não ajudou em nada a melhorar a decaída imagem do Judiciário, e em princípio por si só justificaria a avalanche de dúvidas sobre a legitimidade de suas decisões. Para ele, porém, são simplesmente movimentos de patrulhas.

    Faltam provas? Mas o que se queria? Numa boa, não é difícil imaginar que numa democracia de estágio razoavelmente adiantado, pelo que já foi apurado até aqui pelas diversas instâncias, inclusive, a imprensa, um caso como o de Okamoto seria periférico, com desdobramentos judiciais inquestionáveis, assim como a queda natural de várias lideranças, dentro e fora do governo. Simples. É o que se espera, independente de matiz ideológico e partidário. Só que para isso teríamos de pensar num Judiciário mais afinado com a sociedade ou talvez menos complacente com o estado geral de patifaria. Mas pensar num processo na linha Mãos Limpas, sem chance, não é?

    Na mesma linha andam o Legislativo e o Executivo, já que não conseguem cumprir o minimamente desejável, particularmente nos quesitos que mais vendem, como ética e transparência (a mídia também os vende), ao que consta, coisas típicas de crédulos vassalos. E não parecem nem aí com os efeitos de suas decisões entre a turba. Ela que se lixe pra entender o que lê e o que é determinado diariamente pelas diversas instâncias do País.

    Claro que a mídia também está na berlinda, daqui e de fora, acuada inclusive pelos avanços no front tecnológico que põe em discussão a sua própria essência. Cabe a ela, no entanto, (re)discutir suas práticas, e a sociedade (re)avaliar seu papel. Mas o que se vê é uma a falta de credibilidade generalizada no País, de origem certamente identificável, e nesse caso ela parece ser mais reflexo do que agente, com conseqüente redução de seu poder de fogo, baixa autonomia e crescente descrédito. Mas nem por isso sequer imagina-se que esse descrédito possa ser usado por outra instância em matéria dessa natureza, principalmente no contexto atual e pela mais alta Corte do País.

    Não diria que Jobim se valeu do descrédito da mídia, impensável. Se é para apontar uma contextualização, diria que a fundamentação de Jobim encontra maior ressonância na reação do deputado Marcondes Gadelha, que disse que a discussão sobre a redução do recesso parlamentar “foi mais imposta pela mídia do que pela sociedade. E que a definição do período em 55 dias deve ser considerada uma defesa da autonomia e soberania do Congresso, que não cedeu às pressões da imprensa por férias de 45 dias” (Radiobrás, 23/1).

    E neste mesmo contexto o jogador Edmundo do Palmeiras acusou a imprensa de supostamente ter informado ao juiz que ele havia feito um gol com a mão.

  6. Comentou em 04/02/2006 Dermeval Vianna Filho

    …neste momento da história, põe em cheque a tão divulgada imparcialidade. Ora, não que comedimento seja ruim, mas é estranho e digno de desconfiança, esta demonstração repentina de cautela dos instrumentos veiculadores de informação (diga-se, daqueles que desde o começo da crise, não foram nem um pouco apáticos – Veja, Istoé, Folha, Estado, Globo…). Seria arrependimento por terem adotado até o presente uma postura tão descomedida? Redescobriram os valores éticos perdidos em era longíqua? Ou será que seus interesses encontram-se ameaçados com o irromper dos novos fatos?
    Como estes meios de mídia vinham adotando um comportamento parcial, fica difícil não questionar os motivos pelos quais houve esta mudança de postura. Infelizmente, pelo que lemos em outros veículos de informação (Observatório, Carta Capital, Caros Amigos), resta-nos colocar sob suspeita boa parte da mídia nacional, pois ficamos sem saber onde estão os liames da imparcialidade jornalística.
    Sobra, então, o alento de que esta crise tambem sirva para rediscutir a própria mídia, como forma de recolocá-la ao papel que deve ter em uma sociedade democrática, ou seja, um instrumento de investigação escorreita do poder.

  7. Comentou em 04/02/2006 Dermeval Vianna Filho

    Como afirmado no último parágrafo da matéria, é vergonhosa a tomada de partido por parte da chamada ‘grande mídia’. Quando do estouro do chamado escandalo do mensalão, seres até então desconhecidos da maioria da população passaram a ser considerados como os paladinos da moralidade. Irromperam personalidades duvidosas, como o neto de ACM e o filho de César Maia. O último inclusive teve espaço em cadeia nacional para manifestar que procedera ao cruzamento de informações (?) e afirmava, categoricamente, que havia dados que demonstravam a correlação entre propina-votações parlamentares. Até hoje, não foi desmentido, exceto por este observatório. Contudo, como agora os denunciados são outros, adota-se uma cautela não vista até então. Vedete do neo-jornalismo, Fernando Rodrigues, passou a desmentir publicamente a lista, da qual só tomou conhecimento pela internet. Até então era nítido o tom sarcástico que adotava quando do surgimento de uma nova denúncia. Entretanto, com relação a lista de Furnas, irrompe-se demonstando que ela não inspira confiança, omitindo-se (de propósito?), que um relatório consuzido pela PF desde o ano passado corrobora diversos fatos apontados na lista profana, do qual a confissão de Roberto Jefferson apenas veio a acrescentar. O fato é que a tomada de cautela por parte deste jornalista, extemporânea diga-se, como de boa parte da mídia nacional…(continua)

  8. Comentou em 03/02/2006 Tadeu Cotta

    Nos próprios comentários anteriores, vê-se o comportamento ingênuo de muitos leitores. Alguns falam até em deixar o país..o que seria correr atrás de ilusões. Até no radicalismo da China, de vez em quando há fuzilamentos públicos de corruptos. No presente caso, a grande imprensa, por ser instrumento da classe dominante, faz o papel que lhe cabe: defender os interesses das classes dominantes. E assim deve ser. Cabe à esquerda se defender. Estamos vivendo, no fundo, um momento de embate ideológico, em que a classe poderosa quer recuperar a hegemonia. E a História mostra que os fins justificam os meios. Ao invés de ficar lamuriando o que faz a grande imprensa, o mais útil é participar do embate junto à imprensa do tipo Caros Amigos, Carta Capital e do próprio OI. O que se trata, para as pessoas íntegras, é não perder o sentido da realidade, e continuar no combate. Veja que até ACM, que renunciou ao mandato de senador para não ser cassado por falta de decôro parlamentar, agora reeleito lança pedras no governo Lula. Lênin disse uma vez: ‘quem não quer sujar as mãos, não deve se meter em política’. Mas o que é sujar as mãos? Às vezes é simplesmente romper com a nossa falsa moral e tratar a realidade com os sentidos ligados na História. O que se trata, para as pessoas íntegras, é continuar a defender uma sociedade mais justa e igualitária. O moralismo só nos atrapalha. CORAGEM!…

  9. Comentou em 03/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    O homem é um ser político porque vive em sociedade. A vida em sociedade é insuportável se cada qual só pensar em sí mesmo. Portanto, a POLÍTICA é ou deve ser a arte do convencimento com vistas ao bem comum. Sendo assim, convencer alguém de uma mentira ou de uma versão criada para desencaminhar seu raciocínio ou decisão não pode ser considerado uma ação política. Pode ter reflexos políticos, mas certamente não pode ser conceituada como política porque visa apenas o bem daquele que usa do ardil.

    Durante a Ditadura vivemos sob o convencimento forçado. Qualquer um que se apresentasse como dissidente podia ser calado, espancado, morto e enterrado em cemitérios clandestinos. O militarismo acabou, restabelecemos a democracia e agora parece que estamos vivendo sob o mais podre e pernicioso REGIME DEMAGÓGICO em que o tráfico de informações forjadas, distorcidas e plantadas pela situação e oposição obscurecem nossa capacidade de avaliar e julgar.

    Gosto muito de POLÍTICA e fico bastante enojado com o que está ocorrendo. Se não tivesse 41 anos ia embora do país porque me sinto um exilado em terra natal. Há algum tempo cheguei à conclusão de que só posso interferir sem naufragar neste MAR DE MERDA se me recusar a fazer parte de um Partido ou concorrer a um cargo público. É por isto que faço campanha do VOTO NULO. Situação e oposição estão no mesmo barco, porque não afundá-lo?

  10. Comentou em 03/02/2006 Isabel Silva

    Parabéns Alceu,antes de mais nada.Lendo sua matéria,lembrei do comentário que uma pessoa fez num blog a respeito do mesmo assunto.Ela dizia que no caso de Lula, até denúncias escritas em papel de pão(e sem assinatura)são aceitas como provas e divulgadas na mídia até a exaustão.Na lista de Furnas se dá o contrário,o assunto fica escondido.Mas a cara de enterro que os comentaristas políticos fazem,não dá para esconder.Passa para o povo aquela sensação de dever não cumprido.Perde a imprensa que fica desacreditada.A decepção nos blogs é geral e isso é pedagógico.

  11. Comentou em 03/02/2006 Jedeão Carneiro

    Ufa!!!, as palavras do Alceu serviram como um beliscão. Tava achando que eu tava ficando louco e fissurado pela idéia de golpismo da mídia. Ainda acho que o título devia ser mais contundente, por exemplo: ‘Caixa 2: 2 Pesos e 2 Medidas’, mas pelo menos por hoje vou deixar de tomar minha dose diária de Gardenal.

  12. Comentou em 03/02/2006 ronald bittencourt

    Caro Alceu. Só discordo quando você dis que a imprensa também tem sua quota de responsabilidade sobre essa desesperança. O correto seria dizer que a imprensa tem uma enorme, muito grande quota de responsabilidade na desesperança.

  13. Comentou em 03/02/2006 João Humberto Venturini

    Não sei a veracidade do documento, mas a imprensa em geral, exceção da Folha, noticiou com pouco destaque e questionou o documento e surpreendentemente agora não levou em consideração as palavras de Roberto Jefferson. Não precisa ser petista pra perceber o tucanismo da imprensa. Se essa lista fosse só com nome de petistas, ai seria um estardalhaço enorme e garanto q a imprensa não iria ficar preocupada se o documento era verdadeiro ou não e também Roberto Jefferson iria voltar a cena com muito destaque. Se por acaso envolvesse o nome do Lula ou qualquer parente, já estavam pedindo impeachment imediato, mas como apareceu o nome de Alckmin e outros tucanos, ai sim a imprensa espera a PF investigar, mas se fosse só ptistas ai o documento já era verdadeiro. O caixa 2 é prática em todos os partidos e não adianta a oposição querer dar uma de santa e ingênua, pois Artur Virgilio confessou tempos atras q utilizou caixa 2 e hoje no plenario vocifera indignado com o caixa 2 do PT. É claro q o PT sempre passou outra imagem, mas quem deve cobrar isso do partido são os ptistas e não os de outros partidos, pois tb sabiam q o PT usava caixa 2 pra campanha, tanto q o diretor de Furnas foi mantido no atual governo pra dar continuidade ao esquema. Isso eu creio q seja verdade, mas os envolvidos tem q esperar investigação, o q não foi feito nos outros casos, onde o pré-julgamento virou regra.

  14. Comentou em 02/02/2006 Celmo Oliveira

    Parabéns Alceu. Pela matéria e por você, que se revela verdadeiro e autêntico jornalista; mostra os fatos como eles são.É nitido e vexaminoso (e porquê não dizer vergonhoso) o comportamento da grande mídia mediante os fatos políticos que envolvem o PT em contrapartida, aos que envolvem PSDB e PFL, principalmente. E olha que não é preciso ir muito longe para constatar essa evidência. Diante de tudo isso, cabe alguns questionamentos a respeito dessa parcela da mídia: Que democracia esperam com essas ações, mostrando apenas um dos lados da moeda? Ou melhor, tentando macular esse mesmo lado? Dessa forma, como se tornar cidadãos concientes para eleger nossos legítimos representantes? Eu digo legítimos representates dessa grande nação… pobre ou rico, preto, pardo ou branco, feio ou bonito…? Que País querem para seus filhos e suas gerações? Assim como tantos, querem o quanto mais ($$$) melhor, não importa os meios ou as consequências?. Se boa parte do congresso não são dígnos do mínimo respeito, queria dizer o contrário à grande parcela de seus colegas, caro Alceu. Não posso… Não podemos…

  15. Comentou em 02/02/2006 Miguel do Rosario

    caro alceu, também assino embaixo de seu artigo. A lista pode até ser falsa, mas a falta de interesse da mídia de cobrir uma verdadeira bomba destas é prova de que é tendenciosa. Afinal, uma bomba desse calibre venderia muitos jornais. Mas a mídia é comprometida ideologicamente com os partidos de oposição, PSDB e PFL e isso ficou claro agora. A cobertura para a CPI das Privatizações e a prisão decretada dos ex-diretores do Banco do Brasil da era tucana também tem sido abafada, quando não totalmente invisível. O mais triste e revoltante, porém, é ver a imprensa atacando a própria instituição do Supremo Tribunal de Justiça, na figura de Nelson Jobim. Quando Jobim ou a Justiça é favorável à oposição, então ela é independente; quando não favorece a oposição, a Justiça é política. Também é idiota a separação absoluta que eles querem fazer entre a Justiça e a política, separação hipócrita. O que Jobim está querendo preservar é a integridade das liberdades individuais. O tal do Okamoto ou o outro, podem ter assinado sites de pornografia (situação hipotética e surreal), mas o que a mídia tem a ver com isso? Ela quer ver sangue, sangrar todos os que estão próximos a Lula, para isolá-lo, cercá-lo, impedindo-o de dar prosseguimento ao projeto desenvolvimentista, iniciado por Vargas, continuado por Juscelino e somente agora reativado pelo Lula. oleododiabo.blogspot.com

  16. Comentou em 02/02/2006 Vladimir Nunes de Oliveira

    Parabéns Alceu. Assino embaixo de seu comentário a respeito do tratamento dado ao assunto pelos jornalões.

  17. Comentou em 02/02/2006 José Carlos dos Santos

    É que certos jornalistas são mais reais que o rei, por analogia, são juristas mais juramentados que os de carreira, e também são juízes, promotores, só não são réus pois eles nunca têm culpa de nada.

  18. Comentou em 02/02/2006 Silvano Carvalho

    Ao abrir o site do jb deparei com a frase, juristas interpelam presidente do STF e para minha surpresa ao ler a noticia tambem nao vi nome de nenhum jurista ou serah que juristas sao a midia contrariada?

  19. Comentou em 02/02/2006 Paulo de Tarso Neves Junior

    Caro Alceu,

    De todos que já li, o senhor é o primeiro jornalista que assume a responsabilidade da imprensa na desesperança e no ceticismo de grande parte dos brasileiros (inclusive juízes).
    Talvez deus colegas do OI refiltam sobre as últimas frases desse artigo, elas resumem tudo: Utilização pela imprensa de material obtido por métodos criminosos, amplificação seletiva e desequilíbrio na cobertura.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem